Notas iniciais
Finalmente o extra que Lilith-chan pediu! Mas não é tão "extra" assim. Assim como o capítulo anterior, há algumas coisas BEM importantes jogadas por ai, a respeito de Levi e principalmente de Eren. Quem estiver curioso para saber o passado de Levi... Tenham bastante atenção, desde o primeiro capítulo há frases e mais frases a respeito disso. O problema é que tem algumas que talvez faltam explicações, ou talvez sejam mentiras.

● ๋° Boliche °๋●

Já estávamos no carro rumo à nossa pequena saída do Hospício. Aliás, sobre este, fiquei abismado por ver o tamanho que o local era! Por dentro eu já imaginava que era bem extenso, mas... Não imaginava que fosse tanto!

Erwin quem fundou isso? Tipo... Sozinho? Por acaso o cara era trilhonário?! Cheguei a perguntar ao Levi se foi o diretor quem fundou o local, este apenas deu de ombros dizendo que não sabia, mostrando desinteresse.

Oh, sim... Sobre o psicólogo, me abisma a tranquilidade que se encontra neste dia. Quando entrou no carro, pôs uma jaqueta de pelos artificiais no capuz que mantinha abaixado e uns óculos escuros; Sem contar que só usava a mão direita para dirigir, o braço esquerdo ia apoiado à janela aberta que trazia uma puta de uma friagem para dentro. Eu já permanecia batendo o queixo.

– Ei, garoto, – me chamou com os olhos sobre a estrada, afinal, com tamanha velocidade que conduzia o automóvel, era impossível não deixar de olhar. – está com frio?

Fiz uma cara de “O que você acha?” enquanto passava as mãos pelos braços tentando conter o frio, não sendo o suficiente. Conseguia ver até a fumacinha esbranquiçada só de respirar. Desatou o cinto e, sem me avisar nada, nem mesmo parar o carro, virou-se para trás sem desgrudar a mão do volante, causando-me um extremo frio na barriga, uma sensação de pânico horrível veio à tona, a ponto de fazer careta, sentir uma ânsia intensa de vômito e começar a gritar, afinal, o cara nem estava com o olhar à estrada.

– Levi!! – repreendi-o gritando em total pânico, amedrontado. O psicólogo nem chegou a me olhar, muito menos, a responder. – Ahh!! L-Levi!! – congelei-me inteiramente por medo, agarrando desesperadamente as mãos no cinto, sentindo todos os meus pelos ficarem em pé. Não estava tremendo agora por frio, e sim, por medo. Como dirigia apenas com a destra sem ter a atenção sobre a rodovia, o carro não seguia diretamente em linha reta, o que causava-me pânico. – Ahhh!! P-para, Levi!! – continuei ao meu escândalo totalmente assustado, sentindo as lágrimas inundarem os olhos que se arregalavam a medida de milésimos de segundos.

– Para o carro!! Você vai...!! Você vai...!!! – avistei um carro indo a nossa frente, bem ao nosso rumo, para ser exato. – Inferno!! Para, porra!! Porcaria, Levi!!! – minha cabeça começou a doer enquanto tentava conter meus soluços. – Olha pra frente!! Olha pra frente!!! Levi!! Caralho, Levii!!! Levi!!! Ahh!!! – encolhi mais sobre o sofá ao ver que o outro carro já buzinava, mas logo seu manejo de mão virou-se para a esquerda, desviando do carro em movimento a tempo. – V-v-vira pra f-frente, Levi!! Por favor, Levi, vira pra frente, por favor!! E-e-eu não tô com frio!!

– Ah, achei! – com um pouco de esforço, balançou um pedaço de pano de uma de suas inúmeras malas até que saísse desta, mostrando ser um cobertor com estampa de tigre. Voltou para frente e jogou o cobertor em cima de mim. – Pronto, cubra-se be- Eren? O que foi? – interrompeu sua antiga fala franzindo as sobrancelhas e ainda olhando para mim, e não para a estrada.

Senti minhas lágrimas escaparem dos olhos enquanto meu corpo tremia ainda mais que antes, tinha minhas sobrancelhas franzidas e dentes cerrados; Provavelmente vermelho e inchado. Ainda estava imóvel.

– Eren? – levou a mão esquerda até a minha que segurava o cinto, pela primeira vez, era minha mão que estava mais fria, aliás, estava congelada.

– P-para o carro... Levi... P-por favor...!! – implorei soluçando alto, com a voz trêmula. O psicólogo doido, como poderia chamar, encostou bruscamente o carro no lado de fora da estrada, logo desligando este e puxando o freio de mão, encaminhando suas até meu rosto.

