Notas iniciais
Tá muito tenso, muito tenso, muito tenso esse capítulo. Quero ver se esse capítulo tá tenso!! [Eu imitando do Nando de Yu Yu Hakusho. Me beijem, aquele cara é gato e ruivo.] Brotinhos, o capítulo está ai. Eu quis muito postá-lo no mesmo dia, mas né. Eu quero receber comentários também, mesmo que a fanfic esteja flopando. Música super-muito-recomendada: The Last of Us - Msica Tema/Music Video (https://www.youtube.com/watch?v=SnK4w4m1t1Q) Aliás, o jogo é super dahora, recomendo também. E podem deixar, vou responder todos os comentários, começando deeede o começo.

● ๋° Erro Médico ● ๋°

– O que você queria falar comigo? – indaguei assim que ela abriu um pequeno espaço da porta. Mas assim que visualizei Erwin também no cômodo, achei estranho.

– Na verdade quem queria conversar com você não era somente eu... Erwin também. – Hanji comentou estranha. Parecia tentar tranquilizar-me, mas ao mesmo tempo, parecia estar tensa.

– Eu não queria causar uma má impressão agora, Eren. No entanto, eu realmente preciso de algumas informações. Hanji concordou em me ajudar. – Erwin era outro que parecia tenso. Muito mais tenso. Esfregava a mão uma a outra, como se isso amenizasse sua tensão.

Ainda confuso, dei de ombros e entrei na sala. A ideia de precisar usar a sala de Levi mesmo ele não estando presente me perturba. O que seria de tão interessante...?

– Sente-se, querido... – a médica pediu sorrindo, mas parcialmente escondendo-o enquanto roía uma de suas unhas. Parecia muito aflita. Sentei-me ao sofá vermelho tentando ignorar aquele clima estranho rodeando pelos dois.

– E então...? – pedi por continuidade. Os dois trocaram um olhar receoso.

– Queremos que seja sincero Eren... – adiantou-se Erwin.

– Que, por favor, responda tudo o que perguntarmos. – completou Hanji.

– Apenas perguntem. – pedi incomodado, coçando minha testa. Isso não estava ficando bom...

– Aos onze anos você sofreu aquele incidente praticando Handebol, o que causou uma torção séria no joelho que, mais em frente, descobriu ser um caso de “Ligamentos Rompidos”, certo? – o loiro se afastou um pouco, olhando a paisagem lá fora, pela janela.

– Como vocês sabem? – perguntei. – Quer dizer, Levi falou que não havia nenhum documento relacionado a isso.

– Hanji chegou à conclusão depois que Levi comentou quando você passou seus dois meses em coma. – ele explicou, lançando seus orbes claros para Hanji. – Ela deu uma olhada, fez o exame de tomografia. Como ela não é especializada nessa área, ela precisou de grande ajuda do Nile.

Fiquei em silêncio, começando a me sentir tenso. Eu não estava gostando do rumo da conversa. E, talvez por perceber isso, Hanji voltou à conversa:

– Querido... Me diga. Você teve que ir fazer... A cirurgia, como Levi me disse, certo?

Meu corpo ficou tenso e, automaticamente, fui obrigado a ter que controlar minha respiração, forçando-a a não transparecer nervosismo, o que foi inútil:

– Eren, estamos só perguntando. Não vamos te julgar, não vamos te obrigar. Não faremos nada que te arrependa depois. – Erwin falou.

Ajeitei-me no sofá, apoiando o cotovelo sobre a perna, guiando a mão até minha boca.

– É, eu tive que ir. – respondi meio abafado pela mão.

Eu não queria me lembrar. Eu não queria chorar.

– E... – prendi a respiração. Eu sabia o que vinha mais em frente. O loiro aproximou da mesa de Levi, sentando-se nesta. Começou a reproduzir sons repetidos com as pontas dos dedos, batendo-as nela. Aclarou a garganta. – Como foi lá?

