Natural Born Killer
48 Não Existe Amor
Notas iniciais
29 DE JUNHO DE 2008
– Preciso falar com o Haner. – Nora falou.
Alden parou de olhar para os papéis na mesa e levantou os olhos para a moça que batia incansavelmente os dedos na mesa.
– Ele não tem direito a horário de visitas. – Alden voltou os olhos novamente para a pilha de papéis.
– Eu preciso falar com o Haner. – Nora repetiu com calma.
– Descobriu novas pistas? – ele perguntou sem olhá-la.
– Não te interessa. Mande ele para a sala, vou esperar lá.
Nora saiu apressada e passou pelo corredor cheio de policiais. Apertou a campainha alta e esperou a porta de ferro abrir automaticamente. Desligou os microfones perto do espelho para ter certeza de que ninguém iria ouvir. Sentou na cadeira fria e cruzou os braços. Era a hora. Seu futuro seria decidido ali e tudo dependia da resposta de um criminoso. Abaixou os olhos até a própria barriga e passou a mão lentamente por ali. Levou um susto quando a campainha alta tocou depois de alguns minutos. A porta de ferro abriu e dois vigias puxaram Brian. Ela sentiu seu corpo tremer como se a temperatura tivesse caído drasticamente. Seus olhos castanhos estavam diferentes, estavam mais solitários. Seu rosto estava mais magro e seus cabelos mal cortados e bagunçados. Estava com o uniforme laranja, distribuído apenas para os condenados à prisão perpétua. Ele sentou e colocou as mãos algemadas em cima da mesa de ferro, olhando seriamente para os olhos claros de Nora. Ela sentiu seus ossos estremecerem ao se sentir observada por ele. Ele a olhava de um jeito diferente, como se ela não significasse mais nada para ele. A olhava como se ela fosse uma traidora, como se a presença dela o ameaçasse. Ele começou a bater lentamente os dedos na mesa, fazendo um barulho irritante e impaciente.
– Por favor, deixe-nos a sós. – Nora pediu aos vigias ao lado da porta.
– Qualquer coisa, aperte a campainha vermelha em cima da mesa. – um deles alertou antes de saírem.
– Oi... – Nora falou depois de um tempo, quebrando o silêncio entre os dois.
Ele não respondeu. Apenas continuou a olhando sério.
– Não vai falar comigo? – ela perguntou desconfortável.
Nenhuma resposta.
– Tudo bem, eu só preciso que me ouça. – ela começou – Eu queria saber se você está bem, mas acho que não vai me responder... – ela abaixou a cabeça – Eu sinto muito por você estar aqui. Você sabe que eu nunca medi esforços pra te libertar. Você devia ter sido mais sincero comigo. – ela olhou.
Brian deu um sorriso de canto debochado. Nora se sentiu insegura; não reconhecia mais Brian, ele não era mais aquele homem por quem ela estava apaixonada. Seu rosto demonstrava insanidade, e seus olhos a olhavam como se atribuísse a ela a culpa por ele estar condenado a passar o resto da vida naquele lugar sujo e escuro.
– Eu não pensei que você fosse realmente se entregar por mim...
Ele riu alto.
– Eu não me entreguei por você. – ele sussurrou com desdém.
– Você disse... – ela franziu o cenho demonstrando sua confusão mental.
– Você realmente achou que eu me entregaria por você? Por amor? – ele ergueu as sobrancelhas e balançou a cabeça negativamente – Tantos anos de estudo, Nora... Que decepção.
Ela abriu a boca enquanto procurava as palavras que pudessem demonstrar o que estava sentindo, mas não teve sucesso. Nem ela mesma sabia o que estava passando por sua mente.
– Então... Por quê? – ela finalmente quebrou o silêncio.
– Cansei de assistir a incompetência de todos vocês. Eu poderia ter cometido suicídio. Poderia ter fugido e deixado vocês procurando eternamente as pistas que eu não deixei... Mas não, eu me entreguei pra ver a cara de vocês ao saberem que eu estive por perto o tempo todo. Eu acompanhei tudo de camarote, Nora. Eu assisti tudo sentado na minha poltrona. Eu ri da cara de vocês e vocês nem ao menos perceberam. Eu estava em todas as perícias, eu estava no meio da multidão durante a entrevista do Alden, eu estava acompanhando o trabalho de vocês de perto. E vocês não perceberam. – ele sorriu e ergueu uma sobrancelha – Como é a sensação, Nora? Como você se sente agora?
