Naquela Manhã de Outono

2 O Mundo precisa do seu sorriso


Notas iniciais
"Cabelos escuros como as últimas folhas que caem das árvores no Outono, pele clara como a neve e olhos azuis que refletem a imensidão do céu, essa sou eu, Kendra". Muitas histórias de amor acabam antes mesmo que pudessem começar, mas a minha não foi uma dessas, então vou contá-las a vocês. ... -Ass Kendra.

Minha primeira semana na nova casa e eu já estava ficando perdida. As coisas na cidade realmente mudaram de alguns tempos para cá. Toda vez que caminho pelas ruas lembro de quando era criança, da lojinha de artigos do Seu Moura e da floricultura da Nana, que eu sempre frequentava.

"Talvez eu ache algum trabalho descente no centro da cidade"Pensei, e logo me arrumei para sair. Vesti meu casaco de cor creme por cima de um vestido, azul royal, pouco longo. E calçando curtas botas segui caminho.

Estava totalmente perdida em meus pensamentos quando senti que me tocavam o ombro. Me virei, séria.

— Você derrubou isso. – Disse ele, segurando um papelzinho.

Derrubei? Peguei o papel e o vi sorrir. Antes mesmo que ele dissesse algo coloquei o papelzinho no bolso, e continuei meu rumo. Não me lembro de ter deixado papel algum nesse casaco

Alguns passos à frente e eu não podia mais conter minha curiosidade. Abri o papel que dizia:

"Sorria, o mundo precisa do seu sorriso e olhar apaixonado".

****

Sou o artesão Adam, cabelos castanhos, olhos castanhos e às vezes covinhas na bochecha, isso se depende se vou sorrir ou não, mas eu não tenho barba, não gosto de barba, porque se gostasse, teria.

Bom, sempre que possível uso meu tempo livre para fazer do dia das pessoas mais. Ao menos foi assim que meu pai me ensinou. Todos os dias que ele via minha mãe chegar extremamente cansada do trabalho, lhe presenteava com uma flor ou até um bombom, e de brinde citava algum trecho de poesia, que ele mesmo escrevia durante a noite, especialmente pra ela.

Fui ensinado por uma garçonete e um lojista a ser o melhor que podia de mim, e sempre ir atrás dos meus sonhos, foi assim que me tornei artesão em uma loja de marcenaria, sempre amei a arte.

Apesar do nome americanizado que tenho, eu sou de origem Latina. Tenho 19 para 20 anos e faço faculdade de Artes Visuais, afinal quero crescer no que amo.

Assim que meu expediente acabou, troquei de roupa pra ir pra casa. Vesti uma camisa básica preta com azul e uma calça branca.

Fui andando até minha casa, que era um pouco longe. Abri a porta devagar, porque mesmo estando de tarde meu pai ou minha mãe poderiam estar dormindo.

****

Fiquei uma hora sentada em um banco embaixo de uma árvore, e de 5 em 5 minutos olhava o celular, que desta vez — por mais incrível que pareça — tinha sinal, para checar meu e-mail, algum departamento podia ter me contatado, afinal, estou atrás de emprego faz exatos 6 dias.

Ouvia o cantar dos passarinhos, que eram pouco enjoativos, mas eu amava. Me tranquilizava, e fazia esquecer o fato pelo qual saí da casa da minha tia, talvez advocacia não fosse para mim. Guardando enfim, o celular no bolso eu só podia pensar na frase que lera pela manhã.

Córdoba era realmente uma cidade pequena, e eu não podia acreditar no que via. Era ele, de novo, o do bilhete. Fiquei o observando passar pelo pequeno parque, com uma tela em mãos e uma bolsa pequena de couro pendurada por uma alça em seu ombro. Sentou-se não muito longe de mim, e da pequena bolsa tirou tintas e pincéis, colocou-os no chão e com pinceladas retomava seu trabalho na tela.

Dentro de alguns minutos me levantei e aproximando sutilmente dele, eu observava sua pintura.

"...!".

Ele fazia um retrato idêntico a mim.

Notas finais
Muito obrigada por disponibilizar alguns minutos do seu dia para ler o primeiro capítulo da história, fico muito feliz por ter chegado aqui. Tenha um excelente dia, ou fim dele, haha.