Natural Born Killer
20 Apenas o Começo
Notas iniciais
13 DE NOVEMBRO DE 2006
Nora acordou com seu celular tocando impacientemente ao lado da cama. Com dificuldade alcançou o celular e olhou as horas. Bufou; havia conseguido dormir somente por três horas. Sentou na cama e atendeu o celular assim que reconheceu o número.
– Senhorita Mayson? – a voz masculina perguntava apressada do outro lado da linha.
– Sim, sou eu. – ela respondeu esfregando os olhos.
– Aconselho que a senhorita venha rapidamente para a delegacia.
– O que? Aconteceu alguma coisa? – Nora perguntou preocupada, enquanto ficava de pé ao lado da cama.
– O Dr. Alden lhe explicará tudo assim que a senhorita chegar aqui. – a voz masculina respondeu antes de desligar.
Nora tomou um banho rápido e vestiu suas roupas. Desceu rapidamente até a calçada e chamou um táxi. Em poucos minutos, já estava passando pela entrada de vidro da delegacia.
– Mayson, que bom que chegou. Acompanhe-me. – Alden disse sendo seguido por Nora.
Ele abriu uma porta de vidro e entrou em seu escritório, dando passagem para que Nora entrasse também.
– Achamos um corpo dentro do lago. O nível de água diminuiu, fazendo com que um pescador visse o corpo nu de uma jovem. Ela estava amarrada a três blocos de concreto. O assassino poderia tê-la jogado da ponte, onde a água é mais funda. Mas eu não sei se ele foi burro demais ou se ele queria nos mostrar aquilo. – ele respondeu enquanto encostava-se à mesa – A decomposição do corpo ocorre muito rapidamente dentro de um lago, mas o corpo dela... Ele está intacto, Nora. O assassino deve tê-la matado horas atrás.
Nora sentiu suas mãos congelarem e esfregou uma na outra. Aquilo tinha começado de novo; mais uma pessoa estava morta e Nora se sentia incapaz de exercer seu trabalho. Não tinham nenhuma pista de quem estava cometendo aqueles crimes.
– Você será mandada junto com a equipe de perícia criminal. Da primeira vez, você foi somente para observar. Hoje, eu quero que você haja. Quero que me traga pistas que me levem até o assassino. – ele falou sério.
Assentiu e saiu apressada da sala, parando no corredor. Katherine Law estendeu para ela um jaleco branco e um par de luvas dentro de um saco plástico. Nora seguiu três pessoas de jaleco e entrou em um carro da polícia. O coração de Nora apertou ao chegarem perto do lago. Ela já conseguia ver alguns policiais andando apressadamente no local já cercado com fita amarela. Alguns estavam agachados examinando algo que deveria ser o corpo. O carro parou, Nora desceu e deu alguns passos na lama molhada. Um homem alto saiu do carro um pouco depois de Nora e conversou algo com o policial. O policial juntou seus homens e deram espaço para que a equipe pudesse examinar o local e procurar alguma prova que os ajudasse.
Nora passou os olhos pelo corpo da menina. Seus tornozelos e pulsos tinham marcas negras, indicando que haviam sido amarrados com força. Sua pélvis estava com pequenos arranhões feitos por unhas compridas e afiadas. Parou os olhos sobre os desenhos feitos na barriga da vítima e sentiu seu coração disparar. Reconheceu os desenhos e sabia que era dele. Era da mesma pessoa que havia matado os jovens na casa abandonada. Havia feito mais uma vítima. Mas por quê? Por que ele havia matado outra pessoa? Por que depois de todo esse tempo? Então, ele não poderia ser considerado apenas um assassino em massa. As perguntas surgiam na cabeça de Nora sem que ela pudesse controla-las. Sentiu seus anos de estudo irem por água abaixo ao perceber que não estava pronta para aquilo. Ela não fazia ideia de quem tinha cometido aqueles crimes, ela não sabia como ajudar a policia a prender o criminoso. Estava sem saída.
Sentiu falta de sua família. Sentiu falta de quando ia para a faculdade. Por mais que Nora sempre tivesse desejado um caso igual ao das séries de televisão, ela, mesmo que sem saber, rezava para que nunca acontecesse. Ela sabia que não saberia o que fazer. Ela estava de mãos atadas e sentia como se a população inteira de Northamptonshire dependesse dela para conseguir dormir em paz novamente.