– Eren?! O que foi Eren?! – começou a desesperar-se também, tentando virar meu rosto ao seu, mas logo impedi tal ação sua, saindo às pressas do carro após tirar o cinto. Não me importava se eu estava ao ponto de não sentir meu nariz, minhas orelhas, minhas mãos e até mesmo meus pés, continuei a correr desesperado, ouvindo seus chamados atrás de mim. E já que minhas pernas ainda estavam bambas, acabei por cair não muito longe do carro, fora da rodovia.

Fechei o punho e continuei a chorar, como se isso fosse aliviar o meu peso no peito que somente aumentou. Senti o ar faltar quando tive uma ilusão específica à minha frente e fechei os olhos voltando a gritar. Me sentia ensanguentado, com dor na perna, como se esta estivesse quebrada, joelho deslocado e diversos arranhões e pedaços de vidro pelo corpo. Senti vontade de vomitar, mas antes de fazer tal ato, senti mãos de temperatura morna sobre meu rosto.

Não eram àquelas conhecidas mãos ferventes que aqueceram meu corpo com a dor, eram mãos... Mais confortáveis, que me fizeram abrir os olhos e direcionar minha visão embaçada ao dono, descobrindo um elegante homem de cabelos lisos e negros à minha frente. Tinha pele pálida, olhos escuros...

Lembrava-me Mikasa...

E foi quando eu percebi que as lágrimas não me deixariam em paz tão cedo, mesmo depois de lembrar-me que não ocorreu nenhum acidente dessa vez e que aquele a minha frente era Levi, meu psicólogo. Este tirou um cobertor que se encontrava perdurado ao ombro e jogou às minhas costas, sentando-me delicadamente e cobrindo-me do frio. Por fim, colocou parte do cobertor à minha cabeça, como um capuz e me fitou de modo indescritível, passando de leve a costa de sua mão em minha face, como um leve carinho.

Seu olhar era algo que me trazia tranquilidade, uma sensação quente, muito além da segurança. Tentei ignorar o palpitar escandaloso do meu coração, mas isso era de fato impossível. Tentei ignorar também o formigamento de minha pele onde ele traçou as pequenas carícias, assim como tentei ignorar minhas bochechas e minha orelha que se esquentavam aos poucos. Fora que, além de tudo isso, minha mão estava suando muito, mesmo estando gelada. Minha respiração estava desregulada não só pelo choro, e minha barriga estava embrulhando não pela sensação de enjoo.

Nossas respirações quentes embolavam uma com a outra e meus olhos não conseguiam desgrudar dos seus. Minha boca entreabria-se em alguns pedidos inaudíveis, não concretizados; Mudos.

– Entendi tudo. – sussurrou fazendo que o ar quente viesse diretamente aos meus lábios entreabertos. – Desculpe Eren... Desculpe pela minha imprudência. – desceu a mão, que até então estava me acariciando, até as minhas, colocando-as delicadamente sobre seus ombros. Respirou fundo e pegou firme em minha cintura, fazendo com que nos abraçássemos. – É a primeira e última vez que faço besteira, Eren, me desculpe. – sua voz vinha sussurrada ao meu pescoço, fazendo com que o ar quente saindo de si me estremecesse. Sua voz parecia magoada. – Eu sinto muito por isso.

Voltei a dar pequenos soluços quando o apertei no abraço. De acordo com sua voz, ele havia descoberto meu trauma. Encostei minha testa sobre seu pescoço, sentindo os pelos de sua jaqueta sobre meu rosto, incomodando-me um pouco, mas não o suficiente para afastar-me de si.

– Quando eu era mais novo, Eren, – começou um pequeno relato, acariciando meu cabelo. – aos meus treze anos para ser mais exato; Eu estava sendo perseguido por um grupo de marginais. Meu pai deveu dinheiro a eles e não os pagou, portanto foram atrás de mim. – explicou enquanto encaixava melhor sua bochecha à minha cabeça. – Como percebi que duraria pouco tempo fugindo a pé deles, resolvi roubar um carro, mas o problema era que eu não sabia exatamente dirigir, somente a vista, observando o meu velho. – deu uma pequena pausa, como se estivesse se lembrando de algo. – Foi tudo na hora, dei uma partida no carro e, por sorte, consegui dirigi-lo sem tantos riscos. O problema é que estavam atirando loucamente em minha direção, então fui obrigado a me concentrar a dirigir com a mão direita, atirar em seus pneus com a mão esquerda e abaixar-me ora ou outra de alguns vidros que se despedaçavam.

