Nas Sombras de um Hospício
4 "Doutor Levi"
● ๋° "Doutor Levi" °๋●
O quarto era enorme, luxuoso, muito bem decorado. As paredes num tom vermelho vinho e o enorme piso colorido de branco. Os móveis elegantes eram, com certeza, bastante caros e havia quadros lindos e famosos para também decorar o local. A entrada do cômodo era enorme, e as duas imensas janelas de vidro disponibilizavam a imagem gélida de fora: a linda natureza coberta por neve. A Lua já clareava o céu e as estrelas decoravam muito bem o luar.
Tinha seu olhar abaixado denunciando sua tristeza. Sempre detestou estar naquela casa.
Levantou os olhos apenas para observar o típico Sofá Pessoal do Doutor. Este só acomodava a popança do Pai e de ninguém mais. Era localizado exatamente em frente à lareira da sala, onde deixava o local ainda mais quentinho.
Observando por trás, pode ver ambos os braços do Chefão acomodando-seno encosto luxuoso do sofá vermelho, “Sofá Pessoal do Doutor” repetiu em sua cabeça. Mas antes de começar a discutir consigo mesmo que queria sair do local, teve a atenção tomada:
– Eren. – O moreno mais velho o chamou.
Suspirou. — Grisha. – Chamou-o em seguida, como uma confirmação, um breve pedido para que prosseguisse com seja lá o que for .
– Você me odeia Filho?
As palavras foram jogadas ao ar, e tudo o que fizera foi apertar os punhos, assim como cerrou os dentes. “Filho”. Tsc. Odiava ser chamado de “Filho” por Ele. Aquela maldita voz, aquele maldito tom... Aquele maldito velho.
Tinha certo receio em responder tal pergunta. Tinha medo de ser julgado; medo de ser torturado seja por agressões verbais ou por agressões físicas dependendo de sua resposta.
Sua mãe já o ensinou para não brincar com o diabo.
Segurou um suspiro pesado por pensar que tal ato seria demasiado antiético. Foi ensinado a ser alguém perfeito, então, permaneceu em silêncio. Ergueria a cabeça, enfrentando-o, se não fosse... O Seu Pai.
A risada psicótica foi lançada ao ar, cobrindo as ultimas palavras perguntadas do Pai. Seu Pai ria tanto, tão descontroladamente, que Eren se encolheu ainda erguido. Estava receoso de ter feito a escolha errada.
Seria impossível dormir hoje também...?
•●๋°●•
Apertei os olhos assim que acordei. O que agora, agradeci eternamente por conseguir antes de visualizar qualquer outra cena estúpida vivida; ou até mesmo, uma cena violenta, no qual só de revisar, as dores voltariam novamente a mim. Senti o suor escorrer por minha nuca e por minha testa. Sonhar com pelo menos uma parte do meu passado, me traz esta horrível sensação de peso.
Sentei-me à cama, colocando a mão sobre a testa, descobrindo que esta está um tanto quente. Suspirei ao lembrar-me do ocorrido de semana passada, quando caí da árvore. Levi havia passado o gelo quando fomos à sala de Fisioterapia, comentou o quanto estava roxo minhas costas, mas... Dia seguinte já não havia sequela alguma.
Concordamos em esconder – por enquanto – de Hanji; bom, foi de contragosto de Levi, mas... O convenci de alguma forma. Ah, falando nele... Combinamos de passear pelo Hospício, já que ele me propôs mostrar alguns pontos que eu não sabia e, seria bem eficiente saber.
Quarta-feira e, nem preciso dizer que vou faltar a aula, não é? Hanji falou para não me forçar a ir, que iriam respeitar a minha falta de vontade – por enquanto – mas, já no final do primeiro mês, as minhas idas às aulas deveriam ser constantes.
Caminhei ao banheiro e após um banho bem quente e escovar os dentes, vesti uma roupa confortável, com uma blusa de frio, já que ao observar o movimento das folhas das árvores pela janela, parecia ter uma brisa bem gélida. Assim que saí do quarto, rumei ao refeitório, descobrindo que este estava praticamente vazio.
Já fui avisado para entrar à cozinha quando o refeitório estivesse sem comida servida, e provavelmente já teriam tirado já que são... Dez e meia, conferindo o relógio. Suspirei, coçando levemente a cabeça enquanto caminhava lentamente ao local. Bati na porta três vezes e abri, constatando estar sem presença alguma. Peguei uma maçã rapidamente à vista, lavei, e tratei-me de sair dali.
