Nas Sombras de um Hospício
7 "Inteiramente Meu"
Notas iniciais
● ๋° "Inteiramente Meu" °๋●
– Vejo que realmente não tem nada fora do lugar em você, caro Eren. – comentou a médica encostada ao armário, depois de sua seção de exame para investigar se algo em mim estava fora do lugar. Hanji observava-me interessada, parecia de certa forma intrigada.
– Bom... – estava brincando com os dedos das mãos, meio incomodado, tentando disfarçar que me sentia encabulado, já que Hanji parecia me secar com o olhar. – Então já acabou? Eu já posso ir? – indaguei ansioso.
– Já está liberado sim, Eren. – posicionei ambas as pernas para me levantar, porém Hanji continuou. – Mas gostaria de conversar com você...
Fiquei um pouco mais ansioso, mas nada que eu não pudesse ignorar. Suspirei e sentei-me novamente. Tinha vontade de fazer algo, mas não sabia o que exatamente era. – Pode dizer, Hanji.
– Sabe Eren... – Hanji tinha seu olhar fixado ao chão, enquanto brincava com as mãos. – Desculpe por antes... Eu falei o que não devia... Não é...?
– Já passou Hanji. – desviei o olhar de si. – Eu acho que... Não quero falar sobre isso.
– Desculpe Eren... – insistiu tendo seu olhar um pouco decepcionado depois de soltar um suspiro cansado. – Eu sempre cometo esses erros estúpidos de falar, falar e falar. Falar o que não deve, sabe? – continuou ela. – Foi por minha culpa que ocorreu aquilo, não é?
Hanji parecia querer falar algo mais específico, mas que por alguma razão não conseguia. Talvez, por causa de seu falatório, tenha acontecido algo no passado, algo sério, eu me refiro. – Não, Hanji. Não foi sua culpa. – decidi por responder isso, livrando sua consciência. – Não se preocupe, já passou.
– Entendo... – acariciou o próprio braço e sorriu forçado, ainda tendo o olhar ao chão. – Obrigada, Eren... Mesmo não sendo a verdade, fico feliz que tenha se preocupado comigo.
Sorri a ela em compreensão. Deve ter acontecido algo mesmo, mas é melhor não tocar nesse assunto, até porque não desejo que ela saiba algo sobre o que já aconteceu comigo. – Há mais alguma coisa que queira falar? – indaguei por fim.
Nesse momento ouvimos algumas batidas na porta que encerrou automaticamente nosso assunto. Assim que Hanji pediu para entrar, avistamos Levi sendo seguido pelo loiro de antes, o loiro que brigou comigo. Reiner, se não me engano.
Hanji mostrou-se ser bem sociável, como sempre, esquecendo-se de nossa conversa de antes. Cumprimentou os dois, sendo ignorada por Levi e respondida gentilmente por Reiner, que ao notar agora, parecia ser sociável também.
– Trouxe o Reiner pra ter uma palavrinha com você, Eren. – anunciou Levi, ignorando mais uma vez a morena que insistia em arrancar de si um cumprimento e olhando diretamente a mim. Olhei logo ao loiro, ignorando a estranha sensação de minha barriga que já estava se tornando comum.
– Ei Eren, – me chamou. – foi mal por antes... – parecia de certa forma um pouco acanhado, mas parecia estar gentil. – Acho que tanto eu quanto você não tivemos um dia bom... Não é? – falou coçando a nuca em um sorriso torto envergonhado.
Reparando agora, Reiner parecia ainda mais musculoso do que antes eu tinha percebido. Deve ter uns quinze centímetros a mais que eu. Seu rosto estava bastante machucado, com alguns roxos, ralados e arranhões. Na verdade, mais machucado do que eu pensava que estaria. Eu realmente tinha exagerado...
Me senti mal por ter feito algo assim, ainda mais por perceber que se eu quisesse apenas me proteger, não causaria tanto estrago e sim o travaria de alguma forma; até porque me acharia parecido... Com meu Pai.
Seu olho canhoto nem chegava a abrir-se, de tão roxo e inchado, e seu lábio também tinha alguns cortes, assim como seu nariz e orelhas. Suas bochechas estavam vermelhas. Em si, a parte onde mais chamava minha infeliz atenção era seu pescoço, o único lugar que estava tampado por uma faixa. Minha curiosidade sobre as letras aumentou.