Todo o ar que eu mantinha no meu pulmão fugiu em milésimos de minha boca. Engoli seco. Desviei o olhar. Avistei Hanji com os braços cruzados, a mão na boca. Voltei o olhar ao loiro, que também estava com a mão tapando a boca. Eu sabia o que viria em frente.

– Eu... Não quero responder isso. – murmurei de volta.

Ouvi a mulher respirar fundo com todo aquele ar de tensão. E, rapidamente, captei um pequeno aceno vindo do loiro e, quase no mesmo momento, Hanji bateu o punho na parede. Eu estava tão tenso que não assustei.

Em seguida a porta se destrancou, não foi preciso eu olhar pra saber que uma pessoa na qual eu não conhecia adentrou o quarto. Eu estava tão tenso que consegui apontar ser um homem apenas pela respiração. Distingui também que parecia ser de poucos amigos, uma pessoa séria. Descobri que ele parecia decidido, porém, não tinha aquela tensão dos outros dois. Ele parecia ter naturalidade no que fazia. Ele não estava ali atoa. Ele havia um objetivo.

Eu me levantei.

– Eu tenho direito de negar a responder algo que não quero falar. – ditei decidido, olhando pra baixo, de soslaio à porta.

E esta foi trancada. Ouvi os passos dele ecoarem pelo quarto. Somente, além deles, conseguia ouvir minha respiração. O homem contornou a sala, sem desgrudar os olhos de mim. Ele vestia roupas todas brancas. Sapatos sociais, calça social, um jaleco longo, uma blusa com botões. Ele era magro, tão magro que conseguia ver bem o contorno do seu crânio. Ele parecia anoréxico. Seus cabelos eram loiros acastanhados, lisos e não muito longos, eram um pouco abaixo das orelhas. Seus olhos eram afiados, suas sobrancelhas finas. Tinha uma testa longa.

Ele era feio. E o que ele tinha de feiura, parecia ter de esperteza.

– Meu nome é Ian Dietrich. – ditou sério e firme. Sua postura era tão ereta que parecia ter saído de um campo de guerra. Ele continuava a passear pelo quarto... Me analisando. – Passei dez anos de minha vida me especializando em psiquiatria, diferente de Rivaille, que apenas cursou psicologia e passou alguns anos decorando nomezinhos de remédios famosos. Na verdade, acho que foi coragem de Erwin apoiar tamanho cargo nas costas dele. – comentou sério, fazendo pouco caso do psicólogo. – Eu cuspo na cara daquele sujeitinho que se faz de médico-sabe-tudo. – falou com agressividade, cuspindo literalmente as palavras.

Semicerrei os olhos, assim como os punhos. Sem tirar minha atenção daquele sujeito, comecei a bufar. No fundo, Erwin e Hanji se entreolharam.

– Tenho vontade de vomitar por apenas estar nessa sala, com esse cheiro... Nauseante. – semicerrou os olhos, olhando alguns livros, rindo debochadamente. – Livros de medicina? – pegou alguns, dando uma olhada. Riu ainda mais, jogando um a um ao chão, desaprovando-os. – Que inutilidade. Quer dizer que o sabe-tudo precisa fazer pesquisinhas para conseguir atender os pacientes? – após jogar o último no chão, dirigiu o olhar ao loiro. – Pergunto-me Erwin: Como foi se rebaixar a esse tanto? Não preferia seguir minha família, que é bem especializada no tema? Que vem trabalhando neste apresentável hospício de geração em geração? – suspirou. – Ainda bem que–

– Quer calar essa desgraça que você nomeia como boca?! – gritei estressado, assustando tanto Hanji como Erwin. Aquele sujeitinho de merda apenas me olhou de soslaio.

– Parece que temos alguém que se estressou só de me ouvir falar mal do Levi... – comentou ironicamente. – Sabe outra coisa que eu acho nojento no Levi? – sorriu maldosamente. – A forma de como ele estragou o trabalho aceitável dele apenas em confundir os sentimentos com o trabalho. – e riu mais uma vez. – Ele vê os pacientes como amigos, como irmãos! Como namorado, talvez? – olhou secamente para mim. – Ah, Levi... Levi...! Pisando na própria cova... – comentou irônico.

