Nas Sombras de um Hospício

1 Psicólogo... Psiquiatra?




● ๋° Psicólogo... Psiquiatra? °๋●



Meu nome é Eren. Moro sozinho em um apartamento, onde só eu vivo. Muitos diriam que essa vida seria de fato solitária e até posso concordar. Mas eu acho uma coisa fútil estar em companhia das pessoas, pelo menos, ultimamente. Meio estranho pra se dizer, porém a única coisa que possui minha confiança seriam minhas pinturas e confirmo que sentirei falta delas. Contudo, como sempre, elas irão me entender, após uma última utilização.

Porque hoje acabei por ter mais um de meus surtos, acabando por me esfaquear. E no momento enquanto estava deitado ao sofá, observei os móveis girarem em um tango desfocado e embaraçoso, enquanto aos poucos meu coração desacelerava, deixando meu corpo cada vez mais gelado que a cada vez mais abaixava a própria temperatura durante o escorrimento do líquido viscoso da cor escarlate que descia de uma forma torturantemente lenta de meu corpo, sujando cada vez mais o sofá da cor clara até finalmente chegar ao chão, juntando-se ao restante do líquido que ali se espalhando cada vez mais permanecia.

A qualquer segundo estaria morto em companhia da brisa gélida que adentrava o local pelas grandes janelas abertas levando as longas e finas cortinas brancas ao ritmo dançante do vento. E em relação a isto, com total honestidade, simplesmente me sinto calmo, como se eu realmente nascesse à espera de um suicídio, totalmente pronto. E somente tenho uma coisa a dizer referente a isso:

Eu não me arrependo de nada.

A escrita das mesmas palavras em um papel jogado ao chão era visualizada por mim e a frase era cada vez mais suja pelo sangue que se espalhava ao chão. Minha visão tornava-se ainda mais embaraçosa, cada vez trêmula, mais ilegível, mais escura, até que chegou o momento que eu não vi mais nada.

Nada além da escuridão tão assombrosa que desde muito a tempo já era presente à minha consciência, à minha tão fútil vida.

Sim... Eu finalmente estava morrendo.

Finalmente...

Morrendo...

●๋°●•

Um rapaz dos cabelos castanhos do comprimento de um tanto ao rumo do ombro permanecia-se sentado ao meio do nada. Um nada tão branco, tão sem vida que parecia desesperante. Era de certa forma um lugar morto ou até mesmo mortífero.

O jovem se encontrava sentado abraçando ambas as pernas, com a cabeça entre as mesmas. Em torno deste havia algumas estranhas velas acesas que tinham o fogo balançado, mas não importa o quanto, misteriosamente não se apagavam.

O silêncio daquele local era absoluto, e se fosse algo para produzir algum efeito sonoro, seriam apenas os dentes daquele moreno que não paravam de tremer, talvez por causa da porta aberta que deixava aquele vento gélido adentrar como se fosse seu trabalho.

Mas que estranho... O vento adentrava de forma forte o suficiente para levar aquelas velas pra longe. Todavia, nem mesmo o fogo se apagava.


Alguma resposta referente a isso...?


•●๋°●•

Diante toda àquela escuridão, o meu corpo, que eu já não sentia mais, voltou a doer de um modo brusco, especificamente nos lugares que foram cortados. Enquanto meus olhos que permaneciam tão pesados, ardiam, assim como se recusam a abrir. Minha cabeça pesada latejava.

“Onde raios estou?”.

Ah, sim, era de se esperar. Estou incapacitado de movimentar meus próprios lábios; Perguntando, enfim, a mim mesmo. E diante aquele silêncio, tão confortável, tão esperado, tão procurado, onde eu finalmente havia chegado, pude ser interrompido amarguradamente com algumas vozes desconhecidas e indesejáveis.

– Então, qual são as notícias dessa vez? – uma voz ecoou pela minha cabeça, era tão fina quanto de uma mulher, mas não tão fina assim.

– Está melhorando, mas ainda um pouco de vagar. Creio eu que estará melhor daqui alguns dias. – outra voz surge, era rouca, tal como de um homem.

– Oba! Isso é ótimo! – a voz anterior mostrou-se contente.

– Você já tem o novo quarto dele? – indagou o homem.

– Sim, já cuidei de tudo. Ele ficará melhor aqui, tenho certeza! – permanecia naquele certo tom de empolgação que me enjoava. Tinha certeza que tudo não passava de uma falsidade só. – Estou feliz que conseguimos autorização do tribunal de trazê-lo aqui, cuidaremos muito bem dele! – continuou, e logo ouvi alguns sons de páginas sendo passadas. – Coitadinho, ele é tão novinho...

– Ah, é? – mostrou-se curioso. – Quantos anos?

– Apenas quinze anos, acredita? – suspirou. – Deve ter sofrido tanto...

