Notas iniciais
Hey, galera! Desculpe mais uma vez pelo meu atraso perante às respostas dos comentários. Como compensação, fiz o meu melhor nesse capítulo, que está mais light e também bem dark (ui) Hm... Acabei esse em 3 ~ 5 horas! Foi o meu record!! Eu postaria assim que acabasse, mas estou sem net e só consegui postar agora por causa da budega que meu pai comprou. Direto ao capítulo, boa leitura!

Nas Sombras de um Hospício
Falta de Altura

– Eren... – o loiro chamou por mim em um murmúrio prolongado escondendo seus orbes dourados com suas pálpebras. Respirou fundo relaxando os ombros e levou a mão até sua testa, desarrumando os pequenos fios que se encontravam caídos por ali. – O céu é tão intrigante... – sussurrou preguiçoso. – Por que... Ele é azul...? – indagou rolando os olhos de volta a mim.

– É questão de física. – desviei o olhar ao azul bem claro predominante do céu, só atrapalhado pelas imensas e diversas nuvens bem claras e aparentemente fofas. – Quando a luz passa através de um prisma, seu espectro é dividido em sete cores monocromáticas, surgindo o Arco-Íris de cores. A atmosfera faz o mesmo papel do prisma, atuando onde os raios solares coligem com as moléculas de ar, água e poeira, e são responsáveis pela dispersão do comprimento de onda azul da luz. – pelo silêncio que consegui como resposta, voltei o olhar a Reiner, que me olhava espantado. Seus olhos permaneciam arregalados e sua face incrédula. – O que foi?

– Pode explicar em palavras de uma pessoa normal? – pediu sôfrego, arrancando-me uma risada.

– Basicamente, por causa do prisma. – respondi ainda mantendo a dúvida presente em seu rosto, que apenas suspirou pesado voltando o olhar ao céu.

– Credo, você tirou a mágica da pergunta. – respondeu rindo de forma tranquila em companhia a mim. – Então, sabichão, por que o pôr do sol é um alaranjado avermelhado?

Aclarei a garganta tentando conter um riso.

– Por que, curioso, quando o sol está no horizonte, a luz leva um caminho muito maior através da atmosfera para chegar aos nossos olhos do que quando está sobre nossas cabeças. A luz azul nesse caminho dispersa quase integralmente, a atmosfera atua como um filtro e muito pouca luz azul chega até nossos olhos, enquanto que a luz vermelha, apenas transmitida, nos alcança mais facilmente. – respondi mostrando-o um sorriso convincente.

– Wow! – bateu palmas a mim, tratando meu discurso altamente convincente. – Que legal!! Você estudou física?

– Não na escola... Gostava de ler alguns livros do meu pai por curiosidade. – até que tinham alguns bons pontos em relação a ele.

– E por que as nuvens são brancas? – perguntou ainda curioso, num sorriso espontâneo. Até que era legal informar Reiner assim.

– Nas nuvens existem gotículas de tamanhos muito maiores que o comprimento de ondas da luz ocorrendo dispersão generalizada em todo o espectro visível e iguais quantidades de azul, verde e vermelho. Estas se unem fazendo com que a luz branca seja dispersa. – respondi bem rápido, fazendo um “Oh!!” sair de sua boca. Parecia impressionado com Física apesar de não saber muito. Já me contou que tentou fazer aulas por aqui, mas acabou por desistir devido as suas notas. – Ei, Reiner, quer alguns livros emprestados? Somente para tirar algumas curiosidades mesmo.

– Pra que livros? – sorriu gentil, apoiando o rosto sobre a mão. – Tenho você pra me informar. É mais divertido.

– Mais divertido? – arqueei uma sobrancelha estranhando tais palavras: “Tenho você.”. – E porque seria? – indaguei novamente.

– Ver seus cálidos lábios ditando tais palavras incríveis me dá um arrepio gostoso na coluna. – respondeu calmo e gentil. Impressão minha ou... Sua pele na bochecha e no nariz estava mais rosadinha? – Me faz reparar ainda melhor neles.

– Meus lábios são bonitos? – indaguei passando de leve meu indicador e o médio sobre estes.

– São. – respondeu risonho. – Pode lambê-los e mordê-los? – pediu sincero.

– Hm? Pra quê? – arqueei as sobrancelhas.

