Nas Sombras de um Hospício
13 Afrodisíaco Caseiro
Notas iniciais
Nas Sombras de um Hospício
Afrodisíaco Caseiro
Desde cortes à extração de dentes, unhas e de vários tubinhos de sangue. Foram sete dentes, um de cada tipo, e cinco unhas também. Já os tubos, foram doze. Em exceção das primeiras extrações, Hanji optou por usar anestesia, já que queria testar até quando minha dor cessaria, mas não me torturar. Na primeira extração dentária senti aquela dor agonizante, fiquei abismado pela quantidade de sangue que saiu, mas, pelo que a médica anotou, depois de dois minutos, tudo se regenerou e a dor se sessou. As unhas foi o mesmo processo. E o que pude notar foi que depois das três primeiras extrações, eu acostumei com a dor, mesmo a sentindo, apesar das anestesias.
Em momento algum Hanji deixou de registrar as coisas e um médico, Nile, a ajudou no meio da experiência, tão abismado quanto a outra. Pela voz, assimilei ao médico do início que “apareceu” com ela.
Estava exausto, mal conseguindo permanecer com os olhos abertos e assim que Nile notou, me liberou ignorando os protestos de Hanji. Mandou-me correr enquanto segurava a mulher que o descabelava para deixa-la ir atrás de mim. Quando cheguei ao corredor em que dava ao meu quarto, suspirei bem fundo ao parar de correr. Já mais tranquilo, caminhando pelo corredor, deparei-me com o diretor correndo com algumas caixas aparentemente pesadas em mãos com um ar tenso. Cumprimentou-me eufórico e continuou o seu rumo.
Achei estranho o ar que o rodeou e a postura de superior quebrada, mas me cumprimentar? Isso já é de mais, definitivamente há algo errado. Foi quando uma breve imagem dele correndo do clube de chás apareceu como um flash. O que houve para deixa-lo tenso assim?
Foi só abrir a porta e deparar-me com certa imagem que os pensamentos evaporaram de minha mente. Levi estava na minha cama deitado de costas a mim, aparentemente dormindo em um sono não tão profundo. Ele parecia tão exausto... Não foi atoa que adormeceu na minha cama sem arrumá-la. Talvez estivesse me esperando... Ao chegar a tal conclusão, senti meu peito esquentar. Era incrível o quanto a ideia de tê-lo preocupado comigo me fazia bem.
Evitando fazer barulho, tomei um banho para tirar o recente cheiro de sangue e arrumei a cama com cuidado para não acordá-lo. O ajeitei, retirando o seu blazer, seus sapatos e suas meias. Também retirei sua calça por imaginar que poderia o incomodar me surpreendendo por ver uma legue negra debaixo desta. Era tão friorento assim? Deixei seu relógio acima das vestes dobradas no cômodo e deitei ao seu lado, não evitando aproximar-se de si, encostando minha mão em suas costas.
Notei que seus pelos estavam eriçados já que parecia estar com frio. Senti minhas bochechas salpicarem de leve enquanto me aproximei ainda mais de si. Respirei fundo não resistindo colar meu peito em suas costas. Apoiando meu rosto em um braço enquanto o outro circundava o seu corpo, tentava buscar conforto ao mesmo tempo em que queria esquentá-lo.
Aproximei mais meu nariz de seu cabelo e aspirei fundo aquele cheirinho de shampoo de menta, parecia ser novo. Eu mal sabia que existia desse cheiro, mas... Combinou tão bem consigo... Sentir aqueles lisos fios de cabelos sobre minha pele era tão bom... Inflei meus pulmões novamente daquele cheiro novo e soltei de vagar, enquanto apoiava meu rosto ao seu.
Sentia meu coração louco só de estar perto de si... E era uma sensação tão boa, mesmo a questão de ficar nervoso me atrapalhar para raciocinar. Será que ele também se sente assim perto de mim...? Incomodado e ao mesmo tempo se sente seguro...?
Será que ele gosta de ficar perto de mim tanto quanto eu desejo ficar perto de si...?
•●๋°●•
Algumas sombras estranhas...
