Natural Born Killer
12 A Chegada do Novo Morador
Notas iniciais
Título idiota, eu sei, mas eu não consegui pensar em nada melhor.
Não tem música, mas acho que qualquer uma de amor fica legal saoiduashroi
09 DE AGOSTO DE 2006
Era nove e quinze da manhã quando Nora finalmente encontrou aqueles olhos castanhos que havia pensado que nunca mais iria encontrar. Brian sorriu para ela e andou em sua direção, a envolvendo em um abraço quente e demorado. Nora respirou e pôde sentir o perfume amadeirado misturado com o cheiro da loção de barbear. Seus pelos arrepiaram quando a respiração quente dele tocou sua nuca. Soltou-se do abraço assim que percebeu que havia ficado tempo demais ali.
– Você não mudou muito. – ela quebrou o silêncio.
– Isso é bom? – ele perguntou.
– Acho que sim... – ela respondeu tímida.
– Então, obrigado. – ele sorriu – Você também não mudou... Digo, eu não lembrava muito de como você era, mas eu acho que continua a mesma.
Nora sorriu e ergueu as sobrancelhas. Sentiu-se uma idiota por ter guardado cada detalhe do rosto dele enquanto ele nem se lembrava dela. Ela se lembrava de tudo; os cabelos negros, os olhos castanhos e o jeito que ele erguia uma sobrancelha e sorria de canto, ao mesmo tempo. Ela piscou tentando se convencer que não estava sonhando acordada como das outras vezes. Ele estava ali, parado na frente dela e sorrindo como se estivesse esperando ela falar.
– Vamos? – ele quebrou o silêncio.
– Ahn... Claro. – ela sorriu sem graça.
Nora e Brian seguiram até a saída do pequeno aeroporto de Northamptonshire e ela chamou um táxi. O motorista desceu e colocou as malas de Brian no porta-malas enquanto eles entravam no carro.
– E então, o que você costuma fazer por aqui? – Brian perguntou.
– Ahn... Bom... Ultimamente tenho passado bastante tempo na delegacia. – Mentira – E também tenho ido a uns restaurantes... – Lembrou-se de Matt e parou de falar.
– Hum... E tem shopping aqui? – ele perguntou enquanto olhava a cidade.
– Tem sim. – ela respondeu sem olhá-lo.
O taxi parou na frente do prédio e Nora pagou a viagem, recebendo um resmungo de Brian. Pegaram as malas e Nora o guiou até o andar do apartamento.
– Bom, o apartamento é esse. Só precisamos falar com a Sra. Middleton pra negociar o preço. – Nora respondeu enquanto apontava para uma porta branca.
– E onde ela mora?
– Aqui do lado. – Nora tocou a campainha de uma outra porta.
Não demorou muito e uma senhora de cabelos brancos abriu um pouco a porta e lançou para Brian um olhar curioso.
– Olá, Sra. Middleton. Sou Nora, vim conversar a respeito do apartamento ao lado. – Nora falou enquanto observava uma corrente entre a porta e a parede.
A senhora fechou a porta e Nora ouviu um barulho de chave. Ela apertou os lábios e olhou para Brian, que ergueu uma sobrancelha. A Sra. Middleton abriu novamente a porta e olhou desconfiada para os dois.
– Quem é seu amigo? – ela perguntou enquanto olhava para os braços tatuados de Brian.
– É... Ele veio de Londres, vai alugar o apartamento. – Nora explicou.
– Não quero festas aqui, rapaz. – a senhora falou.
Brian apertou os olhos e Nora disfarçou um sorriso com a mão.
– Ah... Sem problemas. – ele falou erguendo a sobrancelha.
– Por quanto tempo você quer ficar? – a senhora perguntou.
– Ainda não sei. – Brian deu de ombros.
– São cento e quinze euros por mês.
– Ótimo. – ele respondeu.
A senhora entrou no apartamento enquanto Nora e Brian estavam parados no meio do corredor. Depois de alguns minutos, voltou com uma chave.
– Aqui está. – a senhora esticou a mão para Brian.
– Tenho que pagar alguma coisa? – ele perguntou confuso.
– Os cento e quinze euros. – ela respondeu.
Brian olhou para Nora e ela deu de ombros. Nenhum dos dois entendia sobre aluguel de imóveis. Ele pegou uma carteira preta do bolso e tirou alguns euros, entregando-os para a senhora. Ela sorriu e entrou novamente no apartamento, fechando a porta. Nora olhou para Brian e percebeu que ele não sabia o que fazer.
– Que tal a gente conhecer o apartamento? – ela sugeriu.
– Legal. – ele deu de ombros enquanto pegava uma mochila no chão.
– Ainda não me acostumei com o valor do euro, não sei se paguei o que isso aqui vale. – ele respondeu olhando a grande sala vazia – Eu ainda vou ter que mobiliar tudo isso. – ele bufou.
– Calma, você não vai precisar comprar muita coisa. – ela respondeu enquanto olhava um dos quartos.
– Qual é o seu andar? – ele perguntou.
– Terceiro. Nossa, a vista da minha janela é muito mais bonita. – ela sorriu enquanto olhava através da grande janela da sala.
– Que bom pra você. – ele respondeu irônico.
– Vou te deixar arrumar as coisas. Você tem meu número, se quiser sair pra conhecer a cidade é só me ligar. – ela falou enquanto colocava as mãos no bolso do casaco e andava até a porta.
– Valeu. – ele falou enquanto a olhava.
Nora sorriu e saiu do apartamento, fechando a porta atrás de si. Andou até o elevador, desceu um andar e abriu a porta do seu apartamento. Já era quase onze horas e ela ainda não havia tomado café da manhã. Fez um café rápido e ligou a televisão. Pensou em ligar para Matt e contar que Brian já havia chegado, mas achou melhor não o fazer. Matt provavelmente iria achar que ela queria vê-lo com ciúmes e não falaria mais com ela. Nora sorriu, era realmente interessante saber que Matt se sentia ameaçado somente com a chegada de um novo amigo dela. Mas Brian poderia realmente ameaçar Matt? Sim, Nora sabia disso. A simples chegada dele havia perturbado e embaralhado tudo o que ela achava sentir. Ela não sabia de qual lado ficar. Matt era sincero e amigo, e Brian era misterioso e instigante. Ela queria saborear o perigo que Brian oferecia, mas também queria se deliciar com a segurança que Matt trazia.
Chacoalhou a cabeça e bebeu mais um gole do café enquanto tentava se concentrar na propaganda que passava na televisão. O telefone tocou.
– Oi... – Matt falou sem ânimo.
– Oi, Matt. – Nora respondeu mordendo o lábio.
– Queria me desculpar por ontem... Eu... Você realmente não me deve explicações. – ele falou.
– Tudo bem. Eu fiquei um pouco nervosa. Eu nem sabia se meu amigo viria mesmo e acabei descontando tudo em você. – Nora se desculpou.
– Posso te ver hoje? – ele perguntou depois de um tempo.
– Hoje? – ela perguntou insegura – É... Eu tenho que ir até a delegacia mais tarde. Não pode ser no sábado?
– Tudo bem... Eu te ligo. – ele respondeu.
– Ótimo. – ela fingiu animação.
Matt desligou o telefone, mas Nora ainda segurou o aparelho no ouvido. Era errado, era injusto ela fazer isso com Matt. Mas precisava de um tempo pra ela, precisava separar as coisas e decidir o que realmente queria, mesmo que se seu cérebro tentasse convencê-la de que tudo o que ela precisava era de alguém que estava naquele prédio. Mais precisamente, no apartamento número quinze, no quarto andar.
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