Notas iniciais
Oi! Tudo bom com vocês? Comigo não está. Tentei postar o capítulo três vezes e essa droga de Firefox deu erro em todas! Tô chatiadíssima.

Enfim, falando da fic, muito obrigada por todas as reviews e todo o carinho que vocês deixaram no Prólogo. Foi muito importante pra mim. Espero que gostem!

Música do capítulo: Elliott Smith - Needle in the Hay (http://www.youtube.com/watch?v=hHDbCC0Ongs)

Primeira Parte: Bem-Vinda à Europa

HARTSFIELD – JACKSON ATLANTA INTERNATIONAL AIRPORT

05 DE MAIO DE 2006, DOIS ANOS ATRÁS

Nora entrou no saguão iluminado por lâmpadas fluorescentes. Os jornais não exageravam quando diziam que o Aeroporto de Atlanta era o mais movimentado do mundo. Ainda faltava um mês para as férias de verão e o lugar já estava cheio de pessoas de várias partes do país. Nora parou por um segundo para que uma senhora apressada pudesse passar, e logo retomou a caminhada ao lado de seu pai.


– Tem certeza de que vai ficar bem na Inglaterra? – ele perguntou enquanto carregava uma enorme mala de mão em tom vinho.


– Vou, pai. Já falei mil vezes pro senhor não se preocupar. Só não sei se lá as pessoas são tão agressivas como aqui, tenho medo de ficar sem casos pra resolver. – ela respondeu sorrindo sem graça enquanto puxava uma mala de rodinhas com o mesmo tom vinho.


– Se não tiver dinheiro pra comprar comida, é só voltar. – ele respondeu sorrindo.


A voz feminina ecoou pelo enorme saguão de vidro; Nora ouviu o número do seu vôo. Abriu a bolsa que estava pendurada no ombro e pegou a passagem e os documentos.


– Adeus, filha. – o pai de Nora a puxou para um abraço.


– Tchau, pai. – ela falou enquanto enfiava seu corpo no abraço do pai.


– Vai me ligar todos os dias, não vai? – o pai de Nora perguntou com os olhos tristes.


– Claro que vou. – Nora respondeu sorrindo.


Por um momento ela sentiu um aperto no coração. O senhor Mayson nunca foi uma das pessoas que mais sabia expressar seus sentimentos, mas seus olhos nunca haviam negado fazer isso. Seus olhos claros demonstravam tristeza e, ao mesmo tempo, orgulho pela filha conseguir ir buscar tão longe o sucesso que tanto almejava. Nora lembrou-se de quando os dois se afundavam no sofá marrom enquanto esperavam a série policial preferida começar. Após perder a mãe cedo, Nora via no pai uma base e um exemplo para tudo o que queria ser. Ele era seu amigo, seu herói. Seria difícil deixa-lo ali, mas ela sabia que era um passo que ela deveria tomar sozinha.


Nora pegou a mala de mão e sorriu. Virou-se de costas para seu pai, respirou fundo e seguiu até o portão de embarque. Seria uma vida nova, com novas expectativas e novas metas. Colocou sua mala de rodinhas na esteira e levou a passagem e os documentos até o balcão. Seguiu pelo corredor claro e cheio de gente, até que sentiu uma brisa fresca fazer seus cabelos voarem. Já no avião, colocou sua mala de mão no bagageiro e se acomodou na poltrona escura ao lado da janela.


Estava quase adormecendo quando sentiu alguém sentar-se bruscamente ao seu lado. Abriu os olhos assustada e encontrou um homem ofegante e aparentemente com medo de avião. Sorriu.


– Desculpa... Te acordei? É que eu fico meio assustado em aviões. – ele respondeu com sua voz rouca.


– Não... Tudo bem. – Nora mentiu. – Eu também fico com um pouco de medo.


Ele sorriu sem graça enquanto se acomodava melhor na poltrona. Tirou um par de fones brancos do bolso e colocou nos ouvidos.


“Provavelmente não quer conversar” Nora pensou. “Sem aliança, roupa esporte, tênis limpo... Deve morar com a mãe, ou ser metrossexual. Ou gay... Não, o cabelo está muito bagunçado pra alguém que é gay. A jaqueta é de marca, então deve ser rico. Os fios do fone de ouvido são finos demais, deve ser da Apple” Nora riu enquanto analisava o novo companheiro de vôo.


Logo que o avião decolou, Nora segurou firme na poltrona e percebeu que o homem ao lado havia feito o mesmo. Riu sozinha enquanto soltava seus músculos conforme o vôo se estabilizava. Olhou discretamente para o lado e o viu guardar os fones de ouvido novamente no bolso.


– Meu nome é Brian. – ele respondeu sorrindo e quebrando o silêncio no avião.


– Prazer, sou Nora. – ela respondeu enquanto esticava a mão para ele.


Ele apertou a mão dela com força além da necessária, o que a fez franzir o cenho ligeiramente. Brian tirou a jaqueta escura, deixando a vista sua camiseta com as mangas coladas nos braços fortes. Nora observou as tatuagens que cobriam os dois braços do rapaz e percebeu que, em sua maioria, elas eram compostas por monstros e criaturas irreconhecíveis. Sentiu uma sensação estranha que beirava o medo. Respirou fundo e olhou a cidade através da janela. Lembrou-se de sua infância e todas as histórias que tinha daquele lugar; sentiu uma imensa vontade de voltar correndo para a casa e pedir para que seu pai fizesse uma daquelas deliciosas vitaminas de frutas que só ele sabia fazer. Suspirou pesadamente.


– Você está bem? – Brian perguntou preocupado.


– Estou... Vou ficar com saudades daqui. – Nora respondeu triste.


– Vai ficar em qual lugar da Inglaterra? – ele perguntou erguendo uma sobrancelha.


