Naruto - Nova Era

2 Garoto gênio e garoto problema - Os amigos da areia!


— Meu corpo…Estou quase soterrado! — M-m-mas como?

Boruto estava com suas pernas enterradas no solo, era nisto que consistia o contra-ataque do jovem shinobi da areia. Boruto ficou surpreso dada a rápida velocidade com que o mesmo preparara sua reação. O garoto se aproximava, mas não demonstrava querer continuar a luta. Em um tom amigável, ele diz:

— Esse é o meu Doton! Soterramento na Areia. Permita-me eu me apresentar. Sou Koyama Chōjin, gennin da Areia.

— Ele é rápido, quase não o percebi fazer os sinais de mão, pensa Boruto.

— Vamos, me dê sua mão. Vou te ajudar a se erguer.

Nisso, Boruto fica intrigado, não consegue compreender o motivo de um ataque repentino seguido de uma ação de conciliação como esta. Hesitando, ele resolve questionar:

— O que você quer? Por que me atacou e agora está me ajudando?

— Perdoe-me pela hostilidade. Eu só queria testar você.

— Só por isso?! Está de brincadeira?!

— É realmente surpreendente que um Gennin saiba fazer o Rasengan, jutsu do Yondaime Hokage e a segunda principal técnica do Nanadaime Hokage.

— C-como você o conhece? Pergunta com certo grau de surpresa.

— Meu treinamento não é só físico, mas também e principalmente, intelectual. Meu objetivo não é sequer ser um grande ninja… Mas sim um grande erudito.

Ao ouvir suas aspirações, Boruto recorda-se sumariamente das ponderações de Sasuke e procura estabelecer uma correlação. Então seria este o garoto? Há essa remota possibilidade. Potencial de análise e trabalho intelectual andam juntos, conclui. De qualquer modo, Boruto admira-se pelo que viu há pouco e se interessa pelas habilidades de Chōjin. Neste momento, dois outros jovens se aproximam, ambos visivelmente ninjas e que pela aproximação, aparentam ser da mesma equipe de Chōjin. Uma destas pessoas é uma garota visivelmente tímida e recolhida, ela deve ter a mesma idade de Chōjin ou ser um ano mais nova, usa um óculos de grau que colocam seu olhar recatado em evidência. O outro é um garoto com uma cicatriz estranha no nariz, parece ser mais extrovertido e demonstra ter uma postura despreocupada. A kunoichi, curiosa em saber o que estava acontecendo, pergunta:

— Heeey! Chōjin! O que faz aí?

— Vamos cara… Deixe de brincadeiras, a cerimônia já começou. Alega o gennin que estava acompanhando-a.

— Sim, eu já estou indo. Responde Chōjin.

— Cara, quem é esse aí? Pergunta o garoto.

Boruto intercede a conversa, considerando que demonstraria maior respeitabilidade se fosse ele mesmo que se apresentasse:

— Eu sou Uzumaki Boruto de Konoha. E vocês?

— Heh. Eu sou Oomori Hideki. Os pés mais rápidos da areia! Responde o garoto, chutando para o alto.

— Que cara … excêntrico… — Boruto diz silenciosamente.

— Bem e eu sou Sakurai Akemi, é um prazer. Responde a menina, com um leve sorriso e acenando.

— Olha… eu vou passar em casa antes de voltar para a cerimônia. Preciso comer alguma coisa. Avisa Chōjin.

— Ah, é verdade! Eu prometi para o meu pai que eu não levaria mais do que dez minutos! Ah, eu tô ferrado! Datte-basa!

— Desculpe, isso foi minha culpa. Fui eu que desviei você do seu passeio. Haha. Akemi… Hideki… Vocês podem fazer companhia a ele?

— Claro, sem dúvidas.

