Notas iniciais
Lilith-chan, muito obrigada novamente pela linda recomendação!

● ๋° Fora de Controle °๋●

Grisha, pare!! – A mulher gritou, agarrando seus próprios cabelos em desespero, sem saber o que fazer.

E como o esperado, o homem continuou. Continuou a maltratar seu filho. As grandes mãos circulavam o pescoço do menor, enquanto fixava seus polegares à garganta. Deixava-o sem ar e já tinha sua voz impossibilitada de gritar desculpas ao Pai.

– O que foi Eren? Não te ensinei a ser tão fraco! Quando eu te ordenar para bater em mim, não me bata como um franguinha! Quero que me arranque sangue!! – Palavras mais irônicas não poderiam existir.

Eren já tinha falta de seu oxigênio, já estava tonto, sem possibilidade de movimentar. Mas ainda fixava suas lágrimas no lugar. Seu Pai o ensinou a ser forte. A não chorar.

– Grisha!! – Gritou novamente, mais forte dessa vez. – Você vai matá-lo!!

O homem afrouxou as mãos, deixando o garoto cair mole ao chão, lançando seu Típico olhar a mulher. – Carla, me diga meu anjo... Quer que seja você?

O tom de sua voz não era brincadeira. E Carla sabia disso. Recuou um passo, lançando um olhar apavorado ao homem.

– Eren não vai morrer só com isso. Ele é forte, apenas se faz de franguinha. – Lançou um olhar cortante à criança que recuperava seu fôlego. – É o garoto do Pai. E o Pai, não tem horas pra essas gracinhas que arruma! – Não demorou até que seu pé acertasse o rosto do garoto, jogando-o longe. – Não tem hora!! – Gritou sem piedade.

Tudo o que Carla fez foi chorar. Chorar por seu filho. Chorar por seu marido. Chorar por si mesma.

Isso já era o cotidiano.

●๋°●•

Em um pulo levantei da cama, olhando ao meu redor assustado. Sentia meu suor contornar-me enquanto minha boca permanecia seca. Levei a mão até meu pescoço, desesperando-me por me sentir sem fôlego.

Droga...! Por que tenho que sonhar com isso?! Levantei a mão à minha face, sentindo a tonteira específica. Escutei a maçaneta da porta mexer-se, e logo ser destrancada.

– Eren? – Chamou-me. – Desculpe por entrar assim, mas passei por perto e ouvi um barulho estranho. – Comentou Levi trancando novamente a porta, logo que lançou seu olhar a mim, parou seus passos. – Eren? O que houve? – Indagou.

– Ah... Nada... – Murmurei percebendo que minha voz estava rouca e falha. O homem aproximou-se de mim, levando sua mão até minha testa.

– Está um pouco quente... – Levou a mão até meu pescoço, arrepiei pelo toque gélido. – Será que adoeceu? – Indagou sentando-se ao meu lado, na cama.

– Isso é normal, Levi. – Comentei retirando sua mão gelada e pousando esta sobre seu colo. – Faz um tempo que acordo assim.

– Você está suado... Vá tomar um banho. – Apesar de ser um mandato, em sua voz notei um leve tom de preocupação. Acenei positivamente. Assim que levantei e arrumei minhas roupas, percebi que meu joelho já tinha o costumeiro choque. Deve estar frio lá fora. Rumei ao banheiro e assim que tranquei a porta, olhei o espelho. Reparei que meu cabelo estava mais bagunçado que o normal, e na parte da nuca... Estava úmido, assim como minha franja. Ontem, depois... Daquele específico toque... Levi cortou meu cabelo. Não notei muita diferença, mas ele disse que era apenas para alinhar, um cabelo um pouco mais longo cairia bem em mim.

Dei um pequeno sorriso ao brincar com as mechas do meu cabelo, relembrando da visão no reflexo do espelho. Levi estava concentrado com a atividade, não deve ter percebido que eu o olhava, o que agradeço, é claro. Pude perceber que suas mãos deslizavam em uma suavidade incomum, parecia ser acostumado em cortar cabelos. Não é atoa que gerava tal resultado.

