Natural Born Killer

47 Julgamento - Segunda Parte


Notas iniciais
Eiiiiiiiiiiii, aqui tá a segunda e última parte do julgamento ♥ resolvi postar antes do mundo acabar kjashdklajsd nesse capítulo dá pra entender um pouco mais a história do Brian e o porque dele ter virado o psicopata que é... ENFIM, espero que gostem ♥

28 DE JUNHO DE 2008

Nora piscou várias vezes. Um homem alto de aparentes quarenta anos entrou na sala. Brian o olhou e apertou as mãos, como se estivesse se segurando para não cometer mais um assassinato. O pai de Brian fez o juramento e se sentou ao lado de juiz, colocando as duas mãos sobre a mesa.

- Poderia descrever sua relação com seu filho, o réu Brian Elwin Haner? – o promotor pediu.

- Nossa relação sempre foi conturbada. – Allan respondeu sério.

- Protesto! – Nolan gritou enquanto se levantava ao lado de Brian – A testemunha assassinou a mãe do meu cliente.

- Protesto negado. – o juiz respondeu sério – Prossiga a defesa.

Nolan bufou e sentou-se novamente. Nora sabia que ele estava certo, todos sabiam. Allan tinha matado a mãe de Brian e agora estava ali, ajudando a acusar o próprio filho. Como se Allan fosse a pessoa mais sensata e inocente do mundo. Ele era como Brian, sabia exatamente o que se passava na mente do filho enquanto ele matava. Nora sentiu repulsa por aquele homem que era o motivo de Brian estar ali. Ele não amava o filho, não sentia nenhuma espécie de compaixão e isso era evidente em seu olhar.

- Pode descrever em detalhes? – o promotor pediu.

- Brian sempre foi um filho teimoso. Nunca tirou as melhores notas na escola, apesar de sempre se trancar no quarto com a desculpa de que estava estudando. Eu tive que intervir várias vezes para que ele não fosse expulso da escola por má conduta. – ele respondeu enquanto olhava para Brian.

Brian olhava fixamente os olhos do pai, como se estivesse perguntando o porquê dele estar ali. Nem ele mesmo entendia onde o promotor queria chegar; afinal, Allan Haner era um criminoso que deveria ser julgado junto com Brian. Ele tinha que pagar por seus atos, mas simplesmente estava ajudando a mandar Brian para a cadeia simplesmente porque, na época do assassinato, a policia não obteve as provas necessárias para que Allan fosse preso. Ele apertou o maxilar em uma mordida forte enquanto seus olhos não desgrudavam do pai. Ele podia cortar sua garganta ali mesmo.

- Protesto! – Nolan tentou novamente – A testemunha em questão abusou física e psicologicamente o meu cliente.

- Protesto aceito. – o juiz ergueu uma sobrancelha, fazendo Nora olhar atentamente para ele – O senhor Vaughan poderia apresentar provas que condizem com a afirmação?

- Possuo uma testemunha, meritíssimo. – Nolan se levantou – Que entre Maggie Joanna Scott.

Uma senhora baixa e com óculos redondos de lentes grossas entrou lentamente na sala, sentando-se no lugar vazio ao lado do juiz. Fez o juramento e ajeitou os óculos na ponta do nariz.

- Senhora Scott. – Nolan andou até a senhora – Poderia repetir exatamente o que nos contou naquele dia?

- Claro... – a senhora falou com sua voz rouca e baixa – Brian foi meu aluno até a sétima série, quando acidentalmente jogou um livro na minha testa e me fez levar treze pontos. – ela sorriu – Nunca vou me esquecer da enfermeira bonita que cuidou de mim...

Brian sorriu e abaixou a cabeça, levantando os braços algemados e passando uma mão na boca. Nora achou aquilo extremamente sexy e logo se condenou, passando a mão na nuca.

- Por favor, senhora Scott, poderia ir direto ao ponto? – Nolan pediu sem graça.

- Ah, claro... Desculpe-me. – ela sorriu tímida enquanto curvava-se para frente e olhava para o lado – Conheço esse senhor. – ela se referiu a Allan – Ia buscar Brian todos os dias na escola. Ele sempre me pareceu muito gentil e atencioso com o filho, até que o pequeno garoto apareceu com um dente quebrado. Achei que fosse resultado de alguma brincadeira de criança, sabe como é, esses jovens estão cada vez mais hiperativos. – ela sorriu – Mas depois ele apareceu com alguns hematomas e estava cada vez mais quieto e excluído. Achei que fosse algum problema sério e chamei o diretor, mas ele apenas me disse para não me meter com o senhor Haner. – ela concluiu.

- Então, a senhora está me dizendo que Allan Haner abusava do réu? – Nolan perguntou enquanto erguia as sobrancelhas.

- Protesto! – o advogado de acusação gritou – A senhora Scott não possui provas concretas.

- Protesto aceito. – o juiz falou – O réu confirma a acusação contra Allan Haner por abuso de incapaz? – o juiz virou-se para Brian.

Nolan o olhou impaciente. Nora manteve seus olhos em Brian, que apertava com força o maxilar. Os dedos dele começaram a se mexer freneticamente enquanto ele olhava para o pai. Nora pode ver o medo apagar o brilho de seus olhos.

- Ele não vai fazer nada, Brian. – Nolan sussurrou ao seu lado.

- O réu confirma a acusação contra Allan Haner por abuso de incapaz? – o juiz repetiu nervoso.

- Não. – Brian falou fraco.