– Ian... – Hanji interveio no assunto. – Não acha melhor concentrar-se no assu–

O desgraçado a cortou com apenas um movimentar de mãos. Apenas levantou-a num pedido de silêncio:

– Eu sei o que estou fazendo, doutora. Simplesmente assista e veja como as coisas acontecem. – falou firme.

– Cale a boca! – mandei a ponto de rosnar raivoso.

– Mandar-me calar a boca apenas piorará. – caminhou até a mesa de Levi, o que me fez notar que Erwin não estava mais sentado. O homem abriu a gaveta, olhando o que havia ali como se... Como se fosse o proprietário! – Eren, você está bufando! – ele riu, pegando o pente vermelho que anteriormente o psicólogo havia utilizado em mim. – Falar mal do seu queridinho psicólogo lhe contraria?

Fechei os olhos. Eu sabia que estava sendo testado. Mas... Isso me causava tanto ódio! O meu peito chegava a doer, meu estômago embrulhava. Respirei fundo, tentando controlar-me.

– Ian. Pare. – Erwin pediu. – O Eren não é só um rapaz musculoso que, com algumas aplicações de força em certos pontos de tensões, vai fazê-lo cair. – ele aparentava estar receoso.

Ian não ouviu:

– E seu eu dissesse, Eren... Que daqui em diante, serei o seu psiquiatra? – abri os olhos como se houvesse sofrido um coque, olhando-o incrédulo. Ele parecia observar o pente, mas logo seus olhos escuros voltaram a mim, assim como um sorriso irônico cresceu. – Oh, sofreu um choque...! Não quer se afastar de Levi, ou não quer conviver comigo?

Olhei feio pro loiro que parecia não desgrudar os olhos de mim. Eu o olhei com tanta, mas tanta raiva que percebi que engoliu seco, vacilando um passo pra trás. Segurou-se sobre a parede, parecendo arfar.

– Hanji, o que houve com os olhos dele? – Ian perguntou no mesmo tom irônico, mesmo semblante sério. Parecia apenas uma surpresinha a mais. Não parecia intimidado.

– Ian, para! – Hanji pediu num tom alto. Ela parecia mais amedrontada. Sua voz veio trêmula. – Concentre-se no que pedimos!

– Eu sei sobre o seu passado, Eren. – Ian pareceu ignora-la. – Aquece acidente de carro que custou a vida de seus pais e de sua irmã. – gargalhou irônico. – E se eu te dissesse, Eren, que aquilo foi coisa atoa?! E se eu dissesse que, na verdade, se você continuasse fazendo a fisioterapia, teria chances de melhorar sozinho?! E se eu dissesse que fazer a cirurgia seria pior por atrapalhar seu crescimento?! – ele gargalhou insano, jogando o pente no chão. – Eren! Sua vida foi por água abaixo por conta de um erro médico!

Um silêncio devastador ajudou pra que aquela informação entrasse na minha cabeça. Entrou de forma bruta, como se rasgasse todas as outras informações.

Erro médico.

A minha vida virou o inferno por conta de um erro médico...?

Sorri dolorosamente ironizado, sentindo as lágrimas escorrerem de meus olhos. Meu corpo tremia involuntariamente.

Erro médico.

E do que adianta saber disso agora...? De qualquer forma, a culpa foi minha.

Não têm como trazê-los de volta.

– Você parece dolorido, Eren. – o homem continuou. – Todas aquelas noites que você passou em claro chorando, aquelas noites que seu tio tentou se acalmar... Não, não, espera! Aquele dia em que você surtou e matou o seu tio! – Ian falou num tom alto, rindo diabolicamente. – Como foi dar-se conta que você esmurrou o pobre do seu tio até a morte?!

Levei minhas mãos aos meus cabelos, puxando-os. Meus soluços cortaram as palavras que antes queriam vir para fazê-lo calar a boca. Desgraçado...

