Naruto - Nova Era

1 Os tempos estão confusos - Folha e Areia em crise!


O Kazekage permanece retraído em seu escritório durante o anoitecer. Atônito, ele mantém seu olhar fixo para a janela. Seu campo de visão é privilegiado pelo posicionamento central da torre, de tal forma que seus olhos percorrem por quase todo território de Sunagakure. São os novos tempos. Incontáveis inquietações cercam seu pensamento. Eis que neste instante, Kankuro acompanhado da guarda pessoal do Kage interrompem seu devaneio para avisar de uma visita inesperada, mas importante naquele contexto:

— Gaara-sama, um velho amigo seu quer vê-lo.

— Hm. Ele está aqui? Questiona Gaara.

— Sim. Responde. Posso deixá-lo entrar?

— Sim, por favor.

Era Uzumaki Naruto, o Nanadaime Hokage. Reuniões entre os dois eram frequentes, não só pela fina sintonia que desenvolveram no passado, mas como também pelas demandas da conjuntura política como um todo no contexto de pós-guerra. Afinal, parece ser conveniente para as lideranças aldeãs que mantenham boas relações. Cada país tem uma configuração econômica e militar singular, dispondo de recursos diferenciados e únicos, ao passo que a cooperação mútua se faz necessária. No entanto, desta vez era diferente, Naruto carregava consigo um olhar denso e triste. O azul dos seus olhos se desenhava como o de um mar arredio. Percebia-se então que a vítima dessa efusividade toda era o próprio Naruto. O contato visual entre ambos era constante, como se fosse uma comunicação plena sem dizer uma única palavra sequer. E quando Gaara finalmente prepara-se para dizer a primeira palavra, é sumariamente interpelado por um pedido de Naruto:

— Kankuro, você e seus homens podem nos deixar a sós?

— Claro.

Kankuro e a guarda pessoal se retiram. Gaara senta-se e coloca suas mãos sobre o queixo, com um olhar reflexivo diante Naruto. Em contrapartida, Naruto se direciona para a mesma janela onde Gaara observara a aldeia e tivera suas indagações minutos antes. É notório que algo sério o atormenta. O modo lacônico como Naruto está se comportando lhe é extremamente atípico e contrasta completamente sua habitual hiperatividade, mesmo depois de adulto. Após este hiato, eis que Gaara decide iniciar um diálogo:

— Hm. Você parece preocupado. Não o vejo assim há um bom tempo. Para ser sincero, nunca o vi dessa maneira antes.

— É essa situação como um todo. Responde.

— Para falar a verdade, também estou aflito.

— Me dói saber que não conseguiremos evitá-la ou sequer tivemos a competência de prevê-la. Esse sentimento de impotência…

— Não foi culpa sua, Naruto.

— … Toda vez que eu olho o curso que as coisas vem tomando, é impossível não sentir responsabilidade… Fui eu que quis agir como se tudo estivesse ocorrendo bem, Gaara. É com profundo remorso que digo isso mas…

— Hm.

— … Acho que falhei como Hokage no fim das contas.

Mas afinal, o que exatamente estaria atormentando ambos? É preciso remontarmos aos acontecimentos predecessores para entender como chegamos neste estado de coisas. Especula-se que fora aproximadamente há três anos, em pleno preparativo para os novos Exames Chunnins, o primeiro desde o ataque de Momoshiki e Kinshiki. Os ânimos de todos estavam aflorados e entusiasmados. Nesta ocasião, a Aldeia da Areia é quem iria sediar as provas. Os shinobis treinavam incansavelmente e dentre eles, Uzumaki Boruto e Uchiha Sasuke:

— Tio Sasuke, vamos dar uma pausa? Por favor. Diz Boruto, ofegante.

— Concordo, realmente hoje…

— Tio Sasuke, posso te fazer uma pergunta sincera?

— Sim?!

— Você acha… meu treinamento…

— Você está indo relativamente bem, Boruto. Mas não se esqueça que os Exames Chunnins são no próximo ano. Você deve trabalhar duro.

— Ah,hihi... eu posso derrotar todos eles, afinal eu sou filho do Nan…

— Não seja tão arrogante, Boruto. Apesar de estarmos em tempos de paz, todas as aldeias querem aproveitar dessa festividade para mostrar seu potencial militar.

— Hunf.Expressa Boruto, em tom demasiadamente desinteressado.

— Até a Amegakure, que estava sem sinal de vida há tempos, vai mandar seus Gennins este ano. Pondera Sasuke.

— Hm.

— Além do mais. Essa nova safra de shinobis parece ser interessante… Em particular um Gennin da areia.

Essa afirmativa de Sasuke desperta uma forte curiosidade em Boruto. É comum de sua personalidade um viés levemente arrogante, provavelmente para maquiar sua insegurança, tal qual Naruto o fizera durante seu amadurecimento. Contudo, dadas as experiências de seu sensei e o mesmo estar em pé de igualdade com seu pai, Boruto sente uma enorme credibilidade e precisão no juízo de Sasuke sobre o referido Gennin de Sunagakure. De tal forma que sua indiferença para com a situação até então muda radicalmente para uma súbita curiosidade e vontade de estar a par da mesma:

— Ah é? Quem é ele? — Pergunta entusiasmado.

— Não sei seu nome, mas pelo que ouvi, ele parece ser bem talentoso. Não só em termos de técnicas, mas como também em potencial analítico. Em todo caso, pode se tratar de um gênio afinal.

— O que é um gênio heim?! Grrr... Alguém com talento e habilidades naturais?! Ora, to nem aí! Vou derrotá-lo!Datte-basa!

— Haha.

— O que foi, ahn?! Não gostou?! Me responde Tio Sasuke!

