Natural Born Killer
15 Apocalipse
Notas iniciais
AH, e obrigada por todos os reviews. Eu li todos, mas nao pude responder por falta de tempo. Vou respondes todos agora :)
E desculpem, eu ainda estou usando o teclado estranho e sem acentos.
Enfim, boa leitura.
Musica do capitulo: Snuff - Slipknot (http://www.youtube.com/watch?v=fJXEerT4TCk), acho que a traducao combina com o capitulo, se puderem dar uma olhada.
30 DE AGOSTO DE 2006
Brian acordou cedo naquela quarta-feira fria. Escovou os dentes e tomou um pouco do café que havia sobrado do dia anterior; não tinha tempo para preparar outro. Colocou a jaqueta de couro e saiu do apartamento. Perdeu a conta de quantas vezes apertou o botão do elevador e bufou assim que ele parou no andar. Entrou e parou ao lado de uma menina que carregava nos braços um pequeno cachorro branco.
– Vai descer? – ele perguntou impaciente.
A menina abaixou os olhos para o pequeno cachorro, sem responder. Ele balançou a cabeça e entrou no elevador, apertando várias vezes o botão do térreo. Mesmo com a cabeça erguida, podia sentir os olhares curiosos que a pequena menina lançava para ele. Abaixou a cabeça e sorriu tentando parecer simpático. A menina o olhou séria e abaixou novamente os olhos para o cachorro em seu colo. Brian agradeceu mentalmente quando o elevador finalmente chegou ao seu destino. Saiu antes da menina e apressou o passo até chegar na calçada. Cruzou os braços; o tempo estava mais frio lá fora. Começou a andar pela calçada e sorriu assim que encontrou o seu destino.
Brian abriu bruscamente a porta de vidro, fazendo todos olharem para ele. Ele simplesmente ignorou os olhares e deu passos pesados até o balcão claro, onde Lizzy o olhava com medo.
– Oi, Lizzy. – ele falou com um sorriso de canto.
– Brian... – ela tentou falar.
– Matthew está? – ele perguntou, ignorando a loira.
Ela balbuciou algo que ele não conseguiu entender.
– Eu perguntei se...
– Não, não está. – ela o interrompeu.
Ele sorriu.
– Ótimo, quero que dê um recado para ele. – ele falou enquanto apoiava os cotovelos no balcão e aproximava seu rosto de Lizzy – Fala pra ele ficar longe da Nora.
– O-O que? – ela perguntou com os olhos arregalados.
– Você é surda? – ele perguntou cínico.
– E-Eu vou falar. – ela respondeu com a voz trêmula.
Ele abriu a boca para responder, mas foi interrompido pelo barulho da porta de vidro abrindo atrás dele. Pelo olhar de Lizzy, ele sabia quem era. Sabia que ele estava ali. Brian sorriu vitorioso e virou-se lentamente para a porta. Matt o olhou curioso e se aproximou com calma, tentando evitar chamar a atenção dos clientes.
– O que está acontecendo aqui? – ele perguntou com cautela.
– Ele... Ele... – Lizzy tentou responder.
– O que você fez com a minha irmã? – Matt perguntou entre os dentes.
– Eu não fiz nada... – Brian respondeu erguendo as mãos – Ainda.
Matt contraiu o maxilar e não se importou mais com a atenção que chamaria. Fechou o punho e acertou em cheio o supercílio de Brian, o fazendo cambalear para trás e bater as costas no balcão. Matt pôde ouvir o grito de pavor da irmã, mas não se importou. Brian abriu os olhos e fechou o punho, andando na direção de Matt e acertando seu lábio com um soco que o fez andar para trás e bater numa mesa vazia. Alguns clientes saíram correndo e outros ficaram do lado de fora junto com alguns curiosos que queriam ver a briga. Alguns homens saíram da cozinha da padaria e ajudaram a separar Brian e Matt, que agora estavam jogados no chão no meio das cadeiras caídas e das mesas arrastadas. Matt levantou-se com dificuldade enquanto apoiava-se no ombro de um homem alto e moreno. Brian lutava contra os dois homens magros que tentavam tirá-lo de dentro do lugar para que ele não causasse mais brigas.
– Eu vou matar você! — Matt gritava enquanto o sangue escorria de seus lábios.
Brian foi arrastado até a calçada enquanto algumas pessoas se aproximavam para ver a cena. Assim que os dois homens soltaram seus braços, ele ajeitou a jaqueta e apertou os olhos na direção de Matt, que ainda gritava coisas que Brian não conseguia ouvir. Empurrou algumas pessoas e andou pela calçada, apertando seu maxilar e franzindo o cenho. Abriu bruscamente a porta do prédio e entrou no elevador. Assim que abriu a porta de seu apartamento, jogou a jaqueta em algum canto da sala vazia e encostou-se na parede, deixando seu corpo escorregar lentamente até o chão frio. Passou a mão em seu olho e gemeu de dor, erguendo as sobrancelhas. Levantou-se do chão e caminhou até o banheiro. Alcançou o pequeno kit de primeiros socorros e fez um curativo rápido e dolorido em seu supercílio. Abaixou-se para jogar um pouco de água fria no rosto e sentiu suas costas reclamarem. Murmurou um xingamento enquanto a água batia em seu rosto. Ergueu uma sobrancelha ao lembrar-se com prazer do soco que havia dado em Matt. Ainda havia sangue em suas mãos e ele gostava disso. Brian havia dado o seu recado, mas o que ele não sabia era que Matt não estava disposto a abrir mão de Nora tão fácil.
Ele sorriu; havia achado um ponto fraco naquele que estava atrapalhando seus planos. Nora era dele e de mais ninguém. Matt não tinha o direito de tocá-la, não tinha o direito de pensar que ela era sua. Não tinha o direito de fazê-la sorrir, e Brian sentia seu estômago revirar assim que lembrava que ele não era o motivo daquele sorriso. Ele não estava disposto a perdê-la, não estava disposto a perder a única coisa que lhe restava. Ela era o único motivo de ele estar ali, lutando contra si mesmo, contra seus instintos e os pensamentos que teimavam em não lhe deixar dormir.
Saiu do apartamento e desceu rapidamente até o térreo, abrindo a porta e sentindo o vento frio bagunçar seus cabelos. Olhou as poucas pessoas que andavam na rua e começou a andar pela calçada, prestando atenção nos prédios antigos que formavam a arquitetura da cidade. Era tudo novo. Ele havia se acostumado a ser sozinho, a esquecer, e agora ele estava ali; diante de uma cidade em que todos sabiam seu nome e se preocupavam com a sua vida. Ele queria contar à eles, queria dividir a sua história, queria ouvir seus conselhos. Mas somente o fato de ter que se lembrar de tudo já o assustava. Ele não queria lembrar, já estava cansado de reviver tudo todos os dias. Estava cansado de ser traído por sua mente e não conseguir apagar tudo de sua memória. Ele havia mudado, havia se transformado em algo que nem ele mesmo sabia se era bom ou ruim.
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