– É erótico. – respondeu num sorriso, fazendo-me rir. E assim como pediu, fiz. Abri vagarosamente os lábios fazendo um leve biquinho e assim que entreabertos, passei bem lentamente minha língua sobre estes e, chegando ao fim, os mordi com a mesma lentidão, puxando os lábios inferiores para dentro, apenas deixando-os soltarem-se sozinhos, enquanto aproveitei e dei uma piscadela, rindo por fim por uma pequena vergonha. Em todo ato, Reiner me observou surpreso e silenciado, com os olhos bem arregalados e com as bochechas bastante rosadas.
Permaneceu-se em silêncio enquanto continuava a rir envergonhado. Céus! Que vergonha! Será que foi mesmo erótico? Talvez eu pudesse usar... Com o...

– Wow!! N-nossa!! Minha nossa, Eren!! – riu aparentemente bem envergonhado também. – Nossa! Você deveria ser um ator erótico!! Aqueles pornôs!! – exclamou bastante animado.

– A-ator pornô? – me senti envergonhado por ligar as coisas. Já havia ouvido de alguns colegas sobre “erótico” estar ligado a “sexy”, a sexo. Pornô deveria ser filmes referentes a acasalamentos...

– Acho que você com um gay ficaria ótimo. – comentou com o nariz quase rosa rubi.

– Com um gay? – sorri de leve envergonhado. – Sei não... Tudo bem que eu sou um bom ator, mas sexo sem sentimentos não seria uma coisa agradável. – falando assim parece que sou experiente...

– Você já fez sexo, Eren? – indagou Reiner que se aproximou de mim, sentando-se em uma pose que indicava sua curiosidade.

– Não... – estreitei os olhos. – E você?

– Já sim. – respondeu sincero, aproximando a mão de meu queixo. – Seus dentes são lindos também, Eren. – comentou atento à minha boca. – Lindos assim como seus lábios. – assim que me tocou, aproximou o rosto lentamente do meu, lembrando-me um pouco da forma como Levi faz. Ele também faz assim. Quando vai me beijar, permanece olhando meus lábios até que os seus encontre os meus.

Sinto saudade do Levi...

Faz alguns dias que não o vejo, desde que voltamos do Boliche...

Retornando a realidade, me dei conta de que Reiner já estava mais do que próximo a mim, sentindo sua respiração voltar contra minha face, quase roçando seus lábios sobre os meus. Até desviaria antes de me tocar realmente, já que estava indo em um ritmo lento, porém uma voz masculina se fez presente:

Cieux! Une convention de modèles! – significa: “Céus! Uma convenção de modelos!”.

– Hm? – Reiner desviou o rosto para olhar melhor à figura e não demorou a que eu me afastasse de si. – Isso é...?

– Francês. – respondi cortando-o. – Vous avez I’air familier... On se connaît? – “Você me parece familiar... Já nos conhecemos?”. Carregava uma máquina fotográfica aparentemente cara pendurada no pescoço. Estreitei os olhos por ver o quanto aquela pele extremamente branca era comum, assim como os cabelos pretos bem lisos à nuca. Os olhos tinham uma cor ônix bem intensa. Seus traços pareciam ser franceses. Nariz fino e arrebitado, rosto pequeno e fino, pouco oval. Tinha umas olheiras escuras, assim como... Foi ai que tudo se esclareceu. – Vous Raoul? Frère de Levi? – seria: “Você é Raoul? Irmão de Levi?”.

– Levi o quê? – Reiner pareceu totalmente desentendido. Não entendia nada de francês.

– Irmão. – respondi surpreendendo-o.

Oui, je suis Raoul. Vous le feriz... Eren, non? – “Sim, sou Raoul. Você seria... Eren, certo?”. Surpreendi-me. Como ele poderia saber sobre mim? Levi teria falado de mim?! Corei-me com tal resultado.

– Raoul. Deixe disso. – a conhecida voz tornou-se presente, fazendo-me arrepiar. Voltei o olhar para o dono, não deixando de sorrir ao ver aquelas íris dançantes. – Fale alemão, não ensinei tal língua a você atoa.

– Tudo bem. – respondeu sorridente, voltando o braço ao redor do pescoço de Levi. Ficando ambos de lado...

– Caramba!! São idênticos!! – Reiner completou meu pensamento, fazendo-me reparar ainda mais. – A única diferença é a face demoníaca que brotou sobre Levi!! – completou rapidamente.