– Isso explica a aparência tão exausta, mal podia distinguir sua idade. – confirmou o homem, mostrando que já teria pensado em algo referente.

– Ele sempre pareceu exausto, mesmo não estando fraco, assim como o estado em que está agora. – a mulher deu uma pausa, logo continuando. – Mas ele não deixa de ser lindo. – suspirou profundo.

– Já o conhece? – continuou a interrogá-la.

– Sim, já sim. Era uma conhecida de seus pais. – ouvi um suspiro mais profundo que o anterior. – Sempre teve gene difícil, explosivo. Mas não tanto assim por causa de seu pai. Será que ele não consegue domá-lo? – acrescentou uma risada, dando ênfase em “ele”.

– Espero conseguirmos ajudá-lo. – o homem comentou em um tom contente, mas não tão animado quanto o usado da mulher.

– Sim, todos nós esperamos. – a outra concordou. – Então, vamos ao próximo?

– Sim. – confirmou.

Ouvi os sons de seus passos que aos poucos iam se distanciando, até ouvir a porta se abrir e fechar. Tinham saído de seja lá onde eu estiver.

Ah... De repente me sinto estranho. O que seria isso...? Por que agora, me sinto tão desconfortável?

Assim que eles se afastaram, minha audição aguçou, sendo possível ouvir o irritante barulho do relógio que ecoava ao longo dos segundos. Aquilo estava me estressando, sentia meu peito ardente mover-se rapidamente com a respiração forte, indicando meu estresse aumentando rapidamente. Eu teria de suportar aquilo?! Não... Esse não é o caso.

Onde eu estou? Como cheguei? Aliás, por que estou aqui?!

Eu não deveria estar morto?!

Aos poucos, minha boca destravou e abriu lentamente, assim como meus olhos que proliferaram a visão retarda de tão claro que era ali, fora os raios odiosos do sol que podiam entrar pela janela. Que maldita visão, era tão incômoda! Realmente era detestável algo tão claro assim, parecia ser tudo um tom vazio, profundo à falsidade, como se tudo fosse uma coisa boa. Mas não passa de uma mentira. Um fato que esconde o outro. Tenho nojo disso.

De pouco em pouco fui criando coragem para me levantar e lentamente, com muito esforço, me sentei retirando o aparelho respiratório de minha face que estava sendo tão incomoda, talvez até o ponto de marcar minha pele. E ter mais uma vez um contato com aquele cheiro detestável de um hospital me trouxe náuseas. Na verdade, o simples fato de respirar, me trouxe náuseas. Isso é detestável.

Percebendo o leve incomodo sobre meu braço esquerdo, vejo que o mesmo está ligado a uma bolsa de soro, na qual eu arranquei sem pensar duas vezes. Pus meus pés para fora da cama, e com esforço levei-os até o chão e apoiando meu peso sobre eles, fiquei em pé, sem deixar de sentir um ligeiro choque percorrendo desde as pontas dos meus dedões até meus joelhos, onde doeram mais que os meus pés. Resmunguei baixo e com esforço dei meus passos curtos e travados, como se eu havia me esquecido de como andar normalmente, mesmo que seja por pouco tempo. Assim que saí daquele cômodo tão branco passando pela porta de madeira escura, adentrei a um extenso corredor da cor azul extremamente claro, como um azul gélido. Num lado havia imensas janelas, nas quais não dei atenção ou mínima curiosidade de saber o que tinha ali fora, e no outro, inúmeras portas.

Com dificuldade de andar, caminhei em linha reta durante o percurso, tendo as paredes como apoio. Andava meio sem nexo, sem saber pra onde eu estava indo ou onde eu deveria ir.

O barulho alto de meus pés ecoando ao longo do corredor me trazia uma pontada de desespero, um realismo entristecedor, como se... A ideia de não ter morrido ainda me decepcionasse. Parecia até mesmo que eu era inútil a ponto de não conseguir morrer.

Ao passar ao lado da sexta porta, senti meu tórax doer numa agonia intensa por causa dos ferimentos e, não resistindo, acabei por me ajoelhar apertando a camisola que vestia, com a intenção de afastar tal sensação tão incomoda. Que começava a me fazer suar. Estava doloroso...

– Você deve ser... Eren? – escutei uma voz grossa e firme direcionada a mim, vindo em minha frente, revirei meus olhos até conseguir ver o homem.

– E posso saber... – dei uma pequena arfada abafada, por causa da dor que ainda não se afastava. – Quem seria você? – perguntei-lhe da forma mais seca possível.

– Sou Erwin, prazer. – pelo seu tom de voz, mostrou-se forçadamente gentil.

– Que lugar é esse...? – ignorei suas palavras, lhe fazendo uma nova pergunta.

– Um Hospício. – o loiro respondeu fechando seus pequenos olhos azuis. – Se não estou enganado, você não está interessado em informações além dessa, não é?

