Notas iniciais
YuiSama, seu anjinho lindo, muito obrigado pela recomendação não só nessa fic, como nas outras!

● ๋° Sem Cicatriz °๋●

Fazem três longos e cansativos dias que estou aqui. Quando digo cansativos, quer dizer que são mesmo. No segundo dia tratei de ir à aula e basicamente só revi o quanto isso poderia ser chato. Como sempre, não prestei atenção em matéria alguma, muito menos no que os professores diziam; e claro, já tenho algumas brigas arrumadas.

De todos da minha classe, o que eu poderia considerar que conheci foi Armin e Jean. Armin é um cara legal, mas acho que ele seria daquelas pessoas... “Grude” e tenho certeza que mais em frente irritarei profundamente com isso. Já Jean... Mal o vi e já estou em fase de estresse. Que cara chato. Se um dia nos pegarmos na porrada, não seria surpresa pra ninguém. Caralho, como que alguém pode ser tão irritante?!

– Eren? – uma voz masculina e bem fina que veio de baixo tirou de meus devaneios, fazendo-me ter a atenção, agora, na paisagem do Hospício à mostra a mim.

– Olá Armin. – o cumprimentei ainda apreciando a paisagem, reparando agora, o quão bonito aqui era. Era bastante arborizado, com algumas pedras de cor bonitas e meio brilhantes, alguns tipos de túneis “cavernas”, muros cobertos de plantas, plantas e mais plantas. O Local é realmente belo, bem florido, bem cuidado. Bem organizado. Daria sim uma ótima pintura, um dia que eu estivesse a fim.

– O que faz ai? – sua voz era um pouco gritada, não tão aguda, mas não deixava de ser irritante.

– Matando aula mesmo que já tenha acabado, e você? – perguntei desinteressado, ainda notando e gravando cada parte daquela bela natureza.

– Estava de passagem. – assim que finalmente o olhei, achei seu costumeiro sorriso gentil voltado a mim. Apesar de ser um pouquinho irritante, Armin era mesmo bem gentil. – Será que posso me sentar perto de você? – tanto suas palavras quanto seu tom usado eram também gentis.

– Sim. – respondi tranquilamente reparando o loiro subir, ou pelo menos, tentar. Percebi facilmente sua dificuldade e poderia dizer que mesmo ao longe seria bastante possível tirar esta mesma conclusão. – Quer ajuda?

– N-não, eu consigo! – insistiu mesmo não sabendo que esta seria a resposta certa. Suas mãos travaram sobre a árvore, parecia que ele tentava sustentar todo o corpo nestas. Esse cara não tem noção da própria força. Suspirei.

– Por que não usa os pés como um auxílio? – dei uma pequena dica ao observar tamanha dificuldade em si, mesmo assim, continuava seu esforço.

– Ah! Tudo bem... – assim como o indiquei, ambos os seus pés pousaram sobre a árvore, colocando seu peso sobre eles, avançando assim um pouco, saindo finalmente do chão.

– Apoie nas mãos também, caso contrário, cairá facilmente. – e assim o loiro novamente seguiu a dica, mas parecia continuar impossível a si. – Quer ajuda? – repeti cansando-me de ver a cena.

– N-não... – ele continuava a pender força nos pés com um pequeno auxílio das mãos, tentando se equilibrar.

– Você já subiu em árvore antes...? – perguntei por fim, mesmo sabendo aparente sua resposta.

– N-não... – respondeu como eu pensava, um pouco acanhado.

– E quer ajuda? – repeti outra vez.

– Hm... Acho que sim, não tem como recusar mesmo. – desistiu por fim, e assim entrelacei minhas pernas no galho que estava sentado e ergui meu corpo pra baixo, esticando o braço a si. Não demorou muito até que ele pegasse em minha mão e, sem dificuldade, o erguesse do lugar, trazendo-o para um galho próximo ao meu enquanto voltava à minha postura original. – Que incrível Eren! Você me levantou tão facilmente! Você é muito forte!

– Obrigado. Você é também bastante leve.

