Notas iniciais
Anteriormente o Título era apenas "HHT", mas como não aceitavam títulos de capítulo com apenas letras maiúsculas, tive que colocar esse bagulho de "Siglas" aí. Saco.

● ๋° Siglas: "HHT" °๋●

Estava seguindo o corredor para chegar até a sala de Levi com uma coisa amarrada nas costas. Não sei o que acontecia, mas tinha uma sensação estranha, eu não estava entendendo. Aliás, desde dois dias atrás, no momento que ocorreu aquele incidente misterioso, venho sentindo isso quando coloco meus pés fora do meu quarto.

É... Aquela briga não passou em branco, estava me martelando algumas coisas. Porém, o que mais me preocupava era aquela visão sobre a vela. É uma estranha sensação, onde eu já visse em algum lugar, mas... Eu não sei, eu não me lembro!

– Levi? – chamei-o assim que bati na porta de seu escritório. Quando toquei na maçaneta, a porta se abriu e pude ver Erwin sair de lá. Não me cumprimentou, não sorriu, apenas lançou-me um olhar desagradável e continuou seu trajeto.

– Entre, Eren. – e assim como me pediu, adentrei o cômodo e fechei a porta, revendo toda sua organização e seu respectivo clima pesado, que hoje... Parece estar mais forte.

– Levi...? Está tudo bem? – perguntei antes de me dar conta que ele ou algo parecia estranho. O psicólogo suspirou encaminhando sua mão para massagear suas têmporas.

– Nada de mais, Eren. – novamente suspirou fechando os olhos. – É apenas estresse do cotidiano. – respondeu brevemente e logo continuei meus passos até si.

Assim que apoiei ambas as minhas mãos em sua mesa, seu olhar pousou sobre o meu, trazendo-me leves arrepios.

– L-Levi... Eu... Ainda não tive a chance de... T-te agradecer pelo que me fez.

Levi continuou em silêncio, abaixando lentamente sua mão que se posicionava sobre seu rosto. Continuando com seu olhar fixo em mim, senti minha nuca estremecer-se, assim como percebi que suas pupilas permaneciam levemente dilatadas. Levantou-se lentamente, apoiando o peso de seu tronco sobre seus braços à mesa, seu rosto posicionava-se em frente ao meu e permitiu-se secar-me com seus olhos enquanto sua respiração batia contra a minha.

– Droga, Eren... – murmurou aparentemente irritado. – Você tem que tomar cuidado... Antes que eu faça coisas não permitidas com você...

– Não permitidas...? – indaguei secando-o também, da mesma forma que fazia comigo. – O que diz com isso...?

– Tem noção que pedofilia é crime, não é? – apenas permaneci em silêncio, observando-o lamber os lábios enquanto observava os meus. Estalou a língua suspirando outra vez. – Posso tocar seus lábios? É como se fosse uma obrigação necessitar disso.

– Faça o que quiser. – apenas ditei respirando fundo e fechando minhas mãos trêmulas.

– Então não vou apenas tocá-los. – rapidamente subiu acima de sua mesa, empurrando alguns livros para o lado e ajoelhando-se nesta. Mal notei e, suas mãos já estavam presas em meu rosto, segurando-o com certa possessão, porém, com extrema delicadeza. Sua respiração encontrava-se alterada e seus olhos fechavam-se num aperto. À medida que seus lábios aproximavam dos meus em sua lenta velocidade, mais sua respiração forte e descontrolada batia em meu rosto, me fazendo tremer.

Não sei... Levi parecia possessivo, sedento, realmente necessitado. Porém, antes de me deixar pensar mais sobre isso, uniu nossos lábios de uma maneira cheia de ternura. A sensação de sua boca sempre era a mesma: macia, delicada, gentil, doce... Mas logo seu ato ganhou um pouco mais de força sobre mim.

Sentindo meu coração trabalhar de uma maneira estupidamente rápida, levei meus braços ao seu pescoço, circundando-o por fim, a fim de trazê-lo para mais perto de mim. Levi abraçou minha cintura, aparentemente com a mesma finalidade. Senti algo úmido, um pouco menos macio que seus lábios, passar sobre os meus, umedecendo-os, e como este se infiltrou aos poucos em minha boca, permiti-me abrir esta.

