Notas iniciais
Olá, peixinhos! Que demora a minha, não é? Desculpe! Primeiro gostaria de agradecer às recomendações. OtomGi, Kuroshi, muito, muito obrigado! Mesmo! Eu ameei ambas as recomendações, estou lisonjeado! Foram elas que me deram certa "apertada" na fanfic e consegui escrever uns três capítulos! Por favor, sintam-se à vontade em relação ao extra, certo? Alguém teve curiosidade de dar um pulinho por aqui? Editei alguns capítulos e agora a visualização está diferente! Espero que apreciem!

●๋° Retorno ao Hobby°๋●

Ultimamente Erwin tem andando muito... Estranho. Sempre com pressa. Quando o encontro dentro dos prédios, está sempre carregando caixas ou com livros na mão, independente que esteja lendo ou apenas carregando-os. Passei até cumprimenta-lo por ter pegado o costume. Outra vez, ele me pagou um lanche, e estranhamente tivemos uma conversa agradável. Descobri que ele havia visto alguns de meus quadros e particularmente gostado bastante.

Após ele me contar que gostava muito da natureza, especialmente das árvores floridas, o que deu origem ao tamanho cuidado com as árvores encontradas por aqui, decidi dá-lo um quadro antigo que havia pintado. Era uma cerejeira encima de um penhasco, tudo numa cor propositalmente desbotada, exceto as flores daquela planta, destacadas e brilhantes. Porém ela não estava comigo, ela estava no meu apartamento. E ao me lembrar de Levi comentando o quanto o loiro era responsável, eu deixei que pegasse por si mesmo. Ele ficou lisonjeado, e ao rever o meu quadro, me deu saudade de pintar.

– E por que você não volta? – ele resolveu perguntar.

– Ah, Erwin. Com o passar do tempo que você se distancia de um hobby, você acaba “destreinando”. – brinquei com a colher na xícara. – Tenho medo de retornar e ver que meu dom se tornou escasso. – suspirei sorrindo de lado.

– Eu já vi o seu talento quando fui ajudar Hanji a recolher seus objetos, Eren. – começou, tendo os cotovelos apoiado à mesa, unindo as mãos ao cruzar os dedos, escorando o queixo sobre eles. – E ao ver o quadro que você me deu, apenas confirmo que o que você tem é muito mais que um dom, é como... – ele pareceu pensativo, procurando a palavra certa. – Um... “Poder”...?

– Pintura? Um poder? – gargalhei de leve.

– Não é bem essa palavra, mas seria mais ou menos isso. – franziu o cenho, divertido. – Mas Eren, e se você prolongar esse medo? Não acha que esse “poder” um dia morreria de “solidão”?

Arregalei os olhos, deixando o meu silêncio responder por mim. Aquelas palavras foram o necessário para abrir os meus olhos. Não eram elas que eu sempre usei para me abrir? Eram apenas nelas que eu confiava, eram elas as minhas únicas companhias. E agora que estou fazer amizades, eu as abandono?

Como eu pude ser tão idiota?

Levantei-me depressa, porém não cheguei a assustar o loiro. Apenas olhava-o com expectativa e, após um aceno sorridente vindo de si, me retirei da casa de chá, me dirigindo ao meu quarto. Assim que o adentrei, abri o meu armário, procurando meus objetos de desenho. Qualquer coisa serviria, se eu apenas fizesse um desenho em uma folha eu já estaria servido. Encontrei um bloco meio velho de folhas brancas A4 de 140g/m²; Peguei meu estojo de lápis aquarela e mais alguns objetos, guardei-os numa mochila e fui para fora de lá, procurando por um bom espaço de ar agradável, o que, levando em consideração à paisagem bem abordada, não foi difícil de achar. Peguei um pequeno copo e enchi de água numa bonita fonte que havia ali perto. Encontrei uma mesa que considerei ser limpa o suficiente e me sentei ali, abrindo o caderno na primeira folha, encontrando uma de plástico que usaria debaixo dela para não marcar as outras.

Deixei minha mente rolar à solta sobre o que queria desenhar, mas nada em específico vinha à mente, a não ser cores. Então resolvi testar minha mão, ver o que ela queria criar. Não tinha as cores específicas que vinham na mente, então eu pegava os lápis aproximados e riscava o papel.