Corri meus olhos ao quarto. Erwin e Hanji estavam num estado de choque, olhando o psiquiatra sorrir insano. Meu corpo tremia, eu sentia que queria... Espancá-lo.

– Eu sei sobre suas fraquezas, Eren! Eu sei que durante anos você acordava com aquele gosto de sangue por ter sonhado com o dia do acidente! Eu sei que você clamava doloroso pelo nome de Carla, pelo nome de Mikasa e até mesmo do seu pai, que viveu te espancando na infância! – ele chutou a mesa, demonstrando o quanto estava paranoico por conta das risadas. – Como foi conviver com o cadáver do seu tio durante vinte e três dias?!

– Cala... A boca...! – minha voz veio tão grossa e rouca que não parecia ser a minha própria. Erwin já estava no chão, com uma expressão incrédula.

– Ian... Como você... – Hanji murmurou bem baixinho, assustada pela forma como o psiquiatra estava. Ele ria insano.

– E sua querida irmãzinha? Você consegue se lembrar do quanto a cabeça dela estava ensanguentada, do quanto aqueles olhos escuros estavam opacos e lagrimados?! – ele caiu, gargalhando a ponto de jogar as costas pra trás. Comecei por ver lágrimas nos olhos dele também.

– Cala a boca, desgraçado!! – minha voz escapou mais grossa ainda, e mal pude perceber quando avancei, quando tive seu pescoço em minhas mãos. Aquele pescoço fino e longo... Pedindo para ser machucado. Circundei o seu pomo-de-adão com ambos os meus polegares. Apliquei força naquela pressão.

– I...sso, Eren...! – ele tossiu, ainda gargalhando. – Me mate... Como você fez com o... Han...nes!

Escutar aquilo estranhamente me fez sorrir insano também. Senti uma última lágrima escapar de meu olho esquerdo, pingando na ponta do nariz daquele demente. Minhas mãos pararam de pressionar o pescoço por um momento, porém ergui-o com raiva. Levantei-me e, após empurrar a mesa de Levi pro lado, continuei correndo em direção da janela. Quebrei a janela utilizando o corpo de Ian, sem dificuldade alguma, e lancei-o dali de cima.

O meu sorriso cresceu ao observar o corpo daquele homem cair desajeitadamente ao chão, fazendo um barulho tão engraçadinho que comecei a rir. Rir como uma hiena. Eu gargalhei eufórico, olhando as minhas mãos que estavam ensanguentadas pelos cacos de vidros, mas logo vi um vapor sair delas. Estavam curando.

Virei ao Erwin que aparentava chorar, que aparentava estar trêmulo, olhando-me como se eu tivesse a escolha de deixa-lo vivo ou não.

– Meu pai disse que na nossa cidade não havia ortopedistas confiáveis, então nós deveríamos ir pra outra. Após achar um de confiança, marcar uma consulta, nós fomos. – gargalhei mais um pouco. – E um caminhão que transportava madeira esmigalhou o nosso carro! – eu senti as lágrimas rolarem sobre minha face, insanas. – Mesmo com o braço quebrado, o pé estraçalhado e o joelho deslocado, eu me arrastei naqueles cacos de vidros à procura de alguém que estivesse também com vida. – soltei uma risada pelo nariz, ironizada. – Que perca de tempo! Ninguém, não tinha ninguém vivo naquela porcaria! Eu vi carros e carros passarem em meio ao acidente, ignorando-nos. Aliás, eu vi aquele caminhão caindo morro a baixo, espalhando os troncos, eu vi aquela desgraça explodir... Mas ninguém mais viu. Ninguém me ajudou.

Caí no meio daquela bagunça que havia provocado, sentindo os cacos rasgarem minhas pernas, mas minha regeneração agiu tão rápido que não senti dor.

– Eu passei três dias acordado naquela desgraça, esperando alguém me socorrer, até que eu desmaiei. – respirei fundo. – E aquilo foi toda minha culpa. – mordi o lábio, sentindo-o sangrar imediatamente. – Quando eu acordei, estava em coma, já na guarda do meu tio Hannes.