O silêncio pendeu e ouvimos o vento bater e levar as folhas daquela grande árvore em um balanço rápido, deixando algumas se soltarem e traçarem um novo caminho. Olhei ao Armin, visualizando seu cabelo dourado voar ao mesmo balanço, bagunçando-o.

– Como consegue ter um cabelo tão grande? – perguntei observando o tamanho de seu cabelo aparentemente bem tratado, um pouco abaixo do ombro.

Ele riu de leve arrumando sua franja.

– O seu não é tão pequeno pra falar assim.

– O seu é mais cumprido. – justifiquei reparando o quanto aqueles fios pareciam ser mais soltos que os meus.

– Por falar em cabelo, Eren. – deu continuidade ao assunto. – Porque você não penteia o seu?

Suspiro passando a mão sobre os meus fios, tentando arrumar pelo menos um pouco, jogando-os para trás.

– O que você tem contra um cabelo desarrumado? Ele não é embaraçado.

– Mas te deixa desleixado. – justificou inflando as bochechas.

– Que nada. – estralei a língua. – Vou o deixar crescer até a bunda.

– Eh? Pra quê? – indagou curioso.

– Vou ser um cantor de rock! – brinquei um pouco empolgado, até que não seria má ideia, mesmo não sendo o meu real sonho.
Observei suas bochechas corarem bem intensamente, trazendo bastante atenção ao seu rosto, já que sua pele é bem branquinha. – Olha Eren! Você riu!

– O quê? Por que está tão surpreso? – desfiz rapidamente o pequeno sorriso, vendo a expressão de desanimo de Armin voltar.

– Eu acho que minha imagem sobre você era séria... — Armin coçou seu queixo dando um novo e pequeno sorriso gentil.

Dei de ombros voltando a olhar a paisagem. Assim que o vento bateu uma nova vez, fechei meus olhos, aproveitando a brisa refrescante bagunçar um pouco mais meus cabelos.

– Há quanto tempo você está aqui? – resolvi iniciar um novo assunto.

– Há quanto tempo... – o loiro falou consigo mesmo, querendo chegar na resposta. – Não me lembro... Talvez um ou dois anos?

– O quê?! Como aguentou? – mostrei inconscientemente uma expressão bem incrédula.

– Aguentou o quê? – indagou ele.

– Ora, aqui! Aqui é uma bosta. — pendi meu corpo ao lado, deitando-me no galho. Só de pensar no quanto de tempo que Armin permaneceu aqui, me faz ter preguiça.

– Uma bosta? Acho que está cedo pra você dizer algo assim. – ele riu. – Está tirando conclusões precipitadas!

– Não estou. – revirei os olhos, mantendo minha opinião firme e apoiando minha cabeça sobre minha mão.

– Por que está aqui, Eren? – foi sua vez de continuar o assunto assim que arrancou uma pequena folha da árvore, girando ela entre os dedos.

– Tentei suicídios. – respondi diretamente, não querendo entrar em detalhes. Não queria me lembrar de todas as sensações que senti fazendo aquilo. E felizmente ele não se assustou. – E você? Por que está aqui?

– Eu pirei. – jogou a folha pro alto com as duas mãos observando esta cair e logo pôs seus pés a balançarem. – Meu avô foi vítima de homicídio, assim como meus pais, então eu simplesmente... Pirei! – sua empolgação nas palavras fizeram-no dar um grande sorriso.

– Homicídio? – afirmei curioso em uma pergunta. – E você sabe quem é o culpado?

– Ah, – deu de ombros. – na verdade, eu matei ele! – ele respondeu em um tom vitorioso.

– Que legal. – sentei-me novamente, colocando a mão entre minhas pernas, apoiada ao galho. – E como foi?

– Foi bem simples! Enquanto o cara matou meu avô, peguei o jarro e quebrei na cabeça dele! – explicou cantarolando, gesticulando com as mãos, como se fosse expecificamente algo normal, totalmente normal.

– Mas só assim? – indaguei curioso. – Nada mais?

– Ah, eu continuei a bater nele com qualquer coisa, me lembro que estava desesperado! – deu de ombros mais uma vez. – Coisa do momento, sabe? – acenei positivo.

