Notas iniciais
Awn, mais um capítulo triste que pede uma música triste :( mas espero que gostem!!

P.S.: Recebi uma mensagem de uma menina (fã de A7X também!!) avisando sobre um novo site de fanfics que será inaugurado em Janeiro, aqui tá o Facebook: http://www.facebook.com/4Fics e é bom pra gente ter mais opções de onde postar as fics, né. Então curtam a página se vcs quiserem :)

NOVA IORQUE – ESTADOS UNIDOS

30 DE JUNHO DE 2009

(UM ANO APÓS A MORTE DE BRIAN HANER)

Nora acordou cedo naquela terça-feira, exatamente como havia feito há um ano. Olhou a janela do apartamento e viu o sol iluminar os prédios de Nova Iorque. Seria mais um dia normal no FBI, se Nora não sentisse um aperto no coração. Fazia um ano desde a morte de Brian, um ano desde que Nora viu sua vida parar diante dos seus olhos. Ela nunca havia esquecido aquele último olhar e aquele último sorriso fraco. Ainda podia sentir o cheiro do sangue e o corpo pesado em suas mãos. De madrugada, acordava assustada pensando ter ouvido os tiros novamente. Ela estava em casa, e esperava que isso pudesse amenizar seu sofrimento. Caminhou lentamente pelo corredor e abriu a porta do quarto. A janela estava fechada e somente um abajur azul iluminava o cômodo. Nora aproximou-se do pequeno berço e sorriu. Havia alguns meses que ela havia descoberto uma nova razão para viver, um novo motivo para acordar mesmo sentindo seu coração ficar menor a cada dia que passava. Ele tinha os mesmos olhos castanhos do pai, o que a fez perceber que nunca conseguiria esquecer Brian. Sentiu a necessidade de se acostumar com a saudade e com a dor, o que, por incrível que pareça, amenizou seu sofrimento. Ela sabia que ele não ia voltar, sabia que teria que seguir a sua vida e levar consigo somente lembranças.

Acariciou levemente as costas nuas do bebê e sorriu. Brian certamente estava feliz, e Nora sabia que ele estava com ela. Ela não acreditava na história de céu e inferno e preferiu nem pensar para onde tinham encaminhado Brian. Ela só queria acreditar que ele estava do lado dela e ela sabia que estava, pois via seu sorriso toda vez que fechava os olhos. Abriu devagar as cortinas, deixando o sol invadir o quarto com seus finos raios. Olhou pela última vez o filho que dormia tranquilamente no berço e encostou a porta. Atravessou o corredor e viu Rosa, a babá, fazendo o café da manhã.

- Buenos dias! – Rosa disse animada com seu espanhol.

- Bom dia. – Nora respondeu sorrindo.

- O que vai querer para o café?

- Um café bem forte e sem açúcar. – Nora abaixou os olhos ao lembrar-se de ter bebido exatamente isso há um ano.

- O que houve? A senhora está estranha. – Rosa falou ao servir o café na xícara vermelha.

- Hoje faz um ano. – Nora respondeu suspirando.

- Sinto muito... – Rosa entendeu. – Como se sente?

- Melhor do que imaginei. Achei que eu não sobreviveria. – Nora respondeu tomando um gole do café.

- A senhora tem motivos para sobreviver todos os dias. – Rosa sorriu.

- Eu sei. – Nora sorriu de volta. – Eu só não sei como vou contar para ele quando ele me perguntar sobre o pai. Eu tenho medo que ele se revolte e cometa os mesmos erros que Brian cometeu. – Nora falou preocupada.

- A senhora não poderá esconder, pode correr o risco dele descobrir por outra pessoa e tudo será pior. A senhora ama o seu filho, e amor é uma coisa que Brian não teve. Isso já o torna diferente do pai.

- Está aprendendo, Rosa. – Nora falou sorrindo.

- Tenho assistido os seriados que a senhora me falou. – Rosa sorriu orgulhosa.

Nora bebeu mais um gole de café enquanto viu a porta do apartamento abrir e seu pai entrar sorrindo. Acenou simpático para Rosa e deu um beijo demorado na testa da filha.

- Como está meu menino? – ele perguntou sorrindo.

- Está dormindo, pai. Não o acorde. – Nora ordenou fingindo estar zangada.

- Você vai trabalhar? – ele perguntou estranhando a filha ter acordado tão cedo.

- Preciso ir, pai. Você sabe que eu nunca consegui amamentar devido ao trauma, então ele vai ficar bem aqui com a Rosa. Eu tenho que trabalhar ou vou acabar enlouquecendo. – ela falou com os olhos tristes.

- Você é forte, sabia? – o pai de Nora perguntou.

