Notas iniciais
As palavras/frases em outras línguas são escritas em galês.
Os nomes e a mitologia são baseados na cultura Celta, mas não são totalmente iguais. O lago Dreigl (Lago das Passagens)foi baseado no Lago Konigssee, localizado na Alemanha.
Terra. Centenas de garotas se concentram em volta de uma grande árvore, recitando cantigas à grande mãe natureza. Água. Mulheres com olhares frios e calculistas entoavam músicas, molhando os pés na margem do Lago Dreigl. Todas as pessoas presentes sentiam a natureza à sua volta ganhar vida, dançando ao som que o vento fazia ao passar pelas folhas das árvores. Um pouco mais afastadas da concentração principal de pessoas, encontrava-se meninas altas, esbeltas e com um ar sereno. Ar. Todas elas estavam sentadas em círculo e sentiam – de olhos fechados – o vento lhes bater no rosto, sorrindo como se estivessem conversando com uma velha amiga. Entre elas, estava Dwynn, que se sentia ao mesmo tempo feliz e apavorada. Feliz, por sentir que a deusa Domnu falava com ela, dizia que ela era uma boa pessoa e que tudo ia dar certo; e apavorada porque todos pareciam estar falando com Domnu. Tinha medo de não ter seu sonho realizado e se sentir culpada por não ter ganho o respeito da deusa. “Calma” tentava se acalmar “Uma por ano. Poucas são escolhidas por ela. Uma por ano. Se eu não for, não significa que sou ruim. Uma por ano.” Fechou os olhos de novo e deixou aquela sensação tomar conta dela de novo e relaxou.
A alguns metros dali, cerca de 20 garotas se distribuíam em um círculo ao redor de uma fogueira que lançava luzes brilhantes nas faces ansiosas delas. Fogo. A maioria estava lá por força do hábito. Há cada a ano diminuía a quantidade de pessoas que tentavam seguir Dagda: sua personalidade arrogante e exigente fazia ser raro suas aparições, seja nos rituais de passagem ou nas guerras. Todas olhavam fixamente, tentando ver se alguma chama assumia um formato de uma deusa. Ninguém tinha esperanças de verdade.
A grande árvore estremeceu. Todos ficaram em silêncio, esperando. Um corpo ia surgindo da árvore. Na base do tronco, dois galhos finos cresciam rapidamente, seguidos por folhas inteiramente verdes. Aos poucos, mais galhos surgiam e iam se transformando em um corpo. Depois de cinco minutos, um corpo totalmente formado se separou da árvore. Flydda. A Deusa da Terra abriu os olhos terrosos e olhou para todas, avaliando quais teriam as características necessárias para ser uma seguidora da terra. Passou a mão pelas folhas que tinha na cabeça e sacudiu um pouco da terra que tinha em sem corpo. Era uma mulher com corpo forte e olhos sábios e gentis. Aos poucos foi escolhendo pessoas que saberiam se adequar as suas regras.
No lago, pequenas ondulações quebravam o reflexo perfeito da luz da Lua. Se dirigindo do meio do lago para a terra, surgia uma alta mulher feita de água. Ao chegar na margem, sacudiu o corpo inteiro, deixando apenas o cabelo e os olhos conterem a água cristalina do lago. Com seus grandes olhos frios, retribuía os olhares analistas das suas possíveis seguidoras. A seleção começava.
Longe, uma poderosa rajada de vento desceu sobre as garotas do Ar. As próprias partículas da atmosfera pareciam se unir e começar a forçar a deusa. Poucos segundos depois, Domnu sorria com um olhar materno para todas as garotas presentes, e ao contrário das outras deusas, travou uma conversa amigável com as Aeris¹. Como todos esperavam, da fogueira não surgiu nada. As garotas olhavam esperançosas, mas nada acontecia. Cansadas, decidiram acompanhar a seleção das outras garotas e ver se alguma amiga foi marcada. Resmungando, se dirigiram para o lago, quando um estrondoso barulho explodiu às suas costas.
Calor. Luz. Muita luz, entrando em todos os poros da sua pele e queimando a sua alma. Todas tentavam abrir os olhos e fechavam imediatamente, tamanha a intensidade da luz. Abriam a boca para gritar, mas o calor que respiravam as impediam de fazer qualquer coisa. E depois a escuridão. O frio. Demoraram para conseguir voltar a si mesmas. Quando conseguiram enxergar novamente, viram várias pessoas caídas no chão. Dwynn tremia com o choque e viu irmãs Aeris soluçando de medo.
“O que foi isso?” “Que sensação horrível!” “Morrigan está por trás disso. Só pode... Senti como se o mundo tivesse acabado!” ouvia as pessoas tagarelando. Mas Dwynn via algo mais importante. No lugar onde estivera a fogueira agora só existia cinzas. Olhou em volta, desesperada. Correu para perto da fogueira, ignorando quando o calor queimou seus pés. Lágrimas vieram aos seus olhos e ela piscou forte. Pwyll. Pwyll sumira.
Pwyll.
Notas finais
Aeris¹: seguidoras do Ar, filhas do Ar
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