Natural Born Killer

5 Uma Coisa Leva a Outra


Notas iniciais
Capítulo chato e sem música, mas espero que gostem mesmo assim.

05 DE JULHO DE 2006

Os estudos ainda não apresentaram provas concretas que mostrem os motivos que uma pessoa tem para virar um serial killer. O estudo somente se dividiu em duas formas de classificação: uma baseada no motivo e outra baseada nos padrões organizacionais e sociais. Nem todo serial killer é igual, eles não formam um padrão; alguns se concentram no ato – os que matam rápido – e outros se concentram no processo – os que matam devagar –. Alguns escutam vozes, outros acreditam em um tipo de ideologia que lembra Hitler: quando você se vê obrigado a acabar com um determinado grupo de pessoas.


Outro tipo de serial killer é o que sente prazer em matar lentamente a vítima. Que sente prazer em ouvir cada grito de horror e cada gota de sangue escorrendo. Existem os assassinos sexuais, os que buscam emoção, os que tiram proveito e os que buscam poder. Os sexuais procuram o prazer sexual no simples ato de matar; os que buscam emoção se excitam com isso; os que tiram proveito acreditam que de alguma forma vão lucrar com a morte; e os que buscam poder simplesmente querem possuir o “poder de Deus” ao tirar a vida de alguém.


O serial killer pode ser organizado ou desorganizado, pode ser não-social ou anti-social. Pode variar entre alguém socialmente adequado e casado, até alguém que mora sozinho e possui um carro velho e sujo. O que chama a atenção, é que na maioria dos casos o serial killer é alguém inteligente, persuasivo e que sabe medir suas palavras e coloca-las nas frases de modo que mude a opinião de alguém. Algumas razões para seus atos inumanos são abusos na infância e lares destruídos.


Não há maneira de “curar” um serial killer, já que sua sanidade mental é duvidosa. Muitos são declarados psicopatas, sendo assim, respondem de maneiras diferentes aos estímulos do cérebro. Por incrível que pareça, os psicopatas são deficientes quando expostos ao medo; eles não se intimidam, não fraquejam, não encaram aquilo como uma ameaça. De acordo com estudos, os percursos neurológicos que processam sinais de problema ou incômodo alheio ou não funcionam, ou funcionam de maneira completamente diferente do resto da população. Isso explica o porquê dos psicopatas se sentirem completamente indiferentes quando entram em contato com a dor e o sofrimento que causam em suas vítimas.


Foi essa mente completamente diferente e instigante que atraiu Nora. Tentar desvendar o que se passa na cabeça dessas pessoas era um desafio que Nora queria atravessar, era uma aventura pela qual ela tinha esperado desde que descobriu seu amor por essas mentes insanas.


Tomou mais um gole do café enquanto lia os enormes textos que havia encontrado na internet. Como sempre, falavam sobre assassinos e os crimes mais famosos do mundo. Colocou a xícara na pia e resolveu sair um pouco. Notou o vento frio que balançava as árvores na rua e colocou um casaco. Andou pela calçada e parou em frente a padaria de Matt. Abriu a porta de vidro e ouviu o pequeno sino ecoar seu toque pela padaria. Algumas pessoas tomavam café, o que fazia o delicioso aroma tomar conta no lugar. Nora andou até o balcão e sentou-se em um dos bancos.


– Pois não? – uma jovem de cabelos claros a atendeu.


– Eu queria falar com o Matt. – Nora respondeu sorrindo.


– Ah, ele não está. Qual é o seu nome? – a loira perguntou simpática.


– Nora... Tem problema se eu esperar?


– Claro que não. Vai querer alguma coisa enquanto isso? – a jovem perguntou.


– Um café, por favor.


Depois de um tempo, Nora bebeu o café forte da padaria enquanto olhava a porta de vidro. Algumas pessoas passavam apressadas pela calçada, enquanto algumas apenas passeavam calmamente. O celular vibrou no bolso do casaco de Nora, o que a fez colocar a xícara no balcão e pegá-lo para atender.


– Nora! Como você está? – o pai de Nora perguntou alegre.


– Oi, pai. Estou bem, e o senhor? – ela perguntou calma.


– Estou bem. Como está aí? Trabalhando muito? – ele perguntou animado.


– Ah, está do mesmo jeito, pai. Ainda não tive nenhum caso. – ela respondeu desanimada.


– Talvez seja assim mesmo, filha. – ele respondeu compreensivo.


– Talvez seja...