– Uhg... – grunhi tanto pela dor quanto pela resposta a qual não gostaria de ouvir, ignorando-o novamente.

Em um hospício... Não estou surpreso.

Talvez porque eu devesse entrar em um há muito tempo. Porém... Quem me colocaria aqui? Eu não-

– Então, Eren, posso saber qual o motivo de você estar fora de seu quarto? – o mesmo me perguntou, interrompendo meus pensamentos num nojento sorriso forçado.

– Não dá pra saber que lá estava me irritando? – perguntei novamente seco, em forma de resposta, enraivecido.

– Poderia voltar até lá? – indagou aumentando um pouco mais seu sorriso, ignorando-me.

– Não. – apressei-me em dizer.

– Volte. – insistiu.

Não!! – gritei e pelo esforço de minha voz, acabei tossindo.

– Devo te dopar? – o mesmo fez uma nova pergunta, novamente ignorando-me, alargando ainda mais seu sorriso. Mas fiquei meio encabulado, com receio. Eu seria dopado só por sair sem permissão...?

– O que-

– Muito bem. – apressou-se nas palavras, me interrompendo. – Então, Eren, por favor, volte.

– Mas eu não-

– Estou mandando. – sua voz soou seca, autoritária, entretanto ainda permanecia com seu sorriso aberto e seus olhos fechados.

– Eu não vou-

– Ah! Erwin!! – a voz feminina de antes novamente voltou aos meus ouvidos, bem naquele tom alegre. – Opa, Eren! O que faz aqui?

– Saiu de seu estabelecimento sem avisos. – o loiro respondeu por mim reabrindo os olhos, deixando a cor azul à vista, mesmo deixando-os semiabertos, ainda permanecendo seu sorriso.

– Poxa, Eren! Assim complica! Tem que voltar, se não seus ferimentos vão demorar a se fecharem! – a mulher falou em um tom animado, mas como se estivesse preocupada. Uma preocupação forçada.

– Eu não me preocupo com-

– Vamos, vamos!! – a mulher me interrompeu uma nova vez, pegando-me pelo braço e me ajudando a levantar, assim me acompanhando até o quarto de antes, deixando o loiro sozinho.

E ao chegar ao cômodo, já pude ouvir o relógio tão incomodo soar aos meus ouvidos, me trazendo desconforto. – Será que pode tirar esse relógio irritante?! – perguntei, sem paciência.

– Você precisa dele, querido! – explicou gentilmente forçada.

– Não preciso de uma coisa irritante assim! – precipitei-me.

– Mas, querido-

– Não me chame de querido!! – gritei irritado, finalmente a interrompendo. Todos aqueles falsos e nojentos “queridos” estavam me dando náuseas.

Vejo a mulher hesitar soltando um suspiro, logo deu um pequeno sorriso curvando suas sobrancelhas para cima. O reflexo nos seus óculos não pôde mostrar-me seus olhos.

– Desculpe-me. – pronunciou menos eufórica. – Sou Hanji Zoe, uma antiga amiga de seus pais. – permaneci em silêncio, fitando-a. – Deve ser um estouro saber que de repente, quando tudo estava finalmente calmo, teve que vir a um lugar desconhecido, onde tudo parece um inferno, onde não conhece ou reconhece ninguém.

Permaneci em silêncio, fitando-a, enquanto voltou a falar:

– A princípio, irei a um ritmo lento, até você se acostumar. – sentou-se numa cadeira próxima à minha cama. – Sente-se, por favor. – e assim, como pediu, sentei-me sobre esta. – Então, Eren... Vai ser cansativo de início, mas quero que se esforce. Aqui não é um hospício só de internação, também é de convivência, assim como queremos que seus estudos continuem. Com isso, há uma escola, assim como há várias pessoas. Todas confiáveis. – a mulher dizia de um modo calmo com um sorriso no rosto, de um jeito que me acalmasse um pouco. – A escola contém aulas normais, assim como específicas. Desde matemática, geografia até aulas de música e pintura, cujo sei que você adora.

Sempre que ouço a palavra “pintura” ou até mesmo “desenho” sinto meu coração palpitar um pouco mais forte, e logo desvio o olhar. Ouvi um pequeno riso da mulher.

– Vejo ai uma grande paixão que levará ao sucesso, hm? – a mesma comentou, se divertindo com as próprias palavras. – Bom, a questão das aulas... Que fique esclarecido que, à sua idade, é obrigatório fazer aula de Matemática, Geografia, Gramática e História; Enquanto às outras aulas só caso você se interessar, assim como Física, Química, Biologia, Música, Artes, entre outras, fale com o Diretor, Erwin, o loiro de antes. – ela suspirou, passando a mão sobre os cabelos castanhos escuros, um tom meio vinho arruivado. Mas só de me lembrar da face daquele homem, um tique no meu olho direito apareceu. – Pude perceber que a harmonia de primeira vez entre vocês não foi muito boa, mas não se preocupe, – a mesma abriu um grande sorriso à boca. – ele é gentil! Talvez tenha pegado em um de seus dias complicados!