– É difícil, né? – um homem loiro de olhos claros sussurrou ao parar ao lado de Nora.
– Você tem ideia de quem fez isso? – ela perguntou com medo.
– Nenhuma. – ele confessou.
Ela respirou mais calma. Pelo menos ela não estava sozinha.
– Foi a mesma pessoa que matou os jovens na casa abandonada em Setembro.
– Como sabe? – ele perguntou cruzando os braços.
– Os símbolos. – ela apontou para a barriga de Ashley – Eles são uma espécie de assinatura, eu sinto que eu conheço isso...
– Talvez estejam num idioma esquecido. – ele palpitou.
– Talvez.
Andou até um dos peritos que estavam com a ficha de Ashley e pediu para dar uma olhada. Ashley Frankland, dada como desaparecida há menos de vinte e quatro horas, o que explicaria o estado quase intacto de seu corpo, era americana e havia se mudado para Northamptonshire para estudar na Universidade de Northampton. Era conhecida por tirar notas boas e por ser aspirante em cálculos de Engenharia. Até então, a ficha não exibia nenhuma relação com os jovens assassinados. Não fazia sentido, nada ligava o assassinato de Ashley aos outros, exceto os desenhos cuidadosamente feitos na pele de todas as vítimas. Nora não via uma lógica.
– Temos que entregar o perfil. – um promotor público falou ao seu lado.
– Como assim? – ela perguntou abaixando a ficha – Nós não temos nada.
– Vocês queriam outra vítima, e aí está. – ele respondeu apontando para o corpo.
– Você acha que foi a mesma pessoa?
– Sim. Temos que dar um perfil para a polícia fazer seu trabalho. – ele respondeu sério.
– Eu... Eu vou analisar a cena e vou fazer um relatório. – ela disse passando a mão na nuca.
– O quero nas mãos de Alden em menos de vinte e quatro horas, para que a unidade de psicologia forense possa fazer o seu trabalho.
Nora assentiu e voltou seu olhar para o corpo. Bufou. Irritou-se com a persistência de um perito que tirava várias fotos do mesmo ângulo.
– Nada. – o homem loiro falou enquanto se aproximava novamente de Nora.
– É melhor liberarmos logo o corpo para o médico legista. Talvez ele consiga descobrir o tipo de faca que fez os cortes. – Nora deu de ombros.
– Já tentamos isso da outra vez. Os cortes pareciam terem sido feitos por algum canivete encomendado ou comprado em outro país. Não tem registro dele em lugar nenhum.
– O que faremos, então? – Nora perguntou ansiosa.
– Não temos mais nada a fazer. O corpo foi jogado no lago, não fazemos ideia de onde o crime foi cometido e não temos nenhuma prova física. Temos que esperar o resultado dos exames forenses.
– Temos que entregar os relatórios, eles querem um perfil. – Nora cruzou os braços.
– Estão com medo de que a policia americana queira se meter no caso. Ela ainda não tinha o visto definitivo. – ele respondeu com o olhar longe.
– FBI? – Nora perguntou curiosa.
– Não sei. Se eles acharem que isso foi feito por um serial killer, eles podem querer investigar. E isso não seria bom.
– E por que não? Eles são bons, podem nos ajudar.
Ele sorriu e balançou a cabeça.
– Se eles entrarem no caso pode ter certeza que não vamos mais ter acesso a nenhuma informação. Além de esfregarem na nossa cara o fato de não sermos competentes.
Depois de algum tempo, Nora observou homens cobrindo o corpo e o carregando para o veículo negro. Ela queria que aquilo demorasse mais tempo, para que ela pudesse elaborar alguma desculpa por não ter conseguido nenhuma prova. Alden ficaria furioso, mas o que ela poderia conseguir? O corpo havia sido jogado no lago, ele queria que ela achasse uma foto do criminoso sorrindo enquanto estuprava a vítima? Havia terminado seu trabalho por ali, só lhe restava esperar os médicos fazerem os exames para que finalmente descobrissem o que havia acontecido com Ashley. Tentou concentrar-se no que escreveria em seu relatório e como poderia elaborar o perfil do criminoso com tão poucas provas. Sua única alternativa era se basear no assassinato em Brixworth e torcer para tudo aquilo acabar logo.
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