Naive - Hiatus
13 Capítulo doze
Notas iniciais
Vamos lá... Dar as boas vindas e agradecer a lobablack pela terceira recomendação lindona da história, amei e fiquei muito feliz ok? Obrigada.
Boa leitura pra vocês!
— Seus nervos devem estar em frangalhos. Vim assim que soube do que aconteceu — Lisa dizia de um dos sofás do salão de visitas, a voz ligeiramente amorfinada.
— Do que estas falando? — Quis saber numa voz tranquila ainda sem olhá-la, meus olhos fitavam o sol que se punha no horizonte da janela, e tingia as árvores verdes da floresta num plácido dourado.
— Da sua criada, é obvio.
Finalmente atraiu-me a atenção. Bebericava o chá de camomila recém chegado que levantava uma fumaça sutil, observando-me por cima da xícara com os ansiosos olhos azuis.
— Nessie, sei o quanto é sensível a esse tipo de coisa — Disse numa voz compassiva. — Lembra-se da criada que cuidava de nós quando eramos meninas? E como chorou durante uma semana depois que ela faleceu?
— Eu estou bem — Disse numa voz firme, a veracidade transpassando por ela. Na verdade a morte da menina em nada havia abalado-me, mas dizer aquilo pareceu ser descortês demais no momento. — Só não suporto mais escutar o choro dos criados pelos cantos.
Lisa franziu os cenhos.
— Eram os pais dela — Sussurrou. — Supõe-se que deveriam mesmo ficar tristes.
— E supõe-se de que deveriam fazer isto longe de mim.
Lisa retorceu-se incômoda no sofá, o rosto fazendo uma careta. Deixou a xícara de chá na mesinha a sua frente.
— E o enterro, acompanhaste?
— Não — Disse numa voz sem vida sentando-me numa das cadeiras de frente para a sua e pegando uma xícara do chá, mexi-o com a delicada colher de prata.
— Correm pela cidade boatos de quem poderia ter sido — A voz disse por cima do barulho da prata batendo contra a porcelana. — Não tens medo? Eu como sua prima temo por sua segurança. A menina foi morta sob seu teto, não acharam o culpado. Se fosse comigo não sairia do lado de Alex, mas afinal você tem à Jacob.
Talvez, apenas talvez deixá-la na cama fora imprudência e estupidez, mas não arrependia-me. Havia vindo guardas para averiguarem a morte, mas ninguém desconfiaria o que realmente havia acontecido.
A bem da verdade não havia visto Jacob desde então a não ser pela janela. Não juntou-se para o desjejum e nem tão pouco para o almoço. Havia cuidado do enterro da criada, era o mínimo que poderia fazer pela família e os criados e donzelas segredavam pelos cantos o quanto o patrão estaria colérico com a morte da menina. Afinal é uma afronta algo assim acontecer na casa de um duque, sob seus olhos, sob seus poderes, cuidados e proteção, mas Jacob sabia bem quem era o assassino e eu sabia bem a quem sua fúria era dirigida.
Não importava. Naquela lúgubre manhã havia visto-o apenas pelas janelas espessas, rodeado por quase todos os criados enterravam a menina na terra fofa da floresta, a alguns metros do castelo, na parte detrás da casa, sob uma fina garoa.
Havia preparado-me para seu ataque, para as acusações, a ironia e os insultos, mas não vieram. No lugar disto Jacob havia sumido pelo resto do dia.
— Como bem disses tenho à Jacob — Disse sentindo o sabor acerbo que as falsas palavras tinham. — Não temo, não deverias temer por mim — Procurei tranquilizá-la.
Um sorriso afável apareceu-lhe no rosto. Lisa relaxou-se no acento, pegando novamente a xícara de chá com as mãos delicadas.
— Além do mais deve ter sido um ex namorado.
Anuiu com a cabeça.
— Sabe Nessie tenho uma notícia para dar-te — Disse sorrindo depois de tomar outro gole do chá. — Na verdade deveria esperar até o jantar que estou organizando, mas conheces-me, não aguento segurar-me e como minha melhor amiga contarei-te antes de todos.
Esperei encarando-a. Observando o genuíno sorriso que abria-lhe os lábios.
— Estou grávida! — Declarou entre pulinhos.
Minha mente ainda rodava quando agarrou-me e puxou-me o pulso.