Levei ambas as minhas mãos à minha face, arranhando-a com força, sentindo o vapor subir. Voltei a soluçar, sentia as lágrimas escaparem de meus olhos e escorrerem pras minhas mãos como se fossem cascatas.

Ouvi a porta se abrir, porém não a escutei fechar-se. Passos conhecidos e leves aproximaram-se e logo senti a textura macia e gelada da mão conhecida sobre as minhas, retirando-as dali. Lancei meus orbes ao Levi, sorrindo de canto, mas logo fechei os olhos.

Eu não queria que ele me visse assim.

Senti suas mãos caminharem por minha face, indo vagarosamente à minha nuca, percorrendo os meus ombros, indo às minhas costas. Ele me abraçou, deitou minha cabeça no seu ombro e pude sentir sua respiração quente bater no meu pescoço. Respirei fundo, escondendo-me naquele aperto que fez meu coração acelerar.

Seus braços me pressionaram ainda mais, e senti seu corpo se abaixar, como se tivesse também ajoelhado sobre o chão... Sobre os cacos de vidro.

– L-Levi... Você vai–

– Eu não me importo. – interrompeu com um sussurro. Ouvi sua respiração prolongar-se, como se estivesse aspirando-me. – Eu não me importo... – repetiu.

Mordi o lábio, sentindo as lágrimas voltarem. Ergui meus braços para rodeá-lo no abraço, apertando-o de volta. Passeei as palmas de minhas mãos sobre suas costas, conferindo o quanto estava magrinho... Ouvi um suspiro vindo de si, enquanto acariciava meus cabelos.

Eu sentia falta de um abraço assim, apertado, um verdadeiro... Um que eu nunca quisesse desfazer. Rodeei melhor meus braços entorno de si, trazendo-o ainda mais perto, apertando-o contra mim.

Eu sentia tanta falta do Levi...

– Eu não pude cumprir o que havia dito... – começou em múrmuros. – Eu havia prometido que não iria te abandonar, mas... Mas eu deixei algo assim acontecer... – sua mão agarrou os meus cabelos, apertando-os. – Me desculpe, Eren... Por favor...

– Levi, isso não é... – minha voz falhou, aquele aperto no peito voltou. Por que eu tinha que ser tão fraco?! Será sempre assim...? Eu vou sempre chorar, sempre chorar na frente dele? – Isso não é sua culpa...! – exclamei abafando minha voz com seu ombro.

O homem afastou devagar o rosto de mim, olhando-me aos olhos. Foi ai que notei o quanto o olhar dele parecia... Nublado. Nublado por conta de uma nuvenzinha carregada de tristeza. O semblante dele estava tristonho, preocupado... As sobrancelhas estavam franzidas de leve e os lábios estavam meio pressionados, como um leve biquinho.

Eu realmente estava deixando-o triste...?

Droga... Por quê...?

Eu não quero fazê-lo triste...!

– Eu... Queria ter aguentado Levi... – mordi o lábio, sentindo as maçãs do rosto doerem. Como se minha face quisesse se moldar à minha dor. Abaixei o rosto, tendo minha testa escorada na sua. – Me desculpe Levi... – pedi trêmulo.

Uma de suas mãos veio ao meu queixo, erguendo-o de leve. Seus olhos se encontraram com os meus, e como se fosse um imã, senti meus lábios serem atraídos pelos seus. Até que, depois de... Tanto tempo... Eles finalmente se tocaram.

Relembrei de como era tocar seus lábios, relembrei do quanto continuavam docinhos, com um gosto de... Algum chá. Eles estavam tão macios, tão mais delicados do que eu conseguia me lembrar.

Levi...