●๋°●•

Assim que me vesti, notei que Levi já havia arrumado minha cama, e inclusive, estava deitado nela, em uma posição... Provocativa, talvez? Estava virado ao lado da parede, de costas a mim. Então pude reparar um pouco mais sem ele perceber.

– Levi... – Chamei-o, logo este se virou a mim. – Ontem você disse... Que saiu da França em busca de sua... “Liberdade”. – Lembrei de suas palavras em meio ao banho. – Você era algum tipo... De “Condenado”? – Perguntei um pouco sem graça, percebendo que tinha seus orbes afiados fixos a mim.

Silenciou-se um pouco. Assim que fixei minha visão em si, percebi uma expressão diferente, porém não sei distinguir o que essa dizia. – Não exatamente um “Condenado”. – Explicou. Suas palavras vieram mais baixas que o costume. – Mas não seria errado classificar assim.

– Você fez algo pra ser preso? – Perguntei.

Um leve curvar irônico nasceu em seus lábios. – Fiz. Fiz várias coisas. – Sentou-se sobre a cama, passando as mãos sobre os cabelos, jogando-os para trás. E visualizando a cena, percebi as leves batidas descompassadas do meu coração. – Mesmo assim, Eren, não fui preso. – Apoiou suas mãos sobre a cama, ficando de quatro enquanto engatinhava de uma forma torturante em minha direção. – Parece um gatinho assustado, Eren. Será que amedrontei você...?

– Um gatinho amedrontado? – Indaguei rindo um pouco ironicamente, tentando desviar meu olhar de si. – Mas antes eu não era um Pastor Alemão?

Em breves segundos fez uma expressão levemente assustada, mas logo se pôs a rir divertido enquanto sentava-se à beira da cama. – Tem razão, Eren. Apesar de ser bem bonito, você tem mais cara de cachorro.

Senti uma pressão mais forte sobre meu coração enquanto sentia minhas orelhas esquentarem. Certamente eu estaria com uma cara abobada, não só por causa da linda visão que presenciei agora, como também por suas palavras. Inflei as bochechas enquanto caminhava em rumo à porta.

– Ei, Eren. – Chamou-me. – Para onde vai?

– Estou com fome. – Respondi enquanto destrancava a porta. – Aliás, Levi. Onde conseguiu a chave de meu quarto? – Desviou o olhar. – Levi, responda!

– Digamos que eu tenho uma boa mão para pegar objetos. – Explicou levantando da cama e passando por mim. – Hanji nem percebeu. – Mostrou a chave em sua mão, falando em um tom divertido.

– Tss... – Segurei o riso enquanto o saia de meu quarto também.

– Que tal um Café pela manhã? – Sugeriu.

– Hm... Ok. – Não demorou até que me parasse com um simples gesto e rapidamente me pegasse debaixo do braço. – O que está fazendo?! – Gritei assustado.

– Levando a princesa! – Exclamou se pondo a correr.

– Levi!!

●๋°●•

Envergonhado.

Muito envergonhado.

Psiquiatra maldito!! Esse cara é louco! Doente! Maluco da cabeça! O que dá na telha de pegar uma pessoa sem mais nem menos e sair correndo sem rumo?! Ainda mais quando tem “espectadores” idiotas!! Por falta de sorte, Jean matou aula e viu! Chamou-me de baitola! Filho da mãe...!

– Ereen... – Cantarolou mais uma vez enquanto rodeava o dedo sobre a xícara. – Ereen... – Na verdade... Já perdi as contas de quantas vezes me chamou. – Ei, Ereen...

– O que foi?! – Gritei impaciente. Tudo o que fez foi me olhar sem parar com sua própria brincadeira com a xícara, e rir nasalmente. Mais uma vez.

– Ereen...

Levi!! – Gritei mais uma vez.

Eren!! – Gritou-me.

O quê?! – Indaguei novamente, e como esperado, riu uma nova vez nasalmente.

– Ei, Eren...

Fechei os olhos e respirei fundo. Bem fundo. Muito fundo.