Revirei os olhos à janela, logo atrás de Hanji. Suspirei fundo só de pensar que teria aturar coisas que não eram de meu agrado. Mas... Talvez eu suporte se eu tiver o meu hobby para descontrair.

– E... Enquanto as minhas pinturas? – indaguei.

– Ah, sim, já estão ao seu quarto. Não se preocupe, não são só elas, suas roupas e diversos outros objetos também. Tomamos muito cuidado com tudo! – a morena ajeitou os óculos e olhou ao relógio, ao alto da parede. – Ora! Desculpe Eren, eu já tenho que ir! Estou atrasada!! – a mesma levantou-se em um pulo e pôs-se a andar em rumo à porta. – Não se preocupe querido... – deu uma pequena pausa – Ah, desculpe, estou acostumada a chamar os outros de “querido”... – deu uma leve risada, ajeitando novamente a armação de seus óculos. – Ainda há mais coisas que você deverá saber, mas sobre isso, lhe informo depois. Ah sim! Você também terá consultas.

– ... Consultas? – perguntei depois de raciocinar, enquanto Hanji fechava a porta. A mulher parece não ter escutado. – Estou doente? – perguntei a mim mesmo, deitando-me finalmente a cama.

Observei a janela do quarto que dava a bela visão do céu azul bem claro com algumas nuvens brancas. Adoraria representá-las em uma pintura a dedo. Um curto e leve sorriso veio aos meus lábios assim que tive o vento tocado ao meu rosto que fez meus cabelos balançarem de uma forma leve.

A natureza é a única coisa que presta nesse mundo tão fútil...

Fechei meus olhos de vagar deixando a cor Azul Geleiras do céu virar o preto de minhas pálpebras fechadas. Com a concentração agonizante, o infernal relógio ao alto da parede tornou-se difícil de ignorar, tornando também difícil de esperar o sono voltar. Todavia, o mesmo pode ser encontrado.



•●๋°●•

Um rapaz dos cabelos castanhos do comprimento de um tanto ao rumo do ombro permanecia-se sentado ao meio do nada. Um nada tão branco, tão sem vida que parecia desesperante. Era de certa forma um lugar morto ou até mesmo mortífero.

O jovem se encontrava sentado abraçando ambas as pernas, com a cabeça entre as mesmas. Em torno deste havia algumas estranhas velas acesas que tinham o fogo balançado, mas não importa o quanto, misteriosamente não se apagavam.

O silêncio daquele local era absoluto, e se fosse algo para produzir algum efeito sonoro, seriam apenas os dentes daquele moreno que não paravam de tremer, talvez por causa da porta aberta que deixava aquele vento gélido adentrar como se fosse seu trabalho.

Em relação às velas... Uma havia se apagado.

Mas que estranho... O vento adentrava de forma forte o suficiente para levar aquelas velas pra longe. Todavia, nem mesmo o fogo se apagava.

Alguma resposta referente a isso...?

●๋°●•

Assim que meus olhos se abriram e desfizeram-se daquela cor escura de minhas pálpebras, novamente o céu claro do dia veio à minha visão. O irritante som do relógio também foi ouvido e pela curiosidade de saber que hora do dia seria, olhei para o mesmo. Descontente, confirmei que eram duas horas da tarde. Eu havia dormindo o dia inteiro! Sentei-me pondo minha mão sobre minha barriga.

– Parou de doer... – confirmei a mim mesmo olhando para a janela ao lado.

– Mesmo? – ouvi a animada voz da mulher enquanto abria a porta. – Que bom!! — fiquei em silêncio enquanto a mesma adentrava o quarto enquanto virava o rosto lentamente em sua direção, fitando-a sem agrado algum. – Vim lhe passar algumas informações! – Hanji tinha uma pasta em mãos e assim que a abriu, retirou alguns papéis. – Aqui tem uma básica explicação em relação aos horários que devem ser seguidos, às aulas, atividades físicas, lazer e palestra que geralmente são uma vez por mês! – a empolgação irritante da mulher era presente, porém, mesmo me irritando tanto, me esforcei em ignorar.

– Ei, Hanji. – chamei-a recordando de minha dúvida presente.

– Sim que... – pausou e repensou, não contendo um mínimo sorriso. – Eren?

– A que consulta se referiu? – indaguei observando sua face levemente surpreendida.