– Wow...! Tipo... Aquelas cenas de filmes de ação? – levantei o rosto a si, me sentindo interessado. Até mesmo minhas lágrimas haviam parado de cair. Recebi um aceno positivo. – E é por isso que só dirigi com a mão destra?

– Sim, passou a ser meu costume, já que coisas do tipo aconteceram mais vezes. – respondeu com um levíssimo curvar aos lábios enquanto acariciava-me. – Vamos voltar Eren, está ficando cada vez mais frio, não quero que nenhum de nós adoeça. Não vou fazer mais besteira.

Acenei positivo enquanto fazia força para minhas pernas se mexerem, porém estas estavam formigando, não conseguia movê-las com facilidade. No entanto, logo não precisei fazer esforço, quando Levi me levantou sem dificuldades, me levando cuidadosamente ao carro, abrindo a porta deste e me deixando ao manco do passageiro. Aproveitou para me “cobrir” direito, me enrolando como se o cobertor fosse um casulo, mas antes de se levantar, seus olhos pausaram em mim, enquanto sua mão pousou ao meu cabelo.

– Eren... – sussurrou diretamente ao meu rosto, apoiando seu braço livre no banco em que eu me sentava. Sua mão escorregou sobre minha bochecha, parando em meu queixo, levantando-o minimamente em sua direção. Suas pupilas estavam levemente dilatadas e moviam-se pro o lado e pro o outro, como se estivesse alternando qual olho meu olhar diretamente. Seu olhar fixo em mim estava tão profundo que meu coração estava tenso. Até que fechou os olhos, deixando-me louco quando desfez a curta distância que tinha entre nossos lábios.

Era seu específico toque: Gentil e sedento, à sua própria pressa. Seus lábios moviam-se contra os meus de uma forma rápida e viciante, fazendo-me ficar com reação lenta, permanecendo com os meus apenas entreabertos enquanto sua língua umedecia-os aos momentos em que tinha os seus abertos, alternando o movimento de seu rosto, trombando levemente nossos narizes. Sua ambição aumentou, desistindo de ficar parte do corpo fora do carro e subindo ao banco, ajoelhando-se sobre este, ficando com cada perna ao lado do meu corpo. Fechou a porta do carro sem agressividade e continuou com seu ato deleitoso, agarrando com pressão, porém suavemente, meus cabelos à nuca e puxando-os enquanto circundava meu pescoço em um abraço.

Sentia-me quente, e com necessidade de segurar algo, agarrei minha blusa, franzindo as sobrancelhas e tentando seguir seu ato apressado. Desceu sua boca até meu pescoço, sugando minha pele fazendo um leve barulho e logo mordeu. Não demorou a sair de cima de mim e ir ao banco de motorista, ligando o carro e começando a viagem enquanto eu me sentia nervoso e arfava rapidamente. Levi ainda só usava sua mão destra para dirigir, mas desta vez a velocidade estava em ritmo normal e as janelas fechadas.

●๋°●•

Não demorou até que chegássemos a um hotel, reservássemos um quarto, deixássemos as malas ali e rumássemos até o devido local que Levi me chamou: à pista de boliche. Como hoje é quinta, o local não estava cheio, era apenas um casal e uma família com três filhos. O psicólogo alugou um tênis próprio para mim e calçou o que já tinha levado para si. Me explicou as regras e antes de iniciarmos a jogo, propôs uma oferta: “Para tornar isso mais interessante, Eren, que tal apostarmos um favor ao outro?”, logicamente eu aceitei.

Mesmo ansioso, consegui aprender muito fácil o tal jogo e já na primeira jogada até consegui um Striker. Claro que recebi atenção de quem estava presente e até mesmo um elogio do psicólogo que não ficou pra trás, fazendo um Strike também. E assim seguiu nosso jogo, a base de todos os pontos possíveis em cada jogada. Logicamente faríamos poucas jogadas ou ficaríamos até a noite ali.

Provavelmente ficamos por algumas horas, contundo uma hora Levi falhou no Strike, derrubando os pinos e deixando apenas dois. E para sua infelicidade, ambos estavam nos cantos extremos, ou seja, uma jogada falha e a vitória seria minha. Mas não deixou mostrar-se abalado. Respirou fundo depois de pegar a pesada bola, posicionou o pé atrás da linha vermelha e lançou-a em direção de um pino, não demorou que fosse derrubado.