Nora olhou o ato e sentiu uma vontade de rir de si mesma. Era completamente loucura se sentir atraída por apenas um levantar de sobrancelha.


– Northamptonshire. – ela respondeu depois de alguns segundos.


– Nor-thamp...Ton...Tonshire... – ele repetiu com dificuldade.


– Até semana passada eu não sabia que ele lugar existia. – ela respondeu rindo.


– E por que vai pra lá? – ele perguntou balançando a cabeça.


– Não sei. Eu queria um lugar pra começar uma vida nova e procurei no Google. – ela riu.


– Entendi. – ele respondeu rindo. – Vai casar?


– O que? Não, não! – ela respondeu com pressa.


– Você falou que quer começar uma vida nova... – ele respondeu gesticulando com as mãos.


– É, eu acabei de terminar a faculdade, acho que lá vai ser um bom lugar pra começar meu trabalho. – ela explicou.


– E no quê você vai trabalhar?


– Perícia Criminal. – ela respondeu orgulhosa.


Ele abaixou a cabeça e sorriu, passando a língua pela ponta dos dentes.


– Bastante interessante. – ele ergueu as sobrancelhas.


– Você diz como se isso só existisse nas séries. – ela falou incrédula.


– Não, não é isso. É que pensei que você fosse trabalhar com moda, ou alguma coisa assim. – ele deu de ombros.


– Sei... E você, vai pra onde? – foi a vez dela perguntar curiosa.


– Londres. – ele respondeu olhando o corredor entre as poltronas.


– Ah, claro. – ela respondeu sem ânimo.


– Não gosta de lá? – ele perguntou virando para ela.


– Não é isso... É que todo mundo pensa que só existe Londres na Inglaterra. – ela respondeu olhando a janela.


Ele sorriu. Nora virou-se e pode finalmente olhar os olhos castanhos de Brian. Ele a olhava com uma intensidade invasiva, como se pudesse ver através deles, como se pudesse ler tudo o que se passava em sua mente. Ele deu um sorriso com o canto do lábio, o que fez Nora desviar seu olhar para lá. Por um momento, ela conseguiu perceber cada linha que formava aquele rosto tão misterioso e obscuro. Os cabelos combinavam perfeitamente com o rosto másculo e com os olhos hipnotizadores. Os lábios finos haviam se transformado em um sorriso de canto provocativo demais, o que fez Nora acordar do transe e virar-se bruscamente para a janela, enquanto sentia seu rosto queimar.


Nas duas horas e meia de vôo, Nora não falou mais com Brian. Sequer o olhou novamente; ela não tinha mais coragem para isso. Assim que o avião pousou e os passageiros começaram a se levantar para pegar suas malas nos bagageiros, Nora esperou Brian levantar do assento para que ela pudesse fazer o mesmo. Infelizmente, ele não o fez.


– Por que não falou mais comigo? – ele perguntou, quebrando o silêncio.


– Não tenho mais assunto. Além disso, acabamos de nos conhecer. – ela respondeu enquanto fitava as mãos no colo.


– Achei que pudéssemos ser amigos, afinal, somos dois perdidos na Inglaterra. – ele disse forçando um sorriso.


Nora finalmente levantou os olhos e o observou com o corpo de lado e o braço apoiado no encosto da poltrona, enquanto a olhava.


– Quem sabe você possa vir me visitar em Londres e me contar como é Nertom...


– Northamptonshire. – ela corrigiu sorrindo.


– É, isso. – ele respondeu sem graça.


– Tudo bem. – ela sorriu.


Ele sorriu e levantou para pegar sua mochila no bagageiro. Nora abriu o bagageiro e tentou pegar sua mala de mão, que teimosamente não queria sair do lugar. Brian pendurou a mochila em um dos ombros e ajudou a tirar a mala de Nora. Ele sorriu enquanto ela agradecia sem graça. Os dois seguiram até o final do avião, mas acabaram perdendo um ao outro no meio das pessoas apressadas que entravam no saguão do aeroporto de Londres. Nora ficou nas pontas dos pés procurando por Brian, que não deu sinal no meio da multidão.


Bufou e caminhou até a sala de embarque, onde pegaria outro avião e finalmente chegaria em Northamptonshire. Antes que pudesse passar pela porta de vidro, uma mão forte a agarrou pelo braço. Nora pulou com um susto e virou-se, vendo Brian ofegante.


– Quase te perdi. – ele sorriu.


– Eu tenho que pegar outro vôo até Northamptonshire. Vou esperar aqui. – ela respondeu com a voz elevada por causa do barulho.


– Ah, tudo bem. – ele respondeu enquanto abria a mochila.


Brian pegou um papel e uma caneta que estavam jogados no bolso dentro da mochila e apoiou o papel no vidro da porta. Escreveu alguma coisa e entregou para Nora.


– Aí tem o número do meu celular. Se você não tiver nada pra fazer e estiver a fim de pegar um avião até aqui, é só me ligar. – ele sorriu tímido.


– Ah... Ok! – ela respondeu sorrindo enquanto pegava o papel das mãos dele.


– Bom, tchau. – ele falou enquanto andava de costas no meio dos passageiros que passavam apressados.


– Tchau. – ela falou sorrindo.


Ele sorriu e virou-se em direção à saída do aeroporto. Nora ficou com o papel na mão até perder Brian de vista. Finalmente olhou o papel e pôde ver a caligrafia falhada e apressada que formava os números e um “Brian” escrito com uma letra feia. Sorriu enquanto dobrava o papel e guardava na bolsa. Foi até a esteira se certificar de que sua mala havia chegado e logo seguiu até a sala de embarque. Dentro de poucas horas ela estaria em Northamptonshire. Só não sabia que essa decisão iria mudar para sempre a sua vida.