Ainda com os olhos fechados, puxando ar mais uma vez até sentir meus pulmões bem cheios, senti um leve toque em minha testa. Um toque bem delicado, bem macio, quentinho. Um toque já conhecido, já especial. Assim que abri os olhos, corei ao ver que seria um pequeno beijo distribuído de Levi. Sabendo então, fechei novamente os olhos, erguendo minha postura, para aproveitar mais deste pequeno contato.

Quando se afastou de mim, abri lentamente os olhos, visualizando assim, sua face calma, de olhos fechados, com um leve curvar em seus avermelhados lábios. – Sente raiva de mim, Eren? – Perguntou em um tom insinuado a inocente.

Corei ainda mais e inflei as bochechas desviando o olhar. Psicólogo filho duma mãe! Controlador!

Logo, quando se sentou novamente, concentrou-se em olhar-me. – Você é bipolar, só pode. – Comentei brincando com uma mecha em meu cabelo.

– Bipolar? – Perguntou novamente inocentemente. – Por quê?

– Uma hora estressado, outra gentil, depois é medonho, viajado, idiota, bobão...

– Hm... – Semicerrou os olhos. – Isso seria um elogio, Eren?

Sim. – Apressei-me quando ouvi seu tom medonho.

Apenas riu nasalmente uma nova vez, pegando a xícara.

– Faz um tempo que me pergunto isso, Eren... – Levi chamou minha atenção enquanto descansava a xícara ao outro lado da mesa.

– O quê? – Perguntei curioso, sua expressão voltou mais séria que o normal.

– Já que tem em mente esconder o seu problema no joelho de Hanji e creio que, também de outros médicos... Como vai fazer com as aulas de Educação Física? – Perguntou.

– Pensei que juntamente com meus documentos já tivesse o atestado. – Comentei escorando minha cabeça em minha mão. – Me enganei?

– Isso eu não vi. – Esclareceu.

– Qualquer coisa, eu falto e pronto. Se me exigirem fazer as aulas, eu faço. Não é como se eu não conseguisse. – Explico enquanto observava o movimento das folhas da imensa árvore que nos proporcionava uma sombra fresca.

– Mas você não pode forçar Eren. – Revirei os olhos suspirando ao ouvir tal frase.

– Não preciso que fique me dizendo essas coisas! – Exclamei revirando a cabeça sobre a mesa.

– Se eu não dizer, machucará. Estou errado?

– Eu não quero que diga! – Minha postura se tornou rígida.

– Eren, acalme-se. – Cortou-me antes que eu me estressasse.

– Eu consigo praticar esportes sim. – Expliquei me acalmando.

Levi silenciou-se. Com sua cabeça apoiada em suas mãos e seus cotovelos na mesa, parecia ter sua atenção sobreposta totalmente em mim, o que me fez ter uma sensação estranha e desconfortável.

– O que foi? – Perguntei desviando o olhar.

– Sinto se isso não for sua vontade, e acredito que não seja, mas eu não vou deixar você fazer.

– Eu não estou pedindo sua ajuda. – Cerrei os dentes, voltando o olhar até ele.

– Eren. – Chamou-me com uma voz serena. – Você sabe o que é sexo? – Indagou.

– Por que isso de repente? – Perguntei estranhando tal pergunta.

– Você sabe o que é? – Repetiu.

– Hm... – Repensei tentando lembrar-me se eu já ouvi tal palavra. – Eu deveria saber? – Perguntei e logo ouvi um riso nasal de si enquanto levantava-se.

– Acho que não. Mas quando eu tinha menos da metade de sua idade, eu já sabia.

– E o que é? – Perguntei vendo-o pegar sua antiga xícara e dar as costas a mim. – Ei! Me responda!

– Não se preocupe Eren. Se for seu desejo, logo explicarei direitinho a você. – Notei certa malícia em seu tom, o que me causou uma impressão horrível. Uma impressão...

Que se assemelhou ao Pai.

Levi vai me bater...?

●๋°●•

Continuei sentado na mesma mesa, um pouco inquieto. Não sabia o porque de continuar ali, e nem o que estava pensando. Na verdade, talvez eu estivesse apenas com preguiça de sair dali. Suspirei ao perceber que minha perna continuava inquieta, tremendo, e mesmo que eu tentasse pará-la, não conseguia.

