- Hoje vai ser o dia em que tudo na minha vida vai mudar – sussurrei.

Olhei para o relógio na parede acima do quadro negro, na minha mente eu contava os milésimos de segundos para aquela aula maldita de Matemática acabar e eu pudesse falar com ele.

Assim que o sinal bate o meu coração quase saiu pela boca, só de pensar que depois de 7 anos eu finalmente irei me declarar para Houjo. Joguei meu material de qualquer jeito dentro da bolsa e sai correndo da sala como um furacão.

A cotoveladas tentei andar pelo corredor cheio de alunos querendo férias daquela maldita escola. Desci os degraus das escadarias de dois em dois e rezando para que não caísse. Sai do corredor de pedra com vigas gregas que ligavam os jardins, o ginásio de esportes e todo o resto do campus colegial, indo de encontro ao campo de beisebol, o lugar mais provável para encontrá-lo.

A cada minuto meu coração batia descompassado, finalmente eu cheguei aonde tanto esperava.

Parei a uma distância considerável, olhei para todos os jogadores em suas respectivas bases, mas a única pessoa a qual eu tanto procurava não estava ali.

A tristeza me abateu naquele momento. Depois de tanto tempo ensaiando na frente do espelho, eu não iria ir até o fim? Tinha que ir. Mas como? O ingrediente essencial não estava ali.

Não, eu não vou me dar por vencida.

Apertei mais forte a alça da bolsa no ombro e fui em direção ao rebatedor no meio do campo de beisebol. Por via das dúvidas e para minha própria proteção, eu coloquei a bolsa em cima da cabeça, para que servisse como capacete, eu não quero que nenhuma bola não identificada me acerte.

O rebatedor estava com o taco pronto para acertar a bola do lançador, mas assim que me viu marchando em sua direção fez sinal de tempo com uma das mãos.

– Natsu, você sabe onde está o Houjo? – perguntei ansiosa.

– O H? A última vez que eu o vi ele estava indo até o galpão dentro do ginásio.

– Obrigada – dei um sorriso de agradecimento.

– Por que a pergunta? – perguntou muito curioso.

– Nada de importante, só queria falar sobre um trabalho

Disse obrigada ao lançador, que estava eufórico, pronto para lançar a bola de beisebol que coçava em sua mão enluvada. Não queria atrasar ainda mais o treino deles.

Dei as costas para o campo de beisebol. Voltei pelo corredor de concreto, indo para o ginásio, que assim que entrei pude constatar que estava completamente vazio. Será que ele estava mesmo ali? Eu tenho as minhas dúvidas.

Da mesma forma, eu fui até o meio da quadra e escutei um barulho estranho; olhei para todos os lados e parecia que estava vindo de dentro do galpão de esportes.

– H? Houjo? – perguntei baixinho, meio receosa.

Ninguém respondeu.

Aquele suspense de filme de terror está me matado. Só falta eu abrir a porta e um serial killer pular em cima de mim. Não, hoje não, por favor.

Do mesmo jeito eu andei a passos cautelosos até a porta de correr do galpão. Encostei minha mão na porta e a arrastei.

Eu preferia mil vezes que um serial killer tivesse pulado em mim do que ver o que vi.

– E-Eri...? Eu não acredito! – olhei mais uma vez para o casal deitado nos colchões de ginástica. – De todas as pessoas você é a que eu menos pensaria que iria fazer isso comigo.

A garota tentou cobrir seu sutiã de renda a amostra, abotoando sua blusa social branca de qualquer jeito.

– Você é uma vaca nojenta, Eri! – grito estridente um pouco distante do casal.

Houjo pareceu meio confuso com a situação, já a garota de curto cabelo castanho não sabia onde enfiar a cara.

– Kagome, eu... – ela se desprendeu dos braços do garoto, saindo de baixo do corpo dele, tentou se levantar, meio vacilante, dando dois passos na minha direção.

– Não ouse se aproximar de mim – adverti. – Você sempre soube o quanto eu gosto do Houjo. Deus! Só você sabe o quanto sou apaixonada por ele... – minha voz minguou, até sumir completamente.

– Kagome, eu tentei, eu realmente tentei falar para ele sobre você, mas eu também gosto dele. Sinto muito – ela abaixou a cabeça, envergonhada.

– E os meus sentimentos? Eles não valem nada para você ou simplesmente fingiu ser minha amiga e me ajudar para chegar a isso? – falei de forma fria. Não estava acreditando naquilo.