— Venha, toque! — Disse depositando minha mão sobre sua barriga, numa protuberância que ainda não existia. — Ele já se mexe e o espartilho está começando a apertar-me, além de meus seios estarem maiores, disso Alex gostou.
— Eu aposto que sim.
Nada mexia-se ali, mas o sorriso jubiloso e orgulhoso que Lisa carregava apenas tornava mais clara a afirmação.
— Que venha um valente menino Dufroy! — Declarei.
— Menino, menina, para mim pouco importa. Que venha um valoroso Dufroy, com os olhos verdes de Alex.
— Virá! Oh, prima, estou tão contente por você e por Alex.
Estreitei-a entre meus braços sentindo a verdade em minhas palavras.
Ao mesmo tempo estava feliz por Lisa. Era tudo o que uma mulher queria, dar ao marido um herdeiro, mas ao mesmo tempo uma aterradora e esmagadora escuridão deixar-me sem ar. O medo de não poder sentir aquilo nunca, a angústia de não poder dar a Jacob herdeiros com seus olhos cor de ônix.
Escutei o bulício, o estalido som de passos contra o assoalho de madeira, mas não movi-me. Provavelmente seria a um dos criados andando pelo corredor e gostava do estado letárgico no qual o sono deixava minha mente, era acolhedor e quente.
A noite que estendia-se era fresca, apesar dos grossos pingos de chuva que batiam-se contra as vidraças da janela com a lua escondida atrás de nuvens cinzentas, deixando a noite mais escura.
O som estalido voltou a soar, juntamente com o ranger da porta e as batidas possantes de um coração e quando abri os olhos sonolentos e enevoados Jacob já estendia-se em sua figura solene diante de mim.
Deixei escapar um gemido da garganta quando não sabia o que dizer, quando sua presença ali não parecia mais real que um sonho, como um truque de minha mente nebulenta, mas logo o cheiro de vinho e brandy trouxeram-se para a realidade, era mesmo Jacob quem estava erguido ao lado da cama. Tinha a camisa aberta, mostrando o peito desnudo que oscilava com sua respiração potente e os cabelos negros bagunçados.
— Jacob?
Ele não respondeu.
Olhava-me como um animal faminto, com um brilho enfermiço em sua íris negra. Baixei a vista, seguindo o olhar entreaberto de Jacob. Os seios tinham estirado o tecido transparente da chemise e os mamilos eram claramente visíveis, escuros e grandes, aparecendo através do objeto.
Jacob não conseguiu conter-se e no segundo seguinte tinha meu corpo pressionado contra a cama e o seu. Poderia sentir como o seu coração batia grosseiramente contra o peito e o cheiro doce de bebida que exalava quando beijava-me o pescoço e percorria todo o meu corpo com as mãos quentes.
— Jacob, o que estas fazendo? — A voz soou tênue e hesitante.
Voltou a ignorar-me a voz, subindo os lábios por meu queixo para capturá-los em um beijo impúdico, com sua língua quente e doce deixando-me ébria, tonta com seus movimentos como sempre acontecia. As mãos subiram apertando-me os seios sem pudor ou delicadeza alguma, os dedos calejados acariciavam os mamilos rígidos ainda por cima da roupa.
O que não entendia era como aquilo poderia ser tão prazeroso e inexorável ao mesmo tempo. Como o prazer oscilava com a consciência e o orgulho como as ondas do mar, batalhando para ver no final qual onda seria a mais forte, qual onda quebraria contra a costa levando-me junto com suas consequências.
Mas aquela era a oportunidade perfeita, não era? Era aquilo o que eu queria. Jacob comigo, devorando-me com seus beijos e deixando-me entorpecida com suas carícias, fazendo-me sua e nada mais, mas algo ali não encaixava-se. O estranho calafrio da barriga que oscilava não provinha apenas de seus toques, do prazer de ter seu corpo contra o meu, seu calor febril, vinha como um presságio.
Forcei as mãos em punho contra seu peito, apenas o suficiente para afastá-lo e desviar os lábios dos seus no momento em que tentou capturá-los de volta. Sabia assim como eu que se voltasse a tocar-me novamente não conseguiria parar.
— Por Deus, pare. — Disse sem fôlego.
Os olhos desfocados e desconexos encararam-me, por meio segundo, para seus dedos afundarem-se em meu quadril e coxa, em um forte aperto e a boca oscular minha clavícula.
