A brisa fria da madrugada entrava pela janela e batia diretamente em meu rosto, fazendo meus cabelos dançarem no ar enquanto voavam suaves como borboletas para trás.

Eu não conseguia dormir.

Sentada em uma das cadeiras do meu quarto eu me sentia confortável enquanto meu corpo repousava sobre o acolchoado, revestido com um de veludo vermelho.

Eu olhava as estrelas, o céu relativamente limpo e estrelado lá fora e o campo enorme que era propriedade de minha família a mais de três séculos.

Eu amava tudo aquilo, amava olhar pela janela e ver o campo enorme e verde lá fora e quando o sol brilhava sobre o céu ele parecia se ascender também, com todas as árvores e sua vida. Os cavalos da família correndo pelo grande pasto, eu ainda conseguia vê-los em minha cabeça, se eu só imaginasse.

Inspirei. Até o cheiro era maravilhoso, eu iria sentir muita falta de tudo isso.

Olhei para a lua, enorme e majestosa que reinava no céu acima do nosso amplo casarão. Levei minhas pernas para cima da cadeira, abraçando-as quando o meu corpo convulsionava-se um pouco pelo frio, pela rajada de vento que havia me acertado segundos atrás.

Descansei a cabeça nos joelhos, os cabelos grandes e cor de bronze cobrindo meu rosto, então eu parei, realmente pela primeira vez para pensar em minha situação.

Eu iria me casar, muito brevemente. Um casamento arranjado e por interesses, não que isso fosse uma coisa que não acontecesse com frequência, mas um casamento onde eu ao menos conhecia o noivo, me deixava apreensiva.

Jacob Black. Era tudo o que sabia dele, seu nome. Além de possuir boa aparência e pertencer a uma das mais nobres e ricas famílias de toda a Inglaterra, pelo menos era isso o que todos comentavam, e em quanta sorte eu tinha por sua família se mudar para a cidade e Billy estar procurando uma noiva para o filho.

Ri por dentro, afortunada mesmo havia sido Lisa, minha prima. Casou-se com o homem que queria, com o homem que amava e que retribuía esse amor. E pelo bendito destino Alex ainda era rico, caso contrário tia Rosalie e tio Emmett jamais permitiriam tal união, seria um completo absurdo.

A mim restava apenas rezar, esperar e torcer para que o homem com o qual iria me casar não fosse no mínimo um velho sórdido, bem pelo menos, com certeza, sabia que Jacob não era isso. Possuía dezenove anos, quase vinte, dois anos mais velho que eu, que tinha dezoito e que já era considerada mais do que na hora de casar. Então restava apenas esperar que Jacob fosse um bom homem, que me respeitasse e me tratasse bem, eu só queria conhecê-lo, vê-lo.

Meu desejo se realizaria neste mesmo dia, mais tarde, com o jantar de noivado onde estariam reunidos os mais importantes nobres da cidade.

Apesar da rapidez das coisas e do casamento por interesses eu não estava aborrecida com meu pai, apesar do fato de que seria entregue a um completo desconhecido, apenas por ele ser influente e possuir muitas riquezas, terras. Seria a união de duas famílias poderosas, apresentaria um bem mútuo.

Eu havia sido educada desde muito cedo como uma dama, e em como uma dama deveria agir. Desde que me lembro sempre soube do risco que corria de possuir um casamento como aqueles e quando ele chegou eu não o temi de verdade.

Papai tinha certeza de que eu seria muito feliz. Afinal, que mulher não seria feliz tendo tudo o que quisesse? Tendo todo o conforto que apenas o dinheiro e o nome poderiam comprar? Era o que todos pensavam. Ele ainda pensava no sangue nobre de ambas as famílias que iriam se juntar e nos benefícios que isso iria trazer.

Eu já havia cruzado com a irmã de Jacob uma vez, Rachel, havia sido na área comercial de Devon, quando eu havia saído para comprar alguns vestidos. Era impossível não saber quem era Rachel, ou Paul seu marido, ou Billy, não quando todos comentavam da mudança da importante família Black para a cidade, não me foi surpresa que meu pai não pensasse mais que duas vezes antes de conceder minha mão à Jacob.

Quando Billy havia chegado em minha casa a duas semanas atrás e papai havia me chamado para ser apresentada formalmente a ele, eu já sabia do que se tratava, ou pelo menos imaginava, quando os dois trancaram-se no escritório de meu pai e este saiu de lá minutos depois com um sorriso enorme no rosto eu tive a certeza que precisava. Billy também parecia feliz com o acordo.

