Natural Born Killer
3 O Lugar Perfeito
Notas iniciais
Primeiro: Obrigada pelas reviews ♥
Segundo: Vai ter capítulo novo todo domingo e toda quinta-feira. E como a fic é grande, talvez eu poste toda terça-feira também (mas como eu tenho dois cursos na terça, não é certeza).
Música do capítulo: The Beatles - Strawberry Fields Forever (http://www.youtube.com/watch?v=eeZcI4u0ZQg)
NORTHAMPTONSHIRE, INGLATERRA
27 DE JUNHO DE 2006
Já fazia mais de um mês que Nora morava naquele apartamento ainda pouco mobiliado no centro de Northamptonshire. O clima era naturalmente frio, o que fazia Nora sentir falta do sol quente da Geórgia e da lareira acolhedora da antiga casa. Prendeu o lápis entre os dentes enquanto fazia pesquisas no notebook. Menos de cinco crimes nos últimos seis meses.
– Você é tão inteligente, Nora. Escolheu justamente o lugar onde só existem pessoas boas e vizinhas que trazem tortas de boas-vindas, – ela reclamou enquanto comia um pedaço da torta de morango que a senhora Constance teimava em trazer para ela toda semana.
A senhora Constance não tinha filhos e nem netos. Pela fresta da porta que ela abriu quando Nora foi pedir uma xícara de açúcar, pôde-se observar o apartamento velho e com cheiro de mofo em que a senhora morava. Nora comeu o último vestígio da torta e colocou o prato e o garfo na pia. Resolveu sair e conhecer mais a cidade, já que nada de interessante iria ocupar seu tempo.
Pegou a bolsa e a abriu, procurando o celular. Achou um papel dobrado no fundo da bolsa. Curiosa, pegou o papel e o abriu. Sorriu ao ver a caligrafia apressada. Mordeu o lábio inferior e olhou para o celular; era cinco horas da tarde e Brian não deveria estar fazendo alguma coisa mais interessante do que ela. Discou os números lentamente e ouviu os toques de chamada.
– Alô? – a voz masculina falou do outro lado da linha.
– Oi... É a Nora. – ela respondeu insegura.
– Nora?
– É, a do avião...
“Merda, não deveria ter ligado” ela pensou.
– Ah, Nora! Demorou pra ligar... – ele respondeu baixo.
Nora sorriu tímida e percebeu que provavelmente morreria de ansiedade se não tivesse ligado.
– Tudo bom? – ele quebrou o silêncio.
– Tudo... E você? Como é Londres? – ela perguntou curiosa.
– Bem legal. É bem agitado aqui, é meio antigo... Mas é legal. E como é aí?
– Não aprendeu a falar ainda, né? – ela sorriu – Aqui é legal. Achei que seria mais movimentado, com esses psicopatas loucos que matam várias pessoas e a gente tem que ir investigar. Sabe, achei que seria uma aventura. – ela parou ao perceber que estava falando demais.
Brian ficou em silêncio por alguns segundos.
– Brian? – ela perguntou curiosa.
– Oi, desculpa, caiu uma coisa aqui e eu tive que abaixar pra pegar. Então, não está trabalhando? – ele perguntou rapidamente.
– Não, ultimamente tenho ficado no apartamento e tenho ido à delegacia pra me apresentar, só isso. – ela respondeu dando de ombros.
– Mas você ganha, não ganha?
– Ganho, mas não é a mesma coisa que se eu tivesse um crime pra resolver.
– Calma, daqui a pouco um louco vai sair matando todo mundo. – ele falou rindo.
– Sei que é errado, mas... Tomara. – ela falou rindo também.
Um silêncio tomou a linha.
– O que você foi fazer em Londres? – ela perguntou enquanto se sentava no sofá.
– Vim só pra conhecer. – ele respondeu sem interesse.
– Ah... E vai embora quando?
– Daqui um mês.
– Nossa, bastante tempo pra quem só foi conhecer. – ela sorriu.
– Pois é. É que eu quero conhecer vários lugares. Quem sabe eu vou aí onde você está. – ele falou animado.
Nora sentiu um frio na barriga e um sorriso tímido brotou em seus lábios.
– Quem sabe.
– Agora eu tenho que desligar, vou sair um pouco. Qualquer dia desses eu te ligo, seu número ficou gravado aqui. – ele falou com pressa.
– Ah, tudo bem. Tchau!
– Tchau.