– Tudo bem, Reiner. – dei um pequeno sorriso finalmente o respondendo. – Eu também peço desculpas... Tenho que parar com essa mania de descontar em quem não tem nada a ver... – cocei a nuca também.
Ele sorriu. – Que nada! Também preciso! – riu de leve, logo esticou a mão em minha direção. – Foi mal mesmo, Eren. Ficamos de boa então? – Reiner aparentemente, ou até mesmo revendo o dia de nossa briga, parecia alguém que não voltaria atrás para pedir desculpas a alguém. Fico surpreso por Levi ter conseguido fazê-lo isso.
– Sim, de boa. – alcancei sua mão em um cumprimento, fazendo as possíveis pazes e lançando-lhe um sorriso mais amigável.
– Eu te falei que Eren era de boa, Reiner. – comentou Levi batendo de leve nas costas do loiro.
– Realmente... – levou sua mão vaga aos seus curtos fios loiros, bagunçando-os.
– Ei, Reiner... – chamei-o e logo sua atenção voltou a mim. – Sobre a marca em seu pescoço... – suspirei desviando o olhar e soltando sua mão. – Ela dói? – indaguei curioso, recebendo os olhares dos três.
– Na verdade não... – respondeu aparentemente pensativo, ainda bagunçando seus cabelos. – Mas às vezes formiga de uma forma estranha, logo passa.
– Eu poderia ver?
– Ah, tudo bem! – exclamou como se fosse algo simplesmente normal. Retirou lentamente as faixas do seu pescoço com a ajuda de Hanji e virou o rosto para cima, me dando a liberdade de visualizar. Forcei a visão para notar as letras, mas só via tudo bem vermelho. – Quer que eu me sente para conseguir observar melhor? – perguntou rindo.
– Oh... Eu ficaria agradecido. – respondi rindo também. Assim o loiro sentou-se onde anteriormente eu estava, me puxando para perto de si pelo meu pulso. Toquei seu rosto, levantando este para ter mais visão de seu pescoço avermelhado.
Agora que ele estava de tamanho menor, consegui visualizar melhor seu pescoço, encontrando as antigas letras: “H. H. T.”, bem claras, como se fosse uma cicatriz de muito, muito tempo. Franzi o cenho por ver que não eram especificamente letras, e sim riscos. Mas quando notei Reiner engolir, acabei por rir um pouco, por achar engraçado.
– O que foi? – ele perguntou curioso, fazendo seu Pomo-de-adão* subir e descer, acabei por rir de novo.
– Seu Pomo-de-adão é muito visível. – comentei encostando neste, fazendo-o rir.
– Faz cócegas. – Reiner fechou os olhos abrindo mais o sorriso. Um sorriso branquinho e largo, até bonito, eu poderia dizer.
– Nossa. – a voz de Hanji se fez presente. – Nem parece que vocês se enfrentaram alguns dias atrás. – virei para si, assim como percebi que Reiner também fez. Hanji estava escorada novamente ao armário, nos olhando interessada. – Vocês fazem um casal bonito.
– O quê? – perguntei rindo, assim como Reiner que gargalhou.
– Já que vocês acabaram por aqui, essa é a minha deixa. – Levi deixou suas rápidas palavras, sério, olhando-nos como se fossemos a escória de toda a humanidade. Não tardou a abrir a porta com rapidez e fechá-la com violência.
Foi a deixa também para a simpatia que antes o local tinha. Agora nós três permanecemos silenciados olhando a porta recém fechada, lembrando do olhar... Novo para mim e talvez para Reiner.
– Merda... – murmurou Hanji entre os dentes. – Tá tudo acabado. – resmungou em um suspiro, passando a mão sobre a testa e fechando os olhos em uma expressão cansada. – Não gosto desse Levi.
– O que aconteceu, Hanji...? – perguntei voltando a ela. “Deste Levi”?
– Não sei. Mas algo muito estrondoso ocorreu. – Hanji parecia pasma. – Conheço Levi o suficiente para afirmar que vocês precisam ter cuidado nos próximos dias.
•●๋°●•
Se passaram alguns dias desde que consultei com Hanji. E desde que Levi saiu daquela porta, violento, eu não o vi momento algum pelo hospício. Cheguei a conversar com Reiner, Armin e até mesmo o merda do Jean a respeito disso. Nenhum deles o avistaram, assim como os amigos de cada um deles.
Comecei a achar bastante estranho. Porque, de repente, um Psiquiatra sairia de seu trabalho sem dar notícias? Pediu folga e não fomos avisados? Reiner também achou estranho, mas os outros dois apenas deram de ombros, justificando que o doutor poderia estar cansado.