Nolan suspirou pesadamente e levou as mãos até a cabeça. O advogado de acusação lançou um olhar vencedor para Nolan e sentou-se em seu lugar. A senhora Scott olhou para Brian e chacoalhou a cabeça. Nora não podia acreditar naquilo; Brian tinha a chance de fazer o pai pagar por tudo o que havia cometido e ele simplesmente havia jogado essa chance fora.

- A testemunha está liberada. – o juiz falou enquanto olhava para a senhora Scott.

Nora apertou os lábios e observou Brian olhando sério para as mãos apoiadas no colo. O olhar dele levantou e encontrou o dela. Nora procurou confortá-lo e entende-lo, e se surpreendeu ao se deparar com um olhar sem o mesmo mistério e a arrogância de sempre. Brian a olhava como se pedisse desculpas, como se assumisse sua fraqueza apenas com um olhar.

A defesa havia acertado em cheio seu maior ponto fraco: as memórias. Brian se lembrava de quando o pai lhe distribuía socos e chutes por ele somente ter esquecido a torneira aberta. Lembrava-se de quando seu pai tentou afoga-lo na banheira por ter chegado mais tarde da escola. Brian lembrava-se da pressão nos pulmões e da falta de oxigênio. Lembrava-se das mãos grandes e fortes apertando seu pescoço e fazendo seus olhos quase saltarem. Lembrava-se de quando se escondia em baixo da escada assim que ouvia a porta da sala abrir e as botas pesadas trilharem o caminho até a cozinha. Lembrava-se de quando tinha que ficar quieto e se esconder em baixo da cama enquanto seu pai abria bruscamente a porta do quarto e o transformava no cenário que atormentava Brian todas as noites antes de dormir. Ele havia ouvido todos os gritos de sua mãe, havia secado todas as lágrimas e sentido toda a dor. Ele limpava seus ferimentos e era obrigado a fingir que nada havia acontecido. Mas apesar de todo o ódio e todo o ressentimento, Brian se sentia incapaz diante de Allan. Era como se ele voltasse a ser aquela criança fraca que exibia hematomas roxos pelo corpo.

Depois de meia hora os dois bancos de jurados puderam se reunir para definir a sentença. Nora foi apresentada às provas e aos relatórios que ela já sabia decor. Alguns jurados olhavam atentamente os documentos, como se quisessem gravá-los para sempre na memória. Alden andou até o júri menor e sussurrou algo para um homem negro que alto, que por vez, andou até o juiz e sussurrou algo. O juiz bateu o malhete na mesa e todos voltaram aos seus lugares.

- Os doze presentes no corpo de jurados irão se reunir para decidir a sentença. Todas as provas já foram analisadas pelos outros vinte e cinco jurados e também serão encaminhadas junto com as questões. A sessão está interrompida até o término do questionário.

Nora se levantou enquanto as pessoas do júri pequeno se encaminhavam para uma pequena sala. Alguns papéis foram entregues aos policiais, para que pudessem fazer as perguntas aos jurados. Brian ainda estava sentado ao lado de Nolan, que apoiava a cabeça nas mãos. Nora queria ir até ele e perguntar se estava tudo bem, mas Brian a olhou com ódio e repúdio. Como se a perguntasse o que ela estava fazendo ali depois de tudo o que ele havia arriscado por ela. Nora continuou olhando seus olhos castanhos até que sua atenção foi desviada para outra coisa; Allan Haner. Ele saiu calmamente de trás da mesa e sorriu ironicamente para Brian, que não mexeu nenhum músculo. Nora sentiu alguém segurar em seu braço e virou, olhando Alden.

- Vá beber uma água. – ele falou.

Ela negou com a cabeça; não queria sair dali, não queria deixar Brian sozinho. Sentou-se e esperou cerca de duas horas e meia, até que sentiu seu corpo implorar por algum líquido. Saiu da sala e encheu um copo com água, bebendo devagar. A mesma moça baixa de antes veio chamar as pessoas; a sentença tinha sido decidida. Nora jogou o copo descartável no lixo e voltou para a sala, sentando-se em seu acento.

O juiz sentou-se novamente atrás da mesa alta enquanto esperava pacientemente todos os jurados se acomodarem.

- Declaro aberta a sessão. O veredicto foi determinado e a contagem dos votos foi realizada com a presença dos advogados e das testemunhas.

Um escrivão levou uma folha até o juiz, que a pegou e leu com cautela. Nora sentiu seu estômago revirar.

- Com base na confissão do réu e nas provas analisadas durante o processo, o júri declarou Brian Elwin Haner... Culpado pelo homicídio doloso triplamente qualificado de Emily MacCorkindale, Conan Carroll, Virginia Hobbes, Adam Smith, Norman Brontë, Anne Tolkien, Ashley Frankland, Sara Parker, Ramirez González, George Pater, Bob Holiday e Eddie Simmons, pelo sequestro e omissão de cadáver de Eliza Harrisson Sanders e Michelle Louise DiBenedetto e pelo porte ilegal de arma de fogo segundo a lei número 9.437, artigo número dois. Perante a confissão, a pena de morte foi comutada pela reclusão perpétua em regime fechado, que será cumprida na Penitenciária Federal de Segurança Máxima “Florence”. O prazo estipulado pela promotoria para a realização da transferência do réu é de uma semana. Caso o prazo seja ignorado, o Estado responderá por falso testemunho e omissão de criminoso. Declaro a sessão encerrada. – o juiz falou pausadamente enquanto batia o malhete na mesa.