Quando dei por mim, eu estava fazendo ires de um olho azul escuro, mais especificamente, Baile de Máscaras. Não era, com certeza, o melhor que eu conseguia fazer, mas eu achei bonito o que saía. Usei a borracha para clarear algumas partes, como se fosse seus reflexos. Usei outras tonalidades do azul para acrescentar mais “vida”, e pintei com ajuda da água sobre a aquarela a pupila. Com cotonete um pouco úmido, esfumacei e retirei os resquícios “brancos” da folha.

É, quando eu disse que qualquer desenho me deixaria satisfeito, eu havia me enganado. Levantei a folha, deixando-a contra o sol. Não havia gostado, mas talvez fosse por conta que não imaginei primeiro. Após coloca-la novamente sobre a mesa, um “tique” fez com que eu me alertasse.

Espera, esse olho não se parece com o do Levi?

Senti as bochechas corarem ao saber disso e retornei a admirá-lo. E como um passe de mágica, comecei a me sentir agradado com o desenho. Como eu pude desenhá-lo sem dar-me conta disso? Será que eu estava pensando nele de mais?

– Eren! – a voz grossa e alta de Reiner no meu ouvido me fez pular na cadeira de susto, e não demorou que ele risse de mim, tendo-me para acompanha-lo, constrangido.

– Que coisa, Reiner! Você me assustou! – comentei.

– É, disso eu sei! – ele exclamou, ainda rindo. – O que faz ai, tão concentrado?

– Eu estava desenhando. – respondi num sorriso, e logo o desenho foi roubado de minhas mãos.

– Uau, Eren!! – ele exclamou, caminhando até o outro lado da mesa, sentando-se ali. – Que incrível!! Que bonito!!

– Nossa, não exagere, Reiner! – pedi constrangido.

– Não estou exagerando! Nossa, parece muito realista! – observei o sorriso imenso de Reiner, permitindo-me acompanha-lo.

– Obrigado.

– Uau...! – continuou, fazendo-me rir. – Ei, Annie! Venha aqui ver!

– Annie? – virei-me para trás, encontrando uma garota baixa de cabelos loiros bem claros, olhos azuis e aparentemente bem séria.

– Eu não vou me aproximar de um gayzinho. – ela respondeu num som monótono, segurando um dos seus braços. Perguntei-me se ela era tímida.

– Eren não é “gayzinho”! – Reiner exclamou, rindo.

– Ah é? – soltou uma monossílaba. – Não foi o que eu vi. – comentou bem séria, fazendo-me suar frio. Será que ela–

– Eren, não liga não. – o loiro riu. – Ela tem costume de chamar todo mundo de gay! Vem, Annie, senta aqui do meu lado! – ele apalpou o banco, no lugar ao lado.

Ela apenas suspirou, caminhando até nós. Chegou até o lugar que Reiner havia indicado, porém contornou a mesa, optando por sentar ao meu lado, após mandar um “Chega pra lá.”. Apenas olhei-a com o cenho franzido.

– Por que você sempre evita sentar ao meu lado na frente dos outros? – perguntou o loiro.

– Não quero que me vejam andando com um gay. – ela cruzou os braços, assim como as pernas. Apenas notei o quanto ela tinha uma expressão “peixe morto”, assim como ela era bem baixinha. Ela virou-se pra mim, o que me fez notar seus olhos profundamente azuis claros, que exalavam uma expressão de tédio. – O que foi? Você não vai encontrar um pinto por aqui.

– O quê? – indaguei levemente assustado.

– Eu não sou um cara, não tenho um pênis para te agradar. – ela comentou, fazendo-me semicerrar os olhos. Olhei o Reiner, tentando disfarçar meu desconforto. – Isso, nele você encontra. E um bem grosso.

Reiner gargalhou, mas eu não sei se era do que ela falou ou se era da minha cara constrangida.

– Deixa eu ver o desenho dele. É um genital masculino? – ela perguntou estendendo a mão até a folha, trazendo-a para si, surpreendendo-se ao ver. – Nossa. Você desenha bem. – ela comentou analítica, mas logo desviou seus orbes pra mim, logo murmurando: – É o Levi?

Tornei a corar, ficando constrangido novamente. Ouvi um som de riso vindo dela, apesar de não ter mudado a expressão.