Foi quando comecei a torcer para que errasse. Adorava ganhar em competições e... A ideia de Levi dever-me um favor seria boa. Cruzei os dedos e mostrei-me impaciente, flexionando as pernas. O homem de olhos da cor Baile de Máscaras respirou novamente, posicionou-se melhor sobre a pista e arremessou a bola de boliche nesta, foi guiada na direção certa e, após eu aumentar a força de meu pedido, percebi que não estava tão alinhado assim. Passou de raspão sobre o pino, fazendo-o balançar. Contudo, para minha felicidade, este não foi derrubado.

E claro, eu comemorei. Levantei ambas as mãos para cima e sai pulando e gritando, a família, que ainda permanecia atenta a nós, me aplaudiu, mas o que mais prendeu minha atenção foi toda a elegância de Levi com suas palmas. Coluna ereta, ombros firmes e o braço direito fazendo leves movimentos enquanto suas mãos se encontravam para fazer um leve som; Fora que... Tinha um pequeno sorriso aos lábios com uma sobrancelha arqueada.

– Parabéns, Eren. Você foi ótimo. – elogiou-me de uma forma incrível, mesmo com que sua voz tenha soado sutil. Senti minha cabeça esquentar e apenas desviei o olhar agradecendo. Eu deveria parar de agir assim...

Depois do boliche, já um pouco mais escuro, fomos até um pequeno restaurante, que não era tão longe, comer uma pizza. A todo o momento não consegui desgrudar os olhos de Levi, observando cada detalha novo, tipo sua delicadeza em manusear os talheres, a sutileza de levar o garfo à boca, quando descansava este e a faca ao prato quando não os utilizava, a exata quantidade de comida colocada no prato, até a elegância de manter-se sentado.

Esse homem de cabelos negros parecia ter a mania de aparentar ser algum empresário bem importante, mesmo não usando um terno no momento, apenas uma calça jeans, bota preta e uma camisa branca por baixo de sua jaqueta de couro.

Pergunto-me se ele vem de família rica também, porque quando eu tinha meu pai me puxando a orelha, meu jeito era parecido com o seu.

Suspirei cansado me lembrando do tempo em que meu pai forçava-me a ser perfeito. Era doloroso, mas isso de certa forma faz falta.

– Onde quer ir depois disso, Eren? – Levi iniciou um assunto, tirando meus pensamentos antes que caíssem às minhas surras.

– Hm? – balbuciei voltando os olhos aos seus. – Está um pouco tarde, não é? – indaguei olhando seu relógio ao pulso direito. Nunca tive costume de ficar até a noite fora. – Acho que seria melhor voltarmos ao Hotel, mas se quiser ir a algum lugar...

– Acho melhor voltarmos mesmo. – disse por fim levantando a mão, chamando atenção de algum garçom. Assim que foi atendido, pediu a conta e o servinte não demorou a voltar com ela, e que Levi pagasse e nós saíssemos. Já no carro, sentia-me incomodado com algo.

– Ei Levi. Eu não quero que você fique pagando tudo... – comentei. – Tenho dinheiro em minha conta, só não sei... Onde deixaram meu cartão. – expliquei incomodado.

– Não se preocupe Eren. Você é meu convidado, eu pago. E seu cartão está com Erwin. – franzi meu cenho. Com o diretor?! Eu já deveria estar com a conta zerada! – Não se preocupe, não conheço pessoa mais responsável que ele. O problema seria se estivesse nas mãos de Hanji.

– Mas Levi... Deve saber que não dou certo com ele... Fico meio inseguro com isso. – apertei minhas mãos sobre o colo.

– Então com quem deveria deixar, Eren? É óbvio que não deixaria com você. Ele apenas guarda, você tem autorização para pegá-lo quando quiser e torrar a grana com o que tiver em mente, mas claro, tem que ter algum funcionário consigo. – explicou mantendo o foco no transito.

– Com alguém por perto? Por quê? Por acaso acham que eu compraria uma arma? – ironizei.

– Tipo isso. – confirmou me fazendo ficar surpreso. – Não me leve a mal, Eren, mas uma pessoa que cometeu suicídio não se livra assim tão fácil do peso. – falou em um tom receoso, um pouco rouco, mas logo aclarou a garganta. – Quando não tinha essa restrição, algumas pessoas usaram esse método para “livrar de tudo”.

Até perguntaria “Isso é sério...?” de uma forma receosa, mas não encontro motivos para Levi mentir. E talvez ele até entendesse como se eu fosse fazer algo assim. Bom, seria uma conclusão boa, já que, quando não estou com ele ou Reiner, tenho vontade de partir.

