05 DE JULHO DE 2007

- Mandou me chamar? – Nora falou tímida ao entrar na sala de Varghese.

- Ah, sim, Nora. Sente-se. – ele respondeu apontando para a cadeira marrom no outro lado da mesa.

Nora sentou-se calmamente enquanto fitava as mãos em cima do colo.

- Soube que Alden ameaçou demitir você, a Dr. Law e a Dr. Mcquire. – ele começou.

- É... Sim. – Nora respondeu depois de um tempo.

- Gostaria de saber os motivos que levaram o Dr. Alden até essa decisão.

- Bom, tudo começou em Maio quando nós... Eu, a Dr. Law e a Dr Mcquire resolvemos investigar um caso de desaparecimento. Mas resolvemos deixar isso de lado, já que não é nosso trabalho. – Nora tentou parecer sincera – Depois do aparecimento da última vitima na casa abandonada, nós acessamos a lista de desaparecidos na época e achamos que a vítima poderia ser Ramirez, o desaparecido que nós estávamos investigando.

- Então, vocês contaram ao Alden... – Varghese balançou a cabeça – Vocês, subliminarmente, disseram ao Alden que duas peritas e uma analista em informática conseguiram a identidade de um cadáver em decomposição antes mesmo do médico legista entrar em contato com o corpo.

- Não... Nós... – Nora respondeu depois de um tempo – Eu não queria insinuar isso.

- Acredito em você, Nora, mas Alden está correndo contra o tempo para resolver esses casos e você sabe o quanto ele é orgulhoso do próprio trabalho. – Varghese arrumou os óculos no nariz – Ele provavelmente se sentiu abalado por vocês terem descoberto a identidade da vítima antes dele.

- Nós vamos ser demitidas? – Nora perguntou ignorando Varghese.

- Não, Nora. Não vejo motivos para demitir duas peritas e a única analista em informática que temos. – Varghese balançou a cabeça – Mas espero que você não tente desvendar casos que não são de seu departamento, Nora, nós precisamos de você fazendo seu próprio trabalho.

Nora assentiu com a cabeça e levantou-se da cadeira, andando até a porta.

- Nora, quero falar com você. – Alden falou assim que viu Nora sair da sala de Varghese.

- Sim? – Nora perguntou preocupada.

- Acharam mais um corpo na casa. – Alden falou sério.

- Como assim? Mais um?! Faz uma semana e...

- Por que você disse que era melhor não colocarmos vigias na casa? – ele perguntou interrompendo.

- Por que... Eu achei que fosse o mesmo assassino dos seis jovens. Ele provavelmente não iria parar de matar e iria colocar os corpos em outro lugar que nós não iriamos conseguir encontrar. – ela deu de ombros enquanto falava rápido.

- Você descobriu tudo isso e não me contou? – ele a repreendeu – O seu trabalho é nos manter informados, senhorita Mayson!

- Eu... Mas que saco, Alden! Quando eu conto coisas pra você, você diz que não é trabalho, quando eu não conto, você diz que é meu trabalho! Eu não entendo o que você quer! – Nora falou sem pensar.

Alden abriu a boca procurando alguma ordem ou alguma bronca para dar em Nora, mas foi interrompido por Katherine que parou ao lado dos dois.

- Eu deixo você sozinha por um minuto e você já começa a arrumar encrenca. – Law sussurrou para Nora.

- Espero você na cena do crime. – Alden falou antes de se afastar das duas.

- Se não fosse por “cena do crime” a frase até seria romântica. – Law cruzou os braços e suspirou.

- O que você está fazendo aqui? – Nora franziu o cenho.

- Eu vim te avisar que a equipe de perícia já está saindo para ir até a casa. E a Luce também vai, parece que ela virou a favorita do Alden. – Law deu de ombros.

- Alden não tem favorita. – Nora falou rapidamente – Eu vou te ligar se precisar de alguma coisa.

Nora se afastou de Law e seguiu até o carro, onde Luce já a esperava.

- Aqui estamos nós... De novo. – Luce falou assim que desceram do carro e avistaram a plantação conhecida.

Nora bufou e seguiu até Alden.

- Incrível como você sempre chega antes de nós. Cadê o seu helicóptero? – Nora perguntou olhando para o céu.

- Incrível como eu ameacei o seu emprego e mesmo assim você não se colocou no pequeno lugar de onde você nunca deveria ter saído. – Alden sorriu e se afastou.

Nora colocou as mãos na cintura e balançou a cabeça, passando a língua nos lábios. Não precisou nem seguir os peritos para achar a casa no meio das folhagens verdes; já conhecia o caminho do inferno. Lembrava-se exatamente de como a casa era por dentro e por fora, e não duvidava de que era capaz de andar lá dentro com os olhos vendados. Entrou na casa e avistou a sala vazia, mas pôde ver a movimentação na cozinha e os flashes que iluminavam o cômodo. Andou até a cozinha e viu o corpo seminu no lugar em que deveria estar a mesa e as cadeiras. Um homem, de aparentemente trinta anos, estava deitado de bruços e as fundas marcas das facadas podiam ser vistas em suas costas. O sangue ainda escorria e manchava ainda mais o chão. Nora correu os olhos pelas pernas e pelos braços e avistou os mesmos símbolos decorando o corpo. Estava tão ocupada tentando achar a identidade do assassino, que havia esquecido de procurar a origem daqueles símbolos que, aparentemente, eram simples desenhos feitos por alguém com uma mente insana.

- George Pater, morto há aproximadamente dezesseis horas. – um perito falou aproximando-se de Nora.

- Dezesseis horas?! – Nora exclamou – Como... Estivemos aqui na semana passada e isso não o abalou. – Nora balançou a cabeça.

- Pelo visto, ele gosta de desafios. – o perito escreveu alguma coisa em um bloco de anotações.

- Nenhum fio de cabelo, nenhuma gota de sangue... Nada diferente. – uma mulher ruiva disse ao levantar-se – A não ser por um buraco de bala no meio da testa.

- O lugar não está tão desarrumado quanto no primeiro assassinato. Pelo visto, ele aprendeu como fazer. – Nora observou a cozinha arrumada.

- Mudou seu modus operandi. – o outro confirmou – E usou arma de fogo...

- A não ser pelos símbolos desenhados, ele não quer se livrar dessa assinatura... – Nora continuou – A mudança brusca de M.O. pode significar que ele tinha consciência que o que estava fazendo era errado, e por isso tomou cuidado para não cometer os mesmos erros que cometeu no início...

- Ou pode significar que ele está experimentando todos os jeitos, procurando a sua identidade na hora de matar. O que significa que ele não pretende parar até encontra-la. – a ruiva complementou.

- Avise ao Alden que temos um serial killer na cidade. – o perito falou depois de um tempo.

Notas finais
Ignorem se tiver algum erro, postei rápido porque estou sem pc e estou usando o do meu vizinho UHAUHSA Beijos, até o próximo.