Fechamos os olhos juntos, ao mesmo tempo em que seu dedão limpou o resquício de minhas lágrimas nas faces. Aquilo foi como uma lavagem cerebral: Eu havia me esquecido de tudo. Esquecido do que antes havia acontecido, tanto no meu passado quanto nos últimos minutos. Eu me esqueci que estávamos encima de cacos de vidros da sua janela que eu havia quebrado com o corpo de um psiquiatra. Havia me esquecido de meu próprio nome.

Só conseguia me lembrar do Levi.

E era uma coisa tão... Simples. Apenas estávamos ali, sentados, no meio daquele caos, com um leve toque nos lábios. Um leve selinho, na verdade, enquanto nossos corpos insistiam em permanecer abraçados.

Assim que comecei a dar leves sugadas no seu lábio inferior, senti leves suspiros escaparem de si, como se isso informasse que ele também estava... Necessitado. E no feixe que seus lábios abriram, introduzi minha língua, não demorando a encontrar a sua. Porém, após a primeira sugada que me deu, fomos interrompidos pelo som da ambulância, o que nos fez assustar e me lembrar de tudo.

Arfei assombrado, maltratando-me mentalmente por ter feito tal barbaridade. Por que eu tive de fazer isso...?!

Comecei a ouvir alguns passos pelo corredor, cada vez mais próximos. Pareciam ser quatro pessoas. Levi também tinha ouvido.

– Droga... – murmurou levantando-se devagar, aparentemente dificultado por conta dos cacos. Passou os orbes no quarto, vendo Erwin ainda em choque, Hanji levantava-se lentamente. – Vocês deixaram minha sala uma zona...

– E se... For o Mike? – Hanji perguntou ainda tensa, vendo o quanto a própria mão sangrava.

– Eu resolvo isso. – Levi ditou sério, caminhando até a porta, porém um dos caras que vinham agarrou-o com força pelos ombros, assustando-o. – O que pensa que está fazendo?!

– Levi, você fica quieto. – um loiro alto ditou entrando no escritório, assustando-se levemente pela bagunça. – Vocês dois, amarrem bem o pivete. – ditou sério, sem tirar os orbes do diretor, ainda espantado. – Erwin. – aproximou-se dele, levando ambas as mãos à face. – Ei, Erwin!

Voltei o olhar aos outros dois que acabavam de entrar no quarto, também eram altos e aparentemente fortes. Tinham uma camisa de força em mãos. Porém, antes de eu tentar me proteger ao se aproximarem, vi minha visão escurecer aos poucos.

•●๋°●•

A porta foi aberta lentamente e, só pelo barulho feito, Hannes já soube quem seria. Apenas virou a cadeira de rodas, tendo uma visão melhor de seu sobrinho, ali na porta, apenas com a cabeça pra dentro. Suspirou, franzindo o cenho. Sentia pena daquela expressão que mostrava que segurava o choro.

– O que foi, Eren? – o tio perguntou, levantou-se devagar, indo em direção ao rapazinho. – O que aconteceu?

– Posso ficar aqui? – o dono daqueles turquesas doídos perguntou um pouquinho sem graça, porém, olhando o mais velho nos olhos.

– Claro, garoto. – o senhor sorriu gentil, tornando aquelas rugas graciosas mais visíveis. – Mas por que insiste em vir aqui? Nenhuma criança chegou a achar esse lugar divertido.

Eren deu um pequeno sorriso opaco, entrando e fechando vagarosamente a porta, olhando agora ao chão.

– Estou apenas fugindo da chuva, tio Hannes. – respondeu baixinho, surpreendendo o seu parente.

– Eren! – exclamou o mais velho, levantando e se guiando ao mais velho. – O que ele fez com você dessa vez?

As mãos enrugadas ergueram a camisa do pequeno, revendo os velhos e achando os novos hematomas. Os olhos esmeraldinos do rapazinho observaram uma lágrima escorrer do olho do mais velho.

– Por que ele insiste em fazer isso...? – o rapaz encolheu o corpo ao ouvir tal pergunta murmurada, engolindo seco. Não queria deixar o tio da mesma maneira que deixara sua mãe.

– Desculpe, tio Hannes. – sorriu de leve, com um gostinho amargo na boca.

