Notas iniciais
Oie, tudo bom? Eu sei que eu postei um capítulo há pouco tempo, mas é que só hoje eu li as novas regras e vi que a gente não vai mais poder postar fanfics com personagens reais, ou seja, sem fanfics do Avenged :( a não ser que o autor mude os nomes... Enfim, as fanfics antigas só poderão ser atualizadas até Dezembro desse ano, e como a gente já tá em Setembro eu resolvi fazer um esforço e postar a fanfic com mais frequência. Eu sei que eu dei mancada com vcs quando fiquei um tempo sem aparecer aqui, mas essa mudança na regra me "acordou" e me fez perceber como eu dependo dessa fic e também de vocês. A fic ainda tem mais uns vinte capítulos e por isso eu resolvi postar antes que Dezembro chegue e a fic fique inacessível.

Bom, é isso... Eu sei que existem vários reviews sem resposta, mas prometo que vou responder todos. De novo, obrigada por continuarem lendo. Espero que gostem do capítulo (é mais um sem Brian e sem Matthew, mas vejam isso pelo lado bom e tentem imaginar o que eles estão fazendo nesse meio tempo rs).

Beijos e boa semana pra vcs

14 DE JULHO DE 2007


Nora entrou na sala e sentiu um arrepio percorrer sua espinha; era a primeira vez em que ela entrava numa sala de interrogatório de verdade. As paredes cinzas tornavam a sala mais fria e pequena. O semi-espelho era a única “decoração” do lugar. Ela sabia bem como funcionava aquilo; a sala mais iluminada aparecia no reflexo, enquanto a sala menos iluminada veria o espelho como um simples vidro. Havia pessoas na outra sala que podiam observar todos os movimentos de todas as pessoas ali. E isso era um tanto quanto invasivo. Havia uma cadeira – a dela –, uma mesa e duas cadeiras do outro lado; uma para o suspeito e outra para o investigador. Ela sentou-se em sua cadeira e esperou Alden dar a volta na mesa para se sentar do outro lado.


– Quero que apenas observe, Mayson. Você estudou todas as cenas dos crimes, você analisou a mente do criminoso. Somente observe. – ele falou pausadamente.


Nora assentiu com a cabeça e cruzou as pernas. Sentiu vontade de sair correndo. Ela era apenas da perícia, e não do interrogatório. Estava com medo de errar e condenar um inocente. Ou pior, inocentar um criminoso. Aquilo era demais para ela. Desejou voltar à sua vida calma e sem graça de quando ela chegou a Northamptonshire. Acordou de seus pensamentos assim que ouviu a campainha tocar e a porta de ferro se abrir.


Frank Sanger foi empurrado por policiais até chegar perto de sua cadeira. Um dos policiais soltou a algema que prendia as mãos de Frank e o empurrou para sentar. Os dois policiais saíram da sala assim que Alden assentiu positivamente com a cabeça.


– Oi, Frank. – Alden disse simpático.


Frank manteve silêncio.


– Eu estava na minha casa assistindo meu seriado preferido quando me ligaram daqui da delegacia. Eu não pude pausar a televisão por que não tenho dinheiro pra ter aquele canal pago que você pode dar pausa. Você sabe por que eles me chamaram? – Alden arqueou uma sobrancelha.


Frank não respondeu.


– Me falaram que tinham achado um suspeito. Eu pensei “Puxa, justo durante o meu seriado favorito?”. Mas fazer o quê? – Alden deu de ombros – Sabe, eu gosto dos Ramones. – Alden apontou para a blusa de Frank – A música era melhor naquela época. – Alden balançou a cabeça.


Frank matinha o silêncio, deixando Nora levemente nervosa. Alden encostou na cadeira e se acomodou melhor.


– Você não vai falar, não é? Sem problemas. Eu gosto de falar. Eu não queria que você estivesse aqui, Frank. Não queria mesmo, de verdade. Mas é o meu trabalho, e as coisas podem ser muito piores se você continuar nesse silêncio. Eu, você e a senhorita Mayson queremos ir embora daqui. Por que você não nos ajuda? – Alden perguntou enquanto apontava para Nora.


Frank abaixou a cabeça e continuou em silêncio.


– Tudo bem. Eu não queria ter que fazer isso, Frank, mas você está me obrigando. – Alden levantou e apoiou os braços nos ombros de Frank – Você matou aquelas pessoas. Na verdade, você nem precisava se confessar; nós já tínhamos todas as provas que incriminavam você. Impressão digital, fio de cabelo...