Não tardei de vagar por não muito longe e deitar-me de baixo de uma árvore, tendo este local fresco, porém iluminado com o sol. Continuei a abocanhar relaxadamente a maçã em minha mão. A cada mordida, levantava meu olhar ao céu, permitindo meus pensamentos vagarem ao meu futuro previsível. Eu realmente não quero continuar por aqui. Realmente não quero. Como eu deveria sair? Possivelmente fugindo? Ou de uma forma mais culta... Fingindo que a palavra “suicídio” não é existente mais em meu vocabulário? E se me mostrasse estar bem em todos os momentos que eu estiver aqui?
Suspiro. Até quando querem me manter aqui...?
– Olha só quem eu encontrei. – A comum voz tirou-me dos pensamentos, e não demorou que recebesse minha atenção. – Como está, Eren? – Seus passos aproximaram de mim, parando ao meu lado, escorando-se à árvore.
– Bem. – Respondi rápido. – E você, Levi? – Meu olhar alcançou sua face, descobrindo o quão esta poderia ser deslumbrante em plena manhã.
– Será mesmo que esteja bem? – Pausou levando rapidamente seu olhar ao meu e voltando logo à natureza em nossa frente. – Quanto a mim, estou.
– Hm... – Guiei meu olhar para cima, onde antes, tinha minha inteira atenção. – Você não trabalha de manhã?
– Vezes sim, vezes não. – Respondeu. – Ora ou outra faço um check up com os funcionários daqui. Não é sempre que aguentam firmar-se ao chão.
– Você tem casa ou mora aqui mesmo? – Perguntei.
– Os dois. Como estou trabalhando fixo aqui, resolvi que o mais fácil seria morar bem perto dos meus amáveis pacientes. – Olhou pro lado, parecia ter atenção em um pássaro amarelo pousado em uma árvore não tão distante. – Minha casa é em outra cidade.
– Entendi...
– E você? É dessa mesma cidade? – Mesmo que suas perguntas tenham um ar sutil, sua voz continuava a mesma e sem expressão alguma.
– É bem provável que não. – Suspirei. – Além de nunca ter ouvido sobre um Hospício em minha cidade... Não sei nem a porra do nome daqui.
Ficou em um breve silêncio e suspirou. – Não quero parecer grosso, mas detesto palavras de baixo calão. – Explicou ríspido. – Então ficaria agradecido se não voltasse tais palavras aos meus ouvidos, mas fale o que quiser. – Pausou. – Enquanto à cidade... Heidenheim.
– Ah. – Ignorei seu comentário sobre os palavrões, porém, deixaria anotado para ser bem formal com ele.
Ficamos um pouco em silêncio e lentamente sentou-se ao meu lado, deslizando as costas na árvore. – Parece desanimado.
Seu comentário recebeu minha atenção. – Posso dizer o mesmo.
– Estava pensando em como sair daqui?
Não deixei escapar uma tensão em minhas costas. – Como sabe?
– Sou um leitor psicológico. – Explicou. – Não é atoa que trabalho nessa arte. Só te digo que, se optar por fugir, seria a pior decisão a se tomar. Aqui há guardas bem eficientes e boas câmeras. É uma tarefa bem difícil não só pra você, assim como para mim: acalmar sua própria mente depois de ser pego e as mentes dos outros que viram tal ato. – Suspirou.
– Anotarei no meu caderno, obrigado. – Comentei bufando. Encolhi as pernas e pus-me a olhar a maçã já comida ao meu lado.
– Como está seu joelho? – Perguntou antes do silêncio prosseguir.
– É só bater algum vento gélido que já sinto os choques correrem por ele. – Suspirei.
– O que exatamente tem? – Virei meu rosto em sua direção, percebendo que este tinha sua atenção bem focada à mim.
– Não sei. – Respondi olhando agora para seu sapato preto social. – Em relação ao nome, sempre fiquei nervoso ao tocar no assunto, então... Nunca lembro.