– Ah! Sobre isso... – a morena sentou-se na mesma cadeira de antes, aclarando a garganta. – Iria lhe falar isso agora... – passou a mão sobre a testa, bagunçando a franja levando-a para trás. Permaneci em silêncio observando o desconforto da mulher. Seria algo sério, que com certeza não me agradaria. – Bom, que... Eren! – precipitou-se sorrindo. – Eu disse consultas... – pareceu hesitar novamente, desviando o olhar e ajeitando os óculos. – Psicológicas.

Houve um pequeno silêncio de minha parte, fitando-a sem agrado, esperando ser alguma brincadeira de sua parte. E, quando descobri que era verdade, precipitei-me:

– O quê?! – notei que minha voz saiu mais estressada do que havia previsto. Não é atoa que estava com desconforto, deveria ter previsto algo do tipo.

– Não se preocupe, não será ruim! – abanou as mãos em sua própria defesa.

– Eu não preciso disso! – confirmei franzindo as sobrancelhas. – Não é como se eu fosse um louco!!

– Eren... É pro seu bem... – continuou.

– Não quero saber, eu não preciso disso! – reconfirmei tentando deixar bem claro.

– Todos daqui precisam Eren, – suspirou. – você não será o único a não fazer.

– Eu não vou!! – elevei o tom de voz alto o suficiente para gritar com a mesma.

– Eren, mantenha-se calma-

Calmo uma ova!! – precipitei-me mais uma vez, cortando sua fala. Sentia minha cabeça latejar. – Eu não preciso de nenhuma porcaria de consultas psicológicas! A princípio, eu não sou louco!! Não deveria nem mesmo estar aqui! Eu nem sei o porquê de eu estar aqui! E não sei nem mesmo quem me colocou aqui!!

– Eren, acalme-se! Assim arrumará confusão!! Só porque você vai ser paciente de um psicólogo, não quer dizer que você esteja louco!! Por isso, acalme-se!!

– Me acalmar?! Como?! Eu nem sei como vim parar aqui!! – minha garganta começou a doer com meus gritos repentinos com a morena, acabando por sentir meu sangue ferver sobre a cabeça e, antes de me levantar para fazer qualquer besteira, o loiro de antes me interrompe abrindo a porta.

– Ouvi gritos? –olhou pra mim com aquele mesmo sorriso forçado de antes. – Acho que não, certo?

Vai se foder!! – gritei ao mesmo, levantando-me enfim da minha cama, pronto para atacá-lo.

– Preciso dopá-lo, Hanji? – o mesmo perguntou ainda olhando pra mim, fazendo-me recuar e engolir seco. Droga...

Hanji, que estava imóvel, finalmente respondeu:

– Não, Erwin... Não. – massageou as têmporas, aparentemente tensa. – Apenas leve-o até o seu próprio estabelecimento. Ele parece bem e... Se não me engano, ele está livre a esse horário, né?

– Você diz... Ele? – recebeu um aceno positivo. – Sim, está sim. – o loiro deu de costas a mim – Venha, Eren, vou lhe mostrar seu estabelecimento.

Sentindo-me extremamente incomodado e forçado, após pegar as folhas que Hanji me entregou, o segui diante todo o caminho. Passamos pelo extenso corredor, descemos o elevador, saímos da clínica assim adentrando um novo local, bem extenso, no qual eu não reparei.

– Está tão alterado que não percebeu a bela visão oferecida a si ou já é um Caso Perdido? – o homem comentou baixo, olhando pra frente. Podia perceber aquele maldito sorriso forçado ao rosto, mesmo de costas a mim. E como eu não havia entendido a pergunta e nem mesmo tive curiosidade de saber, apenas ignorei.

Adentramos outro local extenso após passar a um tipo de muro de pedras... Como uma caverna? Não sei e não quero saber também. Continuei seguindo-o olhando aos seus pés e o xingando mentalmente, sendo que prefiro nem ter que repetir. Após uma extensa sombra aparecer acima de nossos pés, percebi que um local fechado foi adentrado por nós. E assim, como na clínica, subimos o elevador até o terceiro andar e ali me guiou até meu quarto.

– Por que não troca de roupa, Eren? – optou permanecendo fixo no mesmo lugar. – Te esperarei por aqui.

Um rápido lançar furioso ao loiro e entrei em meu quarto que apenas percebi estar organizado. Evitei reparar qualquer outro detalhe, talvez eu encontrasse algo afiado o suficiente para acabar o trabalho que iniciei antes que não foi possível de concluir. Deixei as folhas sobre a cama e retirei a camisola azul clara. Abri o guarda-roupa e peguei as primeiras roupas que achei. Uma blusa de manga longa, calça jeans, meia e tênis All Star. Após vestir voltei ao corredor onde Erwin esperava encostado à parede, em frente ao meu quarto.

Sem pronunciar nada, o mesmo me guiou até, novamente, o elevador. Descemos e continuamos a caminhada na área prolongada, cujo não tenho o mínimo de curiosidade de reparar. Uma nova e extensa sombra apareceu diante a nós e conclui que era um novo local. Uma nova e irritante vez subimos o elevador, entretanto desta vez paramos no quinto andar e o loiro me mostrou uma porta de madeira negra.