– Ei, Eren! – abri um sorriso assim que Reiner me chamou e se pôs a correr em minha direção.
– Reiner! Beleza? – cumprimentei-o assim que ficou próximo a mim com um aperto de mão e uma batida no ombro, assim como fez comigo.
– Beleza cara! E você? – perguntou prendendo meu pescoço com seu braço enquanto desarrumava ainda mais meu cabelo com sua mão.
– De boa. – respondi fechando os olhos. De repente Reiner passou a estar comigo esses dias em que Levi não se encontrava. Talvez poderia o chamar de melhor amigo. Ah, sim, e sempre que nos encontramos, nos cumprimentamos assim e tenho meu cabelo completamente desarrumado.
E sempre que termina de bagunçar... – Nossa! – exclamou rindo ao se afastar. – Tá uma zona!
– Imagino! – passei a mão em minha franja longa jogando-a para trás para dar uma “abaixada”, me sentia um pouco acanhado por alguém ser tão amigo meu de uma forma tão rápida.
– E ae, cara. Como estão as pinturas? – perguntou Reiner como o de costume. Após falar-me que seu hobby era admirar as coisas, contei-lhe que o meu era pintura e desenho.
– Ah, cara. – fechei os olhos sorrindo de leve. – Sei lá. Faz muito tempo que não pinto, que não desenho... Eu sinto falta, mas não tenho aquela inspiração de sempre. – cocei a nuca.
– Ora, não tem inspiração! – pareceu bravo do seu jeito brincalhão. – Cara, pensa em algo e coloca na tela! Desenhe algo que você admira, que acha bonito... – coçou a nuca também rindo. – Sei lá!
– Depois eu tento. – adiei mais uma vez, levando um leve soco no braço enquanto vagávamos por ai. Reiner era realmente um cara gente boa.
– Ei, Eren. – me chamou mais sério, alcancei seu rosto com os olhos. – Aquele ali é o Doutor Levi? – apontou com o rosto, fazendo uma inclinação com ente.
Segui o olhar do loiro, encontrando, ao longe, Erwin conversando com alguém bem menor que si que usava um casaco negro com um capuz, calça jeans e uma bota de cano bem alto, à altura dos joelhos. Tinha uma maleta em mãos. Forçando a visão, reconheci aquele cabelo negro e bem liso que escapava do capuz por causa do vento. Erwin parecia meio alterado, nervoso.
– Eu acho que é... – sussurrei mordendo os lábios, sentindo um palpitar incomodo presente ao meu coração.
– Vamos para mais perto, nos esconder nas árvores! Fiquei curioso... – sugeriu o maior me puxando pela mão até mais perto deles. Sendo bastante cautelosos, nos escondemos atrás de alguns arbustos em meio às árvores. Perto o suficiente para ouvi-los.
– Chega com essa matraca toda, loiro, – dizia Levi com uma voz seca. – não quero ouvir toda a asneira que tem a dizer.
– Ei Levi! Para com essa merda e saia daqui! – Erwin ditou ríspido e nítido com as palavras, fazendo o menor o olhar com asco.
– Você me enjoa, Erwin. – falou sem rodeios.
– Eu sei, Levi. – o loiro respirou fundo. – Mas isso não é o caso, porque voltou mais cedo do que mandei?
– E o que eu faria lá? Tsc. Merda nenhuma! Eu tenho trabalho, Erwin! Trabalho! – soletrou a última palavra, como se tentasse colocar sua razão forçadamente à cabeça do diretor. – Minha “vida” é aqui, não adianta me expulsar como se fosse resolver algo!
– Levi, olha só pra você! Mal está engolindo a própria raiva! – fechou os olhos em reprovação. – Nem me diz o que aconteceu pra alguém te tirar do sério assim. Droga... Como você quer trabalhar desse jeito? Espera que os outros se abram com você e receba uma desilusão logo após?
– Me deixe trancado em meu quarto então, Erwin. Não vou sair desta porcaria. – ditou Levi decidido, fuzilando o loiro e esbarrando neste com o ombro quando se pôs a andar.
– Levi! – o chamou mais uma vez. – O que diabo fizeram com você?
E como o esperado, o menor apenas ignorou, seguindo seus próprios passos seja onde for. Engoli seco e olhei para Reiner que até então continuava a olhar Levi. – Caraca... Quando eu consultei com o Doutor Levi, ele não estava assim... – olhou pra mim. – Será que fizemos algo que o deixou estressado?
