13 DE MAIO DE 2007

Nora entrou correndo na delegacia já movimentada. Haviam encontrado outro corpo em Brixworth.


Estava tomando seu café e assistindo um programa sem graça que estava passando na televisão, até que foi interrompida pelo toque de seu celular. Correu até o quarto e o pegou em cima da cama.

– Sim? – ela perguntou.

– Nora, vem pra delegacia! – Katherine falou exaltada.

– O que aconteceu? – Nora perguntou assustada.

– Acharam um corpo no Brixworth.

– Como assim?

– Qual parte você não entendeu? Corre!


– O que descobriram? – Nora perguntou assim que se aproximou da mesa de Katherine.


– Uma família estava visitando o Brixworth quando viram alguma coisa escondida em baixo de umas folhas secas. O corpo estava em avançado estado de decomposição e agora a gente está analisando a ficha de desaparecidos pra ver se encontra alguma coisa. Acho melhor você correr, a equipe de perícia vai sair daqui a pouco. – Katherine falou enquanto digitava alguma coisa no computador.


Nora andou rapidamente até a sala da perícia e encontrou Luce vestindo o jaleco branco.


– Me deixaram ir! – ela falou sorrindo.


– Legal! – Nora respondeu.


Vestiu o jaleco e seguiu com Luce até a saída da delegacia, onde um carro de policia já aguardava os peritos. Nora entrou no carro e em pouco tempo estavam na estrada vazia que levava até o parque abandonado. Ela lembrou-se do senhor vigia que tomava conta do local e imaginou o quão transtornado ele deveria estar, aquele lugar era como um santuário para ele e deveria ser realmente difícil ver tudo se transformar em um lugar tão assustador. O carro passou pelo arco de metal na entrada e seguiu as placas, chegando até o lago negro. Ela desceu do carro e Alden caminhou até sua direção.


– Olá, Nora. – ele falou sério.


– Alden. – ela cumprimentou.


Ele lançou um olhar enojado para Luce assim que ela desceu do carro.


– Venha comigo. – ele falou voltando seu olhar para Nora.


Os dois seguiram na direção das arvores, até chegarem a um local cercado com a faixa amarela. Alguns policiais, que estavam ali para garantir que nada seria tirado do lugar, saíram assim que a equipe de perícia passou por baixo da faixa e começou a analisar o corpo. Não havia pedaços de roupa ou objetos por perto. Marcas de facadas podiam ser vistas nos ossos e no resto da carne, mas seria impossível tirar conclusões pelo fato do corpo ter ficado exposto às condições climáticas e à natureza, e por isso estava em um alto estado de putrefação.


– Já sabem alguma coisa? – ela perguntou enquanto olhava o corpo.


– Sexo feminino, morta há mais ou menos cinco meses. – Alden respondeu sem tirar os olhos do corpo – Duas notas de cinquenta dólares foram achadas com o corpo.


– Duas notas? – Nora perguntou franzindo o cenho – Não foi morta aqui. – ela concluiu.


– Não sabemos ainda. Algumas equipes estão analisando o parque para ver se encontram alguma coisa.


Um rapaz oriental se aproximou de Nora enquanto segurava um bloco em branco e uma caneta.


– Esse é Lio. Ele vai anotar tudo para você. – Alden falou.


Nora sorriu para o oriental, que continuou sério. Ela ergueu as sobrancelhas e respirou fundo. Passou por baixo da faixa e começou a se afastar do local enquanto era seguida por Lio.


– O corpo está aqui há muito tempo, nem sei como ainda conseguiram vê-lo. Você sabe se o vigia não viu nada estranho? – ela virou-se para Lio.


– Ele disse que não se lembra. – ele respondeu sério.


– Bom, vamos começar. – Nora deu alguns passos – Aqui existe um caminho, ele pode ter vindo por aqui. O que significa que ele deve ter entrado pela entrada normal do parque. Não há sinal de folhagem cortada ou amassada dos outros lados. – ela respondeu olhando para os lados – Se bem que, acho que poderiam nascer plantas novas depois de tanto tempo. Mas eu acho que ela não deve ter sido morta no parque. Provavelmente foi morta bem longe daqui.


– Como assim? – Lio perguntou enquanto parava de escrever.


– Vamos supor que ela tenha sido morta aqui; o assassino não a mataria perto da entrada, por causa do vigia.


– A mataria numa mata mais densa. – Lio completou.


– Exatamente. E então, por que ele iria trazer o corpo até aqui? Ele poderia muito bem deixa-la escondida e nunca seria descoberto.


– Mas por que ele trouxe o corpo para cá? – Lio perguntou curioso.


– Ele poderia ter jogado o corpo no rio, ou tê-lo cortado em pedaços e jogado fora. Mas não, ele colocou aqui. Ou ele estava com muita pressa, ou isso aqui significa algo para ele. – Nora parou para pensar – Onde está o vigia?


– Na casa. – Lio apontou para a velha casa de madeira.


Nora seguiu até a casa enquanto era acompanhada por Lio que a olhava curioso.


– Posso falar com o senhor? – ela perguntou abrindo um pouco a porta.


– Você não é a moça que esteve aqui? – ele perguntou curioso.


– Sim... – ela sorriu – Bem, eu sou da perícia criminal e gostaria de fazer algumas perguntas.


– Você não devia estar lá com os outros? Que eu saiba a perícia não está autorizada a fazer interrogatórios. – ele perguntou desconfiado.


– Sim, mas... Tem uma coisa que eu gostaria de saber.


– Não vou falar mais nada. Não gosto de vocês invadindo o meu lugar. – ele respondeu nervoso.


– Por favor, é só uma pergunta. Prometo que vamos terminar nosso trabalho e vamos ir embora. – Nora falou apreensiva.


– Tudo bem. – ele respondeu depois de um tempo.


– O senhor se lembra de onde a polícia achou a mãe daquele garoto? – Nora perguntou.


– Por que você quer saber isso? – ele perguntou sério.


– Eu preciso saber.


– Você acha que foi ele? – ele sussurrou.


– Eu não sei. Não tem como saber de nada ainda. – ela torceu os lábios.


O velho sentou na cadeira de balanço e ajeitou o chapéu. Lio e Nora o olharam esperando sua resposta.


– Estava lá. No mesmo lugar que esse aí. – ele respondeu depois de um tempo.


Nora assentiu com a cabeça e saiu da casa, sendo acompanhada por Lio.


– Ele quem? O que está acontecendo? – Lio perguntou enquanto andava rapidamente ao lado dela.


– Eu não sei ainda, Lio. Vou esperar levarem o corpo e depois eu tiro as conclusões.


Nora voltou até o corpo e o olhou. Estava certa de que Allan havia voltado.