– “Gay”. – soltou a palavra muda ao ar, voltando a fitar o desenho. Apenas suspirei, coçando o cabelo.

E seguimos o restante da tarde conversando. A conversa que mais durava era entre eu e Reiner, já que Annie só soltava umas frases com “gay” no meio. Eu achei bem estranho, mas às vezes chegava a ser engraçado. E até descobri que a loira que havia encarado tanto a mim quanto a Hanji como se fossemos míseras merdas era ela.

Assim que o sol se pôs, tanto eu quanto Reiner a levamos para um dos prédios que era o dormitório feminino. Apesar de tudo, eu consegui enxergar que ela era gentil, após abraçar-nos e deixar um leve beijinho na face de Reiner, que riu divertido.

Ao olhá-los, eu conseguia distinguir uma amizade profunda.

– Então, eu vou te explicar umas coisinhas da Annie. – começou o loiro, tendo minha atenção. – Ela tem essa “aversão” de gays por causa dos pais. – Reiner falou assim que adentramos o meu quarto. Sentou-se à minha cama. – Eles são muito preconceituosos e... Assim que descobriram que ela é lésbica, mandaram-na para cá como se fosse uma doença. – coçou a nuca, suspirando fundo. – Eles não vão aceita-la de volta até que esteja “curada”, ou que ela saia quando tiver maioridade.

– Ela é lésbica? – perguntei, sentando-me ao lado dele.

– Sim, apesar de não se orgulhar nem um pouquinho disso... Ela já me disse uma vez que nunca conseguiu sentir atração por um homem, apenas acha-los “agradáveis” ou uma “boa companhia”. Sempre achou mulheres bonitas, apesar de forçar-se a não manter os olhos em uma por mais de dois segundos. – ele suspirou.

– Os pais delas são preconceituosos à que nível?

– Quando descobriram que ela era, jogaram água fervente nela. – o loiro juntou as mãos, levando-as ao rosto, tapando o nariz. – Eu a conhecia desde pequenos, então eu convivi com ela esses tempos ruins.

Suspirei, sentindo uma dor no peito por compreender o que ela havia passado. Mas, apesar disso, eu não consegui dizer nada.

– Desculpe, eu não sei o que dizer. – murmurei.

– Ah, não! – Reiner riu, descontraindo o ar de tensão. – Não se desculpe, apenas havia dito porque confio em você, sei que você seria um bom amigo pra ela! – exclamou sorridente, apenas retornei um sorriso também.

A sensação de ser confiável trouxe um sentimento melhor para mim.

– Eu vou indo então, Eren. – levantou-se, passando a mão sobre meus cabelos, bagunçando-os. – Boa noite!

– Boa noite, Reiner. – dei um sorriso pra ele, acompanhando-o até a porta, fechando-a após isso.

Tomei um banho meio demorado e depois de colocar um pijama quentinho, joguei-me sobre a cama, suspirando. Deixei-me navegar em devaneios, pensando em Annie, imaginando o que ela deve ter sofrido. Mas assim que acabei de analisar sua personalidade, me surpreendi pelo quanto ela me lembrava de Levi.

Levi...

– Ah, Levi... – suspirei, pegando aquele antigo desenho, olhando-o detalhadamente. Mordi o lábio, fechando os olhos e levei-o até o peito, apertando-o. – Que coisa...

Sinto falta dele...

Ao voltar a olhar o desenho, senti uma crise de criatividade crescer, o que me fez passar a noite em claro, tentando desenhar alguma coisa que prestasse. Gastei pouco mais de três horas para fazer uma mão aceitável que lembrasse da dele. Fina, grande pro próprio tamanho, dedos longos e magros, que dê a imagem de ser áspera, quando, na verdade, é bem lisa e macia, apesar de ser meio gelada. Unhas cumpridas, mas não afiadas, limpas e bem feitas.

Mordi o lábio olhando ambas as mãos juntas, tendo apenas metade dos dedos intercalados.

Queria realmente tocá-las.

•●๋°●•

Abri os olhos, meio confuso. Senti algumas lágrimas escaparem deles, estas estavam quentes, assim como o meu peito, que estava tão, mas tão quente, que doía. Sentei-me devagar, ponto a mão na testa. Minha cabeça também estava doendo e um peso avassalador estava instalado nos meus ombros, mas eu não sei o porque.

