Notas iniciais
É normal que nos cansemos das coisas. E eu cansei.

— E como você pode me dizer isso? Estamos juntos faz 2 anos, Kendra! Nós fizemos planos. — Disse Magnus me olhando nos olhos e segurando uma das minhas mãos.

— Não fizemos planos. – Puxei a mão dentre os dedos dele. — Você fez. E por nós dois.

Estávamos na calçada, em meio a diversos carros que passavam rotineiramente pela manhã.

— Então é assim? E pra onde você vai? — Ele me olhou nos olhos se tornando um pouco agressivo.

— Eu vou embora. E não quero mais ter que aturar você. – Disse irritada, mas logo me tranquilizei e suspirei. — Tchau, Magnus. – Tirei a aliança do dedo anelar direito. — Tenha uma boa vida. – a entreguei em suas mãos.

Segui para a casa em que estava alojada para enfim arrumar as malas. Estava definitivamente pronta para ir morar sozinha. Ter minha independência.

— Oi, querida. — Disse tia Susanne vindo até mim devagar, enquanto eu calçava as botas, no quarto de hóspedes. — A que horas sai seu voo?

— Em meia hora. — Me ergui e virei para ela. — Mas eu já estou pronta. — Sorri. — Muito obrigada por cuidar de mim todos esses anos, tia Susanne, prometo que virei visitar a senhora assim que puder.

Vi as lágrimas que logo tomaram conta do seu rosto, embora eu houvesse contido muito bem as minhas, abracei-a e logo nos despedimos.

Peguei as malas e entrei no táxi, pronta para começar uma nova vida.

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Dentro de algumas horas já estava de volta a minha cidade natal. Mas no aeroporto não foram me buscar. Avisei minha mãe por carta há uns dois anos. Quem sabe ela se esqueceu?

De longe avistei minha nova casa de campo, meu chalé particular, bem decorada nas cores marrom e creme.

Uma cidade em meio ao nada, bastante monótona, mas ajeitadinha, diria até que confortável. Eu sentia falta da calmaria que não se ouvia na cidade grande.

Agora só me falta acostumar com tanta tranquilidade, começando pelo fato de que... O imprestável do meu celular não pega bem aqui.