Em uma parede branca conseguia visualizar sombra de duas pessoas discutindo. As duas pareciam ser altas de um modo exagerado, em específico uma delas. Ambos pareciam homens e o menor parecia nervoso, gritando e discutindo com o outro.
As sombras começavam a falhar pela má iluminação, mas foi o suficiente para poder identificar algo afiado e cumprido o bastante para julgar ser um facão. O maior parecia aterrorizado pela atitude bruta do companheiro.
Queria agir.
Queria sair dali e correr até aqueles dois e proteger o maior sobre ameaça.
Queria evitar que ocorresse algum “acidente”.
Queria, mas parecia impossível...
Era como se estivesse acorrentado.
E o que mais desejava não acontecer, ocorreu em seguida: Sobre uma aparente crise de estresse, a sombra menor esfaqueou o outro, tendo como consequências uma face que demonstrava agonia em gritos.
Não conseguia ouvir, mas pôde visualizar aquelas gotas voando que poderiam ser chamadas de sangue.
Fechou os olhos tapando os ouvidos. Era agonizante ver aquela cena sem conseguir ouvir. Não que quisesse, mas... A ideia de ignorar, mesmo sendo impossível de agir, para si era um tormento. O peso na consciência estava o atacando...
Tão inútil...
•●๋°●•
Senti um movimento brusco o suficiente para fazer a cama ranger. Pelo susto, acabei por abrir os olhos rapidamente e mesmo estando escuro, conseguia distinguir as coisas em tons vareados escuros. Percorri meu olhar ao quarto, encontrando as estrelas distantes pela janela, naquele céu tão escuro. Bocejei. Ainda estava com sono, mas eu tinha curiosidade suficiente para não voltar a dormir.
Sentei-me logo me lembrando de que havia dormido com Levi, sentindo uma sensação boa no peito, mas quando fui checar se ainda estava dormindo, não consegui encontra-lo. Preocupei-me.
– Levi? – tentei chama-lo, mas não escutei resposta. Ele havia saído...? Eu deveria procura-lo?
Mas antes de fazer qualquer coisa, ouvi algum barulho de dentro do banheiro e, por imaginar que havia possibilidade de ser o psicólogo, me dirigi até ele. Assim que abri a porta, surpreendi-me ao encontrar Levi passando água no próprio pescoço, como se estivesse tenso, muito tenso.
– Aconteceu alguma coisa? – indaguei preocupado. Aparentemente o assustei, mas simplesmente agiu como se não acontecesse.
– Eu te acordei? – perguntou bem baixo.
– Você está bem? – tornei a interrogar. Ao olhar mais atentamente, consegui visualizar algumas gotículas de suor, além de suas tão impregnadas olheiras, fora que sua blusa estava amarrotada até de mais, aberta nos dois primeiros botões. – Teve algum pesadelo...? Parece tão perturbado...
Assim que rolou os olhos em minha direção, semicerrou-os.
– Seus olhos estão dourados e brilhantes... – sussurrou apoiando-se sobre a pia após fechar a torneira.
– Consigo enxergar no escuro com eles assim... – peguei a toalha e dirigi-me até si, não demorando a pendurar o pano sobre seu pescoço, fazendo o trabalho de enxuga-lo por si. – O que aconteceu...? – insisti encarando-o. Desviou o olhar aparentemente incomodado.
– Sonhos ruins. – sua voz falhou um pouco. – Lembranças que não gostaria de lembrar. – comentou rouco, bagunçando a franja que já estava desarrumada.
– Você quer... Falar sobre isso...? – respirei trêmulo, sentindo-me nervoso. Eu queria ajuda-lo, mas tenho plena consciência de que sou horrível nesta questão...
– Obrigado, mas é melhor não. – fechou os olhos abaixando a cabeça a ponto de seus cabelos tamparem seus olhos cansados.
– Estou aqui sempre que precisar. – sussurrei não evitando um leve roçar de lábios em sua testa. Levi respirou fundo.
– Me sinto tão cansado... – murmurou e logo rodeei seu tronco com meus braços, abraçando-o. Suas mãos agarraram minha blusa assim que dei um delicado selo em sua testa.