Ela franziu o cenho. Não havia nenhuma pista, Alden sabia disso. Mas esse era uma das técnicas usadas em um interrogatório; a mentira. Falar que a policia tem conhecimento sobre a culpa do suspeito muitas vezes o leva a confessar o crime.


– Eu matei todos. – Frank finalmente quebrou seu voto de silêncio.


Nora se aproximou e observou as expressões de Frank. Os olhos dele rolaram para a direita, indicando que ele estava usando a memória e não o raciocínio, como era normal. Nora não sabia se isso significava que Frank estava lembrando-se da hora que cometeu os crimes, ou se estava lembrando de algo que haviam mandado ele dizer.


– Muito bem, Frank. – Alden respondeu com certo entusiasmo – Você estudou com aquelas pessoas, você passou anos ao lado delas. Conhecia cada rosto, cada história. E você não suportava isso. Não suportava o fato de que eles ainda estavam vivos para fazer com as outras pessoas tudo o que fizeram com você.


Os olhos de Frank se moveram para a esquerda. Ele estava raciocinando, e não lembrando, como deveria acontecer. Ele estava imaginando, estava criando a história em sua cabeça. Ele deveria se lembrar, deveria mexer no cabelo ou fazer algum gesto que demonstrasse seu nervosismo. Esse era o único enredo que eles tinham, era o motivo mais provável de todos aqueles assassinatos. Era a única explicação pra todas aquelas atrocidades.


– Não foi ele. – Nora interrompeu Alden.


– O que? – Alden perguntou franzindo o cenho.


– Ele não é o assassino. – Nora respondeu convicta.


– Você é somente uma perita, Nora. Passou alguns meses na Academia e está aqui somente para observar, e não falar. – Alden respondeu autoritário.


– Eu fiz psicologia, Alden. Eu estudei muito bem as técnicas de interrogatório. – Nora respondeu com orgulho.


– Então porque está na perícia criminal?


Nora ficou quieta. Alden tinha razão, ela era somente uma perita. Seu trabalho era somente estudar a cena do crime e colher todas as possíveis provas. Varghese a tinha deixado presenciar um interrogatório somente por ela ter cursado psicologia. Ela sabia que não tinha nenhuma experiência, todo o seu conhecimento havia sido adquirido nas cenas de CSI e Cold Case. Ela olhou com atenção para Frank, que agora balançava rapidamente o pé. Ela havia chegado a algum lugar.


– Estou certa, Frank? – ela perguntou calma.


– Mayson... – Alden tentou interromper.


– Você não é o culpado. Você sabe disso. – Nora continuou.


Frank começou a morder o lábio inferior enquanto ainda balançava o pé.


– Isso não pode continuar. – Alden falou enquanto apertava a campainha vermelha em cima da mesa.


Os dois guardas entraram na sala e algemaram Frank. Em poucos segundos, ele já estava sendo arrastado pelo corredor em direção ao andar das celas provisórias.


– Você perdeu a cabeça, Mayson? Eu não havia concordado com a atitude do Varghese, agora concordo menos ainda! Você não serve para isso. – Alden falou enquanto saía da sala.


– Você sabe que estou certa! – Nora falou seguindo Alden – Você sabe que ele não esboçou nenhuma reação quando você o acusou, somente quando eu disse que ele era inocente.


– Por que ele queria ser preso! Ele veio confessar, ele queria ser preso. Ele é louco! – Alden gritou.


– Ou por que alguém o quer preso? – Nora perguntou séria – Alguém disse pra ele confessar, Alden. E alguém perigoso. Você viu a reação dele quando percebeu que podia ser inocentado. Só o fato de pensar em pisar lá fora já o fez tremer.


– Você está imaginando coisas. – Alden sorriu irônico.


– Tanto faz, mas eu não vou deixar Frank ser preso enquanto o verdadeiro assassino está lá fora ameaçando todo mundo. – Nora respondeu nervosa.


– E o que você vai fazer? Você é da perícia criminal, Nora. Não sonhe alto demais.


Alden seguiu o corredor e entrou rapidamente na sala de Varghese. Provavelmente, iria reclamar dela e Varghese iria proibi-la de participar de outro interrogatório. Mas ela não ligava pra isso; estava ocupada demais pensando em como iria desvendar aquele caso sozinha.