– Os olhos também são diferentes, Reiner. – complementei. – Além de que... Levi é... – segurei o riso ao ver como era minúsculo ao lado do irmão. Se seu tamanho chegasse à cintura seria bom. Mas, diferente de mim, Reiner começou a rir, ganhando um olhar avassalador por parte do psicólogo.

– Céus!!! – Reiner ainda não se continha. – Quantos anos você tem, Raoul?!

– Vinte nove. – respondeu sorridente e convencido, não deixando de receber uma cotovelada aparentemente muito forte na barriga, que o fez cair e contorcer-se.

Vinte e nove?! – perguntamos eu e Reiner ao mesmo tempo. O loiro já quase chorava, enquanto eu começava a soltar os primeiro sons de risos.

– Calem a boca, seus pirralhos!! – gritou Levi descabelando-se. – Raoul, seu merda!!

Levi tinha xingado!

– Ei, ei, Reiner! Imagina então Désirée, nossa irmã de trinta e dois!! – mesmo sentindo um pouco de dor, ainda jogado no chão, começou a rir também. – Ela é mais uns cinco centímetros maiores que eu!! Tem dois metros e dois!!

Foi nesse memento em que eu e Reiner paramos automaticamente de rir.
Uma mulher... De dois metros e dois centímetros com Raoul de um metro e noventa e sete centímetros, com Levi no meio. E, acima de tudo...

Todos com a mesma face.

Desproporcional!!

Reiner deitou novamente no chão com ambas as mãos sobre a barriga, rindo como uma hiena. Até mesmo eu caí do sustento de minhas mãos, acabando deitado de bruços, rindo loucamente. Raoul até riria com nossa reação, e até mesmo está, mas é atrapalhado pelos chutes de Levi.

– Querem saber mais?! – gritou risonho, Raoul, ignorando Levi que o olhava como um pedaço de merda. – Entre cinco filhos, mesmo sendo o mais velho, Levi é o menor há... – contou nos dedos. – Vinte e um anos!!

Foi quando eu comecei a lagrimar de tanto rir. Levi apenas bufou bem pesado e saiu às pressas dali, xingando o irmão de palavreados que eu mal conhecia. Como puta lazarenta, puta fedida, puta bucetuda.

E, bom, depois de mais alguns minutos tentando parar de rir, tentando recuperar o fôlego e voltando a rir de novo, finalmente nos cansamos sentindo dor na barriga. Com custo, nos levantamos e Raoul veio sentar-se entre mim e Reiner, de forma bem relaxada, bem contrária de Levi. Ao contrário de si, o psicólogo mantinha sempre uma postura impecavelmente ereta.

– Ei, Raoul, me conte mais! – pediu Reiner sorridente. – Vou espalhar essas histórias por ai, acabando com o folego de quem não tem!

– Claro! Vamos ver... – pareceu pensativo, mas logo aclarou a garganta após se lembrar de algo. – Ah, lembrei-me de algo! – avisou e segurou um riso, logo começando: – Quando éramos mais novos, Levi sempre foi o maior. Impressionava a todos o quanto ele cresceu rápido. O problema foi que... Ele parou no um e sessenta aos onze anos. E num instante, todos os outros espicharam, deixando-o para trás. As vizinhas falavam que era por culpa do tanto de peso que ele carregava, e não nego, mesmo sendo criança, ele sempre trabalhou mais do que nossos pais. – sorriu gentil, olhando pro nada. – O problema é que, mesmo carregando tanto peso, seus músculos tinham dificuldade de serem muito aparentes, mesmo sendo incrivelmente forte. Num dia desses, um velho gordo, ex-patrão dele, tinha batido na bunda dele e gritado: “Oh delícia dessa tchutchuca!!”, fazendo com que Levi ficasse tão vermelho, mas tão vermelho, que largasse todas as caixas por ali e corresse pra longe!! E então...

Estreitei os olhos.

Ele tinha sido confundido por... Uma garota?

Tudo bem que eu comecei a rir depois do que o velho falou, mas... Levi tem muita cara de macho, ser confundido com uma garota...?

Mesmo não tendo escutado o resto, vi Reiner rolar novamente de tanto rir enquanto Raoul fazia o mesmo. Forcei a risada também, não querendo ser chato.

– Ei, ei, mas espera ai, Raoul. – chamei-o, tendo sua atenção. – Levi ser confundido por uma... “Tchutchuca”? – Reiner começou a rir de novo, mas logo se silenciou respirando fundo. – Antes o rosto dele não era tão masculino?