Quando chegamos à hospedagem, Levi tomou um banho primeiro enquanto me joguei ao sofá para repensar sobre meu dia, até que caiu na seguinte questão:

O que pediria ao Levi como o prêmio da vitória no Boliche?

Suspirei enquanto desarrumava meus cabelos. Hm... Eu simplesmente não sei. Ha tantas coisas para pedir, mas ao mesmo tempo não tem. E se eu pedisse um beijo? Logicamente eu jogaria fora, porque de qualquer jeito ele me daria um, acredito eu. E se eu pedisse... Para ele passar mais tempo comigo? Não... Acredito que de qualquer jeito, ele passaria. E se eu pedisse para me deixar matar aulas? Não, de qualquer forma eu mataria. Deixar-me mexer em seus cabelos? Não, ele não tem nada contra isso, deixaria de qualquer forma.

Que complicado! Eu não quero gastar minha chance atoa!

Logo Levi acabou seu banho e deu lugar a mim. Não demorei a pegar roupas e a toalha oferecida pelo serviço de quarto e rumar à minha higienização, a qual eu demorei bastante por causa de meus pensamentos bem, bem longes.

Assim que sai do banheiro deixando minha toalha bem estendida para secar e deixar também minhas roupas já usadas dobradas em uma sacola, dei de cara com Levi na porta, que permanecia escorado e me fitando impacientemente, batendo o pé destro.

– J-já acabei, Levi, pode usar. – referi-me ao banheiro me sentindo sutilmente envergonhado.

– Okay. – simplesmente respondeu indo com seus passos apressados em meu rumo e agarrando minha nuca sem tanta delicadeza, unindo nossos lábios e me surpreendendo. Um “O quê?!” escapou de meus lábios na hora, enquanto Levi passava sua língua sobre a minha. Desceu uma das mãos até minhas costas, unindo-me a si e amassando meu cabelo como um carinho.

Começou a andar para trás, fazendo-me acompanhá-lo com os passos até chagarmos à cama, onde interrompeu o toque e jogou-se, levando-me juntamente a si, logo voltando a me beijar. Estava com fervor, eufórico à sua seriedade com um tanto de audácia. Suas mãos percorriam sobre minhas costas e meus ombros, aquecendo-me aos poucos com tais movimentos.

Quem separou o contato dessa vez foi eu, permanecendo ainda acima de si e frente a frente de seu rosto.

– Você... Não queria usar o banheiro...? – indaguei sem ter o certo do que falar. Algo macio esfregava vez ou outra sobre minha canela, virei o rosto um pouco para trás, vendo que era sua pantufa de tigre.

– Não Eren, na verdade, eu queria usar você. – senti meu rosto corar-se.

– O-o quê..?! – sentei-me lentamente de cima de si, porém quando fui levantar-me, suas mãos me impediram de fazer tal ato, passando a acariciar minhas coxas.

– Fique aqui comigo, Eren... – murmurou lançando um olhar provocativo enquanto permanecia com seus lábios entreabertos. Estes estavam tão vermelhinhos que Levi parecia ter passado batom. Seu nariz também estava, talvez por causa do frio.

Suspirei acenando positivo enquanto dobrou suas pernas para escorar-me sobre elas, achando uma posição mais confortável, de modo que não fizesse tanto peso para si. Ambas suas mãos permaneciam acariciando minhas pernas, enquanto as minhas acariciavam seu quadril.

– Ei, Eren. – chamou-me fazendo lançar-lhe meu olhar a si. – Você disse que para ter filhos precisa fazer acasalamento entre... Um homem e uma mulher, não é? – perguntou-me calmamente enquanto ajeitava sua cabeça sobre o travesseiro. Confirmei com um “Uhum”, então ele continuou: – Lembra de quando falei sobre “Sexo” e você quis a resposta?

– Oh! É mesmo!! Eu tinha me esquecido!! – comentei intrigado. Era raro eu esquecer de algo que estava curioso. – E o que é, Levi?? – apoiei minhas mãos sobre seu tórax, sentando-me novamente. Inconscientemente empinei meu bumbum.

– Ah, – desviou o olhar arqueando uma de suas finas sobrancelhas. – Sexo é a mesma coisa que acasalamento. – fiquei surpreso, deixando escapar um “Oh!” de minha voz. – O que pensou que era?

– Sei lá... – raciocinei franzindo as sobrancelhas. – “Sexo”... Hm... – levei o dedo à boca, mordendo de leve minha unha um pouco cumprida. – Realmente... Não faço ideia.