Olhava ao horizonte, o sol brilhando, mesmo assim, não permanecia quente. Estava um vento gélido que, vez ou outra, causava-me alguns leves arrepios.

– Eren! – Ouvi uma voz feminina gritar-me ao longe, virei a cabeça para trás e visualizei Hanji se aproximando com um sorriso ao rosto, acenando.

– Olá Hanji... – Voltei meu rosto sobre a mesa preguiçosamente.

– Eren, Eren! Você está muito novo para preguiças, mocinho! – Disse ela em seu específico tom, parada ao meu lado com ambas as mãos na cintura enquanto um pé balançava em um ritmo de “bronca”.

– Ah, Hanji... – Virei a cabeça pra frente, encostando a testa na mesa. – Estou com tédio.

– Hm... Que pena que Levi está ocupado, não é? – Comentou rindo enquanto se sentava no banco enfrente a mim.

Arrepiei-me quando tocou neste nome. “Não se preocupe Eren. Se for seu desejo, logo explicarei direitinho a você.” Desviei o olhar inseguro. – O que quer dizer com isso?

– Ora! Soube que vocês estão andando bastante juntos! – Comentou enquanto aproximava-se de mim apoiando-se na mesa. – Me diga, Eren... Levi conseguiu desabrochar seu coração?

Bocejei.

– O que quer dizer com isso?

– Hm? – Pareceu estranhada. – Nunca ouviu falar nisso? – Indagou voltando ao normal.

– Eu deveria ter ouvido? – Perguntei fechando os olhos.

– Nunca leu um livro ou viu um filme de romance?

Levantei a cabeça lentamente:

– O que tem a ver?

– “Desabrochar coração” seria o mesmo que se apaixonar. – Explicou.

– Ah. – Apoiei a cabeça novamente à mesa.

– O quê?! – Levantou-se rapidamente assustando-me. – Eu me enganei?!

– Com o quê? – Bocejei novamente.

– Espera, Eren. Você está prestando atenção no que eu digo? – Sentou-se novamente enquanto arrumava os óculos.

– Sim, eu acho...

– Você se apaixonou por Levi? – Perguntou.

– Hã?

– Eren, – Pronunciou mais calma agora retirando os óculos e os limpando com sua própria camisa. – você por acaso sabe o que é se apaixonar?

– Eu deveria saber? – Perguntei.

– Se deveria? – Indagou retirando novamente os óculos e deixando-os agora pendurados sobre a gola de sua camisa. – Eren, que tipo de infância teve? – Perguntou perplexa.

Hmm... Que tal... “Traumática”?

– Normal, por que disso?

– Eren, Eren... – Levantou-se e sentou ao meu lado. – Apaixonar, digamos... É quando gostamos muito da pessoa, a ponto de querê-la o tempo todo ao nosso lado. – Seu olhar era lançado ao céu, parecia pensativa. – Sabe o que é casamento, não é?

Arrepiei lembrando-me do meu pai e minha mãe. Casamento é quando gostamos um do outro?

– O-o que tem a ver? – Perguntei.

Hanji olhou-me confusa:

– Eren, é sério. – Seu tom agora era preocupado. – Sua mãe nunca te ensinou nada sobre “amor”? “Casamento”? “Filhos”?

Permaneci em silêncio. O que eu poderia dizer? Minha mãe não tinha tempo pra isso.

– Aliás, Eren. – Ela tocou ao meu ombro sutilmente. – O que houve com sua mãe? Seu pai? Irmã...?

Arregalei os olhos.

Levantei-me às pressas retirando brutamente sua mão de cima de mim. Não tardei a caminhar em passos rápidos e marchados a seja lá onde for. Ouvia Hanji me chamar desesperadamente ao longe.

Não fazia ideia de onde eu estava indo, mas agora eu percebi o poder de alguém acabar com a graça de uma pessoa, transformando toda a preguiça que sentia em decepção.

Ainda marchando rapidamente, parei de ouvir os gritos de Hanji. Já estava longe, e como eu era rápido mesmo “andando”, não a dei chance de correr atrás de mim. Olhava perdidamente o chão, sem saber ao menos onde estava indo, onde eu pararia. E era bem possível de eu já estar perdido pelo Hospício já que este é bem grande.

