Notas iniciais
OI!! Tudo bom? Aqui estou eu postando mais um capítulo. Desculpem pela demora, eu tava usando a internet só nos finais de semana e acabei não tendo tempo pra atualizar a fic antes. MASS, aqui está um capítulo pra quem tava com saudades do Brian, hihihi. E daqui pra frente as coisas serão mais legais, prometo. Espero que gostem e boa semana pra vcs!

27 DE AGOSTO DE 2007


A loira desceu do taxi e olhou para o pequeno prédio. Respirou fundo, detestando o ar de Northamptonshire. Seus sonhos haviam se realizado quando ela finalmente havia saído dali e, justamente quando menos esperava, estava atravessando a rua da pacata cidade. As casas ainda eram pintadas com as mesmas cores e ela podia jurar que a cidade havia parado no tempo. Entrou no prédio e entrou no elevador, sentindo seu coração acelerar enquanto o ar ficava denso. Puxou a mala de rodinhas pelo corredor e parou na frente da porta branca, dando leves batidas e rezando para que aquela tortura acabasse logo. O moreno abriu a porta e sorriu ao ver o olhar assustado e apreensivo da loira. Ela entrou no apartamento pequeno, olhando com desdém os cômodos vazios e as paredes mofadas.


– Eu sabia que você viria. – ele quebrou o silêncio com um tom convencido.


– Não vim por você, Brian. – ela respondeu no mesmo tom.


Ele riu alto.


– Então veio por quem? Sentiu falta dos seus amigos? Da emoção que essa cidade oferece? – ele pergunto irônico.


– Não seja irônico. Eu vim porque eu quis ver de perto a sua derrota. – ela ergueu uma sobrancelha.


– Derrota? – ele sorriu.


– É, Brian. Você está aqui em Northamptonshire de novo. Onde tudo começou. Onde os seus pesadelos foram criados. Parece que eu voltei no tempo. – ela sorriu – Você aqui, morando em um apartamento pequeno e vazio. Andando de mãos dadas com a solidão. Não minta para si mesmo, Brian, você é exatamente a mesma coisa que era há anos. Tu és pó, e ao pó voltarás. – a loira finalizou com um sussurro.


– Isso ainda não acabou, Michelle. – ele respondeu depois de um tempo.


– Eu sei que não e por isso eu resolvi vir. Eu quero ver você chegar ao fundo do poço, querido. Eu quero aplaudir de pé o teu fracasso... Assim como todos já aplaudiram uma vez. – ela sorriu.


Ele silenciou.


– Você não parece feliz. – ela fingiu preocupação.


– Já fui alguma vez? – ele respondeu rapidamente.


– Apesar de tudo, Brian... Eu ficaria feliz se você me procurasse. Vou estar no hotel. Me liga quando estiver num daqueles seus surtos. – ela sorriu enquanto arrastava a mala para fora do apartamento.


A loira entrou no elevador com um sorriso arteiro no rosto. Sentia-se completa. Saiu do elevador e atravessou a portaria, até ouvir a voz rouca ecoar logo atrás.


– Vai se arrepender, Michelle.


Ela sorriu e se virou, deparando-se com tórax forte de Brian. Sua respiração estava descompassada e seus olhos observavam a loira com certa fúria que despertou curiosidade e atração.


– Você sabe que não irá fazer nada. Você é o mesmo...


– Não. – ele interrompeu. – Não sou o mesmo.


Pela primeira vez, Michelle sentiu seus ossos tremerem levemente. Não soube se era por conta do tempo frio da Europa ou se, por incrível que parecesse, por medo. Medo dos olhos castanhos e felinos que a fitavam. Medo da voz rouca que fazia qualquer simples frase se tornar uma ameaça assustadora. Medo da respiração descompassada e da pequena distância que separava os dois corpos exaustos.


– Brian? – a voz doce pôde ser ouvida.


Ele desviou os olhos e olhou para a porta de entrada do prédio. Nora observava os dois com uma cerca curiosidade. Nas mãos, carregavas aparentes sacolas pesadas de algum supermercado da redondeza. Michelle colocou os óculos escuros e, sem que Brian percebesse, lançou um último olhar desafiador para ele. Nora pôde sentir o perfume adocicado da loira assim que ela cruzou a entrada do prédio.


– Aconteceu alguma coisa? – Nora ergueu uma sobrancelha enquanto voltava seus olhos para Brian, que ainda estava parado na frente do elevador.


– Não. – ele respondeu sem tirar os olhos de Michelle, que chamava um taxi do outro lado da rua.


Sem olhar para Nora, ele apertou o botão do elevador e entrou. Ela franziu o cenho e olhou para trás, deparando-se com a rua já vazia. Deu de ombros e chamou o elevador, rezando para que o mesmo estivesse vazio e que não precisasse encarar alguma outra situação desagradável. Abriu a porta do apartamento e jogou a bolsa pesada no sofá. Suspirou, abrindo as cortinas pesadas e tentando aproveitar os últimos raios quentes de sol que atravessavam o vidro da janela. Balançou a cabeça, percebendo que sua mente estava inquieta demais e não a deixaria simplesmente passar o resto do dia descansando em cada. Pendurou a bolsa num dos ombros e saiu do apartamento, entrando novamente no elevador.


Andou por alguns metros até parar na esquina, olhando a imensa porta de vidro que já era tão familiar. Sentiu seu coração acelerar. Um longo tempo havia se passado desde que Nora vira pela última vez o sorriso de Matt. Entrou na padaria e notou um sossego estranho praquela hora da tarde. Lizzy não estava sorrindo atrás do balcão, como sempre havia feito. Voltou seus olhos para a porta de vidro atrás de si e notou a pequena placa que exibia a palavra “FECHADO” para os que passavam na rua. Condenou-se mentalmente e virou, pensando em ir embora. Uma voz baixa ecoou pelo lugar vazio e fez com que Nora parasse antes mesmo de empurrar a porta de vidro.


– Nora... Eu... Não esperava você aqui. – a mãe de Matt falou sem graça.


– Desculpe, eu não vi o aviso na porta. – Nora sorriu.


– Tudo bem. – a senhora passou a mão nos cabelos lisos e curtos – Você viu a Lizzy?


– Não... – Nora franziu o cenho, tentando se lembrar da última vez que havia visto a menina – Por que?


– Não sabemos onde ela está, achei que estava com o Matt, mas...


– Mas...? – Nora continuou, percebendo a pausa que a mulher havia feito.


– Ele foi resolver uns negócios em Kettering, Lizzy estava tão animada pra ir com ele... – um suspiro pesado atrapalhou sua fala – Mas ele disse que não a viu de manhã...


– Ela não avisou ninguém? Não falou nada? – Nora cruzou os braços, preocupada.


– Não. Ela não tinha muitos amigos aqui, ela nunca saía sem avisar... – as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto pálido da mulher.


– Calma, eu... Eu vou ir até a delegacia ver se consigo alguma coisa. – Nora falou tentando manter a calma.


– Tudo bem, obrigada.


Saiu da padaria fechando bruscamente a porta de vidro atrás de si. Bufou enquanto andava pela calçada, tentando se lembrar do último dia normal e calmo que havia tido desde que chegara a Northamptonshire.

Notas finais
Hmmm, a Lizzy sumiu, Matt sumiu, Michelle na cidade, Brian com raiva...............