Hideki, Akemi e Boruto partem para o centro de Sunagakure. Ao início do percurso, os três não demonstram grande sociabilidade. Hideki e Akemi o observam e notam a semelhança de Boruto com o Hokage, enquanto que Boruto olha a direção que Chōjin seguiu, refletindo acerca do que acontecera. Sem dizer uma única palavra, as três crianças tímidas estão pensando em maneiras de travar uma conversa, mas parecem ter pouca ou nenhuma semelhança a princípio. Akemi é naturalmente tímida e insegura, Hideki segue uma linha mais introspectiva e imaginativa. Seus braços estão apoiando sua nuca enquanto ele olha para o céu admirando o movimento dos pássaros. Ele pensa na sincronia com que eles voam em grupo e isso de alguma maneira o inspira para a formulação e desenvolvimento de uma dinâmica funcional em equipe, trata-se também de um estratagista, talvez um pouco menos sofisticado do que Shikamaru. Enquanto isso, Boruto decide fazer algumas perguntas, a fim de conhecer melhor tanto Chōjin quanto seus companheiros de equipe:

— Aquele garoto… Chōjin.. Ele parece ser muito talentoso, não?! Imagino que as pessoas o admirem na academia.

— Tá brincando? Chōjin é odiado por quase todo mundo. Heh. Ele é boicotado onde quer que vá, só existe um único lugar onde ele pode sossegar em paz: A biblioteca. Por isso ele gosta tanto de estudar e ler, eu acho. Responde Hideki

— Ué, mas por que? Pergunta com certa surpresa.

— Bem… Ele… — Tenta responder a tímida Akemi, mas Hideki corta sua fala e antecipa sua resposta.

— Ele é filho bastardo. As pessoas creem que ele é amaldiçoado desde o nascimento e que ele irá se perder na vida. Dizem que ele é um garoto-problema. Seu pai foi um forasteiro que pisou em Sunagakure e a deixou poucos dias depois. Sua mãe morreu há pouco, então agora ele é órfão.

— Se perder na vida? Como?

— Ah cara, você sabe… Dizem que alguém como ele não pode ser capaz de formar critérios morais e que em breve fará alguma besteira e se tornará um nukenin.

— E como vocês se sentem quanto a isso? Questiona Boruto.

— Eu fiquei incomodado no início em ser colega dele, para ser franco. No entanto, eu nunca estive numa posição privilegiada para julgá-lo. Também sempre fui boicotado, afinal, eu não consigo realizar ninjutsus ou genjutsus, só tayjutsus. Pensei que nosso relacionamento iria ser difícil. Porém, ele me acolheu de uma forma que ninguém o fez, e aos poucos, ele foi se tornando meu melhor amigo. Chōjin me ensinou que não basta treinar o corpo, mas também a mente. Devo a ele.

Enquanto discorria sobre os seus primeiros contatos, as memórias vem muito claras e detalhadas na cabeça de Hideki, se passando tal qual um filme. Especialmente a ocasião em que a turma em que estavam matriculados se graduara e todos se tornaram gennin. Hideki foi intensamente provocado por seus colegas, que tinham forte recusa a ideia de um garoto que só utilizava tayjutsu se tornar um ninja. Embora a lei que proibia o acesso a formação para crianças como ele tenha sido revogada há muito tempo por Gaara, o estigma social e o tabu ainda existem com grande força no cotidiano e não inibem a discriminação. Ao buscar responder essas provocações de seus colegas, Hideki caiu numa armadilha, feita a partir de genjutsu. Um dos garotos se aproxima e diz:

— É exatamente por isso que você não se pode tornar um ninja, baka! Você só se tornará um estorvo para sua equipe e será o primeiro a ser sacrificado. Pessoas como você são inúteis em missões de verdade.

— Eu posso… Eu posso… Diz em tom de voz desacreditado.

Chōjin ao se deparar com aquela situação, se aproxima e confronta o grupo que o molestava:

— Vocês não tem mais o que fazer?! Bando de fracassados estúpidos.

— Vejam só quem chegou, ele mesmo pessoal… O bastardinho, o garoto-problema. Haha. É melhor você ir cuidar da sua mãe para evitar que ela abra se abra de novo para qualquer forasteiro que…

Esse comentário é respondido sumariamente com um ataque. Chōjin concentra chacra em suas mãos, encosta no solo e consegue formar uma cúpula de terra envolvendo oponente, seu próximo movimento foi controlar o fluxo de oxigênio e diminuir a pressão do ar dentro da cúpula, manifestando seu raro kekkei genkai herdado de seu pai. Não sendo sua intenção matá-lo, não tardou em desfazer as técnicas e advertiu:

— Vocês vão deixá-lo em paz?