Isso é um pesadelo. Tem que ser.

– Amiga, eu queria te falar, mas...

– Não me chame de amiga – a interrompi. – Entre a Ayumi e a Yuka, eu a considerava minha melhor amiga. Mas agora, você me dá nojo. Quer saber? Vocês se merecem. Formam um lindo casal. Se aproveitem.

Dei as costas para eles. Correndo com a mão na boca, evitado que aquele bolo que subia de minha garganta saísse.

Me tranquei no banheiro vazio, entrei no primeiro reservado que vi aberto, me ajoelhei no chão na frente do vaso sanitário e me inclinei, vomitando tudo aquilo que estava sentindo. Depois que não tinha mais nada no estômago para vomitar, limpei a boca com as costas da mão. Dei descarga, abaixando a tampa de plástico e me sentando em seguida.

Chorei copiosamente, até soluçar como uma louca. Meu coração doía, pois estava partido em pequenas partículas pela traição da minha melhor amiga e a perda do meu amor de anos.

Bati a cabeça nos joelhos de tanta raiva, me levantei, ficando no pequeno espaço da cabine sanitária me permitia, bati varias vezes a testa na parede gelada de mármore preto. Sei que estou parecendo uma louca em crise, mas eu não ligo, a única coisa que quero é esfregar a cara daquela garota no chão.

Tento me acalmar, respirando e expirando lentamente, contando até dez mentalmente, qualquer coisa que me faça colocar as idéias no lugar e não me faça virar uma possível psicopata.

Não sei por quanto tempo eu fiquei lá dentro tendo meu momento de crise amorosa, mas depois que meus olhos queimavam de tantas lágrimas e não tinha mais nada para chorar, eu fui até a pia de mármore do banheiro. Encarei o reflexo no espelho e pude ver que estava pior do que achei que estivesse.

– Estou parecendo um zumbi atropelado – murmurei.

Meu rosto parece um pimentão de tão vermelho e os olhos inchados de tanto chorar, quase não dava para ver meus orbes castanhos, tirando o fato da minha testa estar com um galo do tamanho de um punho e vermelho por baixo da minha franja.

A porta do banheiro feminino foi aberta, tirando minha atenção do meu reflexo acabado e vi que minha ex-melhor amiga entrava, com os olhos tão inchados quanto os meus.

– Me desculpa – ela começou a dizer –, Kagome eu tentei falar de você para ele, mas... – ela aproximou-se de mim, parando a minha frente.

Meus cinco dedos foram de encontro com a pele de porcelana de Eri.

Eu não quero ouvir mais desculpas. Eu não aguento nem olhar para ela, quanto mais ter que ouvi-la.

– Não quero ouvir suas desculpas sobre o que eu vi, porque eu sei muito bem o que meus olhos virar e era aquilo mesmo. O que importa é que você enfiou sua língua na boca dele, mesmo sabendo o que eu sinto.

Eri ficou me olhando, perplexa pela minha frieza que eu tratava a situação. A morena acariciou aonde eu tinha lhe desferido o tapa, onde deixei uma bela marca vermelha de todos meus cinco dedos magros.

Aquilo não me fazia sentir vingada, mas era um ótimo começo.

– Guarde as suas desculpas para alguém que queira ouvi-las – bati meu ombro no dela e sai do banheiro, deixando-a sozinha.

Não conseguia esperar mais nem um segundo dentro daquela escola, então decidi que iria matar aula o resto do dia. Fui até o jardim leste do colégio e fui em direção ao carvalho plantado ao lado do muro. Arrumei minha bolsa no ombro e comecei a escalar a árvore. Minha mãe sempre disse que eu nasci com uma parte macaca, fico feliz por fazer jus a isso, pelo menos veio bem a calhar.

Me equilibrei com cuidado entre os galhos do enorme carvalho, até conseguir me equilibrar no muro e desci pela trepadeira. Corri desesperada sem destino, na verdade, eu não queria nem saber aonde eu iria parar, eu só precisava correr para o mais longe possível daquele colégio.

Quando dei por mim, estava na praça central da cidade. Sentei na pequena mureta do chafariz de Cupido e olhei para meu reflexo na água, enquanto deixava algumas lágrimas escorregarem pela minha face.

– A senhorita não parece bem – disse uma voz atrás de mim.

Dei um pulo de susto, colocando as mãos no peito para evitar que meu coração saísse. Encarei um homem com sorriso falso com um terno cinza, com uma gravata ridícula verde-limão e com cabelo loiro arrepiado com gel.