– E ainda com jarros? – perguntei mantendo a conversa.

– Tá brincando? Com qualquer coisa!! – satisfação era bem explícito em seu tom. – Cheguei até a bater com o purê duro vencido.

– Eew, que nojo. – semicerrei os olhos.

Ouvi sua gargalhada. – É brincadeira. E você, Eren? Por que cometeu suicídio?

– Sei lá. – menti dando-me de ombros também. – Cansei de ficar sozinho. – e mais outra mentira. É claro que eu não contaria pra alguém assim, sem mais nem menos.

– Sozinho? – perguntou.

– Sim, sozinho. – confirmei.

– Você morava sozinho? – perguntou animado, pendendo-se mais perto de mim. Acenei positivamente. – Que legal!!

Talvez Armin aprofundaria no assunto, porém fora interrompido por um grito: – Ei, seus babacas! – era uma voz masculina que veio do chão.

– O quê? – respondeu Armin em seu ligeiro tom gentil e animado.

– Ih, você é babaca? – Jean perguntou com uma brincadeira.

– O quê? Eu não! – respondeu Armin inocentemente

– Mas você respondeu! – explicou Jean arrancando uma leve gargalhada do loiro.

– Seu chato! – Armin cantarolou semicerrando os dentes num sorriso.

– Vou subir ai! – o maior avisou, já se posicionando para subir.

– Não vai não! – respondi ríspido, não queria essa coisa perto de mim.

– Vou sim! – e como esperando, não me deu ouvidos, pondo seu outro pé acima.

– Cavalos não sobem em árvores! – zoei de sua cara, percebendo que Armin quis rir e que o meu alvo estressou-se.

– Não sou cavalo, Jaeger!! – foi a minha confirmação que estava nervoso.

– Ou é cavalo ou burro. – ditei por fim, fazendo-o rolar os olhos, tratando de subir na árvore e sentando-se ao lado de Armin. – Ei, loirinho. – o chamou.

– O quê? – respondeu ele contente.

– Masca a Christa pra mim? – perguntou Jean sorrindo de lado, fazendo eu e o loiro aparentarmos dúvidas.

– Mascar? – perguntou antes de mim. – Mas Jean, Christa não é chiclete. – agora, além de cavalo é sonso?

Jean rolou os olhos:

– Mascar é dar em cima, seu sonso! – após dar sua explicação, o maior pôs a mão sobre o cabelo do loiro e o bagunçou.

– Dar em cima? – perguntei, ainda não tinha caído a ficha.

– Huh? – balbuciou.

– Dar em cima? – repeti.

– O que tem? – ele perguntou sem entender.

Rolei os olhos e suspirei:

– Que isso, Jean?

– Você é tão burro assim, Eren? – ele perguntou desacreditado.

– Acho que o animal de patas daqui é você, e não eu. – bufei irritado.

– Você é idiota, Jaeger!! – Jean levantou a voz, aparentando extrema irritação.

– Ah, vai se ferrar, Kirschtein!! – levantei minha voz.

– Olha! – exclamou Armin, apontando pra frente. – É o Dr. Levi!!

Só de ouvir o nome “Levi”, me senti eufórico e minha cabeça virou-se de modo rápido em direção à paisagem, visualizando o psicólogo, ao longe, em companhia de Erwin. Senti certo embrulho na barriga me sentindo interessado ao visualizar o menor.

– Cadê?! – Jean perguntou, olhando pros lados. É tão sonso que nem mesmo conseguiu achar.

– Ali! – Armin pegou sua cabeça e a direcionou ao Levi.

– É o Levi! – confirmou Jean surpreso.

– Ah, Jean... Você merece um Oscar. – comentei ironicamente, rolando os olhos e pousando estes de volta ao menor ali, bem distante.

– Idiota... – Jean sussurrou e por sua sorte, eu estava concentrado de mais no Psicólogo/Psiquiatra ali em frente, então o ignorei.

Nós três ficamos parados olhando Levi. O moreno vestia uma calça e um sapato social preto, uma camiseta Verde-musgo e o terno preto, amarrado à cintura. Este estava com os braços cruzados, as magas arredadas. Um olhar desinteressado de sua parte ao loiro à sua frente. O vento lá de baixo parecia estar mais suave, ora ou outra levanto levemente seus cabelos a um leve balanço.

