Notas iniciais
Resolvi postar mais um capítulo hoje porque 11:11 acaba o mundo e eu queria pelo menos dar pra vcs o gostinho da "delicadeza" do Brian ao saber que vai ser pai ♥

29 DE JUNHO DE 2008

– Preciso falar com o Haner. – Nora falou.


Alden parou de olhar para os papéis na mesa e levantou os olhos para a moça que batia incansavelmente os dedos na mesa.


– Ele não tem direito a horário de visitas. – Alden voltou os olhos novamente para a pilha de papéis.


– Eu preciso falar com o Haner. – Nora repetiu com calma.


– Descobriu novas pistas? – ele perguntou sem olhá-la.


– Não te interessa. Mande ele para a sala, vou esperar lá.


Nora saiu apressada e passou pelo corredor cheio de policiais. Apertou a campainha alta e esperou a porta de ferro abrir automaticamente. Desligou os microfones perto do espelho para ter certeza de que ninguém iria ouvir. Sentou na cadeira fria e cruzou os braços. Era a hora. Seu futuro seria decidido ali e tudo dependia da resposta de um criminoso. Abaixou os olhos até a própria barriga e passou a mão lentamente por ali. Levou um susto quando a campainha alta tocou depois de alguns minutos. A porta de ferro abriu e dois vigias puxaram Brian. Ela sentiu seu corpo tremer como se a temperatura tivesse caído drasticamente. Seus olhos castanhos estavam diferentes, estavam mais solitários. Seu rosto estava mais magro e seus cabelos mal cortados e bagunçados. Estava com o uniforme laranja, distribuído apenas para os condenados à prisão perpétua. Ele sentou e colocou as mãos algemadas em cima da mesa de ferro, olhando seriamente para os olhos claros de Nora. Ela sentiu seus ossos estremecerem ao se sentir observada por ele. Ele a olhava de um jeito diferente, como se ela não significasse mais nada para ele. A olhava como se ela fosse uma traidora, como se a presença dela o ameaçasse. Ele começou a bater lentamente os dedos na mesa, fazendo um barulho irritante e impaciente.


– Por favor, deixe-nos a sós. – Nora pediu aos vigias ao lado da porta.


– Qualquer coisa, aperte a campainha vermelha em cima da mesa. – um deles alertou antes de saírem.


– Oi... – Nora falou depois de um tempo, quebrando o silêncio entre os dois.


Ele não respondeu. Apenas continuou a olhando sério.


– Não vai falar comigo? – ela perguntou desconfortável.


Nenhuma resposta.


– Tudo bem, eu só preciso que me ouça. – ela começou – Eu queria saber se você está bem, mas acho que não vai me responder... – ela abaixou a cabeça – Eu sinto muito por você estar aqui. Você sabe que eu nunca medi esforços pra te libertar. Você devia ter sido mais sincero comigo. – ela olhou.


Brian deu um sorriso de canto debochado. Nora se sentiu insegura; não reconhecia mais Brian, ele não era mais aquele homem por quem ela estava apaixonada. Seu rosto demonstrava insanidade, e seus olhos a olhavam como se atribuísse a ela a culpa por ele estar condenado a passar o resto da vida naquele lugar sujo e escuro.


– Eu não pensei que você fosse realmente se entregar por mim...


Ele riu alto.


– Eu não me entreguei por você. – ele sussurrou com desdém.


– Você disse... – ela franziu o cenho demonstrando sua confusão mental.


– Você realmente achou que eu me entregaria por você? Por amor? – ele ergueu as sobrancelhas e balançou a cabeça negativamente – Tantos anos de estudo, Nora... Que decepção.


Ela abriu a boca enquanto procurava as palavras que pudessem demonstrar o que estava sentindo, mas não teve sucesso. Nem ela mesma sabia o que estava passando por sua mente.


– Então... Por quê? – ela finalmente quebrou o silêncio.


– Cansei de assistir a incompetência de todos vocês. Eu poderia ter cometido suicídio. Poderia ter fugido e deixado vocês procurando eternamente as pistas que eu não deixei... Mas não, eu me entreguei pra ver a cara de vocês ao saberem que eu estive por perto o tempo todo. Eu acompanhei tudo de camarote, Nora. Eu assisti tudo sentado na minha poltrona. Eu ri da cara de vocês e vocês nem ao menos perceberam. Eu estava em todas as perícias, eu estava no meio da multidão durante a entrevista do Alden, eu estava acompanhando o trabalho de vocês de perto. E vocês não perceberam. – ele sorriu e ergueu uma sobrancelha – Como é a sensação, Nora? Como você se sente agora?


Nada. Um silêncio irritante se formou na sala. Ela sentiu as lágrimas quentes tomarem seus olhos e apertou os lábios. Não podia fraquejar mais uma vez.


