Natural Born Killer
49 Dor
Notas iniciais
Coloquem essa música (http://www.youtube.com/watch?v=RvMeOllo_Vo) pra tocar, PELO AMOR DE DEUS! É sério gente, deixem no último volume e leiam o capítulo, senão não tem graça nenhuma.
Enfim, espero de verdade que gostem do capítulo. Acho que foi de longe o que mais me deu trabalho e o que eu mais tenho medo de postar. Beijos ♥
30 DE JUNHO DE 2008
Nora acordou cedo naquela segunda-feira mais fria do que o normal. Arrastou seu corpo até o chuveiro e tomou um banho quente e demorado. Tentou não pensar em Brian, mas seria impossível já que ela teria que ir para a delegacia para encaminhar todos os relatórios para o Colorado. Pensou em sumir, não iria para a delegacia e assim as provas não seriam enviadas, o que impossibilitaria a transferência de Brian. Desistiu. Ela tinha que aceitar o destino. Se eles não haviam ficado juntos, é por que realmente não era pra ser assim. Mas ela sabia que não seria fácil esquecer tudo aquilo; ela estava grávida. Em poucos meses, seu filho iria nascer e todos os dias ela iria lembrar-se daqueles olhos castanhos. Sentiu seus olhos encherem de lágrimas e respirou fundo. Não podia desistir agora, não podia se entregar. Ela não tinha escolha, tinha que ser forte por ela e por seu filho.
Trocou-se rapidamente e preparou um café forte e sem açúcar. Tomou um gole e fez uma careta de desaprovação. Criou coragem e tomou o resto; não havia tempo para frescuras. Assim que colocou os pés na calçada, uma rajada de vento frio balançou seus cabelos. Nora olhou a rua ainda vazia e mais sombria do que das outras vezes. Chamou um táxi e logo estava parada na frente do prédio antigo.
- Não vai descer? – o motorista perguntou enquanto olhava Nora através do retrovisor.
Nora assentiu sem graça e desceu do táxi. Olhou o prédio e as pessoas que andavam apressadas dentro da delegacia. Provavelmente, por causa da transferência de Brian. A cidade não estava pronta para cuidar de um assassino tão perigoso, e por isso havia convocado algumas tropas das cidades vizinhas. Alguns carros de polícia já estavam estacionados na calçada, junto com um camburão negro. Nora sentiu um frio no estômago e respirou fundo ao tomar coragem para entrar. Andou rapidamente até a sala da perícia e pegou os relatórios na gaveta. Saiu da sala e fechou a porta atrás de si, segurando com força os relatórios contra o peito. Andou até a recepção e entrou os papéis para uma moça ruiva, que trataria de encaminhá-los até Colorado. Assim que o fez, Nora correu até o banheiro e se trancou. Finalmente, deixou as lágrimas correrem por seu rosto. Estava feito. Não havia mais volta, Brian iria embora para sempre. Nora desejou voltar no tempo, desejou não ter tomado a decisão de ir para Northamptonshire. Desejou nunca ter conversado com Brian no avião. Ela se sentia perdida e sozinha. Nem mesmo as luzes claras do banheiro eram capazes de tira-la da escuridão que a sugava. Era como se seu corpo estivesse escorregando por um túnel escuro e sem fim e ela não tivesse onde segurar. Ela precisava dele, precisava com todas as suas forças. Deixou que os soluços doloridos saíssem por sua garganta e inundassem o banheiro vazio. Ela queria quebrar tudo, queria quebrar cada coisa que estava no banheiro e cada osso do seu corpo. Queria acabar com tudo aquilo de uma vez. Mas não podia. Seu amor era maior do que qualquer dor que ela pudesse estar sentindo.
Sentiu como se já não tivesse mais lágrimas, como se estivesse totalmente seca e sem vida. Levantou-se com dificuldade e lavou o rosto com a água fria. Olhou-se no espelho. Estava abatida e seus olhos estavam inchados. Ela não podia continuar assim. Ela estava viva e teria que continuar vivendo; ela devia isso a ele.
Retomou o fôlego e a consciência e saiu do banheiro. Soube que havia ficado tempo demais lá dentro assim que viu tropas de policiais atravessarem o corredor e seguirem em direção à escada. Sentiu seu coração apertar e balançou a cabeça.