– Levi se veste tão bem... – comentei e os outros dois apenas concordaram em um aceno positivo.

A expressão de Levi parecia ser de irritação e ora ou outra, parecia elevar a voz com o maior, mas ainda não era possível compreender suas palavras. Erwin vez ou outra parecia assustar-se, e abanava as mãos, talvez em um ato para acalmar o menor.

– O que será que estão falando? – perguntou Armin curioso, ainda em um sorriso.

– Talvez falam de Eren, do quando é idiota. – Jean respondeu zombeteiro.

– Seu besta! Cala a boca! – revidei sem despregar os olhos de Levi.

A expressão de Erwin não parecia ser forçada, diferente de Levi, ele ria abertamente, de uma forma mais verdadeira que aquele sorriso que lançou a mim. Esse caraé um pé no saco. Continuo não gostando dele.

– Cara... Eu não sou gay, mas... – Jean começou um assunto em uma voz maravilhada. — Levi é muito bonito, não é? – Armin acenou positivamente. – Talvez eu virasse bi só pra dar uns pega nele.

– O quê?! – gritei sem perceber, cerrando meu punho na árvore. Não fazia ideia do que seria esses “pega”, mas sabia que coisa boa não era.

– Cala a boca, Jaeger. – ficamos em silêncio continuando a olhar Levi, até que Jean volta aos seus comentários: – Caramba... Ele é um Deus...!

– Cala a boca, Jean! – senti minha cabeça ferver, o observando agora, Jean retornando o olhar enraivecido. Não quero ficar ouvindo essas coisas desse cavalo sobre o Levi!!

– Você é um panaca, Eren. – disse por fim, olhando-me de volta.

– Eu? O panaca? – perguntei irônico. – Não, sua mula, o panaca é você!

– Ficou nervosinho porque eu falei que comeria o Levi, é? – riu ironicamente. – Que lindo, mal chegou e já está apaixonado!

– Apaixonado? – Minha barriga embrulhou-se novamente. – Não, Jean. Na verdade, nem sei o que é isso. Eu só tive pena de Levi ser falado por um jegue como você.

– Acho que é melhor você calar sua boca, Jaeger. – apertou os punhos, empurrando um Armin assustado para outro galho, dando-lhe mais acesso a mim.

– Se não o quê? A bixinha vai me bater? – sentei-me rapidamente entrelaçando o galho com minhas pernas.

– Bixinha?! – seu punho voou em minha direção, mas fui rápido mais do que o suficiente para defender e voltar outro em sua cara. Jean só não caiu por suas pernas estarem presas ao redor do galho.

– Parem vocês dois! Estamos numa árvore!! – relembrou o menor assustado, porém Jean não o ouviu, voltando novamente um soco que novamente foi defendido e revidado.

– Que saco, Jaeger!! – ele berrou.

– Saco? Apanhou duas vezes e já se cansou? – ri ironicamente.

Dessa vez, Jean já estressado, pulou em cima de mim e pela pressão nos meus joelhos, acabei desequilibrando do galho, levando-o ao chão. O som foi claramente ouvido e um grito de surpresa de Armin escutado. Sentindo meus joelhos explodirem, apertei os olhos e mordi meu lábio, sentindo um soco em meu rosto. Abri os olhos e, quando o cavalo voltou outro soco, segurei sua mão, repetindo com a outra sua. Com um pouco de dificuldade, passei suas duas mãos para minha mão esquerda, deixando a minha direita livre para socá-lo.

– Levi!! Erwin!! – Armin gritou ainda em cima da árvore.

Continuei a socar o estômago de Jean ouvindo seus grunhidos e urros de dor, ainda sentindo o imenso incomodo em ambos os meus joelhos, especificamente o canhoto. Não demorou até que dois braços enroscassem sobre o tronco do filho da mãe e o retirasse de cima de mim. E assim que tive o colo livre, deixei meus braços caírem cansados ao chão e arfei nervoso, mordendo os lábios para amenizar a dor agonizante.