Ficamos um pouco em silêncio. Respirei profundamente deslizando minhas costas sobre a árvore, até deitar-me um pouco de mal jeito. Observei Levi esticar suas pernas lentamente e, antes de meu pescoço doer, levantou minha nuca e aproximou-se o suficiente para apoiar-me em seu colo. “Saia se quiser” referiu, mas ignorei. Acabei por fechar os olhos e ajeitar-me a cabeça, descobrindo o quanto seu colo poderia ser... Confortável. Um novo suspiro escapou de minha boca e voltei meu olhar a si, assistindo-o olhar o local em silêncio, em uma expressão tranquila.
Não deixei de notar sua pele incrivelmente pálida, uma cor de neve, que só parecia ainda mais clara em contraste com seus cabelos elegantes, incrivelmente escuros, uma cor ônix. Seus Bailes de Mascaras parecem ser incrivelmente profundos. Qual seria a sensação de deslizar os lápis coloridos ao papel para descobrir seus respectivos tons? Qual seria o sentimento de descobrir os lápis próprios para colorir a tonalidade de suas íris? E, em fim, observar a imagem de si já vívida, em suas cores naturais... Eu sentiria vencido? Com aquela sensação deleitosa no estômago onde só consigo sentir quando crio uma pintura que realmente me conquistou?
– Você é alemão? – Perguntei, recebendo suas orbes gélidas sobre mim. – Estou curioso sobre sua aparência.
– Sou francês. – Respondeu de uma forma bem leve. – Parece que temos alguém reparando em mim. – Comentou rindo nasalmente de modo bem tranquilo. Sua mão deu um toque sutil em meu cabelo, e, percebendo que ainda me olhava, julguei que já tinha percebido que corei com seu comentário e por uma pequena frase surgida: “Acaricie meu cabelo...”, logicamente deixei esta apenas em minha cabeça. – E você?
– Alemão. – Respondi em mesma tonalidade, concentrando meu olhar em outro local. Queria que minha cor “extra” sumisse. – Seu sotaque é bom... Por que saiu da França?
– Em procura de minha própria “Liberdade”. – Rumou suas íris ao céu depois de suspirar e ter novamente minha atenção.
– “Liberdade”? – Sentei-me apoiando sobre meu braço destro e fixei meu olhar ao seu. – Isso não se torna irônico a quem está trabalhando em um Hospício?
Devolvendo-me seu olhar fixo e cortante, um curvar labioso sarcástico nasceu. – Garoto. – Referiu-me. – Você não faz ideia do quanto isso pode ser chamado de “céu” de onde eu vim.
– “Céu”...? – Repeti suas palavras não entendendo tal expressão usada. – Tudo bem que as coisas por aqui são tranquilas e bonitas, revendo o local tão bem decorado, mas... Aqui não deixa de ter o clima depressivo.
Seu sorriso sarcástico desapareceu, ao jeito que olhava-me parecia que teria algo a falar, mas... Não creio que falaria tão cedo. – Vou deixar você tirar suas próprias opiniões. – Pausou. Sua frase confirmou que o que diria não pronunciaria tão cedo. – É claro que ajudarei para que seus pensamentos sobre isso sejam positivos. – Explicou.
Notei-o levantar. – Aonde vai? – Perguntei seguindo-o com os olhos.
– São onze e quarenta e cinco, Eren. Hora de satisfazer a bendita gula! – Passou de leve as mãos sobre as calças, retirando a poeira quase inexistente. – Venha.
– Tudo bem.
•●๋°●•
– Ei, Dr. Levi! – Jean o chamou enraivado. – Eu ainda não entendi o porquê dele vir também!
– Eu também não entendi o porquê de estar aqui! – Exclamei.
– E eu ainda não entendi o porquê de vocês se odiarem. – Comentou Levi por fim.
Levi tinha seus passos agilizados, fazendo com que eu e Jean agilizássemos também. O “Cavalo”, ainda frustrado, se punha a “cavalgar” de “macha ré” à frente do Psiquiatra, tentando o convencer de dar “meia-volta” em seu pensamento fixo.
– Ei, Dr. Levi! – Chamou-o novamente. – Não deixe que ele vá conosco!
– Pare com isso, Jean. Mais uma vez e eu desisto de cortar seu cabelo.
Ah, sim. Estamos indo em um dos locais que Levi pretendia me levar. Levei isso como uma ofensa por tanto implicar com minha linda cabeleira. Porém, como ele insistiu, resolvi o deixar cuidar dos meus, mas só não esperava que Jean viesse também.
