Namoro por Aluguel

8 Malditas borboletas.


Notas iniciais
Obrigada meus lindos que comentaram: Leitora Di Ângelo Anah Vi XD insano insone Sofia Anjos Bjus da Zia.

– Você está muito bonita hoje, com todo o respeito. – Tobias falou, ajeitando a franja.

– Obrigada – Falei.

Estava usando uma saia preta, rodada e uma blusa de seda branca. Calçava uma sandália delicada, com dois dedos de salto (era mais seguro assim, com dois dedos de salto eu não iria cair e rachar a cara no chão).Meu cabelo estava solto e liso, com cachos nas pontas. Por obra do destino, consegui sair mais cedo do trabalho hoje (eu tenho banco de horas, bastou sair vinte minutos mais cedo com a desculpa de que meu irmão estava em casa sozinho, o que era verdade, e eu já havia conseguido adiantar várias coisas.)

Acenei para minha mãe, que acabara de chegar. Ela gostara do fato de eu ter um “encontro”com alguém. Ele me deu um abraço rápido, depois abriu a porta do carro.

Sentei-me no banco do carro de Tobias. Era um carro popular, prata, lotado de livros da faculdade no banco traseiro.

O rapaz deu a volta no carro e sentou-se no banco do motorista, deu a partida e saímos. Ele cheirava a sândalo, alecrim e perfume masculino.

Ele ligou o rádio,porém conversamos durante todo o percurso.

* * *

– Que tal vermos aquela comédia romântica? – Indaguei.

Eu adorava comédias.

– Minha mãe já viu, é meio tediosa. Que tal o filme de terror?

– É baseado em fatos reais, nem pagando que verei.

– Aventura? – Sugeri.

– Pode ser, ou ação.

– Tanto faz,desde que não seja drama, não quero chorar. – Falei.

Ele sorriu.

– Sente medo de chorar?

– Você não iria querer me ver chorando, pareço um panda quando a maquiagem escorre.

Ele riu, exibindo aquele belo sorriso.

– Ok, será ação e aventura.

Vasculhei minha bolsa, procurando pela carteira. Entreguei a nota para Tobias, mas ele recusou.

– Hoje eu pago.- Disse.

– De jeito nenhum, eu pago.

– Não. Eu te proíbo de pagar.

– Não posso ser controlada. – Ri. – Pegue a nota.

– Um cavalheiro nunca deixa a dama pagar.

– Estamos no século vinte e um, imagino que a dama possa pagar.

Ele entrou na fila dos ingressos, ignorando-me enquanto eu estendia a nota. Derrotada, fui até a fila da pipoca, pelo menos isso eu ia pagar.

O atendente agia como um zumbi e demorou meio século para colocar a pipoca na embalagem.

As pessoas na fila atrás de mim reclamavam e praguejavam, dizendo que estavam atrasados para a sessão. Quando enfim o homem terminou, entregou a pipoca em minhas mãos. Paguei- o e demorou mais um tempo até que me desse o troco.

– Eu ia comprar a pipoca –Disse Tobias.

– Agora já comprei.

Ele estendeu o ingresso para mim, que guardei-o na bolsa.

* * *

Chegamos à sessão quando já estava na parte dos trailers, e dessa vez a culpa foi nossa já que ficamos conversando por um longo tempo na porta da sala. Desculpando-nos, Tobias e eu passamos pelas pessoas até chegarmos a nossas poltronas.

O narrador começou a falar, indicando que o filme começara.

E, apenas alguns minutos depois, em meio à saltos de alturas inimagináveis, tiros de metralhadora e carros em alta velocidade, as mãos de Tobias encontraram as minhas, repousando sobre elas. Ficaram lá até que o filme acabasse.

– Gostou do filme? – Ele indagou.

– Adorei. Esse filme foi muito fantástico.

– Eu também gostei.

As maiorias das pessoas já haviam saído do cinema, sobrando apenas nós e um casal lá no fundo (o casal nem prestara atenção ao filme, ficaram se beijando durante uma hora e meia.)

– Para onde vamos agora? – Perguntei.

– Comer, preciso de comida. – Falou ele,tirando o celular do silencioso.

– Acabamos de comer um pote de pipoca. – Falei, tentando parecer uma moça delicada. A verdade é que eu estava morta de fome.

– Eu sei você também está com fome, não tenha vergonha.

Soltei uma risada, sempre falhava em mentir. Mas, considerando que mentira para uma família inteira, achei que tivesse aprendido. Peguei meu celular e chequei as notificações: Dezenas de ligações em nome de Miguel e uma mensagem.

“Olá, “namorada”.

Mudei de número (é esse em que te mando a mensagem). “Salve aí, vou usar esse número a partir de agora.”

Desliguei a tela, não podia deixar Tobias ler a mensagem. Saímos da sala, deixando apenas o casal lá.

Já na praça de alimentação, nos sentamos em uma mesa para dois, um de frente para o outro. Cada um pegou o que queria (eu peguei macarrão, já ele pegou lanche).

– Você é da sala do Miguel? – Indagou ele, mordendo o hambúrguer.

– Sou.

– Tem intimidade com ele? Tipo, vocês conversam?

– Não – Menti – Por que quer saber?

– Eu tenho uma irmã, Akemi.

– Sério?

– É. Ela tem dezessete anos, é bonita, alegre. Costumava ser uma pessoa maravilha.

– Costumava?

