Natural Born Killer
34 Por Um Fio
Notas iniciais
PS.: Agora acabaram os assassinatos (eu acho, não lembro bem uheuhae) então vai ter bastante coisa acontecendo a partir de agora.
Reviews? :)
02 DE OUTUBRO DE 2007
- Brian Haner. – Alden falou enquanto entrava na sala.
- Olá. – Brian respondeu com um sorriso.
- Reconhece isso? – Alden perguntou enquanto um policial entrava na sala segurando um Remington M24.
- Um rifle. – Brian respondeu.
- Seu rifle. – Alden falou rapidamente.
- Eu caço, e daí?
- E daí que você não possui autorização para porte de arma. E não estamos falando de uma arma qualquer, Haner, estamos falando de um rifle Remington M24. Utilizado por snipers. Uma simples bala pode alcançar mais de 700 metros por segundo. E, olha que coincidência, calibre 7.62, o mesmo calibre da bala que foi encontrada na cabeça de George Pater.
- Por que eu iria ter uma arma de longo alcance para matar alguém? Se eu quisesse matar esse Pater, eu teria usado uma pistola, ou alguma coisa que não chamasse tanta atenção.
Alden encostou as costas na cadeira e observou Brian por cima.
- Você vai ser julgado por porte ilegal de arma de fogo. Ou melhor, porte ilegal de um rifle usado em operações especiais. Eu acho que é bem pior. – Alden sorriu irônico – Então, se você não quer apodrecer na cadeia, Haner, sugiro que me conte a verdade.
- Eu não matei Pater. – Brian respondeu entre os dentes.
- Então por que esse rifle?
- Eu já falei que eu caço!
Alden sorriu e balançou a cabeça.
- Você? Caçando? Ao menos que você tenha um álibi, o que eu acho muito difícil, eu sugiro que você invente outra história.
- Eu tenho um álibi. – Brian respondeu rapidamente.
- Um álibi para a história da caça ou para o dia quatro de Julho? – Alden perguntou erguendo uma sobrancelha.
- Os dois. – Brian respondeu sério.
- E posso saber quem? – Alden perguntou curioso.
- Matthew Sanders.
- E por que eu deveria acreditar?
- Ele me odeia, pode perguntar pra qualquer pessoa que more a menos de 200 metros do meu prédio. Ele não tem porque mentir para me defender. – Brian deu de ombros.
- Então, por que ele te ajudaria?
- Ele não vai me ajudar, só vai contar a verdade.
- Qual é a verdade?
- Que provavelmente eu estava dando uns socos na cara dele enquanto George estava morrendo.
Alden bufou e levantou da cadeira. Um policial entrou e tirou as algemas dos pulsos de Brian, o fazendo levantar e sair da sala. Ele andou calmamente pelo corredor, até ouvir alguém chamar seu nome.
- Haner. – Alden o chamou.
Brian bufou e virou para Alden.
- Estou de olho em você.
Alden entrou na sala de Varghese enquanto Brian ainda o observava com os olhos semicerrados. Virou-se novamente e seguiu na direção da porta de vidro, saindo da delegacia.
- Tem certeza que não é melhor decretar a prisão preventiva? – Alden perguntou enquanto sentava-se na frente de Varghese.
- Ele é esperto, Alden, ele não vai fugir. Ele sabe que isso pioraria as coisas. – Varghese ajeitou os óculos.
- Por isso mesmo; ele é esperto. Esperto demais. – Alden falou pensativo.
- Não é por causa do rifle, é? – Varghese perguntou curioso.
- O que?
- Você não está preocupado com o rifle. O que você tem em mente, Alden?
- Eu acho que ele é o assassino. – Alden falou mordendo o lábio.
- Por quê? – Varghese perguntou calmo.
- Eu não sei... Alguma coisa me diz que ele é o culpado.
- Nós não podemos prender uma pessoa somente por causa da sua intuição, Alden. – Varghese falou chacoalhando a cabeça.
- Eu sei.
- Nós apreendemos a arma, ele não é ameaça sem ela. – Varghese concluiu.
- Como consegue ser assim? – Alden perguntou depois de um tempo.
- Eu me acostumei, Alden. Você é novo, pode achar que nunca vai se acostumar, mas depois de tanto tempo vendo corpos desmembrados e loucos achando que são enviados de Deus, eu me acostumei. Acho que até fiquei um pouco louco, também. – ele deu uma risada fraca.
- É difícil saber que alguém é capaz de matar tantas pessoas. – Alden falou abaixando a cabeça.
- Foi por isso que você saiu do FBI?
- Às vezes eu tinha que correr contra o tempo para salvar uma vida, mesmo não tendo ideia de como eu iria fazer isso.
- Você sabia que tinha que fazer. – Varghese completou – Sabe, Alden, eu trabalhei no FBI. Na Unidade de Análise Comportamental. Era difícil, o projeto tinha acabado de ser criado e a psicologia forense ainda não era tão conhecida e nem confiável. A gente tinha somente lápis, papel, fotos de pessoas assassinadas e o pouco conhecimento que nos era ensinado na época. A sorte era mais importante do que o conhecimento. Só sabíamos detalhar o cérebro de pessoas normais, e nos deram verdadeiros monstros. Mas eu sabia que eu tinha que fazer aquilo, eu sabia que aquele era o caminho até a prisão de todos eles.
- E por que você saiu? – Alden perguntou curioso.
- Depois de um tempo, eu percebi que as poucas vidas que eu salvava não eram suficientes para compensar todas as famílias destruídas que passavam por nós. – Varghese respondeu com calma.
- Eu... Eu não sei o que eu faço. Os peritos estão lá fora esperando um comando, a polícia está esperando um perfil e eu me sinto de mãos atadas. Eu me sinto completamente desarmado e fraco. – Alden deu de ombros.
- Você precisa entrar na cabeça dele, Alden. Precisa pensar como ele, agir como ele. Você não pode afirmar que aprecia ou entende Picasso sem estudar suas pinturas. O projeto de trabalho de um serial killer bem-sucedido é tão cuidadoso quanto o de um pintor que planeja uma tela. Eles consideram o que fazem como ‘sua arte’. – Varghese falou calmo enquanto ajeitava na ponta do nariz os óculos redondos – Os símbolos, os cortes, a escolha das vítimas... Nada é por acaso. Ele mudou o cenário e se tornou organizado, mas ele deixou coisas em comum em todos os assassinatos.
Algumas batidas fracas fizeram com que Alden e Varghese olhassem ansiosos para a porta. Ela se abriu a Katherine Law entrou timidamente na sala.
- A coletiva de imprensa chegou.
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