Papai esperou até que Billy fosse embora para me dar a notícia. Provavelmente com medo de que eu fizesse alguma cena ou fosse me opor ao casamento. Ele estava errado, eu apenas concordei com a cabeça e não pensei sobre isso mais hora alguma, nem mesmo quando Lisa veio até aqui em casa somente para falar sobre isso, nem mesmo quando Edward me disse o dia do noivado, quando Jacob finalmente iria chegar a cidade, e nós iríamos fazer um jantar, para anunciar formalmente a notícia.

Então a aflição, que eu havia evitado, todos os dias dessas semanas se fazia presente em minha noite e no início de minha madrugada, tornando-se dormir uma tarefa árdua.

Eu não conseguia parar de tentar imaginar como seria Jacob, como seria quando finalmente o conhecesse, como seria o nosso casamento e como seria a nossa nova vida.

Suspirei. Eu precisava dormir, ou pelo menos tentar, para estar minimamente bem apresentável para amanhã.

Levantei da cadeira e fechei as grossas cortinas que estavam enroladas ao lado da janela e me dirigi a cama convidativa quando o cansaço finalmente resolveu reclamar sobre as horas de sono perdidas até então. Deslizei sob a colcha e os rangentes lençóis de linho, fechando os olhos de pronto e conseguindo dormir sem grandes sacrifícios.



O dia demorou muito para passar. Eu havia me desligado do mundo e deixado minha imaginação vagar, mergulhando em minha própria mente. Eu costumava fazer isso quando Alice me arrumava para alguma ocasião, mas hoje estava demorando demais, mais do que qualquer vez anterior.

E Alice reclamava, era o que ela mais fazia. Da minha irresponsabilidade em não dormir bem na noite antecessora à de meu noivado, das minhas olheiras e em todo o trabalho árduo que ela teria em tentar escondê-las com maquiagem, então nessas horas o preferível era realmente me desligar e deixar Alice reclamar a vontade e sozinha.

Eu tinha uma mínima noção de como estavam as coisas no andar abaixo, pelo barulho, eu não havia saído do quarto o dia inteiro. Minhas refeições foram trazidas até mim pelos lacaios e minha mãe havia vindo ao quarto brevemente para checar como estava o andamento das coisas. Ela parecia exausta, pelo o que se via um jantar, pelo menos um desse porte, não era uma coisa simples e fácil de organizar.

Agora eu olhava pela janela, em mais um de meus devaneios.

O sol havia acabado de se pôr e seus últimos raios já haviam ido embora. O céu estava de um azul limpo com as nuvens relativamente baixas quando as primeiras gotas de chuva surgiram, pareciam mais que flutuavam no ar ao invés de caírem, iniciando a garoa, nada que fizesse os mais importantes e curiosos da cidade perderem uma ocasião como essa.

Meu corpo era vagamente lançado a frente, dando pequenos solavancos enquanto Alice fechava o espartilho, ela fez questão de fazer isso por si própria, recusando a ajuda de uma das criadas.

Como ela sempre dizia: ''Nada é mais eficaz do que um espartilho bem apertado.''

E, se tudo se tratasse basicamente disso eu estaria muito bem, a falta de ar crescente em meus pulmões e a dificuldade em me mover me indicaram isso assim que ela terminou.

– Pronto! — Ela disse enquanto dava pulinhos e batia palmas, como alguém que aprecia um trabalho bem feito depois de muito esforço.

Quando me olhei no espelho tive que reconhecer, Alice havia se superado dessa vez. Não havia uma mínima imperfeição em meu rosto, cabelo ou vestido.

– Obrigada tia! — Eu disse.

– Temos que reconhecer que a sua beleza ajudou, mas obrigada. — Ela disse com altivez. — Bem, vamos nos apressar e descer, aposto que a família Hoult já chegou, eles sempre são os primeiros.

Alice revirou os olhos e riu divertida.

Meu estômago se revirou por antecipação, aquilo estava mesmo acontecendo. Eu lhe sorri com um gáudio forçado.

– Nessie, eu estou tão orgulhosa e feliz por você. — Alice disse com uma alegria real, que transbordava em seus olhos que brilhavam.

Ela era só mais uma entre as muitas que já haviam me dito isso desde que os murmúrios sobre o noivado haviam começado.

– Obrigada tia, obrigada por tudo. — Eu disse com sinceridade e a abracei, ela me recebeu contente em seus braços finos.

Depois me afastou, olhou em meus olhos como se soubesse que eu precisava de forças e segurou em minha mão, me guiando em direção às escadas.