– Seque essas lágrimas – ele se abaixou, ficando na mesma altura que a minha, ainda sentada. Secou minhas lágrimas que ainda insistiam em cair, sem o meu conscientemente. – Sempre que me sinto triste me pergunto... O que eu mais quero ter que posso comprar?

Arregalei meus olhos castanhos, incrédula. O homem começou a mexer dentro de sua maleta marrom, a procura de algo, dando em seguida um cartão preto com letras perfeitamente escritas.

– Você é um vendedor?! – olhei, ainda não acreditando que naquela situação o homem estava pensando em me vender algo. – Você só pode estar zuando a minha cara, não é? Não acredito que esta tentando me vender algo, justamente nessa situação – balancei a cabeça, descrente.

– O que você mais quer no momento, minha cara? – perguntou, aproximando um pouco seu do meu.

Olhei mais uma vez para o homem de cabelo arrepiado, encarando seus profundos olhos azuis.

– Tenho mais o que fazer – sequei as últimas lágrimas, me levantei e dei as costas para o vendedor.

Antes que pudesse andar para me afastar do vendedor, ele agarra meu pequeno pulso. Olhei a mão que agarrava meu pulso e voltei a encarar o rosto com o sorriso falso do homem.

– Você é louco? – tentei puxar meu pulso, mas ele não soltou. – Se pretende fazer alguma coisa comigo, eu vou gritar.

– Eu te fiz uma pergunta muito simples, o mínimo que você tem a fazer é responder, não acha? – continuou com o sorriso nos lábios carnudos, mas seu tom de voz era serio. – O que você mais quer no momento? – repetiu a pergunta.

Já estava farta daquilo tudo. Todo meu dia foi um inferno. Primeiro tive que ver Eri se amassando com o meu Houjo. E agora tenho que lidar com um vendedorzinho muito insistente.

– Você realmente quer saber o que eu mais quero? – perguntei impaciente, mas não esperei que ele respondesse. – Eu quero um namorado! – Gritei sobressaltada.

– Hum – ele não pareceu nada abalado com o que eu disse.

O vendedor soltou o meu braço, voltando a mexer dentro de sua maleta. Depois do que pareceu somente uns minutos, ele me entregou um outro cartão, dessa vez rosa com letras em negrito e curvilíneas.

– Entre nesse site. Encontre o tipo de namorado que mais te atrai – falou o vendedor com normalidade.

– Fala sério, tio! Qual é? Você quer que eu contrate um garoto de programa? Acho que não estou tão desesperada assim. – Balancei o cartão em deboche e arqueei uma sobrancelha.

– Não são garotos de programa. Confira você mesma – disse se retirando.

Entrei no meu quarto, apenas enrolada em uma toalha e tranquei a porta em seguida, peguei um vestido florido confortável, logo em seguida me joguei na minha cama de dossel.

– Mais que dia horrível – murmurei, me espreguiçando.

Realmente esse tinha sido o pior dia da minha vida, sem exceção alguma. Preciso de algo para distrair a minha mente até a hora do jantar.

Peguei o livro A culpa é das estrelas do meu criado-mudo ao lado da cama, e o abri, procurando aonde tinha parado. Por dez minutos tentei ler as palavras a minha frente, mas por mais que a história fosse ótima e eu estivesse amando ler, não conseguia mergulhar de cabeça no livro, sempre uma frase ia e vinha a minha mente.

“Confira por você mesma”, as palavras que aquele vendedor tinha me falado não saia da minha cabeça. Confesso, eu estou curiosa sobre isso.

Levantei da cama em um pulo e procurei a minha bolsa que tinha jogado em algum lugar do quarto quando cheguei, mas estava tão transtornada que nem me dei ao trabalho de ver onde tinha jogado. Foi então que a vi, debaixo da minha mesa de estudos, do outro lado do quarto. Peguei a bolsa e abri o bolso da frente, tirando de lá o cartão rosa com letras em negrito, pela milésima vez eu estava encarando aquele bendito cartão.

– Meu namorado perfeito – li em voz alta o título do site.

Não sei quem é mais louco, eu por ouvir aquele vendedor e realmente querer entrar naquele site ou ele por me dar o cartão. Definitivamente, eu sou a mais louca.

Por mais louca que eu possa ser poderia estar entrando numa furada, mas já estava ferrada mesmo, mais uma coisa iria só se empilhar na minha infinita montanha de “merdas que fiz na adolescência”.