– O quê? E o que poderíamos ter feito? – franzi o cenho. – Cara, ele é um psicólogo! Não deveria estressar-se assim, de repente, sem razão. Se nós fizemos algo para deixá-lo desse jeito, nós saberíamos!
– Entendo onde quer chegar, mas... Ele continua sendo uma pessoa, Eren... Todos podem se estressar com coisa atoa, assim como nós dois. – deu um pequeno sorriso. – A diferença é que ele tem que se controlar...
– Tem razão... – olhei para Erwin que agora olhava para o caminho onde Levi traçou. Bagunçava os próprios cabelos loiros. Acho que minha visão em relação às pessoas que ajudam as outras é curta. Como se... Elas fossem obrigadas a serem perfeitas.
– Ei, ei. Por que ficou desanimado? – perguntou o loiro ao meu lado com seu sorriso consolador. – Sem querer, eu também penso assim, mais em “nós”, do que “neles”. – se referiu às pessoas que ajudam as outras.
– E mais uma coisa que devemos mudar. – suspirei enquanto Reiner gargalhou baixo.
– Vamos, cara. Vamos caçar algo para fazermos. – disse ele levantando-se e caminhando. Me pus a segui-lo.
•●๋°●•
Okay. Não consegui concentrar-me em nenhum momento depois de ver Levi. Eu não sei... Qualquer coisa fazia lembrar-me dele e acabava ficando preocupado! Não podia deixar assim, então, quando escureceu, procurei por Hanji para me dizer onde era o quarto do moreno. Eu queria... Conversar consigo.
Assim que Hanji me passou o endereço e me advertir para tomar bastante cuidado e não deixar nenhuma palavra errada escapulir, fui até o quarto indicado, que era em um prédio dentro do hospício mais longe que os outros. Hanji me disse que ali era o local dos funcionários.
O prédio era bem maior, contendo móveis mais luxuosos. Com certeza os quartos eram maiores que os dos alunos, mas tudo bem, não é esse motivo que fui até lá, e sim, para conversar com Levi.
Cheguei ao respectivo lugar e respirei fundo, me dando forças e coragem. Só desejo que Levi consiga controlar sua raiva caso eu a aumente sem intenção... Quando fui bater à porta escura de madeira negra, visualizei ao lado desta um pequeno botão prateado, que julguei ser algum tipo de interfone. Apertei uma vez e esperei ser atendido, o que não demorou tanto.
– Eren? – Levi a porta abriu apenas o suficiente para mostrar seu olho. – O que faz aqui?
– Ah, é... Desculpe... Eu... – respirei fundo tentando reunir forças o suficiente para parar a tremedeira que minhas pernas arrumaram. Levi parecia assustador. – Pedi seu endereço para Hanji... Eu... Queria conversar com você...
Ainda tinha seu olho cravado em mim. – Não sei se isso seria uma boa ideia. – disse por fim, me assustando por tais palavras. Estava tão estressado assim...?
– E-eu não vou dizer asneiras. – voltei meu olhar a si, aprofundando-me às suas ires Baile de Máscaras. – Na verdade... Se eu já estiver perto de você... – fechei minhas mãos que permaneciam suando e desviei o olhar, sentindo minhas bochechas arderem. – Eu já me sentiria satisfeito...
Abriu a porta e levou a mão ao rosto tampando sua testa. Um “entre” escapou de seus lábios, dando-me acesso a adentrar seu quarto. Levi tinha um ar... Cansado. E assim que adentrei e a porta se fechou, respirei fundo uma nova vez, lançando meus orbes ao quarto, descobrindo o quão enorme e arrumado era.
Os móveis eram luxuosos a ponto de parecerem com os que decoravam minha antiga casa. Estes eram de uma madeira tão negra quanto suas portas, a de entrada e a que julguei ser um banheiro. A cama era de casal, bem grande, descorada com lençóis brancos, assim como os sete travesseiros bem-postos. Guarda-roupa extenso, dois criados-mudos ao lado da cama, uma sapateira em frente à cama que tinha travesseiros, como um pequeno sofá. Também tinha um sofá de três lugares enfrente a uma televisão, mesa para estudos bem cheia e uma cafeteira encima de uma pequena mesinha localizada ao canto do cômodo. O locar tinha um cheiro gostoso de café.