– Eren. – a voz grossa e confortável de Levi invadiu meus ouvidos, pegando-me de surpresa, logo guiei minha atenção a ele, sentindo aquela sutil sensação que a cada vez se tornava mais comum.

– Olá... – o cumprimentei visualizando rapidamente suas ires Bailes de Máscaras, logo fechando os meus olhos.

– Seu joelho dói? – perguntou sussurrado enquanto sua mão me levantava delicadamente pelas costas. Acenei positivamente. – Os dois? – dei outro aceno em confirmação. – E suas costas? – abri os olhos assistindo-o posicionar seu rosto em meu pescoço, com sua mão em minha cintura e outra em minha perna canhota, erguendo-me devagar ao ar, meu peito encontrando o seu. Logo percebo que ele me carregava em seu colo.

– Não sei... – passei meus braços de vagar ao redor de seu pescoço, abraçando-o. Desviei o olhar por sentir meu coração elevando a velocidade de suas batidas.

– Como não sabe? – perguntou rindo nasalmente. – Sua blusa está bem rasgada e incrivelmente suja. – Levi comentou observando o caminho acima de meu ombro, e vez ou outra, roçava seu nariz levemente sobre meu pescoço. – Você tem um cheiro gostosinho, garoto.

Hesitei por um momento, sentindo meus olhos arregalarem-se e as pontas de minhas orelhas esquentarem-se. Minha barriga, não, não, o meu estômago, ainda está estranho.

– I-isso é vergonhoso. – apertei um pouco mais meus braços ao redor de seu pescoço, tentando me aliviar da vergonha. – Levi... Minha cintura está começando a doer... – Comentei por causa de sua mão me segurando ali.

– Desculpe. – sua mão percorreu de minha cintura até minhas nádegas, ajeitando minhas pernas. – Hm... Eren...

– O-o que foi? – senti minha face corar ao ver sua face em frente a minha.

– Além de um cheiro tão bom, você tem uma bunda bem redondinha. – sua mão apertou indecentemente minhas redondas.

– L-Levi! – o repreendi, voltando minha cabeça ao seu ombro. – Não as aperte!

– Mas Eren... São tão macias... – seu rosto encaixou-se melhor em meu pescoço e agora suas mãos apenas acariciavam. – Oe... Eren...

– H-hum? – notei que ele falaria algo, mas logo não foi possível.

– Levi? – uma voz feminina o chamou, interrompendo-o.

– Ah, Hanji. – Levi a “cumprimentou”. – Eren caiu de uma árvore.

– Caiu? – ela hesitou por um momento, provavelmente me observando. – E foi Agora? Machucou-se? – perguntou preocupada, indicando-nos uma sala em que Levi poderia me deixar.

– Não sabemos. – respondeu Levi. Não demorou muito até que cheguemos ao cômodo, tendo a porta fechada e, em seguida, fui depositado na cama.

Não prestei muita atenção no quarto enquanto Hanji ganhava uma explicação do que basicamente aconteceu, seja minha ou de Levi. Me sentia nervoso e fiquei ainda mais quando Levi escorou-se na parede atrás de mim, ao lado da janela. E-ele ficaria ali?

– Ahn... Levi. – O chamei meio sem graça, tendo sua atenção.

– Diga. – respondeu rapidamente.

– Você... – percorri os olhos ao local, me sentindo um pouco envergonhado. – Não tem o que fazer agora?

– Não. – respondeu ele, ainda permanecendo no mesmo lugar.

– Por que a pergunta, Eren? – Hanji ficou estranhamente animada.

– Eh? N-não... Nada. – respondi desviando o olhar.

– Hm... Nada mesmo? – um sorriso enorme brotou de sua face, parecia extremamente animada.

– S-só me sentirei desconfortável! – respondi a verdade, por parte.

– Está com vergonha, Eren? – Levi perguntou, num tom sarcástico.

– É-é claro que não!! – respondi e logo respirei fundo, escondendo, pelo menos um pouco, meu nervosismo. Hanji percorreu a cama indo atrás de mim e desfazendo o zíper de minha blusa na frente, retirou esta, dando-lhe a visão de minhas costas.

