Notas iniciais
Oiii!! Primeiro, quero desejar um Feliz Natal pra todo mundo que lê a fic ♥ vcs não têm noção de como se tornaram importantes pra mim e de como eu desejo tudo de melhor pra todos vcs ♥

Segundo, eu ainda não corri pra ler os reviews que vcs deixaram no capítulo anterior e confesso que tô morrendo de medo de ter sido xingada e ameaçada kjasdkajd

E terceiro, é quase 4:30 da manhã e eu tô sem sono nenhum, então resolvi vir postar outro capítulo triste pra vcs. Esse é especialmente pra quem tava com saudades do Matt kljashasd e não, não é a última aparição dele na fic. Como eu respondi em uns reviews, ele irá fechar a história com chave de ouro ;D

AH, e quarto, mais quatro capítulos e a fic acaba :(

Espero que gostem, boa noite ♥

P.S: Coloquem qualquer música pra tocar, dessa vez não tem nenhuma regra jkhadhasjkh

05 DE JULHO DE 2008

Nora colocou as últimas peças de roupa dentro da grande mala que estava em cima da cama. Fechou o zíper e a puxou, colocando em pé no chão. Katherine estava encostada na porta enquanto observava a amiga guardar as poucas coisas que restavam no quarto. Nora pegou um porta-retratos que estava em cima da mesa de cabeceira e olhou a foto de seu pai. Colocou-o dentro da bolsa sem falar nada. Exatamente como tinha feito na última semana. Nora não havia falado nada desde que havia assistido a morte de Brian, desde que havia sentido o sangue dele escorrer por suas mãos. Era como se ela não se lembrasse mais como falar, como se tivesse voltado a ser um bebê que precisa dos cuidados de outra pessoa. Era assim que ela se sentia; ela precisava dos cuidados de seu pai. Precisava do carinho que ele fazia em seu cabelo e de quando ele prometia que tudo iria ficar bem.

- Tem certeza? – Katherine perguntou sem sair do lugar.

Nora enxugou uma lágrima que teimou em escorrer por seu rosto e virou-se para a amiga, assentindo com a cabeça.

- Fala alguma coisa, Nora. Você não pode ficar assim. – Katherine falou enquanto colocava a mão no ombro da amiga.

Nora não tinha visto o corpo de Brian depois que os policiais o tiraram de seus braços. Ela tentou correr atrás deles, mas alguns seguranças a seguraram. Ele não havia tido um enterro; ela sequer sabia o que haviam feito com seu corpo. O pai dele foi chamado na delegacia, mas ele não compareceu. Nora não se surpreenderia se ele tivesse esquecido o filho e voltado para os Estados Unidos. Varghese a dispensou pelo resto da semana, alegando que ela tinha sofrido um choque muito forte que provavelmente comprometeria seu rendimento no trabalho. Mas ele sabia a verdade, Nora não conseguia esconder aquilo de mais ninguém. Ele sabia que ela não conseguiria nem ao menos pisar novamente naquela calçada sem olhar para as manchas de sangue que ainda estavam estampadas no chão.

Ela sentou-se na cama enquanto fechava a bolsa e a colocava em seu colo. Olhou o quarto e o armário aberto. Era incrível como as coisas tinham acontecido tão rápido. Há dois anos ela estava entrando naquele apartamento e torcendo para que tudo fosse diferente. E realmente foi. Ela analisou casos que nunca pensou que iria analisar e conheceu pessoas que mudaram a sua vida. E agora ela estava ali, sozinha. Havia se apaixonado por um serial killer e agora ele estava morto. Andou até a sala e olhou o sofá pequeno. Lembrou-se de todas as noites que havia passado ali, apenas olhando a pequena cidade através da janela. Lembrou-se de todas as lágrimas e todas as tristezas que haviam consumido as suas forças. Aquele lugar havia testemunhado todas as coisas que haviam acontecido. Ela havia deixado parte de sua vida ali. Levou um susto quando a campainha tocou. Sentiu seu coração acelerar e seus ossos tremerem. Logo, uma decepção invadiu seu corpo; não era quem ela esperava. Andou lentamente até a porta enquanto a campainha ainda tocava e a abriu. Matt entrou no apartamento antes mesmo que Nora saísse da frente da porta.