– Vamos voltar a dormir... Você precisa descansar. – suspirei levando-o até a cama depois de deixar a toalha sobre a pia. Levei-o abaixo de meus braços, mantendo ainda o abraço, não demorando a deitar sem soltá-lo, resultando em uma posição bem próxima de si. Ouvi seu suspiro bem profundo após cobrir-nos. Graças ao clima até geladinho da noite, a posição não nos incomodou, e nem mesmo o meu sangue agitado pelo meu coração acelerado me atormentou.
Fechei os olhos sentindo-o apoiar o rosto sobre o meu travesseiro, ainda mais próximo de mim. Tateei a cama até achar sua mão, segurando-a de uma forma que causasse uma leveza para si. Percorri meus dedos até os seus, apertando e brincando com eles, notando o quanto estavam magros, mas finos que o normal. Pequenas varetas delicadas... Mordi o lábio preocupado. Sua anemia não parecia estar para brincadeiras...
•●๋°●•
“Droga. Droga!!” sua voz estava rouca e trêmula, quase desaparecida. “O-o que foi que... Eu fiz...?” suas mãos tremiam avassaladas enquanto segurava um longo e enferrujado facão. Estava coberto de sangue... Assim como toda aquela cozinha. Mirou todas aquelas paredes pintadas de escarlate. “Não...” murmurou trêmulo. O que havia feito...? Não...!
Rolando os orbes amarelados por todo o cômodo, encontrou um corpo esquartejado. Apesar de toda decoração no cômodo, conseguiu assustar-se.
“O quê...?” um sorriso amarelo que rasgou seu rosto brotou em si. O quê havia feito?! “O-o quê...?” repetiu num sussurro enquanto tentava puxar ar. Queria rir... Mas aquilo não era engraçado.
Por que o corpo do seu namorado estava esfaqueado, ali, no chão de sua cozinha?
Por que um facão estava em suas mãos...?
Será que...
“Não... Não!!” suprimiu todo o ar que conseguira, mesmo assim não conseguiu encher seus pulmões. “Bertholdt...?” tentou acalmar-se pela sensação detestável de vômito que subira de sua garganta. Todo aquele cenário, aquele cheiro forte e nauseante...
Céus... O que havia acontecido...?
“Berth!!” gritou trêmulo engatinhando apressadamente no corpo caído ao chão. “Berth!!” insistiu nos gritos enquanto tocava aquela pele pálida e gelada. Tentou respirar fundo, buscar coragem. Alcançou os olhos abertos, dando-lhe a visão dos orbes escuros e opacos do maior. Escorregou os dedos sujos de sangue até o rosto sujo do rapaz, levando-os até o lábio pouco molhado pelo líquido viscoso. Observou o quanto foram mexidos por si... Sem resposta.
Respirou doloroso, puxando todo o ar que conseguiu, abaixando lentamente a mão até o pescoço, checando o que já sabia: O coração não respondia... Já não respirava. Seu peito doeu, as lágrimas inundaram seus olhos e, sem forças para lutar contra elas, deixou ser vencido. Caíram como pedras, de tão ágeis que foram. Estavam rápidas... Pareciam não acabar.
Assim como a dor que inundara por todo o seu corpo.
Havia o matado... Sem se dar conta de nada.
Como poderia ser tão monstruoso...?
Voltou a mão trêmula até os olhos do rapaz e, após uma fungada dolorosa, tentou fechá-los, descobrindo que já estavam duros de mais para fazer tal ato.
Monstruoso...
•●๋°●•
O aperto no peito foi suficiente para assemelhar a dor como se estivessem literalmente esmagando o meu tórax. Acordei respirando pesado, sentindo os filetes de lágrimas recentes sobre a pele de minha face, assim como no travesseiro. O sonho foi tão intenso que me senti ainda com náuseas, mesmo sabendo que aquele quem vivenciei não era eu. Suspirei dificultado enquanto sentava sobre a cama com cuidado. Minha cabeça estava doendo, me sentia tonto. E ao sentir uma pressão mais forte em meu estômago, corri desesperado ao banheiro, apesar de não ter dado tempo e jogado os resíduos tudo pra fora, ali, no piso do quarto mesmo.
