Jacob me beijava com devoção, seus lábios percorriam minha pele com um cuidado que me fazia estremecer. Eu me sentia vulnerável, exposta… mas não com medo. Nunca com medo. Havia algo na forma como ele me tocava, como sussurrava palavras doces entre os beijos, que me fazia sentir especial, preciosa… amada.

Cada movimento dele era guiado pela intenção de me conhecer, de me respeitar, de me fazer sentir segura. Seus olhos não deixavam os meus, como se buscasse alguma permissão silenciosa, algum sinal de que eu estava pronta — e, de algum modo, eu estava.

O calor aumentava entre nós. Meus dedos se enroscaram em seus cabelos e uma leve risada escapou dos meus lábios quando ele roçou o nariz no meu queixo.

— Você está rindo de mim, princesa? — Ele perguntou em um tom provocativo, os olhos faiscando.

— Não — respondi, sorrindo. — Estou rindo porquê… parece um sonho. Um sonho estranho, quente e intenso.

Jacob riu, e seu riso vibrou contra meu corpo, fazendo meu coração bater mais rápido.

— Então que bom que eu vim para fazer esse sonho se tornar realidade.

Ele me beijou outra vez, agora com mais profundidade, e me entreguei por completo. Os minutos se transformaram em horas sem que eu percebesse. A noite caiu lá fora, mas o calor dentro do quarto só crescia. A conexão entre nós foi tomando forma — desajeitada às vezes, doce na maior parte do tempo, mas sempre guiada por uma certeza: a de que estávamos ali um para o outro.

Depois, quando tudo se acalmou e o silêncio nos envolveu, ele me manteve nos braços, traçando círculos com os dedos nas minhas costas enquanto eu repousava a cabeça em seu peito. O som constante e compassado do seu coração me embalava.


— Ainda com medo? — Ele sussurrou, beijando o topo da minha cabeça.

Demorei um instante, mas balancei a cabeça levemente.

— Não. Acho que agora só estou... cheia.

— Cheia?

— De emoções, de pensamentos, de... amor — confessei baixinho, como se a palavra pudesse me quebrar por dentro se eu não a dissesse com cuidado.

Ele sorriu. Eu senti.

— Eu estou completamente cheio de você — ele murmurou.

Fechei os olhos e deixei que aquelas palavras me envolvessem. Pela primeira vez, senti que aquele era o início de algo muito maior do que eu imaginava. Não era só o início do nosso casamento. Era o início de nós dois. De verdade.

A luz suave da manhã invadia o quarto pelas janelas entreabertas, aquecendo meus pés descobertos e iluminando os fios escuros do cabelo de Jacob, que dormia ao meu lado. Seu braço estava enroscado na minha cintura, como se mesmo dormindo ele se recusasse a me deixar ir.

Fiquei ali por alguns minutos, apenas observando. Cada traço do rosto dele parecia mais leve, mais calmo. E mesmo depois da noite intensa que tivemos, ele ainda conseguia me fazer sorrir só por existir.

— Tá me encarando, princesa? — Ele murmurou com a voz rouca de sono sem abrir os olhos.

— Talvez — respondi, mordendo o lábio para segurar o riso.

Ele abriu um olho preguiçoso e me puxou mais para perto, colando nossos corpos.

— Isso me dá direito a um beijo matinal?


— Hm… depende. Vai me deixar levantar para tomar café?

— Só se for comigo.

Nos levantamos juntos e, poucos minutos depois, estávamos sentados em uma pequena varanda anexa ao quarto, com a mesa de café da manhã já posta — frutas frescas, pães quentinhos, sucos naturais, e meu favorito: chá de lavanda.

Jacob preparou meu prato com um cuidado que me fez corar novamente. Ele parecia notar cada detalhe, desde o modo como eu gostava da fruta cortada até o jeito que eu sempre deixava o pão por último.

— Por que está me olhando assim? — Perguntei, levando o copo aos lábios.

Ele deu de ombros, sorrindo.

— Estou gravando você na memória. Vai ser difícil ficar quatro dias longe.

Franzi o cenho, confusa.

— Quatro dias?

Jacob assentiu, pegando minha mão sobre a mesa.

— Preciso retornar a Quilay hoje, meu amor. O conselho me espera e há assuntos pendentes sobre o envio de Itryo. Mas prometo que em quatro dias você estará lá comigo. E até lá, Seth ficará aqui com você.

— Seth? — Perguntei surpresa, ainda assimilando tudo.

