Namorado De Aluguel
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capitulo — 02
Estou extremamente curiosa para saber o que está dentro desse enorme pacote. Tenho uma vaga ideia, mas não poderia ser isso. Nem de longe.
Mesmo receosa em abrir aquilo, não penso duas vezes em começar a desembrulhar o pacote, o que demora um tempo para arrancar toda a fita de cetim pink, assim que a fita não envolvia nem prendia o embrulho negro, todas as estruturas da caixa foram abaixo, revelando um garoto de cabelo branco comprido e lindos olhos caramelos intensos, quase amarelos.
Meus olhos se arregalam e não consigo conter que um grito escape da minha boca. Dou dois passos para trás e tropeço em minha bolsa, indo no mesmo segundo para o chão de bunda.
Tem um cara vestido de kimono no meu quarto e ele saiu de dentro de uma caixa, penso histérica.
– Sagrado Pikachu, eu perdi todo o pouco juízo que eu tinha! – coloco uma mão na testa para ver se aquilo é um sonho. – Eu estou sonhando, só pode – me dou um belo beliscão, que deixa meu braço bem vermelho e dou um gritinho de dor. – Não, eu não estou sonhando. Então estou louca de vez.
Volto meu olhar para o garoto, que continua sentado no que era o embrulho.
– Por que você esta com essa cara de assustada? Eu não sou um maníaco psicopata – fala o garoto, dando um sorriso malicioso para mim.
– Aí meu Unicórnio, ele fala.
Todo meu corpo treme e o quarto roda... ou seria a minha mente? Já não sei de mais nada. Isso só prova o quanto estou doida. Já posso até ver minha mãe me internando em um hospício.
– Claro que falo, não sou um bichinho de pelúcia, sou o seu Namorado Perfeito, Inuyasha. Prazer – ele se levanta, espalmando poeira invisível de sua roupa antiquada.
– N-Namorado Perfeito?! – pergunto desorientada.
– Sim. Não se lembra de ter me alugado?
– Alugado?!
No mesmo segundo um flash de lembranças estapeia a minha cara. Sim. Eu me lembro de estar brava na noite passada e ter recebi um cartão duvidoso de um vendedor que não tem senso de moda, lembro também de ter sido monga o suficiente para entrar no site que o cartão indicava e que ele ferrou meu computador.
– Você não é real! Aquilo foi apenas um site cheio de vírus que ferrou meu computador! – grito desesperada.
– Claro que eu sou real – ele revira os olhos. – Você acha mesmo que iriam lhe mandar um holograma?
Inuyasha começa a andar em minha direção, que recuo e bato as costas na parede, mas a cada passo meu coração parece que vai sair pela boca, de tão disparado que esta.
– Não precisa ficar com medo de mim, não vou te machucar – disse Inuyasha tentando me acalmar.
– Não se aproxime de mim, seu ser estranho – me levanto em um pulo e sai correndo pelo quarto, tentado ficar o mais longe possível dele.
– Ser estranho? Esta me chamando de alienígena? – pergunta ele, que obviamente esta se divertindo com a situação.
– Provavelmente você deve ser um alien que veio para a Terra para me abduzir e fazer experimentos científico com o meu corpinho. Você não vai me abduzir e me cutucar com instrumentos estranhos.
Ele franze a testa.
– O que você anda lendo, garota?
Consigo alcançar a porta. Pego na maçaneta, mas esta trancada e com minhas mãos trêmulas eu me atrapalho com as chaves.
– Você é bem doidinha, Kagome – ele fala no pé do meu ouvido e sinto sua respiração quente contra a minha pele.
Aquilo me arrepia toda e só intensifica a minha tontura.
Isso não pode estar acontecendo, foi à última coisa que pensei, antes da minha visão escurecer por completo e eu sentir minhas pernas vacilando e me sinto caindo.
Aos poucos fui acordando, piscando várias vezes para a minha visão ficar menos turva possível, mas minha mente ainda rodava um pouco, me causando um pouco de enjoou. Encarei o teto branco do meu quarto por alguns segundos, lembrando de todo sonho maluco que tive.
– Muita doidera para uma pessoa só – dou uma risadinha nervosa.