– Hm? – coçou o queixo, parecendo surpreso. – Tem razão, Levi sempre teve cara de homem, mesmo sendo bem novo... – coçou a testa. – Aquele velho era tão tarado assim? – riu de leve, enquanto eu estranhava os fatos.


Um velho tarar uma criança, chamando-o de “garota”, mesmo tendo aparência de um garoto...?

Isso está estranho.

– Pode entrar. – a voz se fez presente, dando-me acesso ao escritório. Assim que adentrei o suficiente para podê-lo observar, notei que parecia preocupado, com olheiras bem marcadas à sua face. Não havia notado tanto antes.

– Com licença. – fechei os olhos respirando fundo. Assim que fechei a porta, tranquei a fechadura, assim como instruído antes pelo psicólogo. Assim como eu, não era seu desejo ter uma Hanji intrometendo-se em nossa conversa ou em alguma ação.

Levi ainda estava de folga, mas preferia usar sua sala para resolver alguns assuntos, já que ali se concentrava melhor do que no seu quarto, por ser um cômodo que abafa bastante os sons alheios. Não seria uma consulta, apenas nos encontramos para passarmos um tempo juntos, conversando.

– Como se sente? – indagou ainda atento aos papéis espalhados a sua mesa. Seriam de seus atendimentos? Nunca havia visto ele anotar nada referente a mim.

– Estranho, talvez. – ironizei percebendo que estreitou os olhos assim que teve seus orbes em minha direção. – Mas normal também. E você?

– Filosófico vazio? – ironizou também. – Cansado, mas é como se a vida continuasse.

– Oh, que climão. – tirei sarro sorrindo de canto, assim como ele. – Não é como se você escolhesse parar de crescer, não é?

– O quê? – dessa vez seu rosto virou-se a mim. Tinha as sobrancelhas quase juntas, de tão franzidas.

– Fiquei com vontade de te irritar. – suspirei estirando-me sobre o sofá. – Levi, posso te fazer algumas perguntas?

– Se não for da minha altura... – colocou em uma questão, fazendo-me rir.

– Ah, ai não né. – tirei um sorriso ironizado seu, com uma sobrancelha levantada.

– Prossiga. – pediu voltando a atenção visual às inúmeras folhas espalhadas sobre a mesa, que pareciam ter muitas escritas em cada uma delas.

– Quando chove... – olhei distante à janela, suspirando calmamente, tentando não fazer com que percebesse minha intensão. – Você é o último a saber não é?

– Como assim? – perguntou pegando uma calculadora.

– É que você é tão distante do céu, tão... Baixinho... – dito isso não aguentei, tampei a boca e comecei a rir, ouvindo um barulho de uma madeira de pequeno tamanho ser partida.

Oe, oe!! Qual é a sua?! – indagou monstruoso, com uma face mais aterrorizante. O barulho de antes foi de seu lápis que foi partido. Porém continuei a rir. Se eu soubesse que era engraçado assim, teria feito antes.

– Ei, Levi... – suspirei relaxando sobre o sofá, olhando à parede decorada com algumas plantas em jarros, sobrepostos em prateleiras. Se não me engano, antes não tinha esses pequenos traços de natureza, e sim, livros. – Qual foi a idade mínima que te deram hoje em dia?

– Por que disso agora?! – respondeu irritado, batendo em algumas teclas da calculadora silenciosa, porém fazia o ato tão forte que ficava possível de se ouvir.

– É que você é tão pequenininho... Parece um brotinho de um feijãozinho... – indiquei o tamanho com meus dedos, pensando o quanto era adorável a ideia de um Pequeno Levi assim.

Oe, oe!! Cala a boca, seu pivete!! – soltou uma ofensa que me fez rir. Seu tamanho não era algo muito bom pra se brincar, apesar de ser divertido.

– Acho que “altura” é a palavra que você mais odeia né? Porque você quase não tem nada... – tirei sarro mais uma vez, tendo que sentar-me rapidamente pra não ter um pente vermelho em minha cara, que foi lançado.

Oe, oe!! Cale-se, seu maldito!! – rosnou raivoso dessa vez.

– Já te chamaram de mini projeto de ser humano? Porque você é-

Quer calar a boca?! – rosnou novamente me fazendo rir, mas assim que se levantou arrastando a cadeira, me fez ter calafrios e virar vagarosamente meu rosto em sua direção.

Merda!! Ele parece estressado e está vindo em minha direção!!