Nada. Um silêncio irritante se formou na sala. Ela sentiu as lágrimas quentes tomarem seus olhos e apertou os lábios. Não podia fraquejar mais uma vez.
– Eu estou grávida. – ela falou rápido.
Brian continuou com os braços em cima da mesa enquanto a olhava sério. Apertou o maxilar em uma mordida e se acomodou melhor na cadeira dura, enquanto jogava levemente a cabeça para trás e lançava um olhar desafiador para Nora.
– Só queria que você soubesse disso... Meu filho não vai chegar nem perto de saber o monstro que você foi. Espero que você apodreça na cadeia. – ela falou antes de apertar bruscamente o botão vermelho em cima da mesa.
Logo os dois vigias entraram rapidamente pela porta e levantaram Brian. Seguraram com força seus braços e o arrastaram até a porta de saída. Nora olhou nos olhos de Brian e pôde ver uma mistura de tristeza e ódio. Mas nunca arrependimento. Sentiu vontade de tirar ele dos braços daqueles homens gigantes e abraça-lo. Queria dizer que tudo aquilo era mentira, que ele poderia ser livre. Mas ela não podia; ele era um assassino e ela sabia disso. Ele demonstrava perigo pra qualquer pessoa que chegasse perto dele. Ele havia matado cruelmente doze pessoas. Involuntariamente levou a mão até o rosto forte dele antes que ele pudesse ser arrastado pelo corredor. Sentiu a pele quente dele e sentiu falta de todas as sensações que ele despertava nela. Sentiu falta do abraço quente e das mãos urgentes que percorriam seu corpo. Ela precisava dele; por incrível que pareça, se sentia mais segura perto dele. Ela sabia que estava ficando louca, mas não dava a mínima para isso. Saiu da sala e pôde ver Brian sendo empurrado até o final do corredor e virando a esquerda, na direção da escada que levava ao andar de sua cela. Logo, ele seria transferido para uma prisão de segurança máxima. Aquele julgamento havia acabado com a vida dele e todo mundo sabia disso. Ele iria para a Fortaleza de Florence, no Colorado. Ou, como “carinhosamente” apelidaram, Alcatraz das Rochosas. Uma prisão considerada por muitos como a mais segura do mundo. Os presos eram mantidos em celas de concreto à prova de som. Quase ninguém podia entrar lá, e quase ninguém podia sair.
Nenhum preso conseguiu escapar da fortaleza. Eles passavam vinte e três horas por dia dentro de celas escuras e sujas. Quando saíam, eram acorrentados nos pés e nas mãos e escoltados até celas individuais com pouca visão para o exterior. Nenhum prisioneiro tinha contato com o outro, não sabiam os nomes e muito menos a aparência. Aquilo não era uma prisão comum, era um lugar que destruía a mente das pessoas. Era impossível entrar lá e não sair abalado. Nora havia ouvido falar sobre a fortaleza durante os longos anos de estudo. Sempre a olhou com curiosidade e adoração, mas agora somente o medo tomava seus pensamentos.
Não queria que Brian fosse para lá, não queria que ele dividisse o lugar com os piores criminosos do mundo. Não queria que ele passasse o resto dos seus dias naquele lugar desumano e destruidor de almas. As prisões foram criadas com o intuito de condenar o preso, o mantendo em um lugar sombrio e brutal, mas Florence não era assim; foi criada com o objetivo de torturar todas as pessoas que entravam ali, tinha o propósito de quebrar a pessoa que fosse condenada a passar seus dias dentro daquele lugar.
Ela sabia que a mente de Brian iria apodrecer naquele lugar, sabia que ele iria enlouquecer e sentiu uma vontade de enorme de tirá-lo de lá. Ela não desejava aquilo nem ao seu pior inimigo. Aquilo era desumano, era cruel. Sentiu um aperto no peito e percebeu que, talvez, esse fosse realmente o destino de Brian. Não importava o que Nora sentia, isso não mudava o fato de que ele era um serial killer. Ele manipulava as pessoas, era cruel e sádico. Nora viu os corpos, viu as atrocidades cometidas por ele. Brian não a amava, mas apesar disso, ela ainda era loucamente apaixonada por ele. Mesmo sabendo que era errado, mesmo sabendo que estava contra tudo o que lhe haviam ensinado. Mas era hora de deixa-lo partir. Ele não tinha outro destino, havia destruído a sua própria vida. Como ele havia dito, “ele já estava morto”, e Nora sentiu a necessidade de mata-lo de sua vida também. Antes que fosse tarde demais.
Notas finais
Só digo uma coisa: PREPAREM-SE PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO, sério!!!!!!!!!!
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