Portanto, assim que sua língua tocou a minha, uma adrenalina forte passou sobre mim e afastei-me de si com um susto. Permaneci apenas o olhando, assim como ele.

– Desculpe... – pronunciou em um múrmuro. – Fui apressado?

Apenas o olhando, balancei a cabeça pro lado e pro outro. Assim que se sentou à mesa e estendeu sua mão até mim, levei a minha até esta e caminhei até si, sendo envolvido com seus braços em minhas costas. Encostei meu rosto em seu peito, sentindo o doce palpitar de seu coração, assim como seu cheiro inesquecível.

– Ei, Eren... – sussurrou enquanto encostava os lábios em minha testa. – Eu não quero te assustar, apenas avisar, então... Acalme-se desde já. – sua mão mais perto de meu cabelo pôs-se a acariciar este, fazendo leves cachos na ponta. – Desde aquele incidente, Eren, você está sendo observado.

Arregalei os olhos assustado e, antes de afastar-me de si, seus braços me apertaram mais firme em um abraço, me fazendo acalmar um pouco.

– O-observado?!

– Acalme-se, Eren. – roçou levemente seu nariz em minha testa, me fazendo fechar os olhos e relaxar os ombros. – Não se preocupe... Conversei com Erwin a respeito disso. Se eu conseguir prová-lo que você está mais calmo, que aquilo foi somente uma crise alta de estresse, ele vai retirar essas pessoas de sua cola. – suspirei ao sentir sua voz sussurrada ao meu ouvido.

– E como vai fazer isso, Levi? – levantei meu olhar ao seu, que parecia fixo em mim.

– Não tem plano certo. – Levi soltou-me do abraço e me posicionou enfrente de si, no meio de suas pernas. – Mas que tal... Você mostrar uma das coisas mais belas em si?

– H-hun? – senti minhas bochechas arderem. – A que se refere?

– A isto. – suas mãos escalaram meu tronco, chegando até minha face e puxando de leve o canto de meus lábios com seus polegares. – Seu sorriso, Eren. Você deveria investir mais nele.

Abaixei meu olhar à sua clavícula, me sentindo totalmente envergonhado, me mantendo em silêncio. Porém, achei algo para revidar:

– Você não pode falar de mim, Levi. Às vezes em que te vejo em um leve curvar são raras.

Subi meu olhar para si, notando que parecia um pouquinho assustado.

– Bom... Eu só libero um sorriso quando estou realmente feliz.

– Então... – corri meu olhar a si procurando um ponto fixo para firmá-lo. – A minha chance de fazê-lo feliz seria a mínima?

– O quê...? – sua voz saiu murmurada. – N-não, Eren! – Levi gaguejou? Corri meu olhar a sua face, descobrindo que a ponta de seu nariz parecia levemente corada. – Você é a primeira pessoa que nota um sorriso meu!

– A-a primeira...?! – arregalei meus olhos, afastando de si pela surpresa.

Seus olhos correram ao redor do escritório, parecia sem saber o que fazer. Mas, assim que seus lábios se abriram para dizer algo, algumas batidas na porta se fizeram presentes retirando nossa atenção. Quando foi aberta, Hanji pôs seu rosto para dentro.

– Oh!! – entrou com o restante do corpo e fechou a porta. Caminhou até atrás da estante, escondendo seu corpo e deixando apenas os olhos pra fora, continuou: – Finjam que não estou aqui!! Continuem com o que seja lá o que for que vocês estejam fazendo!!

Levi suspirou, massageando as têmporas.

– O que quer, sua capirota?

– Eu esqueci o que vim fazer aqui, mas vou perguntar uma coisinha: O que vocês estavam fazendo?

– Uhg... Nada, Hanji! – apressou-se Levi, saindo de cima da mesa.

– E você quer que eu acredite nisso?! – Hanji alterou a voz. – A Sua Mesa está um caos, Levi!! A Sua!! Além disso, você estava sentado nela e, pela posição de suas pernas, Eren estava entre elas!

Hanji era detetive?

Levi bufou:

– Sua bastarda...! Diga logo o que veio fazer ou eu te expulso! Estou no meio de uma consulta!