Caí de quatro ofegante, evitando olhar a lambreca que causei, mas do que nada adiantou, pois veio mais um vômito para expelir. E após este, me senti ainda mais enojado ao perceber que havia sujado parte de minha roupa e minhas mãos por completo. Respirei fundo tentando manter-me a calma, a tonteira estava aumentando cada vez mais.
Porém fui assustado com a tranca da minha porta sendo desfeita, longo sendo aberta, dando um loiro a aparecer. Estava com olheiras aparentes e fundas nos olhos. Mas assim que me olhou, tornou-se perplexo.
– Eren?! – era Reiner... Ele parecia preocupado.
Preocupado...
Pensando agora... Levi não estava por aqui...
Minha visão escureceu, perdi a força dos braços, sentia-me cair... Mas, por um momento, no meio do nada, encontrei certos olhos esverdeados, me olhando ironicamente.
•●๋°●•
Meu peito doía com o vazio que eu sentia. Eu queria continuar com os olhos fechados, queria continuar tentando descansar, queria me esquecer de tudo. As memórias que me voltavam em mente faziam com que eu quisesse tentar ficar em paz de novo, apesar de saber que eu não podia.
Ao retornar àquela vívida lembrança de outra pessoa em meu sonho, acabei por me lembrar de coisas também ruins. O modo que os braços de minha mãe estavam pesados, mas caiam com leveza ao chão assim que eu tentava erguê-los para cima. Eles caiam inanimados. Inanimados como ela mesma, assim como aqueles olhos castanhos dourados que tinham perdido seu brilho, impossibilitados de se fecharem.
Meu peito doeu a ponto de me lembrar de qual era a sensação que havia sentido nos dias que rodeavam aquele em especial. E logo me senti mais vazio do que antes, perdendo a vontade recente de chorar.
– Ei, Eren. – a voz de Reiner me fez abrir os olhos, o que me veio uma dor de cabeça aguda. Lancei os orbes a ele, capturando sua preocupação pelo olhar. – O que aconteceu? – indagou perplexo, pegando a minha mão com cuidado.
– Onde estou? – minha voz saiu rouca enquanto olhava o espaço que estava, logo reconhecendo. – Ah. – era o quarto que fiquei em coma antes. – Quanto tempo fiquei aqui?
Lancei os orbes de volta à Reiner, vendo o quanto parecia desgastado.
– Três horas. – respondeu baixo.
– O que houve? – levantei-me devagar até sentar-me, ainda sentindo a mão de Reiner sobre a minha.
– Lembrei-me de algo ruim. – sorriu tristonho.
– Você dormiu bem? – resolvi indagar. – Você me parece exausto.
– Pesadelo de recordação. – silenciei-me assim que abaixou seu olhar. Apenas apertei sua mão, tentando dá-lo conforto. Recentemente todos pareciam ser atacados com sonhos ruins... Abaixei o olhar aos dedos de Reiner que eu insistia em brincar. Entretanto, assim que os tive em visão, não deixei de assustar-me.
Essa mão grande com dedos grossos e unhas pequenas, aparentemente ruídas... Caso acrescentasse sangue...
– R-Reiner... – chamei com a voz vacilada, franzindo o cenho. Acabei por largar sua mão automaticamente.
– O que foi, Eren? – perguntou já se levantando, pondo as mãos depressa em meus ombros. – Você está bem?!
O que eu poderia dizer? “Reiner, acho que sonhei com seu passado. Nele você matou seu namorado.” Espera, Reiner é gay? Não, esse não é o caso. “Reiner, eu sonhei que você matou seu namorado e eu fiquei lá, parado, olhando.”, “Reiner, eu...”.
– Ele já acordou? – Hanji perguntou entrando no quarto. Logo se assustando e aproximando mais depressa. – O que houve, Eren? Está tonto?!
– N-não... – respondi mais contido, tentando resfriar a cabeça, deixando a questão de lado. Eu não poderia simplesmente perguntar algo tão pessoal de jeito tão repentino. Com certeza ele estranharia!
– O que está sentindo? – Hanji perguntou. Comecei a receber um olhar desconfiado de Reiner.
– Uma pequena dor de cabeça, só isso... – comentei olhando pra baixo. – Aliás, Reiner... Por que você foi me chamar hoje de manhã?
– Hanji queria fazer algumas observações em você e pediu-me pra te chamar. – respondeu.