Peguei meu laptop rosa com adesivos de desenhos japoneses da mesinha e voltei até minha cama.

Fiquei de barriga para baixo no colchão macio. Abri o aparelho e esperei ligá-lo e conectar a internet. Encarei por um tempo o Google. Olhei mais uma vez o cartão e a tela fina do laptop.

– Se isso ferrar meu computado, pode apostar que vou atrás daquele vendedor – resmunguei.

Digitei o endereço que o cartão mostrava. Demorou alguns segundo até a página do site ser aberta e aparecer um fundo todo pink com o título “Meu namorado perfeito”, novamente escrito em negrito e uma letra curvilínea.

Automaticamente, sem clicar em nada do menu, a página foi para o álbum de fotos

O álbum mostrava garotos sorridentes em cenários deslumbrantes que parecia ter sido tirada de um catálogo de revista americana de tão prefeitos e gatos que eram.

Olhei aquelas fotos que eram jogadas constantemente na tela, admirada pela tamanha beleza de cada um.

Uma janela foi aberta, pedindo para que o visitante digitasse seu nome corretamente.

– Vai sonhando que vou colocar meu nome de verdade.

Yuuki. Esse foi o nome que escolhi e digitei, mas a página deu erro e continuou pedindo meu nome de verdade. Eu digitei mais três nomes aleatórios, mas nenhum era o meu. Mas o site não aceitou nenhum daqueles nomes e continuou pedindo o meu nome de verdade.

– Como esse site idiota pode saber que esse não é o meu nome? – questionei, dessa vez digitando o meu nome.

A página aceitou o nome dado. Sem apertar nenhum botão, apareceu outra janela, mas dessa vez com pequenas fotos de rapazes cada um mais lindo que o outro, vindo com o nome, idade e personalidade.

Meus olhos castanhos cintilaram a cada rolada de mouse.

– Que bobagem estou fazendo? – passei a mão pela testa, desarrumando minha franja. – Como se um site fosse mesmo me dar um namorado.

Voltei a deitar de costas, encarando o tecido branco do dossel. Joguei a cabeça um pouco mais para trás, olhando para a tela de cabeça para baixo. Arregalei meus olhos, surpresa.

Rodei meu corpo, ficando novamente de barriga para baixo e cruzei os pés no ar. Uma foto tinha chamado a minha atenção. Ela mostrava um garoto de cabelo grande liso e branco ou o que parecia ser um cinza meio prateado, olhos de um caramelo intenso que nunca vi na minha vida, mas a íris de seus olhos era semelhante a de um gato, mas aquilo era fascinante de se olhar, ele tem orelhas de cachorro ou algo do tipo, da mesma cor que o cabelo. Ele não faz pose alguma para a foto, somente encara a câmera com seu sorriso malicioso, mas mesmo sem posse alguma ele esta com um ar sedutor e irresistível.

– Humm... InuYasha. Dezenove anos. Sua personalidade é meio complicada de ser descrita, mas ele é bem humorado, tem um pavio curto, gosta muito de comer e dormir por muitas horas. Ele tem uma fascinação por anime e mangá, então, gosta de fazer cosplay, como na foto em que está vestido de meio yokai (demônio). Do mesmo jeito que gosta de provocar as pessoas, ele gosta de ser provocado e é carinhoso com quem quer ser – leio alguma das coisas que esta escrita em seu perfil.

Ele parece um preguiçoso meio bad boy, por mais que eu não goste de admitir, ele gosta de mangá e anime, assim como eu, então, eu já gostei dele.

Entorto a boca e estreito meus olhos visualizando tudo no rapaz. Desde o estranho cabelo branco até a roupa que usa, que é um traje vermelho do que parece ser de um samurai, daqueles da época medieval japonesa. Mesmo sendo antiquada, ele esta lindo vestindo aquilo. E a parte de cima da roupa esta meio aberta, mostrando muito bem seu tórax mais que definido. Sim. Ele definitivamente é meu tipo.

Vejo mais algumas fotos dele, quase sempre com um cosplay diferente do outro e até com roupas normais, que também o deixam muito gato. Suas fotos pareciam de um modelo internacional e eu babava em cada uma delas.

Após dar mais uma olhada em tudo que o site falava sobre o rapaz e babando incondicionalmente por tudo, vi no canto da página uma mensagem que perguntava se eu queria alugá-lo e por quanto tempo. O tempo variava muito, o mínimo era de uma semana o máximo por três meses. Nesse momento eu gelei toda.