– Hm... E você sabia, Eren, que... – subiu suas mãos até minha cintura, apertando-as de leve. – Que sexo não é só entre um homem e uma mulher?

– O quê?! – okay. Essa eu realmente não esperava. – Espera, está me dizendo que também pode fazer entre homens ou entre mulheres?! Como?!

– Tem de vários jeitos, Eren. – deu um discreto e curto curvar de lábios.

– Me diz? Eu estou curioso... Homem com homem denomina-se “Gay” não é? E mulher com mulher...

– “Lésbica”. – completou. – Vou te explicar em gestos. – esticou ambas as mãos à minha frente e esticou o dedo indicador e o do meio, logo os unindo de lateral. – O sexo mais comum de lésbicas é esse, “Tesoura”. – senti minha face corar por saber especificamente o que se tratava. – E sexo gay, – em uma mão dobrou o dedo indicador de encontro com o polegar fazendo um pequeno buraco, e com a outra, colocou o dedo médio lá dentro. – é mais variado, mas o mais comum é “De Quatro”.

Franzi as minhas sobrancelhas por desentendimento. Mesmo me esforçando, não conseguia entender.

– Espera, esse eu não entendi. – comentei por fim, recebendo um sorriso torto de si. Puxou-me pra baixo pelos ombros fazendo-me apoiar-me também pelos braços.

– É por aqui, ó. – sua mão destra encaminhou às minhas costas até chegar minhas nádegas, rodeando seus dedos sobre... Meu anus.

Semicerrei os olhos.

– O quê?! – minha voz saiu mais alta. – Como algo entraria por ai?!

– Alargando, Eren. – arqueou a sobrancelha destra. – Tipo isso aqui. – fez o “cuzinho” com o dedo e introduziu, dessa vez, o dedo indicador e o médio, imitando uma tesoura, aumentando o espaço até colocar o anular também. – Entende?

– M-mas... Esse orifício não libera nenhum líquido para facilitar a penetração!! – desesperei-me por imaginar tal dor sentida. Não creio que algo entrando pelo anus seria uma coisa fácil e prazerosa. Arrepiei por causa de um calafrio.

– Já ouviu falar de lubrificante, garoto? – voltou ambas as mãos às minhas nádegas, as apertando, fazendo com que eu ficasse mais incomodado. – É um líquido próprio pra isso, para “deslizar” mais fácil.

Tampei meu rosto com ambas as minhas mãos enquanto apoiava-me pelos cotovelos, fazendo suas mãos terem mais acesso à minha bunda, apertando-a com mais gosto.

– Que vontade de sumir!! Isso é muito vergonhoso!!

– Vontade de sumir porque não sabe tal sensação de prazer. – um leve som de riso saiu por seu nariz. – Que tal eu te mostrar parte dessa sensação tão boa?

Arregalei os olhos.

O-o quê?! L-Levi queria... Acasalar comigo?!

Engoli seco, sentindo-me nervoso, ansioso e desejoso. Porém, logo veio uma questão preocupante:

M-mas Levi!! E se eu engravidar?! – minha voz veio trêmula e assustada, fazendo Levi assustar-se.

– Homens não engravidam, Eren... Eles não têm útero! E nem mulheres podem engravidar outras, elas não têm sêmen. – explicou com as sobrancelhas franzias.

– Eu sei, mas... Então... É só pelo prazer...? – perguntei acanhado. Não acho que algo só pelo prazer seria satisfatório.

– É pelo sentimento também, Eren. – sua voz veio relaxada e fechou os olhos, fazendo um leve beicinho com os lábios entreabertos, como um convite para beijá-lo. Logicamente eu aceitei, os roçando primeiramente, de forma gentil, logo sendo unidos por Levi.

Apenas no movimentar de lábios, o homem abaixo de mim abriu suas pernas, deixando-me sobre elas, movimentou-se um pouco sobre a cama até ajeitar-se e encontrar uma posição confortável para si, sem interromper nosso específico toque. Separei de si por um momento, descendo minha boca até seu pescoço, pondo-me a dar alguns chupões em sua pele, enquanto fazia questão de apertar minhas nádegas.

– Erren... – soou um sotaque francês, não chegando a rasgar meus ouvidos e sim o contrário, fazendo-me arrepiar. – Você já se depilou?

– Oh... Não, na verdade, eu não necessito. – respondi em uma pausa. Dei mais um chupão e logo o indaguei: – Por quê?

– Hm... Pode parrecerr chato, mas não gosto de pelos em excesso. Algo como higienização. – explicou descendo as mãos mais profundamente sobre minhas redondas.