Papai não havia exagerado quando disse que todas as famílias mais importantes estariam ali. Eu já havia perdido a conta de quantas pessoas havia cumprimentado, de quantos sorrisos e risadas falsas já havia disposto.

Dempsie, Pearson, Patel, Hoult, Hewer, todas as famílias já estavam lá e Jacob nem havia chegado ainda. Eu perambulava por todo o salão, falando e recebendo a todos, pelo menos aquilo estava me ajudando a aliviar a tensão.

Foi quando ronco reconfortante e calmo da porta grande e pesada se fez notável e a família Black entrou no salão. Seria impossível não notar, mesmo que eu estive longe, o salão inteiro havia parado para observar a entrada dos Black.

Primeiro Billy, com todo o seu porte e autoridade. Seguido de Rachel, bela como sempre com Paul ao seu lado, os braços entrelaçados.

Por fim Jacob, eu poderia jurar que meu coração parou por alguns segundos assim que seus pés ultrapassaram a porta e seus olhos negros como um breu se fixaram em mim, como se já soubesse quem eu era.

Eu não poderia negar que Jacob Black tinha alguma coisa diferente, alguma coisa única que eu nunca havia visto em nenhum outro homem. Ao mesmo tempo em que sua beleza descomunal e elevada causasse um efeito hipnotizador havia ainda alguma coisa que emanava dele, que alertava para manter-se longe, como se Jacob fosse sinônimo de problemas.

Os pelos da minha nuca se eriçaram.

Eu não sei quanto tempo exatamente fiquei olhando para ele, nem mesmo com que cara eu estava enquanto fazia isso, mas só despertei quando os dedos de minha mãe tocaram em meu ombro, quando ela disse o mais baixo e disfarçadamente possível:

– Não vai cumprimentar o seu noivo Nessie? Não é educado deixá-lo esperando.

Eu não sabia de onde vinha a força que fazia as minhas pernas se moverem. Eu só sabia que estava andando, em direção a ele, que não havia tirado os olhos de mim um segundo sequer.

Quando cheguei perto de toda a família consegui ainda curvar-me, fazendo uma reverência a todos.

Billy segurou em minha mão, levando-a aos lábios e beijando-a, Paul fez o mesmo e Rachel curvou-se parcialmente também, com um sorriso recíproco nos lábios.

Quando cheguei até Jacob eu não acreditava em como ainda estava de pé quando minhas pernas tremiam por baixo do vestido volumoso.

Ele curvou-se também e me olhou com uma intensidade nos olhos que fez meu sangue quente amontoar-se nas têmporas. Ruborizar-me era meu mais grave defeito, uma maldição de herança de minha mãe e de minha pele clara. Eu nem ao menos necessitava de um espelho para saber o quanto estava vermelha. Sentia as bochechas ardendo e o calor que subia delas me obrigou a entrecerrar os olhos.

Jacob segurou em minha mão enluvada e levou-a até seus lábios, beijando-a convenientemente.

– É um prazer imenso finalmente conhecê-la senhorita Renesmee. — Sua voz profunda retumbou pelo interior de meu corpo.

Eu lhe sorri quando ele fez o mesmo enquanto erguia o corpo másculo e grande e seu cheiro afável entrava por minhas narinas. Seu sorriso abriu-se ainda mais quando viu meu rosto ruborizado.



Os lacaios vestidos com libré desfilavam uma variedade de pratos para o jantar, servidos em bandejas quentes de prata colocados sobre a mesa ou no prato dos convidados.

O jantar já estava acontecendo há um tempo com conversas sobre os mais variados e amplos assuntos, eu apenas concordava ou ria quando necessário.

Jacob estava sentado em uma cadeira de frente a minha na longa mesa e pouco me olhava. Pelo que pude observar ele era educado, um verdadeiro cavalheiro com bons modos a mesa. Não havia nada que reprovar em suas maneiras.

Ele ouvia com interesse cada assunto falado até então, parecendo realmente interessado na conversa que eu, até então, achava maçante.

Enquanto todos os homens estavam entretidos em uma conversa sobre negócios e terras, e as mulheres ocupadas demais falando mal uma das outras passei a observar Jacob. O modo como seus músculos se esticavam sob o tecido de algodão que cobria os bíceps e os ombros, admirei o modo em que seu cabelo negro como a noite caía brilhante pela testa. Enchi minha visão e mente com aquilo, guardando cada detalhe de sua impecável forma. Estava muito longe para poder aspirar seu aroma, mas isso não importava, eu ainda lembrava perfeitamente de seu cheiro.