– Consulta? – indagou Hanji. – Quer mesmo que eu acredite que era uma simples consulta? – riu medonhamente. – Eren, Eren!! Diga-me, você ainda é virgem?

– Eh? “Virgem”? O que é isso? – indaguei.

Os dois me olharam silenciosamente e Hanji saiu de trás da estante.

– Droga... Parece que não aconteceu ainda.

– Aconteceu o quê? – perguntei baixinho, porém nenhum deles ouviu.

– Repetindo, Hanji: O que você veio fazer?

– Ah! Lembrei! – coçou a nunca caminhando até mim e deixou sua imagem séria transparecer. – Eren, por acaso... No incidente que ocorreu você estava com algum objeto cortante?

– Objeto cortante? N-não... Por que esta pergunta de repente? – indaguei confuso, incomodado de tocar no assunto.

– No pescoço de Reiner, onde você segurou para levantá-lo, há alguns estranhos cortes, Eren. Mas percebemos serem algumas letras iniciais: “HHT” E isso é realmente estranho, porque os expectadores confirmaram que você realmente não tinha nenhum objeto consigo.

Engoli seco. Gostaria de pensar algo que eu fiz para surgir tal coisa, mas não adianta. Não tem explicação. Aliás, o que eram aquelas sensações estranhas de ter alguém me segurando e fazer socar Reiner durante aquele momento? Olhei disfarçadamente Levi que parecia pensativo. Estalou a língua, recebendo o olhar de Hanji.

– O que foi, Levi?

– Isso é estranho. Hanji, será que poderia dar licença para eu prosseguir minha consulta com Eren? Você está realmente nos atrapalhando.

– Se é assim, desculpe. Eu só queria confirmar, pois ninguém realmente sabe o que é. Ah, Eren... Mais uma coisa.

– S-sim...?

– Me disseram que Reiner quebrou seu braço.

Enfartei.

D-droga...!! T-tanta coisa pra perguntar, mas logo o que não deve?! M-maldição!!

Olhei novamente ao Levi que ainda parecia pensativo, e quando Hanji falaria algo, o psicólogo se fez presente:

– Não, Hanji. Eu estava lá. – o semblante deste era totalmente sério, o olhar, permanecido para frente, um ar pensativo. – Reiner não quebrou o braço dele.

– Sério? Que estranho. – comentou também pensativa. – De qualquer forma, Eren, será que pode passar na minha sala depois? Gostaria de verificar algumas coisas.

Acenei positivo e depois de se despedir, a médica saiu da sala. Assim que a porta foi fechada, Levi voltou seu olhar a mim.

– Eren... Eu me vi esquecido do real motivo de você estar aqui assim que disse aquele gracioso agradecimento, então... – abanou a cabeça. – Vamos direto ao ponto.

Confirmei. Levi sentou-se em sua cadeira e eu sentei ao sofá vermelho.

– Então, Eren... O que aconteceu realmente há dois dias? Como aquilo começou?

– Eu... Estava andando sem rumo ao Hospício, sem olhar pra frente, então acabei por esbarrar em Reiner, que não deveria estar também em um dos melhores dias.

Levi tinha seu olhar preso ao meu, seu queixo apoiado às mãos e sua concentração presa a mim.

– Então não foi um dos seus melhores dias mesmo antes. – concluiu. – Houve algo antes, Eren?

– Ahn... Eu estava conversando com Hanji...

Um suspiro de sua parte:

– Te avisei que não vem coisa boa conversando com ela, mesmo não sendo uma companhia ruim. Estavam conversando sobre o quê?

– Ahn... – mostrei-me pensativo. – No início, era sobre você...

– Sobre mim? – indagou curioso. – Estavam falando mal de mim, por acaso?

– O quê? Não!! – apressei-me em explicar. – Eu nem sei o que estávamos falando direito! Só sei que deu em livros e filmes de romance, desabrochar corações, apaixonar, casamento, amor, filhos...! S-sei lá!!

Levi retirou os cotovelos da mesa e sentou-se em outra posição na cadeira, uma mais confortável.