Olhei para a janela de vidro que se estendia pela parede inteira, descobrindo algo como o vácuo. O vácuo? Estava escuro, um tom bonito de Azul Marinho com uma mistura em algumas partes de Azul Violeta, Índigo e Violeta Escuro. Tinha algumas estrelas ali misturadas. Cocei os olhos, tentando conferir de era ali mesmo que eu estava. Achei o sol, ao longe, mais radiante do que o normal, bem amarelado, raios intensos. Vi um cinturão de asteroides, como um caminho que, se eu seguisse, chegaria ao sol e me torraria por inteiro.

Voltei o olhar ao cômodo inteiro, descobrindo que parecia o quarto que eu ficava quando eu era criança, em exceção ao vácuo à minha direita.

– Eren? – ouvi uma voz meio rouca pela idade, mas na verdade, muito agradável pra mim.

– Hannes! – exclamei surpreso, mas estranhei por não receber nenhum sorriso rugoso e gentil. Ele apenas correu os olhos sobre o quarto, entrando lentamente.

– Eren? Você está ai? – perguntou, olhando debaixo da cama. – Onde aquele rapaz foi parar? – perguntou, coçando a cabeça.

– Ele não está ai? – uma garota asiática entrou no quarto, aparentemente curiosa. Fiquei surpreso.

– Mikasa, eu não o encontro...! – chamei o nome da minha irmã em conjunto ao meu tio, mas ele continuou a frase. – Ele disse que ficaria quieto por aqui, desenhando, mas não o encontro em lugar nenhum!

– Tio Hannes? – minha irmã o chamou, tendo a atenção do mais velho. A pequena parecia caminhar até a janela “pintada” de outra forma que não correspondia com a da minha infância. – O que é isso? – ela perguntou erguendo os braços ali, logo os puxando de volta, como se estivesse pegando algo.

O mais velho caminhou até ela. Surpreso ao ver o que seria.

– Ele quem desenhou isso...? – uma entonação assustada escapou da garganta dele.

– Não, tio Hannes... Eren não desenha coisas feias assim... Ele... Só retrata... Partes bonitas da vida... – Mikasa parecia mais chocada que meu tio e, nessa hora, eu já estava ao seu lado, olhando pra suas mãos vazias.

– Mikasa... – o mais velho suspirou, abaixando-se e tirando o objeto da mão da pequena que eu não conseguia ver. Deixou a coisa invisível no chão, pegando minha irmã pelos ombros, virando-a para si. – Olha, Mikasa... O seu irmão... – ele deu uma pausa, como se buscasse as palavras certas. – O seu irmão não é a pessoa quem você acha que é.

– O quê? – balbuciei estranhando aquela conversa.

– Como assim? – perguntou mantendo uma expressão séria, fechando o punho. – Você acha que eu não conheço o meu irmão direito?

– Mikasa, não é isso... – ele fez com que a menor olhasse-o nos olhos. – O seu irmão é depressivo, Mikasa. Ele é triste, ele sofre muito mais do que adultos que dizem que a vida é difícil. – ele murmurou, fazendo com que eu franzisse as sobrancelhas.

– Tio Hannes, porque está dizendo is–

– Eu sei, tio Hannes. – Mikasa interrompeu a minha fala que não escutaria e logo suspirou. – O papai faz ele sofrer.

O homem com algumas rugas no rosto puxou a menina dos cabelos pretos para um abraço, acariciando aqueles fios longos.

– Me desculpe, Mikasa... Eu não queria que vocês tivessem que enfrentar isso... – ele murmurou e, por um momento, o vi olhar-me fixamente, enquanto uma lágrima escorria pela sua face. – Eu já tentei fazer com que seu pai parasse com isso, mas não consigo. Nem eu, nem sua mãe. O seu pai é muito forte... Ele é maluco... – suspirou doloroso.

– Eu sei, tio Hannes... – vi os ombrinhos da minha pequena irmã tremerem e um longo soluço seu ecoou pelo quarto. Abaixei-me devagar, sentindo-me sem chão. – O papai podia deixar o Eren... Ser feliz. – ela soluçou mais uma vez, apertando as barras do vestido. – Por que o Eren tem que enfrentar tanta chuva...? E por que, depois de tudo, ele volta para mim com um sorriso, como se tudo estivesse bem...? – Mikasa ajoelhou-se, apoiando o rostinho sobre o peito do tio. – E por que, tio Hannes, eu não consigo ajuda-lo em nada...? Por que eu tenho que ser tão inútil com alguém que me salvou tanto...?