– Então você já se depilou? – perguntei.

– Sim, inteirrinho. – respondeu como se fosse orgulhoso disso. – E até a lazerr. Hmpf. – sim, não seria uma hipótese, Levi estava mesmo orgulhoso.

– Meu pelos são pequenos e clarinhos... – comentei um pouco envergonhado. – Não acho que tem necessidade, né?

– Deixa eu verr. – suas mãos subiram à minha camisa e a retirou, mostrando-o meu torço totalmente desnudo. Por causa do frio, que não estava sentindo tanto assim agora, meus pequeninos pelos estavam eriçados. – Oh, rrealmente. – pegou meu braço e o levantou, olhando fixamente às minhas axilas. Caralho, que vergonha. – São tão clarrinhos, pequenos e bonitinhos que não serria mal lambê-los.

– Não seria mal o quê?! – perguntei perplexo, logo sentindo sua língua percorrer por ali, fazendo-me sentir desconfortável. – P-para!!

– Limpinho também, sem nem prrecisarr de desodorrante. – lambeu novamente, fazendo-me balbuciar nervoso, logo deu um beijo e contornou meu ombro, chegando ao meu pescoço e dando uma forte e marcante de uma chupada ali, fazendo-me arfar e agarrar seu cabelo.

– Por que o sutaque francês agora? – perguntei jogando a cabeça pro lado contrário de onde estava me marcando.

Parce qu'il est mon désir. – respondeu agora com seu idioma natal, com uma voz tão sexy e rouca que me vez arrepiar e me sentir um pouco mais quente. Ah, pelo que eu sei, o básico do básico da língua, seria “porque é meu desejo.”

Esperei por alguns segundos formulando minha frase na língua. Fazia muito, muito tempo que não estudava francês, então eu desacostumei com o pouco que sabia.

Mon désir est maintenant à être embrassé par vous. – seria “Meu desejo de agora é ser beijado por você”, bom... Se eu estiver correto, é claro

– Oh. Parece que sabe o básico. – sorriu soltando os lábios de meu pescoço e dirigindo-os levemente até os meus, somente um selinho. – Cependant il ya quelques erreurs de prononciation.

Fixei por algum momento seus olhos, cemicerrando os meus. Estava tentando lembrar-me do significado de “Cependant”, mas como imaginei ser uma conjunção coordenativa adversativa, chutei ser “Todavia”, ou “Porém”, já que “Mas” é “Mais”. A frase dele seria algo do tipo: “Porém/Todavia há alguns erros na pronúncia”

Long time no pratique... – “Longo tempo que não pratico” foi minha resposta.

Vous êtes très vif. – “Você é bastante esforçado.” seus lábios tinham aquele curvar belo e irresistível, que tanto combinava com sua face.

Merci... – agradeci fechando os olhos e apoiando meu peso sobre si, fazendo-o deitar-se novamente enquanto tomava posse de seus lábios. O psicólgo conseguiu o controle, adentrando minha boca com sua macia língua.

Suas mãos percorreram minha cintura até meu quadril, indo até a parte inferior de minhas pernas e erguendo-me um pouco da cama, passando assim suas pernas debaixo de mim e entreabrindo as minhas, fazendo com que eu ficasse de quatro por cima dele. Aproveitou para acariciar e arranhar de leve as laterais de meu torso. Até que soltou por um momento nossos lábios.

– Hm... Não é assim que quero... – comentou rouco, apoiando as mãos sobre as minhas cinturas. – Deite completamente sobre mim, Eren...

E assim fiz, apoiando um pouco meu peso sobre meus braços, enquanto tinha minhas pernas sobre as suas.

– Isso... – capturou meus lábios e quando mordeu o inferior, começou a mover o quadril pra cima e pra baixo, fazendo com que nos esfregássemos. – Vamos Eren, me ajude... Use apenas os braços, não force seus joelhos, no frio eles ficam doloridos constantemente né...?

Acenei positivo realizando seu mandato. Fazendo pressão sobre meus cotovelos, mexi-me sobre si, indo pra frente e o inverso. E como se antes eu já não estivesse quente, fiquei muito mais agora, sentindo, como certa vez, meus mamilos enrijecerem e uma corrente elétrica caminhar até meu íntimo. Foi quando percebi que este estava inchado.

– L-Levi, – chamei-o dando uma arfada depois. – meu pênis t-tá inchando e um pouco desconfortável...

Um riso nasal saiu de si, quando caminhou as mãos até meu ombro.