– É aqui, fique à vontade. – deu um pequeno riso. – Mas não tanto assim. – não demorou que o loiro voltasse ao elevador, me deixando ali, enfrente a porta enquanto rolava os olhos. Mirei a mesma, indeciso.

“Doutor Levi”.

Era a escrita cujo em uma placa. Não quero entrar ali, mas também não quero ser dopado. Respirei fundo reunindo energias, já que me sentia tenso e nervoso. Sentia pequenas gotas de suor nascer em minha nuca, assim como sentia minhas mãos menos quentes que o normal. Girei a maçaneta de modo indeciso, abrindo de pouco em pouco a porta.

Meus olhos travaram na visão de um homem de pele pálida sentado à cadeira, atrás de uma enorme mesa, cujo havia inúmeros materiais, assim como papéis e livros, porém tudo de forma extremamente organizada. O mesmo possuía cabelos lisos e negros que eram levados por uma leve e quase imperceptível brisa. Suas sobrancelhas finas estavam juntas, como se estivesse irritado. E logo seus lábios se mexeram:

– Prossiga. – senti meu corpo arrepiar levemente pelas suas ires da cor Baile de Máscaras* acompanhado daquela voz firme e autoritária. Todavia logo me esqueci de tudo isso fazendo o mesmo que havia pedido. – Sente-se. – indicou pelo olhar um sofá vermelho, ao meu lado, e assim como me mandou, sentei-me por ali.

Apesar de parecer um charlatão de cara morta, poderia julgá-lo elegante não só pelos detalhes de todo o cômodo, assim como de seu próprio físico e de suas vestes. Eram alguns detalhes refinados, os quais chegavam a ser bonitos e admiráveis de se ver. Entretanto, ao invés de reparar mais, lancei o olhar à minha perna, tentando mostrar-lhe desinteresse.

Então ficamos um curto silêncio até que ele iniciou uma conversa, tendo minha atenção:

– Eren Jaeger, não é? – não o respondi, apenas desviei meu olhar. – Responda antes que eu enfie a minha mão na sua cara, pirralho.

– O que quer que eu responda? – rolei os olhos, me sentindo estressado. Enfiar a mão na minha cara? E ainda me chamar de pirralho? Psicólogos agem assim?!

– Uma resposta válida as minhas devidas perguntas. – respondeu como se fosse algo totalmente óbvio. Não que não seja...

Reviro meus olhos uma nova vez, respirando fundo. Seria uma longa e tediosa conversa.

– Uhh... – balbuciei cansado. – Sim, sou eu...

Por um momento recebi uma percepção diferente daquele homem. Um ato que prendeu toda minha atenção. Um ato de cansaço, de preocupação, e até mesmo de estresse... Algo estranho que retirou o meu foco brevemente, mesmo que tenha voltado apenas por um suspiro seu.

– A partir de hoje, serei seu psicólogo. Espero que nós relacionemos bem. – aquela expressão de indiferença voltou ao seu rosto.

– Psicólogo? – franzi o cenho. Ao perceber certa questão. – Mas estamos em um hospício, não seria psiquiatra? – perguntei um pouco confuso. Na verdade, eu não sei quase nada referente a isso.

– Na verdade, sim. Mas psiquiatra é uma palavra forte, não? – sua voz não tinha diferença ao ser dita. – Já que, de fato, é pouca diferença, não tem problema.

– Não gosto de psicólogos. – conclui a mim mesmo enquanto suspirava, porém ele certamente ouviu.

– Ainda bem que não sou seu psicólogo. – o mesmo respondeu rapidamente.

– Hã? – balbuciei uma nova vez. – Mas você disse que era meu psicólogo...

– Sou seu psiquiatra. – concluiu ele, como se fosse um cabeça dura, de modo a exibir seus talentos com a voz divertida, mas naquela inacreditável cara de peixe morto.

– Mas você disse que eram parecidos... – tentei corrigi-lo, meio incerto, arqueando uma sobrancelha.

– Mas são diferentes. – reafirmou como se fosse algo natural.

Você é irritante...! – murmurei cansado, começando a me sentir irritado.

Hun...? – foi sua vez de balbuciar. Mas um balbuciado extremamente diferente do normal. Uma pequena expressão que me fez arrepiar com o tom tão obscuro.

Falei... Comigo. – concluí sussurrando um tanto amedrontado e apressado. Olhei novamente a ele. – Ah! Você ainda não disse seu... – pausei levando um pequeno tapa a minha testa.

– O que foi? – indagou franzindo as sobrancelhas.

– Lembrei que tinha uma placa ali com seu nome. – cocei de leve a nuca, me sentindo um pouco desatento.