– Me pergunto de você tem apenas quinze anos... – Hanji comentou baixo, avaliando minhas costas.

– Por quê? – Vvrei minha cabeça para ela, observando seus olhos afiados em minhas costas.

– Você é bem formado. – respondeu em um sorriso de canto.

– Ah. – voltei minha cabeça pra frente, a sentindo tatear levemente minhas costas, ora ou outra provocando um grunhido meu de dor. – Caramba, Hanji! Para com isso! – falei me estressando, acabei por assustá-la fazendo-a recuar.

– Você ganhou alguns belos roxos e arranhões, Eren. Sem contar que terei de voltar sua coluna ao lugar. – Hanji agora caminhava para minha frente, pegando delicadamente meu queixo, erguendo meu olhar ao seu. Pude visualizar seu enorme sorriso ao rosto. – O soco que você levou ficou só um pouco vermelho, não deixará nenhuma sequela. Sinto pena de Jean quando vier tratar. – ela riu levemente, não deixando de observar meu sorriso satisfeito. – Onde você ganhou toda essa forma física? – caminhou até um dos armários, abrindo as portas e retirando uma caixa média branca, que julguei ser um Kit de Primeiros Socorros.

O balanço de seu jaleco branco e incrivelmente limpo repreendia meus olhos. Era estranho, mas de certa forma agradável.

– Sempre fui um adorador de esportes. – suspirei pesado, sentindo um leve choque passar pelo meu joelho ao lembrar-me a consequência que essa adoração surgiu. – Pra mim, quanto mais atividade física, melhor. E acho que meu corpo colabora e ganha massa rapidamente. – expliquei enquanto a médica abria a caixa, retirando alguns medicamentos.

– E quais esportes gostava de praticar? – dessa vez quem perguntou foi Levi que até antes estava silenciado.

– Definitivamente todos. Claro que há muitos que não conheço, mas sempre que tinha um novo, empenhava-me para aprendê-lo e ser o melhor. – sorri satisfeito, agora tendo Hanji desinfetando os machucados de minhas costas. Provavelmente, julgando a sua personalidade que conheci, esta sorria juntamente a mim. – Mas os que eu mais gosto... Handebol, Futebol americano, Queimada, Futebol de novo, Vôlei, Peteca... Enfim, muitos.

– Um adorador de esportes. – concluiu Levi. – E artes marciais?

– Ah, só pratiquei Capoeira. – comentei, sorrindo de leve.

– Sério? – Hanji comentou empolgada. – Sempre achei Capoeira muito interessante. A história de como surgiu, de como os criadores mentiam na senzala... Ah! – ela suspirou contente. – É uma história tão bela, tão sofrida e tão elegante...! – agora, ela percorria até os armários girando, com os braços abertos. – O meu sonho é aprender Capoeira! Quando eu estudava sobre a África, amava quando citavam sobre essa luta tão linda! A forma da dança, as músicas cativantes e interessantes...! Capoeira é-

– Chega Hanji, nós entendemos. – Levi interrompeu-a, estressado. – Garoto. Uma dica: A partir de agora, não fique sozinho com ela.

– Hm? Por quê? – rolei meus olhos a ele, visualizando sua aparência tão formal e cansada.

– Ela não te deixará em paz, tomará seu tempo conversando sobre isto. E mesmo se acabar tudo o que tiver pra falar, ela repete do início ao fim. – caminhou até mim, agarrando meus cabelos e virando meu rosto ao seu com mais precisão. – Incontáveis vezes. – Repetiu. – Você entende?! – mesmo com seu rosto sério, era possível ver pânico em seus orbes acinzentados.

– S-sim...! – respondi assustado mais com seu ato súbito, com seu olhar em pânico e com seu tom rígido do que com suas palavras.

– Ora, Levi! – Hanji caminhou de volta, com um remédio nas mãos. – Não assuste o garoto. Aqui, querido, digo, Eren. – a médica apontou o remédio pra mim. – Esse é ótimo pra passar em roxos. – seu sorriso voltou-se a mim enquanto se aproximava, e logo passou ao vermelho no meu rosto e nas minhas costas. – Prontinho! Agora... Só voltar a sua coluna... Pro lugar! – exclamou contente e me pediu pra deitar.