– Tenho que ir, Joey está me esperando para uma tarde de pescaria no Bakerville’s. Adeus, fique com Deus! – ele falou apressado.


– Tchau, pai. – ela respondeu sorrindo.


– Desculpe, ouvi sua conversa... Você é policial? – a jovem loira perguntou sussurrandoa trás do balcão.


– Sou da perícia criminal. – Nora respondeu sem vontade.


– Que legal! – os olhos da jovem brilharam, fazendo Nora sentir orgulho.


– É, mas aqui é bem calmo, acho que não vou trabalhar por um bom tempo. – respondeu enquanto tomava um gole do café.


– Sim, aqui ninguém é assaltado e nem morto. Desculpa... Mas eu espero que continue assim, é difícil pra quem tem lojas aqui. – a loira falou sem graça.


– Entendo... – Nora respondeu mordendo o lábio.


– Nora? – uma voz masculina foi ouvida.


– Oi, Matt. – Nora respondeu sorrindo ao virar-se na direção da porta.


– Achei que tivesse esquecido de mim. – ele disse sorrindo, mostrando as covinhas nas bochechas.


Nora não pôde deixar de sorrir de volta.


– Claro que não. – ela respondeu sem graça.


– Então, como está indo? – ele perguntou enquanto se sentava do lado dela.


– Bem... E você?


– Bem, também. Vejo que gostou do café. – Matt apontou para a xícara vazia.


– Gostei, é bem legal aqui. – Nora respondeu enquanto olhava os detalhes da padaria.


– Ela é da perícia! – a jovem falou animada atrás do balcão.


– Eu sei, Lizzy, eu sei. – Matt respondeu – Desculpa, Nora, minha irmã é intrometida. – ele respondeu enquanto fuzilava a irmã com o olhar.


– Tudo bem. – Nora respondeu sorrindo.


Nora observou Lizzy atender os clientes enquanto Matt ainda estava ao seu lado.


– Ela não é parecida com você. – Nora falou baixo.


– Eu sei, ela é filha do meu pai com outra mulher. – ele respondeu olhando Lizzy, que sorria para uma cliente antiga.


– Entendi... – Nora respondeu batendo a ponta dos dedos no balcão.


– Quer fazer alguma coisa? – Matt perguntou quebrando o silêncio.


– O que?


– A gente podia ir ao shopping. É legal lá, você vai ver. – ele respondeu animado.


– Claro!


Nora e Matt se levantaram e se despediram de Lizzy, que sorriu simpática para os dois. Andaram pela calçada enquanto Nora tirava o casaco; já não estava tão frio quanto antes. Caminhavam em silêncio até que o celular de Nora vibrou. Olhou no visor e se deparou com um número estranho, mas ela tinha certeza de que já havia visto antes.


– Alô? – perguntou confusa.


– Oi. – Brian disse sem ânimo.


– Ah... Oi! – Nora respondeu sem graça enquanto olhava para Matt.


Ele apontou um banco não muito longe e sentou-se, deixando Nora conversar em particular com Brian no celular.


– Está tudo bem? – Nora perguntou ao notar o silêncio na linha.


– Sim, está... Só queria saber como você estava. – Brian respondeu ofegante.


– Estou... Bem. – Nora respondeu confusa. – Aconteceu alguma coisa?


– Não... Já falei que está tudo bem. – ele pareceu nervoso.


– Então tudo bem. – ela respondeu preocupada.


– Tchau.


– Bri...


Brian desligou o telefone antes que Nora pudesse responder.


“Ele deve estar bêbado” ela pensou enquanto balançava a cabeça.


– Pronto. – ela falou enquanto sentava ao lado de Matt.


– Aconteceu alguma coisa? Você parece preocupada.


– Não é nada. Vamos? – ela perguntou forçando um sorriso.


– Claro.


Matt sorriu e levantou-se, sendo seguido por Nora. Ela ainda não havia afastado a atitude de Brian dos seus pensamentos. Ele sempre ligava pra ela só pra saber como ela estava, mas dessa vez havia algo na voz dele. Algo que ela não havia conseguido decifrar, algo que o tornava mais enigmático do que o normal. Por um momento, sentiu medo; medo de que tivesse acontecendo algo com ele. Por sorte, Matt não falou nada; Nora estava presa demais em seus pensamentos para que pudesse responder alguma coisa. Havia decidido, iria para o shopping e depois iria ligar para Brian. Iria descobrir o que estava acontecendo, nem que isso pudesse piorar ainda mais a situação.