– Mikasa... – meu tio fechou os olhos, fazendo uma expressão dolorosa. – Você não é inútil, é apenas uma criança... Você deve curtir a vida, não se preocupar com esse tipo de coisa... Apenas mostre ao Eren que você estará lá, independente das coisas estiverem ruins.

– Eu continuarei fazendo isso... – ela suspirou.

Mordi o meu lábio, sentindo uma gota solitária escapar de meu olho esquerdo.

Mas não fez...

E isso foi minha culpa.



•●๋°●•

Acordei num pulo por conta de um barulho que veio do quarto ao lado. Assim que retornei à consciência, me vi sentado no chão, com um caderno de desenho debaixo dos braços, apoiado na cama. Eu estava desenhando a textura do vácuo, no entanto acabei franzindo o cenho ao ver uma parte meio molhada ali. Notei que eu havia babado, então limpei a boca, mas acabei por gargalhar.

– Estou voltando à minha infância? – perguntei coçando os olhos, me levantando devagar, estralando as costas e o joelho destro, já que o esquerdo era fodido o suficiente para não conseguir estralar mais. Alonguei os braços em meio a um bocejo e logo ouvi alguém bater na porta. Caminhei preguiçoso até ela, destrancando e abrindo-a, dando de cara com Jean. – Aqui não é um estábulo para cavalos aparecerem. – bocejei mais uma vez, vendo-o rolar os olhos.

– Não enche. – ele entrou sem mais nem menos no meu quarto, apenas dei de ombros, trancando novamente o quarto. Observei-o caminhar até a cama, deparando-se com meu desenho babado. – Wow, Jaeger! – pegou a folha colorida em mãos, analisando. Nem pareceu perceber a pequena poça que criei. – Você quem fez isso?!

– É... – bocejei mais uma vez, caminhando para o banheiro. – Pensei que soubesse que meu hobby é desenhar.

– Que foda! – exclamou novamente, sentando-se na cama, ainda admirando o desenho. Lavei o rosto, tentando tirar o sono. – Quando você acaba-lo, você pode me dar?

– Esse tá ridículo, Jean. – enxuguei o rosto com a toalha. – Assim que meu dom voltar, eu faço um melhor.

– Isso é sério? Você vai me dar? – perguntou surpreso, olhando-me com cara de espanto.

– E por que não? – dei de ombros. – Apesar de você ser um cara chato, gosto de exibir meus desenhos pros outros.

Ele rolou os olhos e não evitei a rir por ver aquela cara dele. Abri o guarda roupa, procurando alguma roupa e, assim que achei, comecei a me trocar ali mesmo, no silêncio de alguém assoviar pelo corredor.

– Então, Jean, o que veio fazer aqui? – virei-me vendo como desviou o olhar rápido.

– Eu... – coçou a cabeça, bagunçando o cabelo. – O que era mesmo...? – murmurou e pude perceber sua face vermelha. – Uh, eu esqueci.

– Ah. – semicerrei os olhos. – Então cavalos não costumam ter boa memória... – murmurei.

– O que disse?

– Nada. – suspirei, tentando arrumar o cabelo. – Você sabe onde o Reiner está? – resolvi perguntar.

– Ah, é, ele me pediu pra te chamar para sairmos. – Jean se levantou, pousando o desenho onde estava, após dar uma última olhada. Caminhei até a porta, destrancando-a e vendo o rapaz sair, e, após trancá-la de novo, comecei a segui-lo.



•●๋°●•

– Você fala até, mas aposto que seja gay também. – Annie falou tediosamente depois comer uma pequena parte de seu chocolate de diamante negro.

– Eu não sou gay! – Jean exclamou num tom alto, fazendo-me suspirar cansado.

– Eu consigo ver o seu jeitinho de gay, não adianta mentir. – Annie suspirou também, tombando pro meu lado. Deixei que ela se escorasse ali.

– Por favor, gente... – Armin pediu baixinho. – Parem...

– Esse ai é assumido. – Annie falou séria, fazendo o outro corar.