Só o fato do Brian ter falado que iria ligar já deixou Nora ansiosa. Era uma vergonha ficar assim por alguém que ela só viu uma vez, ela sabia disso. Mas era mais forte do que ela. Ele era irresistivelmente e irritantemente sedutor, e até uma simples conversa havia deixado Nora com esperanças demais. Já havia se apaixonado várias vezes, principalmente por homens que ela nunca havia conversado. A vida dela era feita de amores platônicos e séries policiais. Ela era uma perfeita mocinha de novela, se não fosse sua atração por crimes e assassinos.
Acordou de seus sonhos e levantou do sofá. Talvez fosse melhor ela dar uma volta, assim como havia planejado antes. Colocou seu casaco que estava pendurado na cadeira e saiu do apartamento, trancando a porta atrás de si. Entrou no elevador pequeno e logo já estava na calçada na frente do prédio antigo de cinco andares. O vento frio fez com que ela apertasse seus braços e fechasse mais o casaco fino. Parou na frente de uma livraria e alguns livros chamaram a sua atenção. Alguns falavam sobre estudo do cérebro e outros sobre mentes psicopatas. Abriu um e começou a ler o prólogo.
– Interessada? – uma voz rouca a fez fechar o livro e olhar para trás.
– Ah, sim... – ela respondeu tímida.
– Esse é bom, mas esse aqui é melhor. Fala melhor sobre a mente dos psicopatas. – ele falou enquanto pegava um livro grosso da prateleira.
Nora pegou o livro e achou interessante sua capa, onde a imagem de dois olhos e o título “Mentes Perigosas” chamavam a atenção. Folheou rapidamente e olhou sorrindo para o homem ainda parado em sua frente. Seu rosto aparentemente inocente chamou sua atenção, enquanto covinhas na bochecha apareciam conforme seu sorriso se abria.
– Meu nome é Matthew. – ele falou sorrindo.
– Meu nome é Nora. – ela respondeu enquanto segurava o livro.
– Vai levar? – ele perguntou apontando pro livro.
– Vo... Vou. – ela respondeu lembrando-se do livro. – Você trabalha aqui?
– Não, não. – ele sorriu. – Só estou dando uma olhada.
Ela sorriu rapidamente e levou o livro até o caixa.
– Você é nova aqui? – ele perguntou enquanto ela pegava a sacola.
– Sim... Cheguei mês passado.
– Ah sim. Aqui é pequeno, a gente conhece todos os moradores e tudo o que eles fazem. – Matt sorriu.
Nora sorriu e o acompanhou até a saída da livraria.
– Bom, eu vou pra lá. – Matt apontou com o dedo a direção esquerda da rua.
– Eu também! – Nora respondeu sorrindo.
– Legal, então vamos juntos. – ele sorriu.
– Então, o que vocês costumam fazer aqui? – ela perguntou cruzando os braços após uma rajada de vento frio acertar os dois.
– Bom, a gente tem o shopping, temos as praças... Não somos tão ociosos igual vocês americanos pensam. – ele sorriu.
– Como sabe que sou americana? – ela perguntou curiosa.
– Seu sotaque é engraçado. – ele riu.
– Não tem nada errado com o meu sotaque! – ela respondeu incrédula.
– Não, não tem. Só é... Americano demais.
– Hum... – ela bufou.
– Bom, fico aqui. Meu pai é dono dessa padaria, se você aparecer aqui eu até posso fazer um desconto. – ele disse rindo enquanto parava na frente de uma padaria grande na esquina.
– Ótimo, acho que vou precisar, não tenho trabalhado muito desde que cheguei aqui.
– Você trabalha em quê? – ele perguntou curioso.
– Perícia criminal. – ela respondeu orgulhosa.
Ele sorriu e ergueu as sobrancelhas.
– Por que todo mundo acha que isso só existe nas séries? – ela perguntou irritada.
– Não, não é isso. É que aqui nunca acontece nada, acho que você veio pro lugar errado. – ele respondeu se defendendo.
– Eu percebi. – ela respondeu triste.
– Quem sabe um dia alguém se revolte e mate todo mundo. – ele respondeu com um mistério no olhar.
Nora fitou aqueles olhos por alguns segundos, tentando entender como se tornaram tão misteriosos de uma hora para a outra.
– Quem sabe. – ela respondeu erguendo uma sobrancelha.
Despediu-se rapidamente de Matt e logo caminhou pela calçada até o prédio pequeno. Curiosamente, Northamptonshire estava se tornando mais interessante.
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