Um pequeno estalo de língua veio dele, e me sentindo indignado, com pensamentos de que ele me achasse um retardado, já estava com as palavras na língua para iniciar uma repreensão ao mesmo, até que me deparo com uma expressão mais leve do homem.

– Hm...? – balbuciei surpreso.

O moreno de cabelos escuros pousou seu cotovelo sobre a mesa, apoiando seu rosto na mão, olhando pra mim com sua cabeça levemente torta.

– De repente, assimilei sua imagem como à de um cachorro. – sua expressão era descontraída, como se ali surgisse um pequeno sorriso. Tal que me fez esperar, vendo se surgiria algo. Infelizmente não havia chegado.

– O quê...? – respondi demoradamente.

– Um Pastor Alemão Capa Preta para ser exato. – um som divertido saiu de seus lábios. Todavia, ainda permanecia com a expressão de indiferença.

– U-um Pastor Alemão? – perguntei, me sentindo estranho, até mesmo chegando a gaguejar.

– Oh, corou! – comentou pra si mesmo, levantando a cabeça de seu “apoio”, deixando um leve som de um riso sair de seus lábios que nem ao menos permaneciam curvados. Continha suas sobrancelhas erguidas.

– C-corei?! – pus minhas mãos sobre minhas faces, ainda mais constrangido, percebendo que estava meio quentinho.

Percebi o mesmo hesitar e desviar seu olhar, logo se pondo a falar:

– Então, senhor Jaeger, – ainda permanecia seu olhar a um lado qualquer, aclarando a garganta. – quantos anos?

– A-ah! Tenho quinze! — minhas palavras saíram de repente, estranhamente animadas.

– Quinze?! – o mesmo se assustou, mesmo permanecendo com aquela maldita cara de peixe morto.

– H-hun... Sim...? – estava indeciso.

– Caramba. – expressou sem expressão.

– O que foi? – indaguei curioso.

– Não tem um pente pra você não? — ele perguntou, bem de repente, meio sem nexo.

– O quê? – estranhei tal pergunta.

– Seu cabelo está me irritando, bagunçado e... Te deixa desleixado. – comentou dando continuidade a um novo assunto.

– Eu não estou desleixado! – comentei com uma sensação estranha na barriga. Como se estivesse vazia, mas como se estivesse cheia de gás, como se tivesse tomado um refrigerante sprite, dando giros, sofrendo uma ventania. Um desconforto não tão ruim.

– Vou arrumar. – decidiu por si próprio, mexendo em sua gaveta até achar um pente vermelho. Após fechá-la, o mesmo se levantou e caminhou até estar em frente a mim.

– Você é baixinho... – comentei sussurrando, olhando seu corpo.

– Ora, pirralho. Não jogue em minha cara! – o homem bateu em minha testa, aparentemente decepcionado, mas levando na brincadeira.

– Au! – reclamei pelo leve tapa que deixou ardência, tentando conter um mero sorriso que seja.

– Cachorro... – comentou a si mesmo olhando pra mim, fazendo-me ficar constrangido e desviar o olhar. Senti suas mãos sobre o meu cabelo, uma com o pente. Arrumava de uma forma calma, um estilo de cafune. Pra lá... Pra cá... Trazendo-me uma sensação tranquila e até mesmo bastante confortável.

Era como um carinho... Um carinho que...

Me fazia falta.

Assim que acabou, uma expressão de surpresa reinou aos seus olhos.

– Oh! – exclamou voltando à sua mesa, especificamente à gaveta. Retirou um espelho em forma circular com bordado de prata e voltou até mim. – Olha só, arrumado fica bom em você. Principalmente quando é um penteado perfeito, justamente de um deus. Assim como o meu.

Quê? Assim que olhei o espelho, percebi que meu cabelo estava como o dele, mais especificamente jogado pra trás, com a franja dividida mais ao lado direito. Um corte, se não me engano, militar, porém, mais longo, sem a parte raspada.

– Ficou parecendo uma garotinha. – confirmou sarcástico, fazendo-me ficar muito constrangido.

– Ora...! – desviei o olhar, inconscientemente fazendo um beicinho.

– Corou. – narrou.

Levei minhas mãos até meu rosto escondendo. – P-para com isso! Que constrangedor!

O mesmo hesitou novamente e, entre meus dedos, o vi olhar pra outro lugar lançando suas mãos até novamente meu cabelo.

– Deixe-me refazê-lo. – pediu. Novamente passou o pente sobre meus cabelos, alisando-os, trazendo o conforto anterior de volta. Não evitei fechar os olhos, engolindo um suspiro. Por fim, mostrou-me novamente o espelho. – O que achou? – indagou.