Me sento na cama e vejo que estou vestindo a minha camisola rosa quase transparente preferida, não lembro quando a vesti, mas isso me deixa feliz. Olho para o relógio de Pikachu no meu criado-mudo e vejo que já é meio dia. Como posso ter dormido tanto assim?
– Que droga, eu perdi a escola. Já posso até ouvir minha mãe reclamando comigo e falando que se eu continuar assim serei uma velha que joga vídeo game o dia todo – murmuro para mim mesma.
Jogo as cobertas de lado e me levanto, indo em direção ao banheiro buscar algo para o meu enjoou. Eu encaro a porta de madeira e tenho a impressão de ouvir barulhos do lado de dentro, como se alguém estivesse usando o chuveiro. Por instinto, eu corro até a minha cama e pego o meu taco de basebol que guardo debaixo da dela, só por segurança.
Eu coloco o taco em posição de ataque e me posiciono na frente da porta, pronta para matar o invasor.
Escuto o chuveiro sendo desligado e depois de cinco minutos a porta é lentamente aberta. Eu fecho os olhos e abaixo o taco com toda a força que tenho, mas ele é pego no ar.
– O que você pensa que esta fazendo? – pergunta uma voz masculina meio rouca.
Eu abro apenas um olho e me deparo com o garoto do meu sonho e ele esta somente de toalha e vejo claramente que saiu do banho agora, pois posso ver algumas gotículas de água em seu tórax definido e seu cabelo longo molhado.
Isso me faz ficar vermelha no mesmo segundo, ainda mais quando ele percebe que dei uma boa olhada em seu corpo. Inuyasha esta sorrindo novamente de forma maliciosa e seus olhos caramelo esboçam seu divertimento.
Solto o taco de basebol e dou dois passos para trás, olhando para ele incrédula. O garoto abaixa o taco e o coloca encostado na parede, depois segura à toalha que envolve seu quadril com uma das mãos.
– Você sabe que poderia ter me matado se tivesse acertado, não sabe? – pergunta Inuyasha.
– Eu pensei que fosse um invasor ou... – não consigo terminar de falar, a sensação de tontura esta voltando. – Você é real? – pergunto, ignorando o desconforto do enjoou.
– Vamos voltar para o começo de novo? – ele levanta uma sobrancelha, e quando eu não respondo nada ele solta um suspiro de derrota. – Sim, eu sou real. Me chamo Inuyasha. Você me alugou no site que se chama Namorado Perfeito. Mais alguma coisa? – ele para um instante para pensar. – Ah, você desmaiou mais cedo por achar que eu era um alienígena que iria te abduzir.
Ele ajeita a toalha na cintura e vai sentar na ponta da minha cama.
– O que foi? – ele pergunta, vendo que estou o encarando fixamente.
– Por que você estava tomando banho e no meu banheiro? – pergunto entrando em estado de histeria.
– Você me molhou todo.
– Quando isso aconteceu exatamente? – pergunto, tentando me lembrar do ocorrido.
– Quando você desmaiou eu resolvi te dar um banho para ver se acordava, obviamente não deu muito certo, mas pelo menos troquei a sua roupa por essa camisola, imaginei que ficaria mais confortável.
Uma imagem dele tirando cada peça de roupa minha passa por minha inocente mente. Até, que percebo que é só juntar dois mais dois e vou perceber que ele me viu...
– Nua. Você me viu nua? – grito, corando no mesmo segundo.
– A menos que você tome banho de roupa, eu não conheço outra forma de se tomar banho – declara de forma simplória.
– Você fez alguma coisa comigo? – Abaixo a cabeça para ver se eu tenho algum hematoma.
– Você quer mesmo saber? – Ele dá um sorriso malicioso de canto.
Pelo olhar dele já deu para saber a resposta. Corro até o telefone em forma de Pikachu e com os dedos tremendo e disco o número da polícia.
– O que você vai fazer? – Pergunta ele.
– Ligar para a polícia.
– Ligar para a polícia? – Pergunta Inuyasha de forma divertida. – Ninguém vai acreditar em você!
– Como? Por quê?
– Com certeza você vai falar que saiu um garoto de uma caixa de correio e ele deu banho e você e parece que te abusou. E mais algumas coisas que você vai inventar. Alem de tudo isso ser mentira que eu não fiz nada com você eles não vão acreditar, acredite em mim, isso já aconteceu.
