Natural Born Killer
18 Perfeitamente Elaborado
Notas iniciais
Beijos e ignorem os erros, estou cansada demais pra revisar.
08 DE SETEMBRO DE 2006
Entrou rapidamente no carro da policia enquanto Alden sentava no banco do passageiro. Depois de alguns minutos, Nora se viu novamente na estrada vazia que dava acesso ao Brixworth. O carro parou e Nora perguntou-se se deveria descer assim que Alden abriu a porta do carro. Ela permaneceu sentada enquanto o observava dar a volta no carro e abrir a porta do lado dela.
– Quero que apenas observe. É o seu primeiro caso, não quero que você troque os pés pelas mãos e acabe atrapalhando. – ele falou sério.
Ela assentiu com a cabeça e desceu, parando ao lado de Alden. Olhou para o carro abandonado com o capô aberto e para alguns policiais que examinavam o motor com uma lanterna. Observou o caminho estreito feito na mata verde que contrastava com o céu azul e limpo. Seguiu o caminho ao mesmo tempo em que um colega fotografava cada mínimo detalhe que formava aquela cena aterrorizante. Subiu os pequenos degraus e sentiu o cheiro de sangue entrar por suas narinas. Perdeu o equilíbrio das pernas e se apoiou no velho corrimão. Recuperou o fôlego enquanto empurrava cuidadosamente a porta de madeira que dava acesso a uma das cenas mais chocantes que ela havia visto.
Os corpos estavam jogados no meio daquele cômodo que ela supôs ser a sala de estar. As poças de sangue inundavam o chão do lugar. Uma jovem loira (Emily MacCorkindale, segundo a ficha de desaparecidos) estava apenas de roupas íntimas, tonando possível a visão das facadas que formavam uma espécie de desenho em seu tronco. Seus membros estavam com marcas negras, dando a impressão de que estiveram fortemente amarrados, impossibilitando a chegada do sangue. Conan Carroll, o dono do carro, estava sem as orelhas e os olhos pareciam costurados. Ao contrário de Emily, estava com roupas, e seus membros possuíam pequenos desenhos provavelmente feitos com alguma espécie de estilete afiado. Ao seu lado, Virginia Hobbes também possuía os olhos costurados, mas dessa vez eles estavam acompanhados da boca, também costurada com uma linha negra e grossa. Mais dois corpos seguiram o mesmo estilo, Adam Smith e Norman Brontë; todos com a boca e os olhos costurados, enquanto os membros formavam uma espécie de obra de arte, com desenhos enigmáticos que ainda escorriam sangue. Os dois estavam, assim como Emily, somente com as roupas íntimas. Ela não sabia se aquilo significava abuso sexual ou se as vítimas foram pegas dormindo ou prestes a tomarem banho. Ou se a pessoa que fez aquilo apenas tirou a roupa das vítimas por pura diversão. Para sacrificá-las ainda mais.
Ela observou o corpo de Norman mais de perto e pôde observar um pequeno papel dobrado entre seus dedos. Colocou a luva branca na mão esquerda e puxou cuidadosamente o papel, que ainda mantinha-se fechado. Abriu o papel e franziu o cenho. Algo parecido com letras ao contrário estavam cuidadosamente desenhadas no papel com tinta vermelha. Sangue. Olhou novamente para os corpos e percebeu que ainda faltava um. O corpo de Anne Tolkien, a mais nova do grupo. Curiosamente, a primeira que havia na ficha de desaparecidos, e o único corpo que não estava junto dos demais. Dobrou o papel e colocou dentro do pequeno saco plástico que estava no chão, ao lado da fita amarela que cercava o local. Andou até a cozinha e viu algumas marcas de sangue pelo chão e pelas paredes.
Subiu as escadas cuidadosamente, enquanto tentava não tocar em nada para não dificultar o trabalho dos homens que apareceriam ali em pouco tempo. Olhou para o corredor e sentiu um medo invadir seu corpo. Respirou fundo. Andou até um dos quartos que estavam com a porta encostada e sentiu o mesmo cheiro forte de sangue. Olhou para o chão e observou o rastro grosso de sangue que trilhava um caminho até um armário velho. Caminhou lentamente até o armário enquanto colocava a luva branca na outra mão. Respirou fundo e abriu a porta, que foi ao chão. Sua respiração falhou. Depois de longos segundos, ela focou realmente no que estava vendo. Era o corpo que faltava, o corpo de Anne Tolkien. Ou era o que ela achava... Seus membros estavam empilhados dentro do armário do mesmo jeito que alguém empilha o lixo antes de jogá-lo fora. Seu tronco desmembrado dividia espaço com suas pernas e seus braços. O sangue que escorria pelo chão fez o estômago dela revirar. Não por nojo, mas pela sensação estranha ao imaginar quem teria coragem de fazer aquilo.