– Eu estou grávida. – ela falou rápido.


Brian continuou com os braços em cima da mesa enquanto a olhava sério. Apertou o maxilar em uma mordida e se acomodou melhor na cadeira dura, enquanto jogava levemente a cabeça para trás e lançava um olhar desafiador para Nora.


– Só queria que você soubesse disso... Meu filho não vai chegar nem perto de saber o monstro que você foi. Espero que você apodreça na cadeia. – ela falou antes de apertar bruscamente o botão vermelho em cima da mesa.


Logo os dois vigias entraram rapidamente pela porta e levantaram Brian. Seguraram com força seus braços e o arrastaram até a porta de saída. Nora olhou nos olhos de Brian e pôde ver uma mistura de tristeza e ódio. Mas nunca arrependimento. Sentiu vontade de tirar ele dos braços daqueles homens gigantes e abraça-lo. Queria dizer que tudo aquilo era mentira, que ele poderia ser livre. Mas ela não podia; ele era um assassino e ela sabia disso. Ele demonstrava perigo pra qualquer pessoa que chegasse perto dele. Ele havia matado cruelmente doze pessoas. Involuntariamente levou a mão até o rosto forte dele antes que ele pudesse ser arrastado pelo corredor. Sentiu a pele quente dele e sentiu falta de todas as sensações que ele despertava nela. Sentiu falta do abraço quente e das mãos urgentes que percorriam seu corpo. Ela precisava dele; por incrível que pareça, se sentia mais segura perto dele. Ela sabia que estava ficando louca, mas não dava a mínima para isso. Saiu da sala e pôde ver Brian sendo empurrado até o final do corredor e virando a esquerda, na direção da escada que levava ao andar de sua cela. Logo, ele seria transferido para uma prisão de segurança máxima. Aquele julgamento havia acabado com a vida dele e todo mundo sabia disso. Ele iria para a Fortaleza de Florence, no Colorado. Ou, como “carinhosamente” apelidaram, Alcatraz das Rochosas. Uma prisão considerada por muitos como a mais segura do mundo. Os presos eram mantidos em celas de concreto à prova de som. Quase ninguém podia entrar lá, e quase ninguém podia sair.


Nenhum preso conseguiu escapar da fortaleza. Eles passavam vinte e três horas por dia dentro de celas escuras e sujas. Quando saíam, eram acorrentados nos pés e nas mãos e escoltados até celas individuais com pouca visão para o exterior. Nenhum prisioneiro tinha contato com o outro, não sabiam os nomes e muito menos a aparência. Aquilo não era uma prisão comum, era um lugar que destruía a mente das pessoas. Era impossível entrar lá e não sair abalado. Nora havia ouvido falar sobre a fortaleza durante os longos anos de estudo. Sempre a olhou com curiosidade e adoração, mas agora somente o medo tomava seus pensamentos.


Não queria que Brian fosse para lá, não queria que ele dividisse o lugar com os piores criminosos do mundo. Não queria que ele passasse o resto dos seus dias naquele lugar desumano e destruidor de almas. As prisões foram criadas com o intuito de condenar o preso, o mantendo em um lugar sombrio e brutal, mas Florence não era assim; foi criada com o objetivo de torturar todas as pessoas que entravam ali, tinha o propósito de quebrar a pessoa que fosse condenada a passar seus dias dentro daquele lugar.


Ela sabia que a mente de Brian iria apodrecer naquele lugar, sabia que ele iria enlouquecer e sentiu uma vontade de enorme de tirá-lo de lá. Ela não desejava aquilo nem ao seu pior inimigo. Aquilo era desumano, era cruel. Sentiu um aperto no peito e percebeu que, talvez, esse fosse realmente o destino de Brian. Não importava o que Nora sentia, isso não mudava o fato de que ele era um serial killer. Ele manipulava as pessoas, era cruel e sádico. Nora viu os corpos, viu as atrocidades cometidas por ele. Brian não a amava, mas apesar disso, ela ainda era loucamente apaixonada por ele. Mesmo sabendo que era errado, mesmo sabendo que estava contra tudo o que lhe haviam ensinado. Mas era hora de deixa-lo partir. Ele não tinha outro destino, havia destruído a sua própria vida. Como ele havia dito, “ele já estava morto”, e Nora sentiu a necessidade de mata-lo de sua vida também. Antes que fosse tarde demais.

Notas finais
Poxa gente, todo mundo aceitou de boa um assassino psicopata se entregar pra polícia por amor!! Que que isso!!! KJHASDHKLAJSDHAKLJ Desculpem, mas o Brian é um Filho da puta de verdade s/2 com F maiúsculo!

Só digo uma coisa: PREPAREM-SE PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO, sério!!!!!!!!!!