Esbarrei em algo duro, grande. Provavelmente seria alguém, mas não me preocupei em saber quem, apenas continuei o meu caminho, passando “por cima” desta pessoa.

– Olha pra onde anda!! – Praticamente berrou ao ver que eu continuava com meus passos. Provavelmente esperando um pedido de desculpas, continuou aos gritos: – Ei!! Estou falando com você!!

Continuando a não dar ouvidos, senti sua gigante mão sobre meu ombro, barrando-me de continuar meu possível trajeto. Assim que olhei pra si, descobri que não tinha expressão de brincadeira alguma ali. E retribuindo o mesmo olhar, retirei sua mão do meu ombro, recuando dois passos.

– Vai ficar ai, sem falar nada?! – Notando melhor, o cara não era tão alto, mas parecia bastante forte, musculoso. Era loiro e tinha seus olhos de uma cor parecida.

– O que quer que eu fale?! – Já fechei meu punho, levando este para trás.

– Não vai dizer?! – Fechou também seus punhos, formando-se uma posição de luta. Então esse cara estava me chamando pra apanhar...

Percebendo que eu não diria realmente nada, lançou seu punho em um soco violento pra cima de mim, desviei recuando para trás, mas logo fui empurrado pelo seu pé, o que me fez desequilibrar e recuar passos até voltar minha firmeza nos pés. Sem demoras, voltou outro soco em minha direção, esquivei e passei uma rasteira em si. Ele não tinha concentração de peso em uma base de luta.

Não esperei levantar e logo recuei em um movimento de ponte, e fixando todo meu peso sobre as mãos, lancei minhas pernas em seu rumo, acertando sua barriga. Lancei meu pé para trás, levantando-me enfim, sendo seguido por si.

Levantou enfurecido e logo correu ao meu rumo, empurrando-me bruscamente e não demorando a me levar para cima, logo jogando-me ao chão, como um lutador de boxe. Grunhi pela dor nas costas, mas não foi o suficiente para parar-me ali. Após levantar-me, ginguei em seu rumo, logo lançando meu pé esquerdo em seu rumo, e como planejado, caiu; Parando o pé perto dele, em questão de milésimos, impulsionei o pé destro no chão para chutá-lo com este. Acertei sua nuca, fazendo-o cair.

Notei que retirei sangue de si, mas não demorou até que limpasse e “voasse” ao meu rumo. Sem conseguir fugir, caiu sobre mim e pegou meu braço direito por trás de minhas costas, não demorando a sobrepor força nele. Ao olhar pra frente, percebi que um grupo cheio de pessoas estavam vidrados em nossa luta, o que resultou em um descuido meu, recebendo então, uma dor agonizando pelo braço. Quebrou-se.

Não deixando-o continuar sobre mim, apoiei-me sobre o braço livre e chutei-o com toda força que pude. Este caiu novamente, de cabeça dessa vez.

– Reiner! – Gritou um espectador. Levantei com dificuldade ignorando meu braço recém-quebrado e corri em sua direção, pisaria bem feio naquela cara “humildezinha”. Porém, ergueu uma perna e não tardou a empurrar a minha, acertando o indesejável ponto, fazendo meu joelho deslocar enquanto caia firme ao chão.

Mordi meus lábios para ignorar a imensa dor surgida e fechei os olhos, esquecendo-me do meu adversário. Este aproveitando, chutou-me ao rosto e logo aproximou-se para fazer um Mata-Leão. O que não esperava foi um soco súbito vindo do meu braço quebrado.

– O quê...?! – Gritou atordoado ao chão, tinha acertado próximo de seu queixo.

Minha visão se escureceu e senti um vento extremamente forte bater sobre minha pele, fazendo-me tremer. Em minha visão escura, apareceu-se um quarto extremamente branco, de uma forma que irritasse meus olhos. Uma imagem pintada foi-se aparecendo em meio ao branco, como se estivesse animado. Um marrom, um amarelo-pele, azul, e preto. Nessas cores, surgiu um jovem, vestido de preto, com imensos orbes azuis e um cabelo liso, castanho... Estava abaixado, abraçado aos seus joelhos. Rapidamente percebeu que estava sendo visto e levantou-se. Seu queixo batia pelo vento gélido o causar frio. Seus olhos lagrimados pareciam pedir socorro e... Levantou uma mão, esticando-a.