– Oh! – exclamou em um tom divertido. – Deixa eu ver se entendi. – seu nariz ficou vermelhinho. – Você estava querendo me chamar pra sair porque estava apaixonado e queria desabrochar meu coração? Depois iríamos nos amar, casar e ter filhos?

Enfartei.

– O-o quê?! – levantei-me em um pulo da cadeira e acabei por gritar.

– Estou errado? – Levi mostrou-se indignado.

N-não muito.

O quê?!

– O-o quê?! – repeti.

– Uh, droga. – suspirou voltando à posição original. – Sente-se e relaxe, Eren. – foi o que eu fiz. – Se realmente não foi isso, diga-me o que foi.

– Ah Levi!! Eu não sei! Simplesmente a conversa tomou um rumo ruim no final!

– E o que seria?

Suspirei olhando pra baixo. Não queria falar nisso... – Sobre meus pais e minha irmã. – respondi em um múrmuro alto apenas o suficiente para Levi ouvir.

Levi se levantou e, seguindo-o com os olhos, percorreu o escritório e sentou-se ao meu lado, no sofá vermelho. – E então, sobre a esbarrada com Reiner... – voltou ao início do assunto, levando sua mão até a minha e não demorando a entrelaçar nossos dedos. – Vocês brigaram por causa da cabeça de vocês dois estarem quentes.

– É... Por isso... – como sou idiota!

– E Eren, me diga... Reiner quebrou seu braço naquela hora, certo?

– S-sim... – apertei sua mão, tentando buscar um conforto em si.

– E quando você me abraçou naquela hora, seu braço já estava normal. – Levi parecia preocupado. Confirmei com a cabeça. – Quando seu braço voltou?

– Na hora em que ele me deu um Mata-Leão. Voltei um soco em si com o braço...

Levi mordeu seu lábio inferior, fazendo este ficar bem avermelhado e tentador. – Quando estavam te prendendo na camisa de força, seus olhos estavam estranhos.

– Estranhos como? – levantei o olhar a si.

– Não sei... Suas pupilas pareciam ter sumido, e quando começou a se debater, ficaram numa cor dourada...

Engoli seco.

– O-o que seria isso...?

– Eren, me diz... Na hora em que você desacordou Reiner... – sua mão livre pegou minha outra, acariciando esta. – Você sabia o que estava fazendo? Você realmente quis fazer aquilo?

O olhar de Levi sobre mim... Aquele seu olhar preocupado parecia trazer uma angústia, uma preocupação anormal. Mas assim que apertou mais minhas mãos mais firme, eu tive certeza. Levi realmente está preocupado comigo e, mesmo se eu conseguisse mentir para si, eu deveria dizer a ele tudo. Realmente tudo.

Abaixei a cabeça, observando suas mãos pálidas e frias apertarem as minhas. Eu responderei o que ele apenas perguntar. Nada mais, Eren...

– Quando eu o soquei com o braço quebrado, Levi... Eu tive uma visão estranha. – respirei fundo. – Tudo se escureceu; O ambiente se esfriou; Um quarto branco que surgiu um rapaz abaixado, abraçando seus joelhos, se levantou chorando e esticou a mão para mim. Aquele rapaz seria eu... – mordi meu lábio, mas logo prossegui: – Mas, de repente, uma vela teve sua chama apagada. – pausei, ainda olhando para nossas mãos. Ainda continuava com as leves carícias.

– Foi estranho, Levi... – continuei. – De repente senti um choque, meu corpo se pôs a queimar, meu interior fervia... E não tenho certeza, mas eu vi um vapor sair de minha boca. Não senti dor e me sentia muito forte, agindo sem pensar. Foi quando o joguei e...

Me senti tremer ao lembrar daquela certa textura das mãos que me seguraram.

– Eren. – me chamou. – Acalme-se. – mesmo não querendo, ainda me sentia tremer e percebendo isso, Levi segurou meu queixo, levantando este até eu alcançar seus olhos. – Acalme-se... – repetiu acariciando-me com o polegar.

– Eu senti as mãos do meu pai me forçar a espancá-lo, Levi.

Notas finais
O Grisha (pai do Eren, quem esquece do nome dele), é um grande filho da puta. E vocês ainda não viram nada. ~