– O meu também, Eren. Parece que você aprendeu apenas o básico sobre a relação sexual, não é? O pênis incha quando os testículos produzem o esperma, na verdade, ele fica ereto para fazer uma boa penetração.

– M-mas Levi... Você vai me penetrar?! – minha voz saiu um pouco em pânico.

– Não, Eren. Está cedo pra isso, além disso, não comprei nenhum lubrificante ou camisinha. Não necessariamente o pênis fica inchado para penetrar, somente fica ereto por sentir-se excitado, digo tipo... Um calor, uma onda eletrizante que apodera-se do corpo, como imagino que esteja sentindo agora. Assim como a vagina lubrifica-se quando está excitada.

– A-ah... – fechei os olhos e senti uma pressão de Levi derrubando-me para o lado, logo subindo acima de mim e arrumando minha cabeça confortavelmente acima do travesseiro.

– Pode ficar relaxado, Eren, farei por nós dois. – abriu ambas as minhas pernas e infiltrou-se entre elas, de encontro de nossos íntimos, voltamos a arfar a medida que Levi se movimentava. Ora era pra cima e pra baixo, ora para frente e para trás. Me sentia quente, sem conseguir parar de arfar, minhas pernas, ora ou outra, moviam-se por si próprias em um leve espasmo, e assim, a partir de um tempo, inconscientemente já o ajudava na movimentação, indo na direção contrária que si, fazendo com que os toques se intensificassem.

Assim que Levi fechou os olhos e abaixou-se até mim, de modo que sua boca arfasse diretamente à minha orelha e causasse-me ainda mais excitação, sua velocidade apenas aumentou, fazendo-me fechar também os olhos e abrisse um pouco mais a boca, arfando mais rápido também. Essa sensação eletrizante era uma agonia deliciosamente gostosa emanando de meu pênis ao seu, assim como do seu ao meu. Abri mais a perna e a estiquei fazendo com que minhas nádegas descolassem da cama e agora seu pênis percorresse a área de meu canal também.

Revirei o rosto para o lado, agarrando os lençóis gelados a baixo de mim, enquanto sentia um pequeno rastro de saliva escapulir de minha boca.

Foi quando me corpo começou a tremer e uma onda mais forte de choque invadisse meu corpo, fazendo com que jogasse a cabeça pra trás, apertasse mais os lençóis, e mostrasse ainda mais minha virilha a si, sentindo esta molhar-se completamente. Desabei exausto sobre a cama, arfando pesadamente enquanto percebi que Levi também se cansou, porém ainda se detinha de cair sobre mim. Assim, como eu, seus lábios permaneciam entreabertos buscando a quantidade maior de ar possível. Seus olhos estavam fechados.

Desci meu olhar à sua calça de moletom, reparando que assim como a minha, sua virilha estava molhada. Desci o olhar mais pra baixo, percebendo também que nem notei quando retirou suas pantufas.

Fechei os olhos. Nunca poderia imaginar que seria tão bom e tão cansativo ao mesmo tempo.

Levi pegou meu braço esquerdo, levantou-o cuidadosamente e deixou ao lugar onde este permanecera, deixando-o agora sobre seu tórax.

– L-Levi... – fechei os olhos esticando o pescoço até encontrar seus lábios, que não demoraram a corresponderem-me de modo preguiçoso, assim como eu lhe retribuía.

Assim que separamo-nos, acariciou-me a face com as costas de seus dedos, que permaneciam quentes.

– Você tem boa resistência, Jaeger. – fechei os olhos novamente e sorri. Estava mesmo exausto, como se eu tivesse participado de um dos treinamento do Pai.

Senti um cobertor traçar caminho acima de nós, e logo confirmei que Levi dava ênfase em me cobrir confortavelmente também. E assim que nos cobriu, reconfortou seu rosto ao travesseiro e desligou as luzes. Logo sua mão alcançou a minha, em um singelo aperto de mãos.

– Bunne nuit. – disse por fim, aparentemente fechando os olhos.

– Boa noite também. – e assim, fechei os meus também, sentindo-me feliz por estar ao seu lado; Dormindo consigo; Acasalado consigo; De mãos dadas consigo. Apertei levemente seus dedos, até que lembrei-me de algo.

“Estou aqui a ouvidos, não como um psicólogo, mas sim como um amigo.”;

“É pelo sentimento também, Eren.”.

Droga...!! Mas... Amigos não fazem acasalamentos!

Notas finais
Oh, sim, pessoas falantes de Francês, por acaso está certo? Tipo... Eu só sei palavra ou outra, então o google tradutor me ajudou...