Quando terminou de comer, Jacob levantou a vista de seu prato e descobriu-me olhando-o. Meu sangue subiu quente às bochechas e não pude deixar de cortar o contato visual que havia entre nós, eu não conseguia sustentar aquele olhar.

O coração deu um tombo, eu me sentia fisicamente atraída por aquele homem, era o melhor que eu poderia esperar, mas alguma coisa ainda remexia-se em meu estômago, alertando-me que nada seria tão perfeito e fácil como parecia ser.



O jantar já havia acabado, mas as pessoas ainda andavam, conversavam e riam animadamente pelo salão da mansão, enquanto lacaios serviam café, chá e destilados.

Estava de pé conversando com Lisa, ela relatava-me sobre a vida de casado e lastimava sua dificuldade em engravidar, eu sentia por Lisa, um herdeiro era o que todos esperavam.

Jacob estava do lado extremo do salão. Eu não deveria olhá-lo tanto, reparar tanto em com quem falava ou com quem ria, eu só não conseguia deixar de fazê-lo.

Ele conversava com Tom, da família Dempsie, parecia insatisfeito e entediado de ainda estar ali, uma hora daquelas. Ria e fazia breves comentários simuladamente até que me pegou olhando-o, pela vigésima vez naquela noite. Ele sorriu amplamente e quando Lisa me disse que tinha que checar Alex e saiu de meu lado seu sorriso se ampliou, talvez fosse a oportunidade que precisava para se aproximar.

Despediu-se de Tom, dando-lhe alguns tapinhas nas costas e veio andando em minha direção, o coração voltou a palpitar quando ele posicionou-se do meu lado, seu calor emanava levando ondas por todo meu corpo.

– Eu notei que vocês têm um estábulo. — A voz gutural disse.

– Sim. Temos muitos cavalos, são os melhores da cidade.

Consegui dizer sem parecer uma completa tola, me orgulhei disso. Jacob levantou as sobrancelhas parecendo interessado, os olhos adquiriram um novo brilho.

– Eu amo cavalos. — Ele disse. – Costumo cavalgar todos os dias.

Eu lhe sorri.

– Também adoro cavalos.

– Não pode me mostrar os seus? Os meus ainda virão da outra cidade e eu adoraria conhecer os melhores cavalos de toda a Devon.

Ele sorriu convenientemente, meu coração bateu ainda mais rápido.

– Não acho que seja apropriado.

– Isso é besteira. Você está com o seu noivo, além do mais estamos numa festa, ninguém vai notar a nossa ligeira saída.

Sua voz me passava um tipo de confiança, mas mesmo assim balancei a cabeça, não sabendo realmente o que fazer.

– Vamos! Eu prometo que será rápido. — Jacob insistiu, então eu concordei.

Ele pegou-me pelo pulso e saiu arrastando-me por todo o salão. Eu olhava para todos os lados tentando ver ser alguém prestava atenção em nós, mas não vi ninguém. Além de Jacob andar rápido todos pareciam entretidos em conversas, ou afetados pelo álcool.

O fato era que se alguém me visse com saindo com Jacob os boatos correriam como vento pela cidade e mesmo tratando-se de meu noivo aquilo não seria visto como algo de boa índole, estar com ele a sós, antes do casamento. De qualquer modo eu só iria mostrar os cavalos a Jacob.

Logo estávamos do lado de fora, a chuva havia dado uma trégua, mas foi o suficiente para deixar o céu e todo o local negro, difícil de enxergar e os ventos ainda mais revoltos que o habitual. Pelo visto isso aplicava-se apenas em mim, Jacob ainda me guiava e andava rapidamente pela escuridão onde eu mal conseguia determinar onde meus pés pisavam.

Quando minha visão começava a adaptar-se a escuridão eu pude distinguir algumas coisas, algumas tomaram forma e logo o estábulo azul celeste se pôs a minha frente.

Jacob olhou para os lados e depois voltou sua atenção para mim, as pupilas dilatadas devido ao escuro.

Tudo aconteceu rápido demais, mais do que os meus sentidos puderam acompanhar. Jacob pressionava a boca quente e carnuda contra a minha, ele me beijava, de um jeito bruto, um jeito que quase machucava.

Suas mãos contornavam toda a minha cintura enquanto eu ainda tentava pensar, fazer alguma coisa.

A falta de ar sentida por meus pulmões levou-me e constatação de que eu não queria parar, e nem queria que ele parasse. Logo quem estava agindo imprudente era eu que retribuía a cada carícia dada por Jacob.

Ele chiou, um som gutural quando tentou aproximar mais nossos corpos e o vestido impossibilitou.

