Natural Born Killer
4 Crimes Tediosos
Notas iniciais
Obrigada por todas as reviews que vocês mandaram no capítulo anterior ♥ Tentei postar na terça-feira, mas eu não tive tempo.
Então, como hoje é quinta, ai está outro capítulo.
Música do capítulo: Linkin Park - What I've Done (http://www.youtube.com/watch?v=8sgycukafqQ&ob=av3n)
01 DE JULHO DE 2006
O celular tocou pela terceira vez, mas Nora não demonstrava nenhum sinal de que iria acordar para atender quem quer que estivesse ligando para ela às oito horas da manhã. Só iria para a delegacia depois do almoço, então tinha reservado para si a manhã inteira para dormir. Só quando o celular tocou pela quarta vez, Nora bufou e sentou com dificuldade na cama, alcançando o celular na mesinha de cabeceira. Olhou no visor e viu um número desconhecido. Esperou mais um toque e atendeu.
– Alô? – falou com voz sonolenta.
– Te acordei? – uma voz conhecida fez Nora sorrir.
– É... Tecnicamente, sim.
– Desculpa. É que eu costumo acordar cedo, e como eu não tinha nada pra fazer... – Brian respondeu.
– Tudo bem. Como você está? – ela perguntou ajeitando-se na cama de casal.
– Bem. E você?
– Bem também.
– O que vai fazer hoje? – ele perguntou ofegante, como se estivesse correndo.
– Vou almoçar, depois vou pra delegacia, depois... Não sei. Acho que vou passar em uma padaria para comer alguma coisa. – Nora sorriu ao se lembrar de Matt. – E você?
– Vou conhecer a cidade, almoçar, depois encontrar alguns amigos que também estão aqui, e aí a gente vai ver o que fazer. – ele respondeu calmo.
– Você estava correndo? – ela perguntou curiosa.
– É difícil pegar um táxi aqui. – ele respondeu rindo.
– Ah. – ela riu.
– Agora tenho que desligar. Só liguei pra te acordar.
– Ah, então quer dizer que foi de propósito? – ela perguntou fingindo estar brava.
– Claro. – ele riu. – Tchau, Nora.
– Tchau, Brian. – ela respondeu, achando seu nome muito mais bonito sendo pronunciado por ele.
Desligou o celular e o colocou ao seu lado na cama. Deitou e percebeu que não conseguiria dormir novamente. Tomou um banho rápido, se trocou e resolveu ir para a delegacia mais cedo. Quem sabe teria alguma coisa nova para ela. Esperou o elevador e desceu até o térreo, passando e sorrindo para o porteiro simpático que havia conquistado a sua amizade. Não estava tão frio quanto nos outros dias, o que possibilitou Nora vestir somente uma blusa social fina e uma calça jeans. Chamou um táxi e seguiu até a delegacia que ficava em um prédio antigo no centro da cidade.
Entrou pela porta de vidro e cumprimentou os agentes que faziam a segurança do local. Andou até o departamento de perícia criminal e pediu para falar com Tonny Varghese, o chefe do setor. Logo, um senhor calvo e com óculos pequenos apareceu na porta da sala ao lado.
– Senhorita Mayson? – ele pronunciou o sobrenome de Nora com a voz rouca.
– Olá, senhor Varghese. – ela respondeu simpática.
– Apareceu mais cedo hoje. – ele disse enquanto entrava na sala e era seguido por Nora.
– Sim, tem alguma coisa pra mim? – ela perguntou esperançosa.
– A pressa é inimiga da perfeição, Mayson. – ele sorriu e apertou os olhos por trás das lentes transparentes – Tenho umas pastas sobre criminosos antigos, você pode dar uma olhada, se quiser. – ele continuou enquanto apontava para uma prateleira cheia de pastas do outro lado da sala.
– Claro. Posso levar algumas? – ela perguntou enquanto olhava os nomes dos presos.
– Pode. Você pode lê-las na mesa da senhorita Law. Ela não vem hoje. – ele disse enquanto organizava alguns papéis sobre a mesa.
Nora pegou três pastas cheias de papéis e agradeceu enquanto saía da sala. Atravessou o corredor e colocou as pastas bruscamente em cima da mesa de Katherine Law, fazendo todas as pessoas do setor olharem curiosas para ela. Puxou a cadeira azul escuro e sentou-se enquanto sentia seu rosto queimar. Seus olhos foram atraídos por uma pequena foto em um porta retratos em cima da mesa. Na foto, Katherine sorria ao lado de seu pequeno filho. Nora sorriu. Katherine era uma imigrante japonesa que chegou à Inglaterra quando tinha doze anos de idade. Nos primeiros dias que Nora havia ido até a delegacia, Katherine já havia conquistado a sua amizade enquanto ela contava suas lembranças do Japão.
Voltou seus olhos até a primeira pasta e a abriu. Na foto, um homem com rosto esquelético e cabelos compridos e mal cuidados posava para a foto segurando uma placa com uma série de números e o nome da penitenciária. Atrás, uma espécie de “régua gigante” indicava a altura de Sebastian Gutierrez – de acordo com a ficha –, um imigrante ilegal condenado à cento e quinze anos por assassinar, estuprar e enterrar os corpos de cinco adolescentes. O crime chocou o país em 1992. Nora folheou as folhas repletas de dados sobre o assassino e sobre os crimes, até chegar às fotos. Olhou os corpos e os rostos quase irreconhecíveis das jovens. Era engraçado como seu estômago já não se sentia mal depois de tanto tempo olhando fotos daquele tipo.
Segunda pasta, outro homem posava para a foto com o mesmo estilo do anterior. A diferença notável era a qualidade da foto – mais nova – e o rosto. Dessa vez, um homem novo e até sedutor exibia um sorriso irônico e um olhar despreocupado.
“Típico psicopata” pensou.
Steve Manson, condenado à prisão perpétua por assassinar cinco garotas. O que intensificou a pena foi que vários ossos foram achados enterrados no quintal de sua casa. Após intensas pesquisas de DNA, foram comprovados que eram ossos de pessoas, aumentando a sua lista de assassinatos. A polícia ainda não sabe quantas vítimas foram assassinadas por Steve, mas, com base na ficha de desaparecidos na época, a probabilidade foi de que o serial killer pode ter matado um total de vinte e três garotas. Nora olhou as fotos das jovens e as fotos dos ossos, não se interessando muito por aquilo. Ela queria alguma coisa diferente, todos esses homens eram psicopatas normais, matavam sempre seguindo a escolha das vítimas. Ela queria algo que realmente chocasse o mundo.
Abriu a terceira pasta com a esperança de que fosse alguma coisa diferente. Olhou a foto de uma mulher de cabelos claros e rosto inocente. Joyce Gleen, condenada à prisão perpétua por matar treze mulheres ruivas e que mediam 1m65cm de altura. Nora riu. Os crimes aconteceram no sul e, provavelmente, com um intervalo de três semanas a um mês. Nora olhou as fotos das ruivas e não se sentiu atraída por aquilo.
Queria algo novo. Alguma coisa que tivesse deixado os policiais curiosos e surpresos. Algum bilhete, alguma dica, algum desenho. O que Nora queria, certamente não seria encontrado naquele lugar afastado de tudo. Ou melhor, não tão cedo.
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