— Sim. Ele é leal, forte, e daria a vida por você. Confio nele de olhos fechados. Além disso… eu estaria mais tranquilo sabendo que ele está aqui, te protegendo — disse, apertando levemente meus dedos.

Suspirei, encarando nossos dedos entrelaçados.

— Eu vou sentir sua falta.

Ele se levantou e veio até meu lado da mesa, ajoelhando-se diante de mim e apoiando a cabeça em meu colo.


— Eu também. Mas quando você chegar em Quilay… não vai mais precisar sair de perto de mim. Nunca mais.

Afaguei seus cabelos, tentando gravar aquele momento em cada pedacinho da minha alma.

— Você fala como se fosse me prender num quarto — brinquei, sorrindo.

Ele ergueu o rosto e piscou, com aquele sorriso de canto que sempre fazia meu coração tropeçar.

— Só se for o meu.

Soltei uma risada baixa e ele me puxou para um beijo calmo, doce, como se quisesse guardar em mim o gosto daquela manhã.

— Quando eu chegar… quero que me mostre cada canto do seu reino.

— Vai ser a rainha mais mimada de toda Quilay — prometeu ele, encostando a testa na minha.

E naquele instante, entre o aroma de pão quente e o calor do sol, eu soube: onde quer que ele estivesse, ali seria o meu lar.

Depois do café da manhã, o clima no quarto começou a mudar. As malas de Jacob já estavam prontas, encostadas ao lado da porta. O tempo, que até então parecia ter desacelerado, agora corria como um rio impaciente. Ele precisava partir. E, embora meu peito doesse com a ideia, havia uma parte de mim que se sentia em paz por saber que Bella o acompanharia. Minha mãe — minha verdadeira mãe — estaria segura fora daquele castelo onde Irina ainda respirava o mesmo ar.


Acariciei os dedos de Jacob distraidamente, tentando guardar aquele toque antes que ele desaparecesse por alguns dias.

— Vai ser estranho dormir sem você hoje — confessei, com um sorriso pequeno nos lábios.

Ele me puxou com carinho até seus braços, me envolvendo num abraço apertado e protetor.

— Vai passar rápido… minha Rainha.

Fechei os olhos ao ouvir a forma como ele me chamou. Era estranho como aquela palavra, antes tão distante de mim, agora parecia fazer parte de quem eu era. Talvez… porque ao lado dele, eu me sentia diferente.

Jacob se afastou um pouco para me olhar nos olhos.

— Preciso que você tome cuidado, Nessie. Muitos ainda querem descobrir onde fica Quilay… e agora, com você ligada ao trono, qualquer descuido pode custar caro.

— Engraçado você dizer isso… — murmurei com um sorriso travesso. — Eu mesma adoraria saber onde fica Quilay.

Jacob riu e balançou a cabeça.

— É melhor que não saiba. Por enquanto.

— Você não confia em mim? — Provoquei, arqueando uma sobrancelha.

Ele passou os dedos pela minha bochecha, com um carinho que me fez perder o ar por um segundo.

— Eu confio mais em você do que em qualquer pessoa no mundo. Mas não confio em todos à sua volta.

Assenti, compreendendo o peso do que ele dizia. Havia mais perigos ali do que eu podia ver. E talvez por isso meu coração estivesse batendo tão forte naquele instante.

— Jacob… — comecei, mas minha voz falhou. — Eu…


Ele sorriu de leve, como se já soubesse o que eu não conseguia dizer.

— Não precisa dizer nada. Eu entendo. Só… cuida de você até eu voltar.

Assenti novamente, mordendo o lábio inferior para conter a emoção.

— Prometo.

Jacob se inclinou e me beijou, e aquele beijo foi diferente de todos os outros. Não tinha pressa, nem desejo urgente. Era doce, sereno… como um lembrete de que ele voltaria. E que eu estaria aqui esperando.

Quando ele se afastou, seus olhos ainda estavam nos meus.

— Em quatro dias, minha Rainha. E então, o reino será seu também.

Ele saiu, levando consigo uma parte do meu coração — uma parte que, até ontem, eu nem sabia que existia.

Fiquei ali por um tempo, olhando para a porta fechada. Ainda não entendia completamente o que sentia por Jacob. Admitia, com certa vergonha, que aceitei aquele casamento para proteger Bella… mas agora… agora algo dentro de mim havia mudado. Depois da noite passada, depois da forma como ele me tocou, me olhou, me chamou de "minha"… talvez, só talvez, eu estivesse começando a amá-lo.

Mas ainda não estava pronta para admitir isso. Nem para ele. Nem para mim mesma.