Olhei pra morena, vendo o como ela parecia eufórica, com um sorriso enorme. Apenas suspirei. Fazer o quê? Eu concordei, afinal.
– Vamos lá. – e não foi preciso dizer duas vezes, a morena já foi me puxando e, com pressa, calcei meu chinelo, logo me lembrando de que ainda estava de pijamas. Assim que me olhei para ver se ainda estava sujo, descobri que havia me trocado. Suspirei aliviado. Despedi brevemente de Reiner, logo me concentrando no caminho que Hanji traçava. Ouvi o loiro me chamar brevemente, mas a mulher não deu chances para eu escutá-lo.
– Ei, Eren. – ela iniciou o diálogo. – É verdade que Levi dormiu com você esta madrugada?
– S-sim. – gaguejei respondendo baixo, logo sentindo a euforia dela crescer.
– Céus!! Posso fazer um exame de próstata em você?! – ela soltou bem alto, e vi de longe uma garota loira olhar-nos como se fossemos míseras merdas.
– Hanji, por favor! – supliquei envergonhado. Eu não queria os dedos de Hanji lá.
– Espera ai, então você sabe o que é exame de próstata? Como não soube o que era sexo? – perguntou olhando pra mim, mas continuando a guiar-me.
– O que vocês conhecem como “sexo”, eu apenas sabia como “acasalamento”. – disse constrangido. – E eu sei onde é a próstata, como se faz o exame e o porquê dele. Meu pai era médico, e eu até que “manjo” de biologia. – falei como se fosse obvio, revirando os olhos.
Ela parou por um momento, logo após de mencionar que meu pai era médico. Senti uma coisa estranha vindo dela enquanto virou o rosto pra frente, mordendo os lábios. O que havia de errado?
– Hanji? – chamei-a.
– Venha. – tornou a puxar-me, apressando os passos. Parecia de repente séria. Franzi o cenho. Que povo esquisito, assim como Levi, ela também tinha uns humores bem variáveis.
E assim que chegamos ao laboratório de antes, Hanji começou a comentar sobre o sangue que havia retirado de mim. Que ele era estranhamente modificado, o que impossibilitava a leitura exata com a máquina que eles tinham. Era provável que, relacionado a isso, não houvesse máquina que fizesse o exame exato, mas que não perderia nada se exportasse, mandando para médicos laboratoriais mais famosos. Dei de ombros, não me importando.
Hanji seguiu a conversa em diante, logo chegando ao assunto de drogas, perguntando se em mim alguma teria efeito. Sinceramente, eu não gostei da ideia. Nem um pouco. A última coisa que eu queria era me drogar.
– Não fique tão tenso assim, Eren! Não tenho em mente te dar alguma maconha ou crack... Apenas um afrodisíaco, pra ver como você se sairia. Aliás, comidas normais também podem usar como afrodisíaco!! – acabou se empolgando no resultado. – Ai, Eren!! Hoje nós vamos ver se um afrodisíaco caseiro dará algum tipo de resultado!
– Ugh, Hanji...
– Você sabe o que é afrodisíaco, né? – acenei positivamente. – Ótimo!! Direto à cozinha, Eren! – já tornou a me puxar, cheia de euforia.
– Hanji, eu posso me trocar antes?! – perguntei alto e rápido, fazendo com que ela ouvisse.
– Ah, claro! Tinha me esquecido que estava de pijama! – comentou sorridente, logo me puxando pro outro lado, guiando-me até o meu quarto, como se eu não soubesse chegar nele. Ao longo trajeto, onde se incluía belos cenários, caminhos, elevadores e mais caminhos, fui pensando em Levi.
– Ei, onde o Levi está? – resolvi perguntar olhando o jaleco de Hanji balançar.
– Eu sinto muito, meu caro paciente. Levi hoje será só liberado às onze! – disse animada.
– Tão tarde assim? – arqueei a sobrancelha. – Por quê?
– Tem uma ala mais afastada daqui que é pra pacientes doentes mentais. Os que não têm quase nenhuma porcentagem de melhora. – dessa vez a voz dela veio carregada de pesar. – Na verdade, poderia considerar que eles estão aqui só para não serem sacrificados, como se por aqui evitasse de cometerem algum incidente. Alguns deles recebem visitas dos parentes e amigos. – deu uma pequena pausa. – Levi vai lá pelo menos duas ou três vezes por mês para checar se os medicamentos estão indo bem.