– Pra sua informação, pirralho, o que me falta de altura, o meu pênis tem de grande. – comentou divertido, mas fazendo uma cara assustadoramente medonha, me fazendo recuar no sofá. Porém, antes de sair, fui barrado por sua mão, que me empurrou fazendo-me cair de costas no encosto de braço. – Não quer ver meu... Leviconda?

Estreitei os olhos. “Leviconda”? Uma mistura de Levi com... Anaconda...? Aquela cobra extremamente gigante? Mas por que justamente ela...? Opa. Espera.

Levi: Homem.

Anaconda: Cobra.

Junção: Homem Cobra?

Não, não é isso.

Acho que a parte do Levi está certo, então... Anaconda é a cobra.

O que se parece com cobra...?

“O que me falta de altura, o meu pênis tem de grande.”

...

CÉUS. OS PAÍSES BAIXOS.

E foram assim os pensamentos que me levaram a parecer estar com febre, de tanta vergonha. Tampei meu rosto com ambas as mãos, ouvindo uma risada sarcástica de Levi.

– Hoho. Parece que alguém captou a mensagem. – sorriu travesso. – Que tal avançarmos mais uma etapa agora? Quer brincar com meu Leviconda ou eu brinco com o Eren Junior?

Até o mandaria parar de falar aquilo por ser demasiado “envergonhante”, mas me veio à falta de ar assim que pegou minhas pernas, esticando-as e sentando-se sobre minhas coxas. Assim que apoiou ambas as mãos no sofá comigo entre os braços, esticou o pescoço até que sentisse sua respiração sobre minha orelha.

– Vamos de vagar, não é? Assustar um cordeirinho lindo como você é uma ideia deliciosa, mas só de mentalizar que coisas piores poderiam vir contra mim de você é medonho. – soltou uma leve risada nasal por talvez ter notado o quanto me arrepiei. – É brincadeira. Eu vou de vagar pra você saber que... Se for por você...

Sentirei-me realizado de qualquer forma. – fechou os olhos subindo os braços ao meu pescoço e ao mesmo tempo em que me abraçou firme, respirou profundamente. – Só se for você. – deu um pequeno beijinho em minha nuca, fazendo-me fechar os olhos e conter um suspiro. Mas logo agarrei sua face com ambas as minhas mãos, guiando seus lábios até os meus, para apenas roçarem.

– Gosto de sua boca. – comentei olhando para seus lábios macios e claros, que permaneciam entreaberto, respirando sobre os meus.

– Mesmo? – sussurrou. – Eu não gosto... Eles são muito finos, é horrível no frio, até tenho que hidrata-los com cacau labial. – respirou fundo.

– Eles são lindos, Levi. – fechei os olhos pescando um pouquinho de seu gosto, chupando-os bem de levinho. – Além de lindos, eles são realmente delicados. São tão macios que a qualquer momento parecem que vão se rasgar.

– E se acontecesse? – fez uma suposição que me fez arquear uma de minhas sobrancelhas.

– Eu os costuraria com os meus. – respondi com um pequeno sorriso, fazendo-o... Rir. Rir de verdade, rir pela boca mesmo. Um lindo sorriso que infelizmente foi pequeno, mas o suficiente para mostrar seus dentes retinhos, branquinhos e muito bem moldados, sem serrinhas. O que fez aquele hálito docinho que indicava que teria recentemente tomado um café um pouco amargo, mas que não me incomodou, já que sua boca já é bem docinha.

– Mas então andaríamos por ai de bocas grudadas? Não te atrapalharia? – brincou ainda com aquele sorriso. Sorriso perfeito, que me fez suspirar.

– Não mesmo. Seria ótimo. – sorri dando-lhe mais uma leve sugada em seus lábios. – Ótimo mesmo. – capturei seu lábio inferior com meus dentes, de modo que não o machucasse, fazendo-o fechar os olhos e pegar em minhas orelhas, distribuindo um leve carinho enquanto ajeitava-se em meu colo, deixando suas pernas mais confortáveis aos lados de meu corpo. Assim que soltei, encostei nossas testas, suspirando. – Céus, seu sorriso é maravilhoso...

Ainda de olhos fechados, soltou uma leve e aparentemente tímida risada. E depois, mesmo tendo mordido sem tanta força meu lábio superior, ainda não tinha desfeito de seu pequeno sorriso.