Olhou para Luce que a observava com um olhar de piedade e tentou sorrir. Luce veio até ela e a confortou em um abraço.
- Tem que ser assim, Nora. – ela tentou ajudar.
Nora apenas assentiu com a cabeça. Sabia que se abrisse a boca para falar, iria acabar chorando mais ainda. Respirou fundo e sentiu todas as suas forças se esgotarem assim que viu os policiais descerem as escadas segurando Brian. Olhou aquele rosto másculo e sabia que seria a última que faria isso. Procurou guardar todos os traços, todas as expressões e todas as cores que formavam aqueles olhos castanhos que ela tanto amava. Brian a olhou e ela pôde sentir que ele havia voltado a ser o que era antes. Era ele, era o Brian que ela tanto amava. Era o pai do seu filho. Ali, passando por ela. Passando e indo em direção à saída para nunca mais voltar. Nora seguiu os policiais até a saída da delegacia. Olhou em volta e viu um bloqueio policial impedindo que os poucos curiosos chegassem perto demais. Saiu da delegacia enquanto alguns policiais se afastavam de Brian para que pudessem abrir a porta do camburão. Ela queria ir junto. Ela enfrentaria a fortaleza por ele. Ela suportaria toda dor e todo sofrimento, desde que ela pudesse ficar com ele, cuidar dele. Ele precisava de alguém, precisava de alguém que o ajudasse e o confortasse. Ela não queria acreditar que ele era uma pessoa boa somente para disfarçar seu instinto assassino. Ela tentava convencer a si mesma de que ele não queria ter cometido tudo aquilo, de que ele estava arrependido. Mas ela sabia que não era assim. Ela sabia que sua razão falava mais alto do que seus sentimentos, e sabia que ela estava certa. Nora olhou as costas de Brian e pôde perceber que uma de suas mãos havia conseguido se soltar das algemas.
Ela nunca havia visto alguém morrer, a não ser nos seriados e nos filmes. Estava acostumada a observar os corpos sem vida e tentava imaginar como tudo aquilo havia acontecido. Sempre achou que as coisas aconteciam rápido demais, mas foi diferente. Era como se sua vida tivesse sido colocada em câmera lenta. Brian levantou as mãos soltas e empurrou com força os policiais que ainda o seguravam. Alguns curiosos que ainda assistiam a cena correram desesperados enquanto outros policiais tentavam segurar Brian. Nora o viu correr em sua direção, e logo três barulhos altos puderam ser ouvidos.
E então, a vida de Nora voltou ao ritmo normal.
Os gritos e as pessoas correndo não conseguiram tirar a atenção de Nora, que segurava o corpo de Brian colado ao seu. Ela podia sentir o sangue dele escorrendo em sua mão e sujando sua roupa, mas não se importava. Colocou sua mão no rosto ainda quente dele e secou uma lágrima que escorria dos olhos castanhos. Nora suspirou enquanto as lágrimas também rolavam em seu rosto. Aqueles olhos castanhos a olhavam com a mesma curiosidade invasiva de sempre, mas ela já não se importava mais. Os suspiros de Brian se encontravam com os de Nora e era como se o mundo estivesse perdido o som. Havia somente o som da dor. O som das lágrimas escorrendo e do sangue pingando e manchando o chão.
- Desculpe... – Brian sussurrou com dificuldade.
- Shh... – Nora tampou seus lábios com o dedo indicador – Você vai ficar bem, Brian. Você é forte. – ela sorriu enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto.
Brian sorriu fraco e suspirou. Franziu o cenho em sinal de dor. Ela sentiu o pescoço dele pender para trás e não conseguiu conter o choro assim que viu os olhos castanhos perderem o brilho. Nora abraçou o corpo sem vida de Brian e não se importou com o sangue manchando seu rosto e seus cabelos. Soltou o corpo esperando ver o sorriso que ela tanto amava, mas o rosto dele estava sem expressão.
Estava morto.
Notas finais
Enfim, eu espero de verdade que tenham gostado :( eu chorei imaginando o capítulo e depois chorei de novo escrevendo e quase chorei corrigindo antes de postar huiasduqhudahu enfim, o próximo também é bem triste então se preparem, bjkss ♥
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