— Não é isso, é só que você me lembra um certo alguém nos velhos tempos. Hahaha. A propósito, é possível que você encontre este Gennin hoje mesmo.

— Ahn? Como assim?

— Hoje é a cerimônia de aniversário do Kazekage-sama, é de praxe que todos os Kages compareçam com suas famílias.

— E eu tenho que ir? Argh.

— Não se trata apenas de uma singela comemoração com os amigos, Boruto. É também uma questão de ordem diplomática, você deve ir com seu pai. Enfim… Vá para casa… Continuamos amanhã.

— Ok. Hihi.

Encerrando seu treinamento com a devida autorização. Boruto parece estar demasiadamente eufórico com a ideia de encontrar o garoto gênio, tão eufórico a ponto de ter vontade de comparecer na cerimônia que desdenhara poucos minutos antes. Seus olhos brilhavam de expectativas e ele mal podia esperar. Tal era sua ansiedade que mesmo depois de uma cansativa manhã de treinamento, se dispusera a correr para chegar em casa o mais imediato possível e partir em direção a Aldeia da Areia. Sasuke o observava partir com certa nostalgia e um pouco de surpresa. Por fim, o mesmo constatara:

— De onde ele tira tanta energia? Não poderia ser outro senão o filho do Naruto. Haha.

Chegando na Cerimônia Oficial, Naruto e sua família sentaram-se próximo a Gaara. Estavam presentes todos os Kages e os mesmos se encontravam na laje acima da sala oficial do Kazekage. Dali, Gaara discursava para a população de Sunagakure inteira. Seu discurso era mais do que apenas comemoração do próprio aniversário. Era um evento de cunho fortemente político que tinha como objetivos firmar tanto as relações entre as grandes potências, como marcar a figura do Kazekage como algo a mais do que apenas um chefe militar, Gaara queria aos poucos, se afirmar como um homem do povo, da diplomacia e bem relacionado com a política externa, que com suas negociações e arranjos econômicos, angariava impactos positivos e prosperidade na gestão interna da Aldeia:

— É com muito prazer que recebo todos vocês aqui nesta ocasião especial e…

Isso desagradava Boruto, que estava muito mais preocupado em descobrir quem era o tal garoto aparentemente brilhante que seu sensei tanto falara, do que convenções e formalidades da política local. Não lhe dizia respeito nem um pouco, afinal parecia não ter ligação alguma com seus anseios, objetivos e habilidades. Tanto é que os pensamentos que pairavam sua cabeça no momento eram:

— Quem será que é esse gênio que o Tio Sasuke falou? Será que ele está aqui? Pensava ele olhando para todo o público.

— É aquele garoto? Mirando um jovem específico.

— Não… Não deve ser, ele não parece tão durão…

— Mais do que o meu aniversário, devemos celebrar os tempos de paz, que foram conquistados com árduos esforços… Continuava a discursar.

—Aaah cara… Que chatice! Será que ficarão bravos comigo se eu for dar uma vol…

Naruto percebendo a distração de seu filho, sente-se levemente constrangido dada a aparente falta de razoabilidade que Boruto atribui a essa ocasião. Tentando fazê-lo voltar a si, Naruto o repreende:

— Boruto, por favor!

— Ahn?

— Sei que essas convenções podem parecer chatas, mas tente prestar atenção.

— Mas papai, eu …

— Olha, você realmente é teimoso. Ok, farei uma concessão. Se este é o caso, então você pode dar uma volta. Mas não demore.

— Tá!

— Não seria nada bom você não estar aqui no ponto alto da cerimônia. Você tem dez minutos, no máximo.

Boruto sai finalmente em sua tão esperada procura. Entretanto, isso o deixa deveras apreensivo. Seu estômago remexe diante a ansiedade que o aflige. Afinal, o que ele faria caso encontrasse o garoto? Seu lado inseguro passa a manifestar certa predominância, pois mais do que simplesmente se preocupar com a possível dissiparidade de habilidades, Boruto queria em certa medida impressioná-lo, mesmo que no momento não faça ideia de quem seja. Seus pensamentos buscam criar um mecanismo reativo para que ele se acalme:

— Por que eu estou preocupado afinal? Eu sou filho do Hokage… também tenho no sangue a linhagem principal dos Hyuuga… E eu sou treinado por ninguém menos que Uchiha Sasuke. Não importa o quão bom seja esse garoto…

Contudo, seu tempo estava se esgotando e ele precisava retornar, afinal, ele havia prometido para seu pai que não demoraria mais do que dez minutos e por mais que estivesse completamente deslocado naquele contexto, ele se preocupava em respeitar seu pai e evitar constrangê-lo na frente das demais autoridades e da população. Mas, antes que o mesmo pudesse dar meia volta e retornar para a cerimônia, alguém o chama. Era um garoto com aproximadamente 14 anos, estatura média, pálido, cabelos compridos mas irregulares e pontudos, seu olhar era em certa instância provocador.

— Hey! Você! Diz o garoto, chamando por Boruto.

— Ahn?

— Uzumaki Boruto, certo? Pergunta o garoto.

— Como você sa…

— Ora, quem não conheceria o mimado, burro e trapaceiro que reprovou nas finais do Exames Chunnins por trapacear com uma ferramenta científica? Haha.

— O QUÊ?! Grrrr… Grita Boruto, um tanto quanto irritado.

—Olhando bem, não é o exatamente o Lee-san quem é a verdadeira besta de Konoha, afinal. Hahahaha.

Em face destas seguidas ofensas, Boruto imediatamente concentra seu chackra na mão esquerda e cria uma esfera para atacar. Era claramente o Rasengan, como Konohamaru o havia ensinado para que pudesse iniciar seu treinamento com Sasuke. Todavia, antes que pudesse concluir seu ataque, Boruto recebe um contra-ataque:

— M-meu… Meu corpo…