– Hanji, mas é seguro que Levi trabalhe tanto assim nas condições que ele está? – indaguei já destrancando a porta do meu quarto com a chave que Hanji tinha.
– Eu não acho certo, mesmo que ele diga que está bem para os outros. Mas vejo certeza no que diz, afinal, o Erwin já deu férias pra ele quando ele... “Desequilibrou-se” mentalmente por um momento. – comentou entrando no quarto comigo, logo fechou a porta.
– Mas saúde dele não está boa! – insisti.
– Eren, eu também disse a mesma coisa. Não adianta eu falar isso pra ele. – suspirou cansada enquanto eu abria o guarda-roupa, contrariado. – Por que você não tenta?
– O que faz você pensar que ele seguiria o que eu dissesse? – perguntei.
– Ora. O cara gosta de você, se você pedir de jeitinho, quem sabe... O que foi? – interrogou estranhando-me, com uma sobrancelha arqueada. Foi ai que percebi que a olhava com uma careta, como se minha expressão dissesse por si própria que eu realmente não estava entendendo.
– Hanji, de quem está falando? – perguntei.
– Ora, do psicólogo! – respondeu.
– Mas é do Levi que estamos falando. – sorri forçado, tentando aparentar diversão.
– Exatamente. – coçou a cabeça.
– Ahn... Vou trocar de roupa agora. – resolvi ignorar.
– Okay. – deitou-se sobre a cama, ainda me olhando. – Ah, não se acanhe, tá querido? Foi eu quem trocou sua roupinha quando esteve inconsciente.
Permaneci silenciado pensando se eu fui abusado enquanto não conseguia reagir. Bom, eu espero que não. Resolvi trocar de roupa ali mesmo, não tenho vergonha do meu corpo, apesar de não gostar que os outros me vejam nu por ai. Apenas coloquei uma calça jeans clara e surrada com uma blusa de frio listrada de roxo e branco. Calcei um tênis qualquer.
Minutos depois Hanji já estava me puxando para irmos até a cozinha para me preparar o tal afrodisíaco. Deixou-me sentado sobre uma cadeira enquanto procurava o que teria que usar.
– Me pergunto quantas doses vão precisar para ter algum efeito... – coçou o queixo, pensativa, colocando a água pra ferver, logo jogando algumas cascas no recipiente posto ao fogo. – Sei que o recomendado seriam três no máximo... Mas desconfio que o resultado de um humano normal pra você se modifique...
Ah, agora ela está me chamando de anormal... Semicerrei os olhos, coçando minha cabeça.
– Você parece estar fazendo algum chá. – comentei.
– E na verdade, estou. Chá de marapuama, para ser exata. Não foi tão difícil de consegui-la, mesmo sendo planta típica da região amazônica. Desde muitos anos é usada como estimulante sexual. – deu uma piscada pra mim, fazendo-me corar. – A bebida aumenta o fluxo sanguíneo das áreas pélvicas, auxiliando na ereção masculina e no orgasmo feminino.
– Você quer me deixar com “pipiu duro”, é isso? – perguntei franzindo o cenho.
Ela acabou por rir, adicionando mais algumas cascas à água.
– Podemos dizer que sim. – respondeu divertida. – Mas é pela ciência! E pela minha curiosidade. – murmurou rápido a última parte. – Ah, diga-me, Eren... – virou-se pra mim, mostrando-me um sorriso... Insano. – Você já... – fez um “o” com os dedos, movendo pra cima e pra baixo. Estranhei, olhando aquilo com leves suspeitas por causa de sua face.
– O que é isso? – perguntei.
– Masturbou-se, Eren! – repreendeu. – Céus, como o Levi suporta? Você é muito “puro”! – ainda tinha minhas sobrancelhas franzidas, esperando ela explicar. – Tocar-se, Eren! Acariciar o seu íntimo, liberar o esperma!
– Hanji, pra que eu faria isso?! – senti minhas orelhas salpicarem por ter entendido.
