Natural Born Killer

29 Suspeito (Im)Provável


Notas iniciais
Oi :) muito obrigada pelos reviews no capítulo anterior! Que bom que vcs continuam acompanhando a fic :) espero que gostem do capítulo, e me avisem se acharem qualquer erro. Beijos!!

13 DE JULHO DE 2007

- Alden, eu... – Nora tentava falar enquanto andava rapidamente até do homem.

- Agora não, Nora. – Alden interrompeu sem olhar para trás.

- Katherine me disse que vocês acharam um suspeito. Me deixe falar com ele, eu só...

- Quer mesmo me ajudar, Nora? – Alden finalmente parou de andar e virou-se para a jovem, que assentiu rapidamente com a cabeça – Então me acompanhe.

Os dois andaram apressados até a saída da delegacia e entraram uma viatura que esperava por eles. Cruzaram a Highlands Avenue e Nora prestou atenção nos detalhes do bairro até então desconhecido por ela. As casas antigas e os prédios colados evocavam o Brooklyn e Nora não se preocupou em afastar as lembranças que surgiam em sua memória. Ao seguirem pela Spinney Hill, ela observou os coloridos grafites que decoravam as paredes do bairro sujo. Era uma Nova Iorque na Inglaterra e Nora sentia-se estranhamente em casa enquanto observava a arquitetura passar rapidamente pela janela do carro. Pararam bruscamente e Nora teve tempo de recuperar a consciência enquanto Alden descia do carro. Desceu logo atrás do homem, e foi acompanhada por dois policiais que pararam ao seu lado.

- É aqui. – Alden quebrou o silêncio, fazendo com que Nora reparasse na construção velha em sua frente.

Ele abriu o portão baixo com calma enquanto apoiava a mão direita na arma que estava presa no cinto, fazendo com que Nora desse um passo para trás e se preparasse para correr caso fosse preciso. Os dois policiais acompanharam Alden, deixando a jovem sozinha para trás. Ela olhou para os lados e observou algumas pessoas que paravam na calçada para observar a ação policial que estava prestes a acontecer.

- Eu não sei o que estou fazendo aqui... – ela sussurrou para si mesma ao perceber que não possuía nenhuma arma ou alguma coisa que intimidasse um assassino.

- Mayson!? – Nora ouviu Alden chamar por seu nome assim que ela virou-se na direção da viatura – Venha, você vai vasculhar a casa.

“Merda, merda, merda... Eu vou morrer aqui. Eu vou morrer nesse bairro e ninguém vai me achar...” Nora pensava enquanto atravessava o quintal e sujo e andava devagar até a porta de madeira. “Você é forte.” ela convenceu a si mesma assim que Alden chutou bruscamente a porta, fazendo o estrondo ecoar pela rua.

- Frank Sanger! – Alden gritou e Nora pôde observar um homem correr pelo corredor que dava acesso à cozinha.

Ficou parada na porta enquanto Alden e os dois policiais corriam atrás de Frank, que derrubava cadeiras e pratos tentando dificultar a perseguição. Frank conseguiu desvencilhar-se dos três homens e correu na direção da porta. Nora arregalou os olhos assim que viu o homem sem camisa e tatuado correr até ela e involuntariamente deu um passo para o lado, deixando o caminho livre para que Frank pudesse atravessar o quintal e correr até a rua. Nora não olhou para Alden, mas ela sabia que ele estava fuzilando ela com o olhar enquanto corria na direção da porta. Não demorou muito até que dois tiros ecoassem no ar, assustando Nora e a todos que presenciavam a cena na rua. Frank entrou na casa sendo amparado por dois policiais enquanto o sangue escorria de sua coxa esquerda. Os policiais largaram o corpo magro do homem em cima do sofá velho na sala e Alden prendeu seus pulsos com um par de algemas que estava em seu bolso. A jovem observou a cena do lado de fora da casa, com medo da bronca que poderia ouvir de Alden se ela se aproximasse demais.

- Frank Sanger, você está preso pelo assassinato de oito pessoas. – Alden falou enquanto segurava o braço esquerdo de Frank e o obrigava a ficar em pé – Nora, faça o seu trabalho.

Ela assentiu enquanto Alden carregava Frank até a viatura e o empurrava para dentro. Assim que os dois policiais saíram da casa, ela entrou pela primeira vez e pôde sentir um cheiro horrível dentro do cômodo que parecia ser a sala. O sofá velho era de uma cor que Nora não sabia o nome e ela podia sujar que seus pés grudavam no chão, por causa da sujeira. Atravessou o pequeno corredor e chegou à cozinha, avistando a pilha de louças sujas dentro da pia. Pelo cheiro forte, as louças deviam estar sujas a pelo menos uma semana. Olhou o quintal dos fundos pela janela da cozinha e observou uma caminhonete velha estacionada no quintal. Voltou para a sala e subiu as escadas, sentindo uma leve vertigem assim que o cheiro foi ficando mais forte. Puxou a manga da blusa para cobrir uma das mãos e empurrou devagar a porta de um dos quartos no segundo andar. Foi obrigada a cobrir o nariz com a outra mão assim que descobriu a fonte daquele cheiro forte que havia empesteado a casa: o cadáver em decomposição de um animal – alguma raça de cachorro, pensou ela – estava jogado no meio do quarto. Ela aproximou-se e observou as larvas e os insetos que pareciam se deliciar com a substância esverdeada que era solta pelos tecidos em decomposição.

— Nora? – ela ouviu seu nome ser pronunciado e voltou seus olhos para a porta do quarto, observando Alden a encarar com certa curiosidade e depois fitar o cadáver no chão – O que é isso? – ele se aproximou.

- Eu não sei... – ela deu de ombros – Uma das loucuras dele, talvez.

Alden ergueu uma sobrancelha e analisou o cadáver sem a mesma surpresa de Nora.

- Como vocês acharam o Frank? – Nora perguntou quebrando o silêncio.

- Uma das vizinhas ligou para a policia para reclamar do “cheiro de morto”. – Alden riu sarcástico – Pedi para Katherine investigar e ela acabou descobrindo que Frank Sanger havia estudado com as vítimas e, certa vez, foi obrigado a mudar de classe porque as ameaçava constantemente. – ele finalizou enquanto andava pelo quarto e analisava as paredes mofadas.

- E por isso vocês o prenderam? – Nora perguntou receosa.

- Ele acabou de confessar. – Alden virou-se para ela.