Eu realmente iria fazer aquilo? Sim, eu ia. Já estava toda ferrada, como já disse, então, não estou me importando com mais nada no momento.

Cliquei em “alugar” e coloquei o tempo estimando de dois meses. Tive que preencher uma ficha para o aluguel e em como iria pagar, obvio, que seria com o cartão da minha mãe, se ela perguntar, comprei algumas coisas para a escola, mas se algo der errado eu canse-lo na hora.

Assim que terminei de preencher tudo, apertei em “confirmar o aluguel” e descrente de que aquilo fosse de verdade eu confirmei, no mesmo instante meu computador desligou sozinho.

– Mas o quê...?

Não estou acreditando que essa merda queimou meu computador. Bem, só podia dar nisso mesmo. Nada mais que o esperado. Mas do mesmo jeito, eu estou muito revoltada com a situação. Isso definitivamente vai para a montanha de “merdas que fiz na adolescência”.

– Vendedorzinho de merda – reclamo, tentando reiniciar o laptop, mas nada. – Ele vai ter que me dar outro computador – fecho o laptop com toda a força que tenho, quase o quebrando, só não o taco na parece porque tenho dó, mas isso não me impede de jogá-lo no chão e foi o que eu fiz.

Revoltada comigo mesma, eu deito na cama de tento dormir, sem jantar, estou revoltada demais para comer.

Eu fui acordada com a batida na porta do meu quarto e a pessoa parecia que já estava fazendo isso há um tempo. De relance olhei para o despertador em forma de Pikachu no meu criado-mudo, já era 7h30 da manhã. Eu realmente tinha dormido sem jantar e meu estômago protestava quanto a isso.

– Vai embora – gritei, ainda com o efeito do sono, em seguida virei para o outro lado e cobri a cabeça com um travesseiro, porque as batidas não cessaram.

– Kagome, abra essa porta imediatamente – minha mãe falou irritada.

Não tive outra alternativa se não me jogar da cama e ir andando como um zumbi até a porta e ver que minha mãe estava com o rosto vermelho de raiva.

– O que você estava fazendo? Eu estou aqui há quinze minutos!

– Estava dormindo. O que foi? – perguntei ainda muito sonolenta, eu só queria me jogar de volta na cama e voltar a sonhar com o InuYasha e minha fazenda de unicórnios voadores.

– Chegou um pacote para você, esta lá embaixo, venha ajudar os entregadores a trazer para o seu quarto.

Sem falar mais nada eu a segui até as escadas e fomos para o hall de entrada, lá estava três entregadores com uniforme azul semelhantes.

– O que é isso? – perguntei vendo o enorme pacote preto com fitas de cetim pink o envolvendo.

– Não sei. Só mandaram a gente entregar para esse endereço, endereçado à senhorita Kagome, é você? – perguntou um dos entregadores tirando os olhos da ficha em sua mão. Eu confirmei com a cabeça e ele me deu a ficha que estava segurando. – Assine aqui, por favor – ele disse.

– O que você comprou, Kagome? – perguntou minha mãe enquanto eu assinava e devolvia a ficha para o entregador.

– Não faço idéia – respondi encarando o pacote.

– Bem, só espero que não tenha sido com meu cartão de credito, mocinha.

Eu, minha mãe e os três entregadores tentamos levar o pacote misterioso para o meu quarto, aquilo era muito pesado e subir a escadaria de madeira não era um bom exercício para se fazer em plena manhã.

– Obrigada – eu disse depois que já tínhamos conseguido levar o pacote até meu quarto.

Os entregadores foram embora no mesmo instante, ofegantes e tão cansados quanto eu. Mas minha mãe ficou me encarando com uma cara que não entendi muito bem.

– Quê? Eu não comprei nada. Você proibiu de comprar alguma coisa com seu cartão desde que historie o crédito comprando mangá e os enfeites de Pikachu para o meu quarto.

– Acho bom mesmo. Porque se você tiver roubado o meu cartão e comprado alguma coisa pode tratar de arranjar um emprego de meio período para me pagar, mocinha.

Dizendo isso ela me deu as costas e saiu.

Bem, sim, eu tinha roubado o cartão dela e comprado uma coisa, mas aquilo não era possível, então eu dou graças por não precisar trabalhar para pagar nada.

– O que será isso? – Volto minha atenção para o enorme pacote a minha

Notas finais
Comentem se tiver algum erro ou se acharam bom,espero que gostem
Obrigado