Natural Born Killer
14 O Começo do Fim
Notas iniciais
Espero que gostem do captulo, hehehehheheh..................
P.S: A partir de agora as narracoes irao alternar entre narrar o dia de Nora e dos outros, espero que nao fique confuso.
25 DE AGOSTO DE 2006
O prédio antigo não era muito longe de sua casa. Depois de alguns minutos, entrou no elevador e subiu até o terceiro andar. Havia, finalmente, tomado uma decisão; as coisas não continuariam daquele jeito. Ele já não aguentava mais ficar sem notícias dela e sentir seu orgulho falar mais alto toda vez que ele pensava em discar o número dela somente para ouvir a sua voz. Não conseguia passar o dia sem pensar nela e sentia como se fosse enlouquecer se não fizesse alguma coisa. Tinha que ir atrás dela, tinha que lutar por ela, tinha que fazê-la acreditar em suas palavras.
Assim que as portas do elevador se abriram, ele entrou no pequeno corredor e andou até a porta do apartamento. Deu algumas batidas leves e esperou até que Nora abrisse a porta, sorrindo.
– Oi, Matt. – ela falou cruzando os braços e sorrindo inocentemente.
– Desculpe por não avisar. – ele falou tímido.
– Sem problemas, eu sabia que viria. – ela falou enquanto dava passagem para ele entrar no apartamento.
– Eu preciso falar com você. – ele falou assim que criou coragem.
– Eu também... – ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
– Pode falar. – ele pediu sorrindo.
– Eu... Eu acho que a gente foi rápido demais, sabe? Aquele beijo... – ela parou por um instante – Eu me sinto sozinha aqui, Matt, e eu não quero que você interprete aquilo de outra forma...
Ele apertou os lábios e fitou os próprios pés.
– Eu não quero que você crie esperanças. Eu gosto muito de você, Matt, você foi o primeiro amigo que eu fiz aqui e...
– Primeiro? – ele perguntou irônico.
– Por favor, não comece... – Nora pediu. Sabia bem de quem ele estava falando.
– Não, está tudo bem, Nora. Eu entendo você. – ele falou tentando acreditar em sua própria mentira.
– Eu não quero que as coisas mudem entre a gente por causa daquilo, eu não quero perder a sua amizade. – ela falou nervosa.
– Eu sei. – ele falou virando-se e andando até o sofá.
– O que tinha para me falar? – ela perguntou depois de um tempo.
– Não... Não era nada importante. – ele falou dando de ombros e sentando-se.
– Pode falar. – ela sentou ao seu lado.
– Eu só queria saber se... Vamos sair amanhã? Vai ter um show de um amigo em um bar aqui perto, acho que você vai gostar...
– Ótimo! Claro que eu vou! – Nora respondeu feliz enquanto o abraçava de lado.
– Então tá... Eu passo aqui às oito. – ele falou levantando do sofá – Era só isso, tchau.
Matt andou rapidamente até a porta e saiu do apartamento sem olhar para trás. Provavelmente, Nora estaria confusa e brava por ele ter saído tão abruptamente, mas ele não podia ficar ali a ouvindo dizer o quanto era bom tê-lo como amigo. Amigo. Matt sentiu seu estômago revirar somente em ouvir essas palavras em seus pensamentos. Estava sem chão, sem oxigênio. Era como se o amor de sua vida tivesse escapado por entre seus dedos, como se estivesse em queda livre sem paraquedas. Entrou no elevador e sentiu seu corpo descer os andares rapidamente. Desejou estar em baixo do elevador para que ele pudesse esmagar seus ossos e seu coração que doía tanto. Saiu do elevador e viu aqueles olhos castanhos que há tanto tempo não via. Os cabelos estavam maiores e mais negros do que quando Matt os tinha visto pela última vez, mas isso não dificultou o reconhecimento daquele que havia marcado o seu passado. Os olhos castanhos encontraram os verdes e um sorriso de canto brotou na boca.
– Haner. – Matt falou enquanto Brian se aproximava.
– Sanders... – Brian olhou Matt dos pés à cabeça – Então ainda vive nessa cidadezinha de merda?
– Cidadezinha que você destruiu... – Matt falou entre os dentes.
– Não fala assim... Eu fiz um favor a vocês. – Brian fingiu estar ofendido.
– Favor? – Matt perguntou elevando o tom de voz – Você...
– Por favor, senhores. – o porteiro interrompeu – Está tudo bem por aqui? – ele perguntou se aproximando dos dois.
– Está tudo ótimo. – Brian falou sorrindo enquanto ainda mantinha o olhar fixo em Matt – Não está, velho amigo?
Matt respirou fundo e olhou para o porteiro, que esperava ansioso por sua resposta.
– Está. – Matt respondeu voltando a olhar Brian.
O porteiro sorriu e voltou para o balcão, atendendo ao telefone que havia começado a tocar.
– Ótimo até demais. Sabe, Sanders, vocês continuam pecando quando o quesito é mulher, tive que apelar para uma americana... – Brian balançou a cabeça enquanto andava até o elevador.
– O que...
– Não sei se você sabe, mas a última visita aqui não deixou um gosto muito bom na minha boca. – Brian falou enquanto apertava o botão do elevador.
Brian fechou a mão e olhou para o porteiro, que ainda falava ao telefone.
– Se eu fosse você, não faria isso... – Brian falou sorrindo.
– O que você veio fazer aqui? – Matt perguntou ignorando.
– Eu moro aqui. – ele sorriu.
– Você me entendeu.
– Digamos que eu tenho negócios para resolver aqui. – Brian virou-se para Matt – E você, Sanders, o que faz aqui?
– Vim visitar a minha namorada. – Matt respondeu sem pensar.
– Namorada? Você? – Brian perguntou rindo.
– Como você disse, as mulheres daqui não são as melhores... Também tive que escolher uma americana. – Matt respondeu sorrindo.
Brian franziu o cenho e deu um passo na direção de Matt.
– O nome dela é...
– Nora. – Brian interrompeu sorrindo e balançando a cabeça – Estranho, por que ontem eu estava vestindo somente uma toalha enquanto trocava beijos com ela no corredor.
A expressão de Matt ficou séria, o que fez Brian lamber os lábios e sorrir de canto. Ele havia ficado surpreso com o namoro de Matt e Nora, mas logo lembrou-se do que quase havia acontecido no corredor do quarto andar e logo sentiu uma vontade quase incômoda de contar para Matt. Sabia que ele não iria acreditar, mas somente por ver a expressão confusa de Matt, Brian já sabia que havia ganhado o jogo.
– Amanhã eu virei busca-la, é melhor você não aparecer no meu caminho. – Matt falou entre os dentes.
– Sim, senhor. – Brian curvou-se – Só peço para que controle a sua namorada, por que ultimamente está difícil de tirá-la do meu caminho. – Brian enfatizou a frase.
Matt lançou um olhar com raiva e virou-se, caminhando até a saída do prédio. Ele queria contar para Nora o perigo que Brian representava, mas não podia; ela não podia desconfiar do que havia acontecido naquela cidade há alguns anos. Era isso: um passo em falso e Matt a perderia para sempre. Andou pela calçada enquanto o vento frio o acertava. Sua mente não conseguia afastar a imagem de Brian beijando Nora. Se era verdade ou não, ele não sabia. Só sabia que o encontro com Brian havia tirado definitivamente seu chão. Ele havia voltado e havia trazido com ele todas as lembranças que Matt havia feito tanto esforço para apagar.
Fale com o autor