A boca de Jacob foi ao meu pescoço, dando-me um tempo para respirar.

Eu queria realmente conseguir afastá-lo, ter forças para negar o desejo adormecido em mim que tinha aflorado assim que meus olhos bateram com os de Jacob. Uma moça que se prezasse nunca se agarraria assim com um homem, por mais que esse homem fosse seu noivo.

Meu corpo ficou rígido e a minha ação foi de total reflexo assim que senti a boca de Jacob na parte superior de meus seios, a parte descoberta pelo vestido, que praticamente pulava devido ao espartilho bem apertado.

Minhas mãos foram para o peito de Jacob e eu o empurrei com toda a força que tive, ele deu apenas um passo para trás enquanto eu tentava recuperar a respiração.

Ele me olhou e agora que minha visão tinha se adaptado muito melhor ao escuro eu pude ver o sorriso de lado que ele espantava no rosto e o jeito como ele me olhava.

– Pare. — Eu disse com a voz falha vendo que ele iria se aproximar de novo.

– Eu não sinto firmeza em sua frase senhorita Renesmee. – O seu tom era de puro deboche.

– Pare!

Eu não sabia como consegui formar a palavra com tanta convicção e firmeza e fazer saí-la como tal por minha boca.

– Você não precisa se fazer de recatada comigo Renesmee, eu sei que você quer isso também e além do mais já estamos noivos não é? Eu prometo que não conto a ninguém.

Eu não sabia se o que fez meus braços tremerem nessa hora foi Jacob achar que eu era uma qualquer ou o sorriso que ele ainda fazia questão de carregar no rosto ou a esdrúxula vontade de fazer minha mão aberta voar em seu rosto. Mas eu me controlei. Já não bastavam todos os limites que eu havia ultrapassado hoje, bater em um homem, meu futuro marido não seria nada favorável.

Reuni meu autocontrole e andei firme em direção a casa, rezando secretamente para que ninguém tivesse visto aquilo, ou para que Jacob não desistisse de casar comigo e saísse contando por aí os benefícios de ser meu noivo.

Passei direto por ele, ignorando sua mão que tentou segurar um de meus braços.

Pelo silêncio do local eu conseguia ouvir os seus passos a alguns metros atrás de mim, nós não poderíamos chegar juntos, era como se estampasse para todos que algo estávamos fazendo.

Entrei pela porta detrás, pela área dos serviçais passando pela cozinha. Não havia muitos criados ali, para a minha sorte e antes de chegar a sala havia um pequeno espelho perto de um dos quartos dos serviçais.

Eu olhei o meu reflexo. Nenhuma mudança drástica a não ser pela boca um pouco inchada e mais vermelha que o comum, além das primeiras manchas que apareciam em meu pescoço, maldita pele branca, tive que ajeitar os cachos do cabelo estrategicamente por cima delas antes de voltar ao salão, onde ainda se concentrava uma quantidade significativa de pessoas.

Mamãe foi a primeira que eu vi e pela sua reação estava me procurando.

– Minha querida onde você se meteu?

– Estava conversando com algumas amigas mamãe, socializando. — Menti.

Ela balançou a cabeça, acreditando, normalmente eu não mentia, então não havia sentido em desconfianças.

– Estou muito cansada, fiquei de pé o dia inteiro. Você se importa se eu for me deitar agora?

Ela olhou para o meu rosto e encarou minhas olheiras ocultadas pela maquiagem. Pelo menos aquilo era verdade, eu estava realmente cansada e havia passado o dia quase todo de pé.

– É claro querida. Mas despeça-se de seu noivo primeiro. — Ela disse com um sorriso formal nos lábios.

– Claro mamãe, boa noite.

Isabella me lançou outro sorriso carinhoso e voltou sua atenção para alguma mulher ao seu lado.

Era óbvio que eu não iria procurar por Jacob, era óbvio que eu sequer queria vê-lo. Ele era o principal motivo de eu querer me deitar agora.

Dirigi-me as escadas, que davam acesso ao segundo andar, onde ficava o meu quarto, mas bem ao pé dela, encostado no corrimão Jacob conversava com outro rapaz, dessa vez mais animado.

Assim que me viu sua atenção voltou-se a mim e fez questão em curvar o corpo, esboçando uma reverência formal, nos lábios o sorriso malicioso que apenas eu poderia ver, como se não tivemos feito nada a pouco lá fora, cínico.

– Tenha uma agradável noite senhorita Renesmee, espero que durma bem.

Notas finais
Reviews? Beijos.