– Saiba que ele existe por culpa sua. – comentou sussurrado, bem, bem baixinho, fazendo-me avermelhar-me ainda mais, não tanto quanto o rosado de seu nariz. Me senti quente, muito quentinho. E ainda mais que antes, meu coração batia tão forte que parecia uma bateria, provocando outro riso de Levi. – Banda punk? – indagou calmo, acariciando minha nuca desta vez.

– Talvez um Rock mais Light. – respondi calmamente, levando uma mão até seu pescoço, sentindo seu coração palpitar rápido também, mas nem tanto. – E o seu?

– Um Rock mais Light também, um baixo fazendo companhia com sua bateria. – brincou encostando seu rosto sobre meu pescoço.

Respirei fundo. Sentindo-me envergonhado. Minhas mãos estavam suando muito!! Que vergonha! Desci ambas até sua blusa, talvez ali ele não percebesse.

– Obrigado, Levi... – e, antes de me perguntar o porquê, juntei nossos lábios, movimentando os meus contra os seus. Ajeitando-nos de pouquinho em pouquinho, Levi deitou-me sobre o sofá, mantendo-se entre minhas pernas, fazendo... Leves movimentos... Insinuativos... Contra minha virilha. E para me envergonhar mais, meu quadril seguia seus movimentos, fazendo-os contra a sua.

E, já sentindo aquele incomodo de ambas as partes, Levi soltou-se de meus lábios, posicionando sua boca para chupar com força meu pescoço, com a intuição de roxear bastante. Fiquei ansioso assim que senti sua mão destra descer sobre meu tronco coberto, deslizando os dedos sobre o tecido não tão fino e nem tão grosso de minha blusa. Assim que chegou até o primeiro botão de minha calça de cós alto, desfez de minha blusa de baixo de minha veste, tirando-a para ter mais facilidade.

No momento em que tocou em minha barriga, me arrepiei pelo contato gélido de sua mão fria e, ao mesmo tempo, grunhi abafado pela marcação que fazia sobre meu pescoço, que começava a doer. Desfez do único botão, descendo vagarosamente, como uma tortura, o zíper até o final.

– Para um garoto, até que você tem um quadril largo. – comentou apalpando as beiradas deste, fazendo-me ficar tímido.

– E isso é uma chatice! – comentei. – É desconfortável!

– Olhe pelo lado bom... Além de ser ótimo e fácil para fazer partos, ainda é lindo, bem atraente. Fica ótimo em você... – sorriu de canto, de uma forma gentil.

Revirei os olhos. Humpf, como se eu tivesse um útero pra fazer um parto. Talvez descobrindo o que pensei, riu de leve enquanto subia a mão até meu queixo, alcançando meus lábios. – Assim como esses lábios deliciosamente macios e carnudos. Você tem conjuntos perfeitos, Eren...

Respirei fundo desviando o olhar. Era como um sonho...


Me sentir assim, tão leve...


Tão cálido...


Tão bem.

Assim que mirei meu olhar ao seu, deu um leve riso nasal.

– É mesmo. Como eu poderia deixar de falar... Sobre esse show de íris? Que olho incomum. Um turquesa tão profundo, misturado ao azul, ao verde, ao castanho bem amarelado... – aproximou os lábios de meus olhos e, assim que os fechei, depositou beijos em cada um deles. – Eu quero que você os pinte pra mim. – mandou calmamente. – Eles e você, cada detalhe.

Corei imediatamente e inteiramente com tal pedido, desviando o olhar.

– Não gosto de me pintar. – respondi ríspido.

– Por quê? – afastou-se até tê-lo a me encarar.

– Eu sou feio! Tenho uma cara de sonso que me dá vontade de usar máscaras todos os dias! – respondi de forma imediata, fazendo com que uma carranca crescesse sobre sua face.

– Não ouse dizer isso. Não depois de te idolatrar tanto, seu maldito! – mandou ríspido me fazendo rir de leve. – Não ouse pensar que eu menti em algum momento, seu merda.

– Não era você que não queria que eu pronunciasse palavras de baixo calão? – indaguei ironizado.

– Eu posso. – respondeu beijando minha testa enquanto voltava sua mão ao trabalho anterior, ao meio de minhas pernas, não me referindo aos joelhos. Infiltrou de modo travesso sua mão em minha calça aberta, formando uma concha com esta após cobrir meus testículos, deixando-os em sua palma enquanto cariciava-os de modo... Delicioso...

