Natural Born Killer
45 Tormenta
Notas iniciais
Não tive criatividade pro título, mas ok
23 DE JUNHO DE 2008
Nora andou pelo apartamento tentando organizar seus pensamentos. Ainda não havia percebido que realmente estava grávida; ainda tinha esperança de acordar e ver que tudo havia sido um pesadelo. Passou a mão pelos cabelos ainda molhados e olhou a vista pela janela. Sua vida havia mudado drasticamente desde que chegou a Northamptonshire. Imaginou como tudo seria diferente se ela tivesse ficado nos Estados Unidos e logo foi ouviu o barulho da campainha. Correu até a porta; Luce havia combinado de passar lá para as duas irem juntas até a delegacia. Abriu a porta e foi surpreendida assim que viu Brian parado do outro lado. Ele tirou o Ray-Ban espelhado e o pendurou na gola da blusa estampada. Seu rosto estava paralisado e seu olhar era mais sério do que o normal.
- Posso entrar? – ele perguntou quebrando o silêncio.
Nora respirou fundo. Não estava pronta para vê-lo, muito menos para falar com ele. As coisas estavam acontecendo rápido demais e isso a deixava confusa. Já não sabia o que era certo e o que era errado. Apertou os lábios e se encostou à porta, dando passagem para Brian entrar no apartamento. Fechou a porta virou-se para ele. Ele estava de costas para Nora, olhando a vista pela janela.
- Você tinha razão; a vista daqui é mais bonita do que a do meu apartamento. – ele falou.
- Não enrola. – ela falou rapidamente enquanto cruzava os braços.
Ele finalmente virou e encarou Nora. Ela sentiu suas pernas vacilarem, mas não podia ceder. Estava decidida a terminar com aquilo; aquela história já tinha ido longe demais.
- Você conseguiu o que você queria. – ele falou com calma.
Nora franziu o cenho sem entender.
- Eu vou me entregar. – ele continuou.
Nora ergueu as sobrancelhas e abriu levemente a boca, surpresa. Por um momento, pensou que aquilo poderia ser mais uma das armações dele. Mas ele estava sendo verdadeiro; ela podia sentir isso. Ele podia perceber os músculos tensos e as mãos inquietas dele.
- Está com medo, Brian? – ela perguntou sem descruzar os braços.
Ele sorriu debochado.
- Você está sempre tentando me desvendar. – ele falou balançando a cabeça.
- E qual outro motivo você teria pra se entregar? – ela perguntou mexendo os ombros.
- Não quero colocar a sua vida em risco. – ele respondeu rápido.
Nora sentiu seu corpo amolecer e quase descruzou os braços. Suspirou internamente e abaixou os olhos. Não conseguiria manter sua decisão se continuasse olhando para aqueles olhos castanhos. Uma dose de poder tomou sua mente; ela havia conseguido. Ela conseguiu fazer Brian entrar em seu jogo. Ela havia conseguido atingir o ponto mais profundo em sua mente. Ela poderia escrever um livro, talvez. Ela seria idolatrada por ter feito um serial killer se entregar para a polícia. Ao mesmo tempo, Nora sentiu uma sensação ruim que ela não sabia exatamente o que era. Era uma mistura de medo e de ansiedade. Ela sabia que Brian nunca mais iria sair da cadeia se ele realmente fizesse o que estava planejando. Ela teria que conviver com a culpa por ter sido o motivo da prisão dele. Ela o perderia para sempre. Mesmo fitando o chão, Nora podia perceber que Brian ainda a olhava. Talvez estivesse esperando uma resposta; a resposta que Nora não sabia como dar. Ele estava esperando que ela o levasse pessoalmente até a polícia e sorrisse vitoriosa. Mas, ao contrário disso, ela apenas ficou parada com os braços cruzados enquanto tentava absorver tudo o que estava acontecendo.
- Não vai falar nada? – ele quebrou o silêncio – Você conseguiu, Nora. Eu vou ser preso e você vai ficar famosa por ter conseguido a confissão de um serial killer. – ele falou, sorrindo irônico no final.
- Não era pra ser assim. – ela finalmente respondeu enquanto descruzava os braços e andava rapidamente até a cozinha.
Brian a seguiu em silêncio.
- Não era pra ser assim... – ela repetiu enquanto passava a mão na testa.
- Está dizendo que não quer que eu me entregue? – ele perguntou erguendo uma sobrancelha.
- Não, Brian... Eu não sei! Eu tinha que ficar feliz, não é? Eu tinha que pegar o seu braço e arrastar você até a cela mais suja e mais escura de uma prisão qualquer. Mas eu estou aqui, sentindo o meu coração quebrar em pedaços. Você estragou a minha vida, Brian. Você destruiu tudo o que eu acreditava, eu já não sei mais o que eu devo fazer, eu não sei mais o que é certo! – Nora falava rapidamente enquanto Brian a olhava – Você entende? – ela perguntou.
- Era exatamente assim que eu me sentia no começo. – ele falou calmo.
- Não! Eu não sou igual a você. Não tente fazer a minha cabeça. – ela respondeu gritando.
- Você é, Nora. Você sabe que você é tão perversa quanto eu. – ele sussurrou enquanto se aproximava dela.
- Para! Chega! – ela gritou enquanto o empurrava.
Brian segurou seus pulsos e a puxou com força, colando seus corpos.
- Você me ama, Nora. Não negue. – ele sussurrou.
- Eu não te amo. – Nora fechou os olhos com força.
- Você ama o que eu faço. – ele continuou – Você ama me ter perto de você. Você ama o perigo que eu ofereço.
Nora abriu os olhos e viu os olhos castanhos perto demais. Sentiu seu corpo aquecer e desistiu de tentar soltar seus pulsos; Brian era forte demais e ela estava ficando exausta. Tentou recuperar vestígios de força que a fizesse retomar sua consciência e seguir a decisão que havia tomado no início. Mas ela como se ele pudesse acessar sua mente e desviar qualquer pensamento são que ela pudesse ter. Sentiu a respiração quente dele tocar seu rosto e respirou fundo. Ainda mantinha o contato visual quando sentiu os lábios finos tocarem os seus.
Brian a beijava com vontade deixando os lábios dela inchados. Ainda segurava com força os pulsos finos dela; não queria que ela escapasse novamente. Ele poderia voltar para os Estados Unidos e se tornar um mistério para aquela cidade. Sua identidade poderia continuar desconhecida e seus crimes se tornariam uma história que os moradores de Northamptonshire contariam para seus filhos. A casa abandonada poderia até se transformar em um museu dos horrores. Mas ele não conseguia. Ele se sentia traído por sua própria mente. Nora havia despertado algo que ele não conhecia; ele a amava. Ele amava o sorriso que ela dava toda vez que o via. Ele amava o jeito que ela cerrava os olhos toda vez que tentava adivinhar o que estava passando na mente dele. Ele não podia decepcioná-la. Não podia causar mais dor. Sabia que, se ficasse solto, acabaria matando mais pessoas. Apesar das sensações que Nora havia despertado nele, seu instinto falava mais alto. Ele lembrava-se dos alunos de Pitsford e imaginava como as cabeças deles ficariam em um espeto. Não podia seguir com aquilo; ele havia escolhido condenar sua própria vida em troca da felicidade dela.
Notas finais
ENFIM, espero que tenham gostado do capítulo e me avisem se alguém achar algum erro, tô morrendo de sono e acabei postando sem revisar. Bjkssssssssss
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