“Sou eu?”

Uma vela apareceu adiante da imagem jovial, mas logo fez com que a imagem em torno dela desaparecesse. A vela tinha sua chama intocada, ardente, vívida.

Mas logo se apagou.

Uma onda eletrizante percorreu ao meu corpo, causando-me arrepios. Meu corpo esquentou-se absurdamente e me sentia fora de mim mesmo. Uma espécie de vapor saiu de minha boca com dentes semicerrados e não demorei a levantar-me. Meus punhos foram fechados fortemente a ponto de estralarem e meu braço direito já tinha mobilidade.

Dor eu já não sentia mais, nem mesmo incomodo, exceto pelo meu joelho que já tinha voltado ao normal. Grunhi alto e, sem perceber meus atos, corri em direção ao loiro que julguei ser chamado Reiner e o levantei pelo pescoço, mas logo o joguei no chão com força e este gritou.

– Ai meu Deus!! – Ouvi algumas garotas gritarem e logo alguns garotos xingarem. Olhei em direção a eles, mas estes se estremeceram recuando alguns passos.

Olhei novamente Reiner, que estava desacordado; Senti um toque extremamente gelado sobre meu braço, impulsionando este à ele, que logo levou mais um soco de mim. Arfei nervoso, sentindo outra mão da mesma temperatura que a de antes segurar minha perna canhota e fazer sentar-me sobre o loiro. E mais uma vez, atirei um novo soco em direção ao rosto dele, sendo guiado pela mão.

Senti-me desesperado, sem conseguir controlar-me e gritei. Gritei muito alto, um tom agonizante, desesperado, medroso. Estava com medo, sim, e sentia-me sem reações enquanto meu braço era levado para distribuição de socos. Olhava aos lados, mas... Não tinha ninguém que poderia estar fazendo isso comigo.

Gritei mais uma vez e mais outra, sentindo olhares desentendidos dos que assistiam. Mas logo se parou quando senti outras mãos gélidas tocarem-me, tirando-me de cima do loiro ensanguentado. Desta vez, estas mãos continham donos, que estavam extremamente assustados, apavorados. Logo fui preso por uma camisa de força e me ergueram de pé, mas senti minhas pernas bambas.

– Parem com isso! – Gritou uma voz conhecida. – Vocês estão fazendo de jeito errado!

– Afaste-se, Doutor Levi! – Gritou um homem ao meu lado. – Você não viu o que essa aberração fez!

– Não é aberração!! – Gritou novamente.

Comecei a remexer-me pela dor que sentia agora. A camisa de força estava muito apertada.

– Soltem-no!! – Ordenou rígido.

– Está maluco, Doutor Levi?! – Outro homem ao meu lado gritou. – Quer ser atacado por esta coisa?!

– Soltem-no. – Ordenou mais uma vez, sussurrando medonhamente.

Os homens empurraram-me e, sem equilíbrio, cai ao chão, assustado. Mas ao ver a expressão preocupada de Levi, levantei-me rapidamente e corri em sua direção, cambaleando. Não demorou até que seus braços contornassem-me em um abraço caloroso, apoiando seu rosto ao meu peito. Senti sua respiração arfada, assim como a minha.

– Desculpe, Eren... Apareci tarde... – Suas mãos escorregavam pelas minhas costas e, assim que retirou-me da camisa de força, rapidamente o abracei, talvez até tenha o machucado pela devida força usada. Acabei por sujá-lo com o sangue de Reiner.

Uma de suas mãos veio até minha nuca, acariciando esta, fazendo com que meu rosto abaixasse até seu ombro.

– Está tudo bem, Eren... Estou aqui. – Assim que apertou meus cabelos, respirou fundo. – Não vou abandonar você por mais tempo.

Notas finais
Eren lutou bravamente como um bom capoeirista! Mas capoeiristas não dão soco! Mancada Eren... Mancada...!