– Annie, coitado do Armin. – Reiner riu, bagunçando o cabelo do loiro menor.

– Os gays como o Eren são mais suportáveis, ficam na sua e é difícil de perceber. – ela comentou, atraindo minha atenção. – Quando eu fizer compras, quero que você me acompanhe.

– Por que eu? – resolvi perguntar, olhando os olhos azulados da menor que se voltavam pra mim.

– Gays são bons na moda, não? – ela arrumou um pouco a franja que cobria parte de um dos olhos. – Eu até chamaria Reiner, mas ele é bi, não posso dar as costas que ele me come com o olhar.

– Comer pelo olhar? – perguntei desentendido, vendo Jean rir.

– É, o Reiner come todo mundo pelo olhar. – ele confirmou.

– Ei, não digam como se eu fosse um pervertido! –o maior exclamou.

– Mas, Reiner, você é. – Armin confirmou, fazendo os outros dois gargalharem, deixando eu e Annie apenas olhando-os.

Ouvi alguém me chamar de longe, e logo eu e Annie viramos ao mesmo tempo para ver quem era, assim como os outros ficaram sérios. Era Hanji que vinha correndo, parecia eufórica, assim como respirava pesado. Assim que se aproximou da mesa, apoiou as mãos na mesa, ofegando.

– Até que fim eu te encontrei, Eren! – ela respirou fundo, tentando controlar o fôlego.

– O que foi, Hanji? – perguntei, observando o quando ela estava vermelha.

– Ah, foi muito difícil de te achar! – respirou fundo mais uma vez e, apôs cumprimentar todo mundo, ela pediu desculpas pela interrupção. – Mas então, Eren... Eu preciso conversar com você.

– Ah, tudo bem. – respondi surpreso.

– É assunto pessoal e bem sério. – Hanji enfim levou seus olhos castanhos aos meus, fitando-os sem grande coragem.

– O que aconteceu? – Annie resolveu perguntar, desencostando-se de mim.

– Desculpe, querida, sei que o Eren não vai querer falar sobre isso na frente de vocês. – Hanji engoliu seco.

– Hanji. – levantei sério, um tanto ansioso, com receio de ser o que era.

– Por favor, Eren, venha até a sala do Levi. – a médica insistiu, fechando os punhos acima da mesa. Apenas mordi o lábio, acenando positivamente. Annie me deu espaço para me levantar e, assim que me afastei um pouco, senti sua mão segurar meu punho. Virei meu rosto para si.

– Boa sorte, Eren. Não sei o que posso fazer, mas qualquer coisa, estou aqui. – murmurou baixinho e não evitei sorrir a ela. Escorreguei minha mão até que pudesse apertar a sua de leve.

– Obrigado, Annie. – murmurei de volta. – Até mais pessoal.

– Boa sorte, Eren! – responderam-me.

E assim, tornei a seguir Hanji, observando seu jaleco branco balançar. Agora reparando...

Hanji não sorriu hoje.

Notas finais
Galera, mil desculpas à minha enrolação com as respostas dos comentários. Eu não vou demorar mais. Vou respondê-los como antes eu respondia, por isso, realmente, desculpem-me. Fiquei meio desapontado por esse capítulo ter saído meio "encheção de linguiça", mas era a única forma de dar entrada ao próximo que, caralho, tá muito tenso: Prévia do próximo capítulo: [...] – Eu... Não quero responder isso. – murmurei de volta. Ouvi a mulher respirar fundo com todo aquele ar de tensão. E, rapidamente, captei um pequeno aceno vindo do loiro e, quase no mesmo momento, Hanji bateu o punho na parede. Eu estava tão tenso que não assustei. Em seguida a porta se destrancou, não foi preciso eu olhar pra saber que uma pessoa na qual eu não conhecia adentrou o quarto. Eu estava tão tenso que consegui apontar ser um homem apenas pela respiração. Distingui também que parecia ser de poucos amigos, uma pessoa séria. Descobri que ele parecia decidido, porém, não tinha aquela tensão dos outros dois. Ele parecia ter naturalidade no que fazia. Ele não estava ali atoa. Ele havia um objetivo. Eu me levantei. – Eu tenho direito de negar a responder algo que não quero falar. – ditei decidido, olhando pra baixo, de soslaio à porta.