— Ora seu… Não pense que isso vai ficar assim. Você ainda vai trazer desgraça para a aldeia, seu lixo… Imundo! Respondem os garotos, fugindo de Chōjin e Hideki.

Hideki manifesta uma espontânea gratidão, embora esteja recuado por consequencia dos rumores que ouvira sobre o garoto impuro. Sempre ouviu de seus pais que Chōjin não demoraria a exibir um lado perverso e delinquente, os adultos sempre o desprezaram enquanto que as crianças e jovens foram ensinadas desde cedo a temê-lo. Outrossim, os dois passariam a ser companheiros de equipe a partir de agora, tendo em vista que foram escalados para a mesma equipe. Se vendo sem escolha, resolve começar uma conversa:

— Por que você me ajudou?

— Você estava sendo humilhado por aqueles garotos e você é meu companheiro de equipe a partir de hoje. Eu não posso ser omisso.

— Mas eu tinha que ter dado conta disso sozinho, afinal eles me ofenderam primeiramente… Acho que eles tem razão… Diz um pouco decepcionado consigo mesmo.

— Você age de forma imprudente e completamente despreparada, eu já pude perceber isso em você. Seu tayjutsu parece ser bem acima da média, para falar a verdade, mas só ele não dará conta de realizar missões. Se você continuar agindo feito um cabeça-oca que não pensa antes de agir, terminará dando a razão para o que eles disseram.

— Então o que eu deveria ter feito?

— Em primeiro lugar, você não deve responder provocações deliberadamente. Em um campo de batalha real, o inimigo buscará desestabilizar você explorando suas fraquezas psicológicas… Como eles fizeram com você e sua insegurança sobre se tornar um bom shinobi e…

— Mas você também atacou!

— Era a respeito disso que eu ia falar agora… Ocasionamente eu não me importo com o que dizem a respeito de mim ou da minha mãe mas… – Diz Chōjin com lágrimas nos olhos.

— O que houve, cara?

— Esquece, isso não é da sua conta.

A mãe de Chōjin falecera de uma doença pulmonar há poucos dias. Ele era relutante a ideia de se tornar um shinobi e se questionava constantemente se deveria continuar assistindo as aulas e efetivamente se graduar na academia. Todavia, agora que estava na condição de órfão não haveria escolha. Considerando que sendo boicotado socialmente por ser um filho fora do casamento, ser um shinobi era a única possibilidade de continuar vivendo em Sunagakure. Além do mais, minutos antes deste incidente com seus colegas de classe, Chōjin estava assistindo a cerimônia de sepultamento de sua mãe. Mas foi a partir desse dia em que estava mergulhado num sentimento de perda, que contraditoriamente, o laço de amizade entre os dois dava seus pequenos sinais. Chojin não precisaria enfrentar sozinho as adversidades a partir de agora, Hideki adquirira respeito pela honestidade e visível inteligência de seu colega de equipe. Com o passar do tempo, os comportamentos de percepção e análise de Chojin passam a exercer influencia sobre Hideki, que busca se aprimorar nestes aspectos tão frágeis de sua personalidade.

E assim, ambos adquiriram respeito mútuo e recíproco. Boruto mantém um respeitoso silêncio ao ouvir Hideki falar como ambos se conheceram. Ao final da conversa, eis que os três chegam na cerimônia e se dispersam. Hideki e Akemi se unem a multidão enquanto Boruto desesperadamente corre em direção ao seu pai, pensando nas mais variadas desculpas para explicar seu atraso, já que o acontecimento em si não parece ser de forma alguma convincente. Ao chegar onde seu pai estava. Naruto o olha profundamente irritado, mas para evitar perder a compostura, manfesta um profundo suspiro e diz:

— Boruto, você está atrasado.

— Eu sei otosan, é que acabei me distraindo com as coisas que vi no caminho. Gomenasai!

— Quando chegarmos em casa nós conversamos.

— Eu vou ficar de castigo, não é? Pergunta levemente triste

— Definitivamente, você é um garoto-problema.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.