Notando que recebia seu olhar cortante, virei-me a si lentamente, descobrindo seu traje que até agora não tinha percebido. Calça moletom branca e roupão da mesma cor, aberto, dando-me a visão... De seu tronco bem trabalhado. Engoli seco ao perceber que não desviava o olhar desta especifica região, mudando a centralização de minha visão entre seu colar com uma pequena pedra azul gélida, sua clavícula, tórax e seu belo abdômen. Quando desci meus olhos aos seus pés, vejo... Pantufas de pés de tigres.
– Não posso ter minha diversão? – perguntou mexendo os pés ao ver que agora minha atenção estava nestes.
– Você não tem uma toquinha de tigre também? – falei por brincadeira subindo meu olhar até seu rosto.
– Eu tenho. – respondeu. – Mas não vejo o porque de usar.
– Eu não vejo o porque de você não usar. – comentei.
Somente estalou a língua, andando até a cafeteria e pondo café a si. – Aceita?
– Ahn... Não... Obrigado.
Suspirei ao ver Levi beber tranquilamente seu café quando se sentou à sapateira. Ele é realmente misterioso... Mesmo estando estressado, sua face permanecia como sempre: morta e séria.
– Sente-se, garoto. – mandou simplesmente enquanto bebericava o café segurando a xícara negra de seu específico modo.
Caminhei meio incerto de meus passos até ficar enfrente a si, sendo minuciosamente observado pelos seus lindos e cortantes orbes. Levei minha mão até sua xícara, tirando-a de si e pondo-a sobre a mesinha. Levi fuzilou-me aparentemente nervoso. Engoli seco e fiquei novamente enfrente a si, inclinando-me de uma forma bem lenta até ambas as minhas mãos encontrarem as suas sobrepostas à cama, encontrando-o cara a cara.
Não ganhei nenhum gesto negativo, porém, quando continuei a me aproximar, dessa vez minha face da sua, Levi desviou o olhar do meu, lançando-o até um lado oposto. – Afaste-se, Eren. – mandou ríspido.
– P-por quê...? – sussurrei contra seus lábios que emanavam um doce cheirinho de café.
– Estou mandando, então se afaste. – respondeu ao seu mesmo tom de voz.
– M-mas Levi... – senti-me um pouco magoado, mas franzi o cenho para tentar não demonstrar com o tom usado. – Eu quero tocar seus lábios...
– Não perguntei. – continuou indiferente, olhando ao mesmo ponto de antes. – Não foi você quem disse que já estaria satisfeito caso estivesse ao meu lado?
Prendi a respiração. – Tem razão... D-desculpe. – fechei os olhos e respirei fundo, sentando-me ao seu lado, um tanto distanciado. Droga... Será que ele tem noção do quanto ouvir isso dói...?
– Tch. – cruzou as pernas e os braços, deixando o silêncio render-se.
E foi ai que percebi o quanto um silêncio não desejado poderia doer. Beliscava meus próprios dedos para não dizer ou fazer mais nada, com medo de surgir algo que ele não goste. Reiner deveria ter razão... Eu mesmo poderia ser o seu motivo de raiva...
– L-Levi... D-desculpe... – comecei mesmo não querendo. – V-você poderia me dizer... O porquê de estar assim...?
– Por que quer saber disso? – perguntou num tom desinteressado enquanto tinha seus olhos fitados a mim.
– Porque... Eu estou preocupado. – respondi por fim, ainda apertando as mãos. Virei meu rosto a si, olhando-o aos olhos. – Eu quero ver mais vezes aquele sorriso que mostrou a mim.
– Que egoísta, Jaeger. – cortou-me com o olhar, virando seu rosto a outro ponto. – Reiner não está te satisfazendo e está vindo me atazanar?
– O quê? Do que está falando? – perguntei ouvindo em seguida um bufar vindo de si.
– O jeitinho que vocês dois estão. Tch. Ele ainda não pediu sua mão em casamento? – sua voz parecia irônica.
– Casamento...? E porque iria?
Rolou os olhos. – Percebi o jeitinho que o senhor masoquista de olha. Foi só apanhar e te ver de novo que teve um amor a segunda vista. – franziu as sobrancelhas.
– Você diz... Amor de... Ter filhos, uma vida ao lado...?
– Isso Jaeger. Quer um biscoito agora?
– Seu sarcástico de merda!! – levantei a voz consigo, me pondo de pé. – Dá pra pelo menos demonstrar um falso respeito quando estou mostrando que, mesmo você sendo essa coisa egocêntrica, estou preocupado com você?!