– Você já deve ter acordado com a cama molhada depois de seus onze anos, não é?
Permaneci em silêncio tentando lembrar. Tiveram algumas vezes... A minha primeira, depois dos onze, vez foi quando eu tinha treze anos. Acordei meio quente, arfando. Foi só me mover um pouco e senti uma coisa molhada, me desesperei e fui logo trocar os lençóis e tomar um banho, antes que meu tio Hannes chegasse e visse. Outra vez foi antes de vir pra cá. Mesmo eu estando chorando, a cama estava molhada e novamente troquei tudo...
– Então eu não havia urinado? – perguntei surpreso, mesmo não me sentindo tão animado quanto antes. Não gostava de me lembrar do Hannes...
– Você sentiu o cheirinho? – perguntou sussurrado. Após contatar minha expressão, continuou: – Certamente era diferente, não é?
– Realmente... Eu havia cheirado pra ver se era mesmo urina... Mas não tinha aquele cheiro forte, meio salgado. Era um cheiro estranho.
Hanji piscou pra mim, animada.
– Parece que temos alguém que teve alguns sonhos... Perversos. – riu escandalosamente. – Você deve ter ouvido de Jean ou de Reiner sobre masturbação, não? Eles adoram falar disso!
Então eu parei pra pensar, revendo essa palavra na minha mente. Acho que eu tinha ouvido isso do Jean, não tenho certeza do Reiner. Foi no meio da sala, ele estava falando pro Armin, deixando-o vermelho...
– Sua carinha diz tudo. – começou a morena, desligando o forno e pegando outro recipiente e um coador, despejando o líquido neste. – Você teve uma noção melhor, mas não sabe como fazer, não é? – desviei o olhar, meio constrangido. – Não fica assim, querido! – ela riu.
– Eu não costumo falar esse tipo de coisa, Hanji! – protegi-me, desesperado.
– Por enquanto! Levi é uma má influência, então cuidado! – riu novamente, passando o líquido escuro meio opaco coado para uma xícara. – Aqui, querido. Está muito quente, então esfrie um pouco.
Peguei a xícara em mãos, soprando o líquido e rodando o recipiente devagar. Logo bebi rápido, não querendo queimar a língua. Minha garganta ardeu.
– Quer que eu te explique como se tocar? – deu outro sorriso insano, fazendo-me corar e ficar em silêncio. Eu não queria responder aquilo! – É só você ter seu membro em mãos, imaginar algo bem erótico e acaricia-lo, movendo a mão pra cima e pra baixo sobre o falo, diferindo toques na glande e apalpando os testículos. Outra carícia, se preferir, seria nos mamilos, apertando-os e beliscando-os. Mas não são todos os homens que gostam... Aliás, Eren!! – chamou-me quase num grito, continuando sua velocidade em falar as palavras. – Quer que eu aumente os remédios do Levi? Você poderia se masturbar visualizando-o, cheirando-o...
Fiquei ainda mais constrangido, desviando o olhar na hora.
– N-não acho... Isso certo... – gaguejei.
– Mas você quer, não quer? – perguntou insana.
– H-Hanji! Isso seria abuso...! – murmurei repreendendo-a. Droga... Devo estar roxo.
Ela pareceu pensar um pouco, desviando o olhar. Deu uma “acalmada”.
– Que tal eu pegar uma roupa dele pra você apenas sentir o cheiro dele?
Corei, desviando o olhar, apenas acenando positivamente. Hanji deu um sorriso.
•●๋°●•
Era quase meia noite quando Hanji me deu a oitava xícara de marapuama, anotando tudo em seu pequeno caderno, fazendo-me algumas perguntas referente ao que eu sentia. Estávamos em meu quarto.
Me sentia quente, tanto que apenas me encontrava com uma bermuda que tive que pôr para não ficar apenas de peça íntima na frente da mulher. Transpirava, assim como eu estava muito vermelho nos ombros, pescoço e rosto. Minha bermuda parecia querer estourar de tão apertada, assim como meu interior. Meu íntimo queimava, latejava... Como se quisesse pedir por algo. Estava muito quente, tanto que Hanji me dava alguns copos d’água para me refrescar.