- Matt? – ela perguntou confusa.

- Você não pode ir embora, Nora. Não agora. Não agora que eu preciso cuidar de você. – ele falou rápido.

- Matt? – Katherine falou enquanto andava pelo corredor.

- Katherine, fala pra Nora, diz que ela não pode ir. Eu tenho que cuidar dela, ela está correndo perigo. – ele falou enquanto olhava Katherine.

- Matt, eu estou grávida. – Nora falou rapidamente – Estou esperando um filho do Brian.

Matt a olhou franzindo o cenho. Nora percebeu que ele estava tentando entender tudo o que estava acontecendo.

- Me desculpe. – ela falou com piedade.

- Você... Você me traiu? Você... Foi depois que você soube de tudo? – ele perguntou.

- Sim... – ela falou depois de um tempo.

- Você sabia que ele tinha matado todo mundo e transou com ele? Eu... Eu sempre quis proteger você e você me enganou. Você me apunhalou pelas costas, Nora... – ele falou chacoalhando a cabeça.

- Eu sinto muito, Matt. Eu...

- Eu posso cuidar desse filho com você. Brian fez tudo errado, mas eu posso fazer diferente, Nora. Eu sou diferente dele, eu posso fazer você feliz. – ele falou sorrindo.

- Você tem que fazer o tratamento, Matt. Depois conversamos sobre isso. – ela respondeu agitando as mãos.

- Depois? Você vai embora. Você vai fugir de mim. – ele falou triste – Eu faço o tratamento por você, mas você tem que ficar.

- Matt, você sabe que não é assim. Meu lugar não é aqui; nunca foi.

- Seu lugar era aqui enquanto Brian estava vivo, não é? Por que você quer ir embora? Por que você não quer ficar comigo? Agora que tudo pode dar certo... – ele falou passando a mão na testa.

- Não vai dar certo, você sabe. – Nora falou balançando a cabeça.

- Você disse que gostava de ficar comigo. – ele falou sério.

- Eu gosto, Matt. Eu gosto muito de você. Mas, não dá pra gente ficar junto... Eu tenho a minha vida nos Estados Unidos, eu tenho a minha família lá. – ela falou calma.

- E eu? Como eu vou ficar? – ele perguntou enquanto as lágrimas caíam em sua face branca.

- Você vai ficar bem, Matt. Você sempre foi forte. – Nora falou com um aperto no coração.

- Eles estão me dizendo que você vai me esquecer. – ele falou rapidamente.

- Eu não vou te esquecer.

Nora sorriu. Era verdade. Nora nunca iria esquecer aquele sorriso e aquelas covinhas que sempre animaram seus dias. Nunca iria esquecer os passeios no shopping e como Matt ficava feliz sempre que eles tomavam o sorvete que ele mais gostava. Ele era a pessoa mais forte e mais bondosa que ela havia conhecido. Ela queria ser como ele; queria ter sua força pra enfrentar a vida. Queria aceitar as pessoas sem julgá-las. Queria ver um milagre em tudo. Queria se sentir feliz somente por sentir o oxigênio fresco entrar em seus pulmões. Matt havia tornado os dias de Nora mais inesquecíveis, e ela sabia disso. Mesmo com tantos problemas, ela sabia que se esqueceria de tudo assim que visse aquele sorriso que trazia tanta segurança.

Era difícil ir embora. Era difícil deixar pra trás tantas lembranças boas, mas ela precisava fazer isso. Ela havia aprendido muitas coisas ali, mas também havia perdido grande parte de sua vida. Nora tinha percebido que nunca precisou de muitas coisas para viver. Ela havia estabelecido metas que, para ela, seriam a conquista da felicidade. Mas, mesmo tarde, percebeu que sempre foi feliz e não sabia. Ela era feliz quando ouvia seu pai reclamar por a conta de luz estar muita alta, ou quando tinha que esperar o ônibus da faculdade passar na porta da sua casa. Ela havia perdido Brian, e isso era o que mais doía. Cada canto daquela cidade tinha uma lembrança dele. A madeira das portas fazia Nora se lembrar do castanho dos olhos dele. Ela tinha que sair dali, ou iria acabar enlouquecendo. Ela não podia se martirizar todos os dias e reviver todas as lembranças.