Passos apressados na escada tiraram ela do transe em que estava. Alguns homens entraram rapidamente no quarto e a puxaram pelo ombro, tirando ela daquele cômodo fedido e horrível, outros cercavam o local com a conhecida fita amarela. Ela sentia como se sua vida estivesse em câmera lenta e sem som; não conseguiu tirar seus olhos daquela cena enquanto era levada até a escada. Quando voltou à realidade, finalmente desceu os degraus e encontrou mais homens observando os corpos. Alguns tinham o cenho franzido, provavelmente porque tentavam entender quais circunstâncias haviam levado àquilo, e pior, quem era o culpado. Ela saiu da casa ainda tonta e se apoiou no peitoril da varanda. Respirou forte procurando oxigênio; já que sentia como se seu pulmão tivesse sido esvaziado. Apertou os olhos e tentou se concentrar enquanto tentava se lembrar do que havia lido dos imensos livros de psicologia criminal. Entrou novamente na casa e olhou os corpos ainda intactos.
– As malas ainda estão arrumadas na sala, então eles chegaram há poucos dias e não ficariam apenas um tempo. Tudo bem... Eu vou matar seis pessoas. Por quê? Por que eles invadiram a casa? Não... Existe um vigia no parque, então ele deve ter permitido. Eles vieram para cá por que alguém teve a ideia, mas por que alguém daria a ideia de vir para uma casa no meio do nada? – Nora franziu o cenho e abriu levemente a boca – Eu dei a ideia por que eu queria mata-los. O assassino esteve com eles o tempo todo! Ele os atraiu para cá por que sabia que o vigia estava fora e ninguém iria atrapalhar seus planos.
Nora saiu rapidamente e caminhou pela grama, virando-se para a casa.
– Eu encontrei Emily sozinha colocando sua blusa no parapeito. Eu a ameacei com uma faca e a amarrei. – Nora entrou na casa – Depois, eu entrei na casa e encontrei Conan e Virginia. Os ameacei também e provavelmente fiz com que vissem Emily, fazendo com que eles ficassem quietos. Depois, os amarrei e segui para a cozinha, encontrando Adam e Norman. Repeti o mesmo processo e finalmente subi as escadas, encontrando Anne. A amarrei e a deixei no quarto.
Ela olhou para as escadas e voltou seu olhar para a cozinha.
– Desci as escadas e matei Adam e Norman, os jogadores de futebol americano. Talvez eu os tenha estuprado, talvez não. Segui para a sala e matei Conan, acabando com a última ameaça masculina. Costurei seus olhos e cortei suas orelhas na frente de Emily e Virginia. Depois, foi a vez de Virginia; também costurei seus olhos e dessa vez, costurei a boca. A estuprei antes ou depois? Depois. Eu costurei a boca porque não queria ouvir seus gritos e costurei seus olhos por que não a queria olhando para mim. Mas por quê? Por que eu não gostava dela. Eu não gostava de nenhum deles. A esfaqueei. – Nora andou até perto do corpo de Emily – Por último, Emily. Eu a estuprei, mas não costurei seus olhos ou sua boca. Por quê? Eu devo ter um motivo pessoal... – Nora apertou os olhos – Eu a amava. Eu a amei e ela me rejeitou, por isso eu a queria olhando nos meus olhos, por isso eu queria ouvir seus gritos. Eu queria mostra-la quem estava no comando. Depois, subi as escadas e matei Anne. A cortei em pedaços para que pudesse fechar com chave de ouro.
Nora passou a mão na nuca.
– Eu era amigo deles, isso explica o fato de ter matado seis pessoas sem o uso de arma de fogo. Ou melhor, eu fingi ser amigo deles. Eu já os conhecia antes, isso explica a confiança que tiveram em mim. Isso explica o fato deles terem sido tão submissos; eles estavam incrédulos demais para lutar. Mas por que eu os mataria? O que eles fizeram para mim?
– Deixe um pouco para os outros peritos. – Alden interrompeu Nora.
Nora suspirou.
– Eu nunca vi algo assim. – ela colocou as mãos na cintura.
– Não vá com tanta sede ao pote. Não tire conclusões precipitadas. – ele falou se aproximando.
– Eu quero descobrir o que se passa na cabeça de alguém que tem a coragem de fazer isso. – ela respondeu olhando para os corpos.
– Você está focando no presente, Nora. Está pensando somente no momento em que eles chegaram aqui. Às vezes precisamos voltar dez, vinte anos. – ele falou sério – Ajude a colher as provas.
Nora bufou enquanto Alden saía da casa. Pegou um pequeno saco plástico e o abriu cuidadosamente.
– Algo está errado... – um jovem loiro falou enquanto examinava com cuidado as manchas de sangue.
– O que? – Nora perguntou curiosa.
– Os jovens eram de Nova Iorque e haviam estudado aqui no Ensino Médio, então provavelmente o assassino é daqui... Mas, a cidade é pequena, você sabe. Uma pessoa capaz de fazer isso é facilmente notada na rua. A cena está desorganizada, as coisas na cozinha estão bagunçadas e há sangue por todo o lado. Provavelmente mora sozinho, tem um carro velho ou uma picape, sofreu algum abuso por parte do pai e provavelmente vamos encontrar alguma prova física aqui...
– Se ele for um assassino desorganizado, provavelmente vai voltar para reviver o crime. – ela completou.
– Alden falou que vai cercar a casa e colocar policiais aqui. Se ele voltar, nós vamos saber. – o jovem falou enquanto fechava o saco plástico com alguns fios de cabelo dentro.
– Mas ele desmembrou o corpo de Anne, isso é comum em assassinos organizados. – Nora ergueu uma sobrancelha.
– Por isso eu acho que tem algo errado... – o jovem falou antes de se levantar.
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