– Relaxe os ombros, Eren... Curta esse momento, não precisa privar-se tanto assim. – comentou beijando minha bochecha, lembrando-me o quanto estava rígido, com a face endurecida de vergonha. Eu... Nunca havia sido tocado assim. E nem dos outros jeitos. Mas... Nossa.... Que gostoso... – Você gosta de receber carinho aqui, não é?

Apenas respondi um “uhum” enquanto agarrava sua camisa, deixando minha face sobre seu pescoço, distribuindo tímidos beijinhos calmos e leves. A textura não tão dura da sua mão apertando gentilmente minhas... Bolas... Era algo imensamente gostoso. Às vezes apertava e soltava, às vezes circundava seus dedos entre elas, às vezes as apertava e puxava só um pouco, mas movia-as pra cima e pra baixo, pro lado e pro outro.

Deixei um primeiro e pesado suspiro escapar firme de minha garganta, sentindo-me ferver. Joguei minha cabeça pra trás abrindo um pouco a boca enquanto Levi passou sua língua sobre meus lábios salivados. Me sinto muito quente...

– Levi... – sussurrei por si mostrando mais a virilha. – Me sinto... Insuportavelmente quente... – Lambeu mais uma vez meus lábios e afastou-se rápido, deixando um gemido curto e dolorido escapar. Só não me assustou por eu estar incomodado com minha temperatura. Ainda mostrava a língua pra fora, que foi alcançada por seus dedos. Parecia ter um pouco de sangue escorrendo desta.

– Eren. – Levi me chamou sério, franzindo as sobrancelhas enquanto limpava o sangue que escorria de si. – Oe, Eren!! O quê é isso?!

Afastou-se rapidamente de mim enquanto sentia-me suar. Rolei os orbes para si, vendo o quanto estava assustado. Queria chamar por si, mas... Minha garganta já se encontrava seca de mais. Descobri o cômodo inteiro com o olhar, vendo uma espécie de vapor subir. Porém meu olhar travou no espelho. E... Me assustei muito ao ver meus olhos...

Que estavam... Dourados.

Arregalei os olhos enquanto sentei-me sobre o sofá, continuando a olhar a imagem refletida. Mas, de repente, ao canto da sala, avistei uma coisa estranha. Uma coisa meio escuro, preta com marrom, que formou uma silhueta de um homem.

Um homem... Assustador.

Desesperei-me ao reconhecer quem era.

– Grisha!! – gritei o nome daquele desgraçado, que me olhava seriamente e, assim que descolei os olhos daquela criatura reflexada, o espelho quebrou-se, assustando Levi e fazendo-me olhar pra trás, onde aquela coisa deveria estar. Foi só encontrar aquelas íris esverdeadas para perder os sentidos, começando pela a visão.

– Eren!! – gritou-me Levi, segurando-me antes de tocar o chão. Parecia desesperado, mas...

Droga... Eu não quero isso...

Me sinto tão fraco...

Notas finais
Er. Que capítulo difícil de arrumar, tive que separar TODOS os capítulos. Foi um saco que demorou 30 minutos '-' E pensar que ainda tenho que fazer no Social Spirit... *suspira* Agradeço a quem comenta. Prévia do próximo capítulo: Frio, extremamente gélido. Não mentiria se dissesse que via cubinhos de gelo escapar de sua garganta, sendo soprados pela pequena fumaça esbranquiçada, indicando o quanto a temperatura estava caída. Estava naquele lugar de sempre, claro e escuro, cheio e vazio. Mas, mais do que sempre, sentia-se extremamente fraco, adoentado, atordoado. Tinha a visão dupla consigo, porém forçava-se atentar ver melhor. Observou tudo ao seu redor. Dessa vez, todas as velas estavam acesas, nenhuma apagada. As chamas permaneciam quietamente treinadas, imóveis, diferente de seus músculos que se mexiam tentando aquecer-se do frio, para não ser congelado e morrer ali. Correu os olhos à porta totalmente aberta. Tentou levantar-se para fechar aquela porcaria, mas somente xingou mais, por descobrir que mal conseguia sair da posição atual. Estava tão fraco...! Olhou dessa vez para cima, encontrando como daquela outra vez, o espelho quebrado. Seu reflexo estava pausado, no momento em que fuzilava a porta. Franziu as sobrancelhas. Ah, então é assim. Havia “morrido” como na última vez? Havia parado seus pulmões e seu coração? Droga... Estaria preocupando Levi...?