– Polícia, qual é a sua emergência? – pergunta a mulher do outro lado da linha.
Eu realmente poderia – e ia – dizer tudo que ele falou, mas pensando bem, nem eu mesma acreditaria nisso se não estivesse acontecendo.
Derrotada, eu colocou o aparelho de volta ao gancho e deixo meus ombros caírem, frustrada comigo mesma. Realmente não tem nada que eu possa fazer para expulsa-lo?
– Pelo menos você é mais sensata que a última garota – diz de forma triunfante.
– Eu sabia, você é um alienígena pervertido – passo as mãos pelo cabelo, me despenteando, mas acho que a qualquer momento ou vou desmaiar ou vou vomitar, talvez os dois.
– Agora além de alienígena, também sou pervertido? – ele pergunta de forma divertida.
Inuyasha se levanta da cama e anda até um canto do recinto, eu sigo cada movimento com os olhos, em um misto de curiosidade e espanto. Até que sem aviso nenhum ele arranca a toalha da cintura. No mesmo segundo eu coloco as mãos na frente dos olhos e viro meu rosto ardente.
– Você não tem vergonha não? – digo cerrando os dentes.
– Você quer que eu tenha? – pergunta Inuyasha sério, obviamente ele não esta brincando.
Por um segundo eu viro meu rosto na direção dele, mas me lembro que ele está pelado e viro o rosto rapidamente para o outro lado.
– O-o que você quer dizer com isso?
– Oras, eu sou o seu Namorado Perfeito, você me contratou.
A voz dele esta bem mais perto que antes. Curiosa, eu viro o rosto e me deparo com ele frente a frente comigo, á apenas alguns centímetros de nossos narizes se tocarem.
– Você pode fazer o que quiser comigo – continua ele. – O que a senhorita desejar eu farei – sinto seu hálito quente e o cheiro de menta contra meu rosto e só aquilo me deixa doida.
– T-tudo que eu quiser? – pergunto encantada com tudo nele.
Meu olhar desse de seus olhos incrivelmente caramelos e encaro seus lábios rosados formarem um sorriso.
– Que mente poluída – fala de forma divertida. – Você esta pensando em coisas pervertidas, não é? – diz com seu ar malicioso. – Claro que você não pode fazer tudo literalmente, eu tenho que estar de acordo, não sou um garoto de programa, se você não percebeu. Mas para uma estudante do colegial, você tem uma mente muito suja – debocha.
Meu sangue ferve, tanto de vergonha, quanto de ódio por ele debochar de mim.
– Sai agora do meu quarto! – grito com raiva.
– Não posso. Goste ou não, você me alugou por dois meses e eu não tenho para onde ir até que o prazo expire.
– Vai para sua casa ou pega a sua espaço nave e suma daqui, qualquer coisa, mas saia da minha casa!
Inuyasha balança a cabeça e me encara um segundo antes de se jogar em cima da minha cama, usando somente uma calça jeans preta. Pelo que parece o garoto já esta agindo como se já fosse de casa. Ele senta e continua me encarando.
– Sinto muito, querida. Estamos presos um ao outro por longos dois meses – dá um sorriso maroto para mim e deita na minha cama, buscando as cobertas e indo dormir.
Poderoso Pikachu, não deixe isso acontecer. Eu sou apenas uma jovem treinadora Pokémon, eu não afoguei santo Antonio em um copo cheio de água ou algo assim. Alguém, qualquer um... Socoroooo!!!!
– O que você está pensando? – Falou isso com cara de confuso – Deve ser um de seus pensamentos maliciosos!
Virou-se para o outro lado com a intenção de ir dormir. Mesmo ele sendo um estranho o deixei no meu quarto, pois no momento meu estômago esta pedindo doces.
Desci as escadas correndo. Ao chegar à cozinha, de forma apressada e desengonçada bato o meu dedão do pé na quina de uma cadeira, fazendo com que a mesa balance e que o precioso vaso chinês os olhos da cara, quebrando-se em pedaços. Fazendo com que eu chore mais pelo maldito vaso – que eu terei que pagar com muitos zeros de brinde – do que pelo meu dedão.
Ao vaso se espatifar no chão ouso passos descendo pela escada. Um grito ecoa pelos os meus ouvidos
– KAGOME!!
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