Assim que a obedeci, fez todo aquele processo irritante de levar minha perna dobrada até si e logo para a lateral estralando meu quadril, cruzar meus braços e me abraçar apertando de uma maneira certa até estralar, e, após pegar minha cabeça com suas mãos e me mandar respirar profundamente, novamente estralar dessa vez meu pescoço. Não preciso nem dizer que tive que me controlar para não socá-la na hora da perna. – Isso, isso! Você foi bem, Eren! – após acabar, me elogiou e logo se voltou ao homem já escorado novamente à parede. – Ei, Levi.

– O quê?

– Pode mostrar a sala de fisioterapia ao Eren? – Fisioterapia...? Ela descobriu?! – Somente para pegar um gelo e colocar sobre o roxo de suas costas, se não logo ele não conseguirá dormir de tanta dor. – ela sorriu um pouco preocupada e não deixei de suspirar aliviado por ela se referir de minhas costas.

– Tudo bem.

– Vou ver o estado do Jean. – comentou já se afastando de nós.

– Cheque bem a barriga dele! – exclamei enquanto me sentava, quando a médica aproximou à porta.

– Pode deixar capitão! – e assim que ela fez a referência, saiu do cômodo.

Levi caminhou lentamente a porta, e assim que checou o corredor, trancou a porta. – Oe, Eren.

– S-sim? – fiquei um tanto repreensivo. Por que trancou a porta?

– Gostei bastante de seu físico. – seu tom saiu divertido.

– O-obrigado. – abaixei minha cabeça, envergonhado.

Ele parou de repente em minha frente e ouvi um leve som de repreensão saído de seus lábios. Levantei o olhar ao dele e o percebi intrigado, com as sobrancelhas bem franzidas.

– L-Levi...? – o chamei, sem entender o porque de sua expressão. – O-o que há?...

– Eren. – ele me chamou em um tom rígido, estranho, acabei por me assustar.

– O-o quê? – engoli seco, percebendo uma gota de suor percorrendo sua face.

– Me responda sem mentir e sem “enrolação”. – mandou repreensivo, me deixando também.

– D-diga. – respirei bem fundo, me preparando para seja o que for.

– Que dia você cometeu sua última tentativa de suicídio? – e foi muito mais direto do que pensei.

Arregalei meus olhos e tive meu coração enlouquecido, tentando pular de meu peito.

Droga...!

Então... Ele sabia? Sabia disso? Não... Pra falar a verdade... Eu... Não deveria estar surpreso, já que ele trabalha exatamente onde eu fui recolhido. Ele... Ele deve ter pesquisado, perguntado pra Hanji, ou... Ou até mesmo ser sua obrigação saber. Mas... Por que me sinto surpreso? E aliás, por que uma pergunta tão de repente?! Não seria melhor eu ter mais confiança a ele para falar disso?

– Eren. – ele novamente me chamou, tocando sua mão gélida sobre minha face, acariciando levemente minha bochecha com seu dedão. – Por favor, responda. – seu olhar ainda era assustado.

– P-provavelmente... Um mês... – o respondi, meio hesitado. – M-mas me diga, Levi... Por que isso de repente...?

Não pude deixar de notar sua nova expressão de susto. Seus lábios aparentemente macios moveram-se em “Um... Mês?”

– O-o que há... Levi? – me sentia estranho cada vez mais que observava essa expressão até então desconhecida.

Sua mão gélida desceu até minha barriga, até tocá-la, e a acariciou. – Não tem... Nenhuma cicatriz se quer. – sussurrou e não deixei de impressionar-me com suas palavras, abaixando rapidamente minha cabeça, visualizando meu tronco.

– O... O q-quê...? – minha voz saiu trêmula ao ver meu tronco com nenhuma existente marca.

– Como...? – Levi parecia não acreditar no que via.

Notas finais
Lembrem-se: "Ficção Científica" ~ Então... Comentários?