Aliás, outros lugares que antes me levou, só foram alguns “turísticos”, digamos. Já que ele descobriu que eu gostava de pintar, me levou a esses lugares, bonitos e não tanto comuns. Admito que me deram algumas ideias. Mas... Não foram esses locais o que eu mais olhei nesse tempo todo...
– Ei, Dr. Levi! – Jean chamou mais uma vez, Levi parou subitamente. – Dr. Levi?
Parei juntamente ao homem e o contornei. Já que sua cabeça estava em um ângulo que não podia ver, abaixei-me um pouco. Levei meu olhar em rumo ao seu rosto e...
– Caralho! – Gritei me esquecendo que Levi não gostava de palavreado. Afastei-me por precaução sem dar as costas a ele.
Notei que Jean me olhou sem entender, mas logo que olhou novamente Levi, assustou-se também, recuando alguns passos. Era como se houvesse algum tipo de atmosfera que absorvesse tudo em sua volta, sua face estava escurecida e seus olhos semicerrados. Um imenso sorriso medonho à face.
– Não vai parar... Jean? – A voz de Levi era... Horripilante...!
– D-desculpe, Dr. Levi! O assunto encerrou-se! – Jean falou rapidamente.
– Ótimo. – Disse Levi por fim, rumando novamente à sua trajetória.
– Mudança de humor bem rápida... – Jean murmurou enquanto eu voltava a seguir Levi. Bom... Eu não poderia negar.
Continuamos o trajeto cruzando as pedras de chão, em meio à grama bem cortada. Árvores bem tratadas, flores e folhas esparramadas... O caminho foi silencioso, porém, tranquilo. Andamos mais um pouco e foi possível visualizar a parte mais cheia do Hospício, com alguns prédios. Levi explicou pra mim rapidamente que ali tinha algumas partes de lazer, mas que outro dia me mostraria. Hoje já temos o que fazer.
Assim que entramos no salão, encontramos algumas garotas conversando, alguma delas, pareciam arrumar os cabelos das outras. Não demorou a recebermos suas atenções.
– Boa tarde, Dr. Levi! – Fizeram alguma espécie de coro.
– Boa tarde, garotas. – Respondeu Levi educadamente. Percebi que algumas arrepiaram ingenuamente só de escutar sua voz.
– O que o senhor faz aqui? – Uma acanhada desceu do balcão indo ao encontro de Levi. Ah, imagina... Levi veio te avisar pra você procurá-lo na esquina da sua casa!
– Vim dar uma ajuda para os dois. – Respondeu apontando o olhar sobre mim e Jean.
– E quem são eles? – Perguntou outra rodeando Levi.
Assim que se afastou, aproximou de nós. – Este é Jean. – Indicou com o olhar. – E este, — Apoiou sua mão sobre meu ombro. – é Eren. – Senti minhas bochechas arderem levemente pelo simples toque que logo se cessou.
– Eles são bonitinhos! – Comentou uma mais distante.
– O de olhos azuis é mais... – Comentou outra. Não são azuis...
– É! Eren é mais bonitinho! – Exclamou outra.
Notei um olhar fuzilador vindo de Jean. Fiquei satisfeito com a situação, por ele me invejar, mas não ligo pra essas garotinhas.
– Vamos. – Ditou Levi ganhando nossa atenção, o que só percebemos que ele já estava cruzando a porta. Apressei o passo até ele, sendo seguido por Jean depois que se despediu delas.
•●๋°●•
– Está pronto, Jean. – Anunciou Levi apoiando ambas as mãos sobre o encosto da cadeira. Assim que liberado, Jean olhou-se no espelho mais atentamente, observando o trabalho do Psicólogo. Havia alguns fios espalhados ao chão, mais especificamente, as mechas que foram cortadas. Foi um bom trabalho.
– Obrigado, Dr. Levi! Como sempre, ficou muito bom! – Levantou-se sorrindo para este, que apenas acenou com a cabeça. – Eu já vou, Armin topou me ajudar com Matemática!
– Ninguém te perguntou. – Revirei os olhos, escorado na parede, com os braços cruzados.
Antes que Jean retrucasse, Levi se intrometeu: — Não comecem. – E tudo o que Jean fez, foi se despedir brevemente do Psicólogo, saindo finalmente daqui. Senti seu olhar caído em mim, e logo retribui.
– O que foi? – Perguntei sem saber por que me olhava.