Nora sentiu seus olhos queimarem e as lágrimas pedirem pra descer, mas suspirou fundo e sorriu. Assentiu com a cabeça e levantou da mesa, indo até o quarto para se trocar.

- Hoje faz um ano. – Rosa comentou ao observar Nora se trancar no quarto.

- Eu sei. – o pai de Nora suspirou. – Sabe, nunca condenei a minha filha por ter se apaixonado por um serial killer. Na verdade, eu sempre imaginei isso, ela sempre amou demais aqueles seriados. – ele falou chacoalhando a cabeça. – Cuidado, Rosa. Não assiste muito aquilo ou você vai acabar se casando com um traficante de órgãos.

- Madre de Dios! – Rosa falou rapidamente, fazendo o pai de Nora rir.

Nora tomou um banho rápido e colocou uma roupa social. Arrumou os cabelos e escovou os dentes enquanto tentava calçar os sapatos. Acabou perdendo o equilíbrio e caiu sentada na tampa da privada. Riu sozinha ao lembrar-se de quando deu seu primeiro beijo em Matt e ele tropeçou sem querer na poltrona. Sentiu saudades dele. Ela sentia saudades de tudo e se culpava todos os dias por tê-lo deixado tão repentinamente. Mas ela sabia que tinha que ser assim, ou ele nunca a deixaria partir. Calçou os sapatos e foi em direção ao quarto do filho. Ele ainda dormia tranquilamente quando ela se aproximou do bebê e abraçou seus próprios braços. Sentiu saudades de quando o corpo quente de Brian a abraçava por trás e ela sentia a respiração dele em sua nuca. Sentiu um aperto no coração ao lembrar-se de que ele não estava mais ali, e de que nunca mais iria sentir isso novamente. Olhou o filho e enxugou as lágrimas que teimaram em cair. Respirou fundo e decidiu que seria diferente. Ela havia passado o último ano sofrendo e se condenando todos os dias pela morte de Brian. Não tinha que ser assim, ela não queria seguir fazendo isso até o resto de suas vidas. Ela estava viva, ela continuava ali. Ela tinha que ser feliz, devia isso ao seu pai e ao seu filho. E à Brian também. Ele que havia a ensinado a amar e agora ela simplesmente estava jogando tudo fora. Ele não gostaria de vê-la assim; apesar de ter sido um assassino psicopata, ela sabia que era importante para ele. Ela sabia que provavelmente ele gritaria com ela e a mandaria acordar. Sorriu ao imaginar a reação de Brian ao saber que ela estava se entregando.

Respirou fundo novamente e ergueu a cabeça. Estava em Nova Iorque agora, junto com seu pai. Estava trabalhando no FBI e tinha um futuro a trilhar. Não podia continuar assim, não agora. Acariciou o filho e saiu devagar do quarto. Andou pelo corredor até encontrar seu pai sentado no sofá e Rosa arrumando a cozinha. Pegou a bolsa em cima da mesa de jantar e deu um beijo demorado no pai, enquanto ouvia um sussurro de “boa sorte”. Deu um abraço em Rosa saiu do apartamento. Desceu do elevador e pisou na calçada. Nova Iorque estava mais bonita e mais brilhante do que nunca, o que fez Nora sorrir. Um pouco de esperança nasceu naquele coração tão negro e solitário. Uma brisa fresca se chocou contra o rosto de Nora, a fazendo acordar para mais um dia que ela deveria agradecer. Ela sabia que a dor sempre ia estar ali, ela sabia que a saudade iria atormentá-la todas as noites. Mas ela também sabia que tinha que viver, que tinha que respirar e agradecer por mais um dia. Não importava o tamanho da dor, a vontade de viver teria que ser maior. Não importava o tamanho do buraco, ela seria capaz de construir uma ponte para poder chegar ao outro lado. O mundo não iria parar e esperar ela se recuperar. A vida continuava; as mães continuavam levando seus filhos para a escola, os executivos continuavam apressados pelas ruas. Cada um com sua dor, cada um com seu sofrimento. Uns carregando a dor da perda, outros, uma simples dor de cabeça. Todos sofriam, mas todos continuavam vivendo. Batalhando todos os dias, como se suas vidas dependessem de um simples abrir de olhos de manhã.

No caso de Nora, a vida dela dependia de uma pequena coisa de apenas alguns meses de idade e olhos castanhos absurdamente curiosos. Dependia do pequeno Ryan Mayson Haner. Ryan, que significava “pequeno rei”.

Notas finais
Caralho, quero muito postar o último capítulo klasjhsdaoueqwhklsadjhe bom, beijocas e até mais tarde ♥