Dessa vez Levi se levantou, demonstrando-me o quanto sua postura e seu olhar erguido conseguia mostrar-me que era um ser elegantíssimo. – Preocupado comigo, Jaeger? – cruzou os braços levantando uma de suas delineadas sobrancelhas. – Oh, que irônico você é. E quando é pra ficar se agarrando com o bombado na minha frente você não se importa comigo, não é?
– Eu nem sei o que é agarrar!! – cerrei meus dentes enquanto olhava sua expressão enraivada.
– Agarrar de abraçar, beijar, ter filhos, cachorro...
– O quê?! Como eu e Reiner poderíamos fazer filhos e cachorros?! Filhos têm que ser em um acasalamento entre um homem e uma mulher! Somos dois homens!! E cachorros?! Nós somos seres humanos!!
– Você é idiota, Jaeger!! – Levi aumentou um pouco a tonalidade de sua voz.
– Você quem é, Levi!! – respondi mais gritado. Odeio estar estressado. Eu odeio. Eu sinto meus olhos arderem. – Ainda não percebeu que no ato de beijar eu só quero você?!
Levi arfou nervoso. – O quê...? – sua voz saiu sussurrada enquanto desfez o nó de seus braços.
– Vou te explicar melhor! – respirei fundo e com um movimento brusco, agarrei ambos os seus braços, trazendo-o para mais perto de mim. Aproximei meu rosto do seu uma nova vez, sentindo sua respiração profunda vindo contra minha face enquanto meu coração ficava novamente louco, mais do que eu poderia considerar normal quando eu simplesmente estava perto desse sujeito.
Quando nossos narizes se encostaram, virei meu rosto a esquerda e uni nossos lábios assim que fechei meus olhos. Apertei um pouco mais os braços de Levi e desci minhas mãos para suas costas, a fim de unir seu corpo com o meu. Apertei meus olhos enquanto aproveitava sua doce textura soltando e unindo nossos lábios, provocando doces estalos com este leve contato que dava continuidade a repetições.
Foi quando Levi finalmente agarrou a gola de minha camisa intensificando o nosso toque. Entreabriu meus lábios passando sua língua sobre estes e adentrou minha boca, fazendo com que aquele singelo choque percorresse à minha espinha enquanto sentia mais e mais o gosto de café doce ao meu paladar, que ofuscava seu próprio gosto natural, porém, que continuava sendo gostoso.
Desci minha mão de suas costas, agarrando sua cintura desnuda e quente, a apertando, enquanto subia suas mãos gélidas até minha nuca, agarrando o meu cabelo com agressividade, fazendo-me dar uma intensa arfada assim que sugou meu lábio inferior, mordiscando-o enquanto lançava-me um olhar hipnotizante.
L-Levi é muito sexy...
Após lamber meu lábio inferior uma nova vez, o Psicólogo puxou mais forte meu cabelo, puxando também minha cabeça para trás, dando-lhe acesso o suficiente para mordiscar-me e lamber-me, agora, contornando de minha mandíbula ao queixo, indo ao outro lado, e voltando novamente ao meu queixo, deixando essa trajetória em continuidade.
Fechei os olhos, sentindo meu corpo arrepiar enquanto sentia um calor diferente emanando do meu interior que me fazia arfar. Era um tipo de queimação... Q-que parecia deixar meus... Mamilos duros e minhas roupas desconfortáveis. Um gemido manhoso escapou de minha voz quando Levi mudou sua trajetória adicionando também meu pescoço, dando uma mordida bem forte ali e uma chupada por fim. Acabei por fechar os olhos e apertar um pouco mais sua cintura por vergonha.
Sem tirar seu rosto ou desgrudar sua boca de meu pescoço, senti Levi respirar mais profundamente, e quando descolou seus lábios de mim, suspirou.
– Eren... – chamou-me sussurrado. – Eu tentei me afastar de você, deixar você com Reiner, que é de sua idade, que tem mais possibilidade de te fazer feliz... – pausou por um momento, roçando seu nariz em minha pele. – Mas você não deixou. Então, futuramente, não quero ouvir nenhuma reclamação sua. – levantou seu rosto, a fim de me olhar aos olhos. – Sou possessivo, Jaeger. – apertou forte meus cabelos, levando meu rosto mais próximo ao seu, de modo que seus sussurros batessem direto aos meus lábios. – Então você é meu. Inteiramente meu.
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