– É. Ela conheceu o Miguel, ficou com ele. Ele só queria se divertir e ela queria algo a mais, sabe? Aquele clichê de sempre. Desde então ela só fica isolada, chora o dia todo.

– Coitada. Mas é isso que os safados fazem.

– Tenho vontade de socar aquela cara dele.

– Se acalme,ele vai pagar um dia.

– Será? Ele sempre faz isso, com todas as garotas.

– Pois é. Eu agradeço por não ter passado por isso com nenhum garoto.

Ele baixou o olhar, mordendo mais um pedaço do lanche.

– Vamos falar de coisa boa? – Falei – Tipo esse macarrão, ele é uma obra de arte.

Engolindo o lanche, ele sorriu.

– É tão bom assim?

– É perfeito, a oitava maravilha do mundo.

– É para combinar com a pessoa que o come. – Ele deu um sorriso torto.

– Ok, então estou com o macarrão de outra pessoa. – Ri.

Ele riu também. Terminou de comer o lanche e não me encarou enquanto eu comia, agradeci mentalmente por isso, odiava quando olhavam eu comer.

– Podíamos ir à livraria depois, o que acha? — Indagou ele.

Limpei a boca com o guardanapo, depois falei que podíamos ir agora. Caminhamos lado a lado, sem saber o que fazer com as mãos. Dar as mãos para ele? Não, muito casal de namorados. Colocar no bolso? Bom, eu não tinha um bolso. Decido deixa-la ao lado do corpo, balançando conforme andava.

Adentramos na livraria, vasculhando todo o setor de livros.

– Ana, pode vir aqui um segundo? – Chamou Tobias, colocando as mãos em meus ombros.

Tentei ignorar o formigamento de seu toque.

– Ok.

Ele me levou para um canto da livraria, na parte dos CD’S. Passou o código de barras em um daqueles aparelhos de tocar música, depois me disse que aquela banda era a favorita dele. Coloquei o fone nos ouvidos, identificando na hora a música.

– Ai meu Deus, isso é Green day?

– Você gosta?

– É minha segunda banda favorita, só perde para Queen.

Ele sorriu.

– Minhas preces foram atendidas, encontrei uma garota bonita com bom gosto musical.

– Meus gostos, no geral, são magníficos. – Me gabei. Ignorei a parte do “garota bonita”.

* * *

– Onde está o carro? – Tobias falou

– Você não anotou o lugar?

– Não.

– Então,estamos perdidos no estacionamento. – Falei.

– Pelo menos estou com uma pessoa legal.

– Minha pessoa costuma ficar chata conforme a fome for chegando, então sugiro que encontremos o carro antes de meu estômago esvaziar.

Ele sorri, mas estava concentrado em achar o carro.

Cerca de quinze minutos depois, ainda estamos rodando o estacionamento procurando.

– Acho melhor olhas nas câmeras. – Sugeriu ele.

– Eles não iam deixar que víssemos nas câmeras, olhariam na nossa cara e falariam “Sua vida, seu problemas, vão embora de ônibus”.

– Estou sem um real na carteira – Denunciou ele. – Não daria para pagar ônibus.

– Sua vida, seus problemas. – Zombei.

Ele riu, depois continuou a busca.

– Já passamos por aqui antes. – Falei.

– Droga, agora estamos andando em círculos.

– Calma, pequeno gafanhoto, nós vamos encontrar. – Falei

– Pequeno gafanhoto? Não tinha um animal menos másculo?

– OK, grande elefante.

– Melhorou.

Ele riu, apertou o botão do alarme do carro, e dessa vez ouvimos ao longe.

– Estamos perto. – Glorifiquei.

– Acabei de encontrar, lá perto do pilar.

De fato, o carro estava lá. Andamos lentamente até o automóvel, e teria sido tranquilo se:

Meus pés não estivessem doendo.

Meu celular não estivesse sem bateria

Eu não tivesse dado de cara com Miguel.

Ok, sou a pessoa mais azarada da face da Terra. Ele passou por mim e Tobias, não disfarçando enquanto nos encarava. Não disse nada, mas alguns instantes depois, uma mensagem chegou em meu celular.

Olá, namorada, você anda me traindo?

Kkkkk, brincadeira. Mas sério, era essa sua ocupação na sexta? Achei que fosse algo mais importante.

Aproveite seu encontro e, se me deixar dar uma dica, é melhor ira para a casa dele (vai ver a cama é maior, sei lá)

Boa noite, bons sonhos, bom encontro.

Xinguei-o mentalmente. Desliguei a tela, mas Tobias sequer parecia ter notado que Miguel passara em nossa frente.

* * *

– Foi uma noite legal, poderíamos repetir. – Disse Tobias.

– Quem sabe um dia desses. – Falei, embora quisesse falar: “ Vamos agora mesmo,aproveite e me leve para a igreja para nos casarmos”.

– Boa noite. – Falou ele, dando um beijo em minha testa.

Me afastei, acenando, mas ele me puxou pelo braço.

– Tinha me esquecido disso.

Então, me beijou nos lábios. Senti borboletas no estômago, poderia ir para Marte e voltar.

– Bao noite. – Falei, tendo a certeza de que estava corada.

Ele entrou no carro e eu abri o portão de casa.

Foi um dia maravilhoso.

Notas finais
Gostaram? *-* Postei uma nova fic (oneshot), ela é bem curtinha e tem só um capitulo, para quem quiser ler aqui vai o link: http://fanfiction.com.br/historia/607237/Um_conto_de_amor_e_amizade/