Era tão difícil — na verdade parecia impossível — pará-lo, encontrar em mim o desejo de querer pará-lo.
O frenesi desesperado crescia cada vez mais dentro de mim, a necessidade doentia de ter Jacob quando suas mãos que agarravam-me o quadril e a coxa impulsionando-os contra o seu quadril, de encontro com seu membro viril e rígido, fazendo-o soltar gemidos roucos, exalando o cheiro doce de bebida contra meu rosto.
— Jacob, por favor pare! Eu não quero — A voz saiu embargada pela garganta que havia fechado-se e que quase não passava o ar necessário para a respiração. Saiu como uma lástima, junto com as lágrimas que transbordaram e explodiram de meus olhos ardentes deixando a visão turva como uma janela em um dia chuvoso.
— Não quer? — A voz saiu em tom escárnio quando mal conseguia ver Jacob, sua figura indistinta pelas lágrimas.
Ergueu-se, deixando meu corpo sem o calor de seus braços e apoiou os joelhos na cama para completar com irônia:
— Oh querida Nessie, não parece-me que não quer.
A mão direita deslizou por debaixo do tecido da chemise e subiu o caminho pelo meio de minhas coxas, dedilhando-as, causando formigamentos e espasmos. Afundando a mão em minha virilha, apertou-a, passou os dedos pela pele sensível e molhada que possuía no meio das pernas.
Minhas unhas cravaram-se contra o colchão quando mordi os lábios bruscamente reprimindo o grito.
— Está tão molhada, não parece em nada que não queira. Pronta para mim — Declarou com a voz rouca.
Subiu a mão ainda por debaixo do tecido por meu quadril, parando-a na barriga, deixando o seu rastro de fogo com os dedos.
— Estas bêbado. — Choraminguei com a voz fremente e baixa.
Ignorou-me. Logo tinha o seu corpo sobre o meu novamente, envolutando todo ele em seu calor febril. As mãos passeando por dentro e fora do tecido, tornando a linha do certo e errado tênue novamente, quebrável como cristal.
— Por favor Jacob, pare!
Os lábios desviaram-se dos seus no momento em que tentou tocá-los, virei a cabeça bruscamente tombando-a para o travesseiro, observando as cores vibrantes dos quadros a que tinha nas paredes, na liberdade e na leveza de que as pinturas pareciam ter e transmitiam.
Jacob bufou colérico em cima de mim. Os lábios fartos e macios desceram os carinhos de minha bochecha, beijando-me o queixo e o pescoço de maneira truculenta.
— Vamos Nessie, eu sei que queres.
A voz rouca soou abafada pelos beijos que distribuía por meu colo, enviando ondas por meu corpo, fazendo com que por um momento eu desejasse obedecer suas palavras.
Jacob sabia bem o que fazia e quando sua mão afundou-se novamente em minhas coxas desejei fazer o que suas palavras sussurradas sugeriam, afundar-me na sensação de prazer inexorável que apenas Jacob poderia proporcionar. Quase deixei-me levar quando dois de seus dedos invadiram-me, mas algo pareceu estalar naquele momento. Jacob não queria-me, não de verdade. Não precisava de nada a mais do que alguém que satisfizesse suas vontades aquela noite e depois tudo voltaria a ser como sempre fora, como sempre era quando ele acordava no outro dia de manhã.
— Pare!
Minhas mãos apoiaram em seu peito amplo antes que pudesse prosseguir com o movimento e empurrei-o com a força necessária para afastá-lo. O corpo de Jacob foi lançado, batendo-se contra a parede causando um estrondo alto e fazendo poeira e lascas de madeira dançarem no ar no local onde havia atingido.
Olhou-me a princípio confuso, como se tentasse entender o que acontecia, como se o golpe fosse atordoante demais. Então franziu os cenhos e os olhos adquiriram o líquido letal negro, ardendo contra mim. Desviei o olhar ao chão, não conseguindo encará-lo. Seus passos ressoaram firmes contra o chão de madeira e fechou a porta com seu barulho rangente atrás de si.
A batida acelerada de meu coração apenas deu-me a certeza que gritava em meu interior. De nada do furuto sabia, mas uma coisa era certa. Naquela casa não passaria a nem mesmo mais uma noite.
Notas finais
Deixem reviews que aí eu posto rapidinho.
Bjs.
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