– O que vocês têm contra o outro? – Perguntou enfim, cruzando os braços e se aproximando de mim lentamente.
– Ele é irritante. – Respondi rapidamente saindo do breve encosto e sentando na beira da janela fechada, Joguei rapidamente o olhar ali fora, onde vi as garotas de antes conversarem.
– Gostou delas? – Perguntou quando se aproximou da janela, olhando-as, assim como antes, por esta. Perdi a vontade de continuar a visualizar a cena de fora e pus-me a olhar a si.
– Não. – Falei bem firme, notando um leve curvar se seus lábios, o que era tão leve que julguei ser apenas coisa de minha cabeça. Mas não podia negar que minha cabeça fez um bom trabalho, já que foi algo tão bonito.
Meus olhos caíram brevemente em seus lábios, que permaneciam sutilmente fechados. Um rápido batido em meu coração foi presenciado, dando outras ainda mais velozes, em continuidade. Lembrei do dia em que ele... Tocou os meus.
Engoli seco, sentindo meu coração doer. Abaixei um pouco o rosto, e mal pude perceber que atraí sua atenção. – Você é um garoto misterioso, Eren. – Comentou, fazendo-me subir minha visão a si.
– Misterioso...?
– Mal te conheci e... – Desviou o olhar, de volta à janela. – Mal posso deixar de pensar em você.
Por um momento, perdi todo o ar de meus pulmões, sentindo, ao mesmo tempo, minhas bochechas arderem profundamente. Repreensivo pelo que escutei, abri levemente minha boca, com intenção de lhe dizer algo, mas obviamente não foi possível de dizer, até por que... Minha cabeça ficou em branco.
Seu braço se esticou lentamente em rumo à janela, abrindo esta devagar. Notei que, para alcançar maçaneta desta, teve que ficar na ponta dos pés e, empurrando-a para fora, esticou-se de modo que apoiasse em seu braço. Assim que abriu de um lado, direcionou-se ao outro, o que fez estar mais perto de mim. Não demorou que a graciosa brisa alcançasse-nos e, Levi subitamente parou de frente para mim.
Ainda nas pontas dos pés, aproximou seu rosto um pouco mais de mim, de modo que me fizesse arrepiar só de sentir sua leve respiração quente, mantendo seu olhar fixado ao meu. – Posso tocar seus lábios...? – Perguntou em um sussurro, encantando-me ainda mais com si, com seus olhos, com sua respiração, com seu hálito, com suas palavras.
Percebendo que não sairia nada de minha boca, acenei positivamente, me encolhendo um pouco enquanto abaixava meu rosto. E assim que fechei os olhos, senti seu delicado toque sobre mim. Ainda com seus lábios juntos aos meus, levou sua mão até minha nuca, passando a acariciar esta. E não demorou tanto para criar coragem e levar também minha mão até sua nuca, subindo lentamente as mãos sobre seu cabelo raspado até encontrar seus fios mais longos e lisos, sedosos.
Soltou lentamente meus lábios, permanecendo, ainda, suas pálpebras fechadas. Sem retirarmos nossas mãos um do outro, este me guiou um pouco mais perto de si, fazendo-me levantar enquanto virava-se de costas à janela, sentando no antigo lugar onde eu estava. Levi respirava pela boca, fazendo seu doce hálito bater diretamente em meus lábios que entreabriam só de sentir tal gosto de tal cheiro.
Suspirei enquanto senti sua mão acariciar minha nuca, o que me provocou um arrepio. Fechei novamente os olhos, procurando outra vez aqueles lábios tão provocantes que tanto me agradaram. Ao tocá-los, Levi se afastou, rodeando seus braços em torno de meu pescoço, abraçando-me por fim enquanto encostava sua testa sobre meu ombro.
– Eren... – Sussurrou ao pé de meu pescoço, depositando, ali, um pequeno beijo que me tirou completamente a concentração, fazendo-me arrepiar.
Alcancei sua cintura com minhas mãos enquanto repousava meu rosto em seu pescoço também. – Ei... Levi... – O chamei sussurrando.
– Hun...?
– Por que os outros te chamam de “Doutor Levi” enquanto eu o chamo de Levi...? – Perguntei acariciando suas costas, enquanto rodeava-o com meus braços.
– Se possível... – Pausou acomodando-se melhor em meus braços. – Quero que só você me chame assim...
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