– Não peça desculpas por algo que não é culpado... – pediu trêmulo, envolvendo os braços entorno do corpo menor.

– Desculpe. – repetiu, fechando os olhinhos ao ouvir um suspiro do outro.

•●๋°●•

– Droga, o quê... O que eu fiz...? – a voz do garoto ressoou desesperada, enquanto olhava o próprio punho ensanguentado. A quantidade era exagerada ao ponto de ter gotas para pingar sobre o chão, à medida que tinha o corpo trêmulo. Voltou os orbes cristalizados e lagrimados ao corpo falecido do tio e um grito doloroso escapou da própria garganta ao ver que o peito do homem não se mexia. – Tio Hannes!! – clamou, abaixando-se até ficar por cima do corpo do senhor, pegando-o pela gola da camisa ensanguentada, balançando-o. – Tio Hannes, por favor!!

Soluçou ainda mais ao ver que, mesmo após ter sido surrado até a morte, o tio ainda permanecia aparentemente numa expressão tranquila, com os olhos fechados. Lembrava, antes dele falecer, enquanto olhava-o entre os socos, o fraco sorriso que tinha em sua expressão. Viu também algumas lágrimas despencarem dos olhos, mas que não tinha como não considerar lágrimas de... Alegria.

“Obrigado, Eren... Por favor, seja forte...”

O garoto apenas continuou seu choro escandaloso ao lembrar-se das palavras do tio, apoiando a testa no queixo deslocado e ensanguentado do homem.

– Tio Hannes...!



•●๋°●•

Minha visão voltou finalmente após alguns segundos, reparando agora que aqueles dois caras fortes de antes estavam terminando de prender a camisa de força reforçada em mim. Senti a pressão dos meus braços virados para trás, talvez por perceberem que eu seria ainda uma ameaça se os tivesse para frente. Sentia-os doer.

Voltei o olhar ao Levi que estava brigando com Mike, tendo o cara de antes segurando o íntimo, jogado ao chão, com uma cara dolorosa. Aparentemente havia sido agredido pelo psiquiatra que parecia arrancar os cabelos com raiva. O loiro alto tinha Erwin desmaiado nos braços, ainda que tivesse uma expressão amedrontada por causa do menor.

Hanji abaixou-se na minha frente, aparentemente falando algo para mim. Mas eu não conseguia ouvir nada, nem mesmo ler seus lábios. Eu me sentia meio lerdo e com sono, com a cabeça pesada. Havia me dado algum sedativo?

Assustei com a mão repentina de Hanji vindo à minha direção, mas tranquilizei-me ao receber um carinho seu. Fechei os olhos, aproveitando-o, e mal me dei conta que havia adormecido.

Notas finais
Comentários, brotinhos? Por favor, não deixem essa fanfic flopar... *Chora* Prévia do próximo capítulo: [...] A porta foi aberta com violência, interrompendo o silêncio que antes estava instalado. Todos se viraram para aquela direção, empalidecendo ao ver quem era o sujeito: – I-Ian?! – Hanji gritou assustada, levantando-se, pálida de aflição. – O qu- quê?! Co-como isso é possível?! – Dietrich! – Mike gritou aterrorizado, tremendo, aparentemente não entendendo. – O que foi? – ele perguntou também assustado, olhando atormentado aos outros. – Eu sei que me atrasei hoje, mas– O quê? O Eren também está aqui? – perguntou atropelando a explicação, fitando-me. Automaticamente levantei e saí correndo daquele quarto, empurrando o psiquiatra. Ouvi os passos dos outros me seguindo, aparentemente tendo a mesma ideia que eu. Ao logo do corredor, assim que achei o cômodo que queria, derrubei a porta com um chute certeiro, ofegando de leve pelo esforço. Senti meus nervos travarem ao ver tal cena. “O inferno começa agora” Era o que estava escrito de vermelho nos lençóis, aparentemente sangue. A janela estava aberta, como se aquele Ian tivesse fugido.