– Quer tirar a bermuda, Eren? – perguntou. – Parece bem desconfortável ai.
– Não quero ser tão rude, Hanji... – falei rouco e manhoso, como apenas conseguia no momento.
– Não seria rude de maneira alguma, querido. Afinal, você está assim por causa de uma experiência, certo?
Então eu não aguentei, apenas me levantei rápido, abrindo a bermuda e tacando-a ao chão, permitindo-me respirar fundo, logo jogando-me à cama, deitando-me.
– Ahh, Hanji... – suspirei virando-me na cama, de costas pra cima e dobrando uma perna enquanto mordia o lençol. – E-está insuportável... – mirei meu olhar a si, vendo o quanto parecia concentrada com seus olhos afiados a mim.
– Quer mais um copo d’água... Querido? – perguntou ajeitando-se no estofado em que sentava. Hanji parecia vermelha também...
– N-não vai adiantar... – virei totalmente o corpo sobre a cama, de modo que me deitasse de bruços. Acabei movendo o meu quadril contra o coxão, sentindo meu membro ser agradado pelo toque. – A-ahh... – deixei escapar um gemido baixinho contra os lençóis, acabando por mover meu quadril novamente, de movo involuntário.
Hanji deixou escapar uma risada perversa.
– Com licença, Eren. – novamente riu, jogando um pano sobre minha cabeça. – Aproveite bem. – então ela saiu do quarto, trancando a porta.
Agarrei o pano, logo vendo que era uma camisa fina e verde. Assim que a levei para perto de meu nariz, senti aquele cheiro delicioso do psicólogo... Sentindo meu membro saltar rapidamente da cueca.
E-eu não devia estar fazendo isso...
Levei a mão destra até meu membro, envolvendo-o com cuidado, apertando-o. Uma imagem de Levi deitado sobre minha cama de costas apareceu sobre minha mente. Soltei um gemido involuntário. Comecei a mover minha mão assim como Hanji havia falado, suspirando logo em seguida. Estava seco, mas ainda sentia a pele do meu íntimo mover-se conforme os meus comandos, pra cima e pra baixo. E a partir de certo momento, sentindo meu corpo suar ainda mais, retirei a cueca às pressas, tornando à carícia. Estava começando a senti-lo queimar com mais precisão, assim como a ponta dos meus pés e minhas orelhas. Logo esquecendo que antes eu achei isso errado.
Não sei se era por conta do suor ou pelo pré-gozo, mas minha mão já escorregava mais facilmente pelo cumprimento do falo, aumentando cada vez mais a velocidade do ato. Fechei os olhos, deitando o rosto contra o travesseiro. Os suspiros escapavam de forma rápida, e mesmo se eu evitasse, eu suspiraria tão pesado quanto. Meu quadril já se movia sem autorização contra minha mão, que escorregava de uma maneira tão fácil que estava ainda mais veloz.
Virei de costas para baixo, fixando meus pés um no outro, deixando o peso de minhas pernas dobradas sobre eles. Martelei o ar, contra minha mão. A visão de Levi modificou, agora estava apenas de roupão, sentado e de costas a mim. A parte do ombro direito estava caída, dano visão de sua pele pálida e lisa.
– Uhgn... – suspirei fundo, sentindo o meu corpo tremer involuntário, enquanto minha mão passou a acariciar pequena parte do falo, aumentando ainda mais a velocidade. Apertei os olhos, sentindo-os lagrimar enquanto levantei o quadril pra cima, virando o rosto ao lado. Não demorou a um líquido escapar de meu membro, jorrando-o para longe, fazendo-me urrar ao mesmo tempo.
Caí de repente sobre a cama, esparramando-me sobre esta enquanto sentia minha barriga subir e descer por conta da respiração descontrolada. Estava ofegante e cansado. Levantei minha mão o suficiente para observá-la, vendo um líquido viscoso e esbranquiçado escorrendo. Aproximei-a de meu nariz, cheirando-a por mera curiosidade. Não era cheiroso, mas também não era fedido. Tinha um cheiro estranho. Deitei-a de volta, respirando fundo, tranquilizando a minha respiração, porém, quando abaixei meu olhar, descobri que minha ereção ainda não havia sumido.
– Droga...
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