Olho o espelho e reparo em meu reflexo. O meio do couro cabeludo puxado para a franja que se divide ao meio, mas alguns fios escorregavam ao meio de minha testa. Atrás parece estar arrumado em rumo a baixo, levemente arrepiado.

– Ficou bom! – confirmei surpreso. Não era o que eu imaginava. – Pelo menos não é um cabelo lambido como eu tinha de arrumar.

Noto ele me olhar, e assim, olho de volta a si, recebendo aquelas ires azuis acinzentadas tão belas de volta. Sua sobrancelha está levemente curvada para cima.

– Talvez eu tenha expectativas em nossas consultas. – comentou pegando-me de surpresa.

Sinto meu rosto esquentar um pouco e desvio o olhar, reparando ele se afasta, voltando até sua mesa.

– E-eu não acho que tenha que fazer consultas. – desabafei desconfortável.

– Por que não? – perguntou escorando sobre a mesa.

– Além de eu não me sentir bem... – desviei o olhar outra vez. – Não acho que eu seja louco.

– Assim que teve seu cabelo arrumado, eu pude perceber que não era. – olhei pra ele, com cara de taxo. “Por aparência?” – O que foi?

– Julga por aparência? – arqueei a sobrancelha. – Sério isso?

– Na verdade, não. Mas quando chegou aqui foi inevitável de pensar, pois Erwin teve de te trazer. – revirei os olhos.

– Ele é um infeliz. – bufei.

– Talvez seja. – arqueou as sobrancelhas. – Sinceramente, eu também o acho um imprestável. – provocou-me um sorriso satisfatório. – Mas deixemos este assunto para depois.

– Depois?

– Sim, depois. – acenou de leve.

– E agora?

– Talvez essa seja a primeira vez que penso assim, mas não desejo que você não goste de minhas consultas. – comentou pensativo. Estalou a língua algumas vezes, balançando o pé de leve. – Então, o que acha de modificarmos um pouco tudo isso aqui?

– Uh? Como assim? – na verdade... Não acho que tudo isso parece ser uma consulta...

– Que tal... De vez enquanto, ser diferente? Fora do “clichê”? – arredou a cadeira para trás, dando-lhe mais disponibilidade para sair.

– Diferente como? – indaguei curioso.

O homem olhou no pulso, em específico, ao seu relógio.

– Ainda temos tempo. O normal de uma consulta costuma ser em duração de uma hora, mas como eu não tenho compromisso depois, não vejo problema de alongarmos. – levantou-se e caminhou até a janela, abrindo-a totalmente. – Quero te levar a um lugar. Venha. – visualizo o moreno dos cabelos escuros apoiar o pé na janela e estender a mão para mim. – Sei que faz pouco tempo que saiu de alta... Mas não se preocupe, cuidarei de você.

– Você... Vai pular do quinto andar? – indaguei perplexo. – E depois o louco deveria ser eu?!

Um leve som de riso sai de seus lábios, mas os mesmos não indicam nem um pequeno sorriso.

– Venha, confie em mim. – pediu.

– Como posso confiar em você?!

– Depois darei motivos. Dessa vez terá de ser por extinto. – seu olhar indicava uma imensa calma, que inesperadamente me trouxe aos poucos até si. Levei minha mão lentamente à sua, e esta não deixou de apertar a minha assim que a recebeu. – Agradeço. – sua voz tranquila ecoou em minha consciência, fazendo meu rosto esquentar-se de novo ao tê-lo a me abraçar e subir na janela. – Se ficar com medo, me diga.

Olhei ao chão, acabando por não ter medo. Muitas das vezes em que olho, traz uma vontade de me jogar... Porém dessa vez não tive a mesma vontade.

– Não tenho medo de altura. – comentei capturando seus orbes com meus olhos.

– Então vamos.

Notas finais
* Baile de Máscaras = é um azul aprofundado ao cinza, assim como eu acho que são os olhos de Levi. Prévia do próximo capítulo: [...] – “Como posso confiar em você?!” – encenei e logo sua atenção voltou a mim, mesmo ele não tendo virado seu rosto em minha direção. – “Depois darei motivos.” – imitei sua voz e dei uma pausa, fechando os olhos. – E então, quais seriam os motivos? – abri novamente os olhos e dessa vez ele teve seu rosto virado em minha direção. – Comecemos então. – o mesmo respondeu mesmo não sendo... Uma resposta digna. – Sei seu nome. – falou um pouco baixo. – Meu nome é Levi, – disso eu se- - “Rivaille” seria meu sobrenome. – Seria...? – Na verdade, eu não tenho um sobrenome. – explicou. – Hm? Não tem? – me sentei lentamente, curioso. – “Rivaille” seria uma pronuncia para “Levi”. Simplesmente não sei meu sobrenome e também não tenho interesse em saber. – completou antes de me dar alguma chance para perguntar, dando de ombros. – Até porque, na opinião do meu pai, isso é considerado um tabu.