Notas iniciais
Bom dia! Obrigada a todas pelos reviews. Gostaram da nova capinha?
Um obrigada suuuuper especial pra Dark_Josy que recomendou a fic lindamente, fiquei muito, muito feliz, obrigada flor /sigam o exemplo dela haha

Tinha ido deitar na hora de sempre, mas não dormia. Prestava atenção a cada som, a cada sussurro do vento até assegurar-me de que todos na casa estavam dormindo.

Havia feito tudo absolutamente normal durante todo aquele dia.

Havia despertado pela manhã, com o canto os pássaros e os raios da alvorada. Havia arrumado-me com a ajuda de Cassie e descido para o café da manhã ao lado de Jacob, absorta no silêncio. Ele tão pouco olhou-me, parecido entretido por demasiado no prato de torradas e queijos frescos à sua frente. Depois do café dirigi-me para o jardim e passei boa parte da manhã na companhia de Cassie, entre as conversas, as rosas de cores vibrantes e os fracos e tímidos raios de sol que de vez em quando saiam por detrás das nuvens.

No almoço Jacob estava lá novamente, na outra extremidade da mesa com a mesma máscara de indiferença que sempre possuía. Não atreveu-se a falar sobre o ocorrido na noite anterior ou tão pouco dirigir-me o olhar.

Pela tarde li o livro ao qual tinha depositado algum tempo de leitura nos últimos dias, mas a leitura romântica, que tanto fazia-me suspirar parecia não ter mais tanta relevância agora, soavam tanto como mitos e lendas aos meus ouvidos.

A noite dirigi-me para o sala de jantar de novo, para acompanhar Jacob em mais uma de suas refeições silenciosas, mas agora o silêncio não parecia incomodar como incomodava antes. Ao fim do jantar subi as escadas, dispensei Cassei e agora tinha o corpo descansado sobre o colchão e cobertas quase rendendo-me ao relento.

Havia feito tudo absolutamente normal durante todo aquele dia, a não ser pelo vestido que trajava por debaixo das cobertas, ou do tempo que havia depositado a tarde para retirar a mala de couro fervido de debaixo da cama e colocar vestidos — os mais simples e menos volumosos, assim teria mais espaço -, sapatos e jóias, e também pelas ideias impávidas que rondavam em minha mente agora.

Iria fugir, essa era a ideia que passara rondando minha mente a tarde inteira, mas as consequências ainda eram assombrosas, eram elas que faziam-me ficar com um pé atrás, eram elas que fizeram-me até agora não levantar da cama e atirar-me noite afora.

Sim, a família Cullen tinha seu prestígio frente a sociedade, eram conhecidos, mas o sobrenome Black sobrepujava a tudo aquilo e eu sabia disso, qualquer pessoa em todo o reino sabia aquilo. A família Black era mais rica, mais conhecida e mais influente. Era ligada à família real desde que todos lembravam-se. Os avôs de Jacob haviam sido amigos íntimos dos reis, corriam boatos por todos os lados de que um deles havia salvado a vida de um antigo rei e o próprio Jacob conhecia e tinha uma ligação com o monarca, então perguntava-me o que eram os Cullens perto dos Blacks? Absolutamente nada, e pensar no que Jacob faria à minha família assim que soubesse de minha fuga fazia um frio incômodo subir por minha espinha.

Não era hora para pensar sobre isso, não era hora para hesitar.

Concentrei-me na audição, não havia nenhum coração batendo mais forte que o normal, não haviam conversas, barulhos ou ruídos. Poderia escutar a todo o castelo se fechasse os olhos e concentrasse-me.

Levantei-me da cama, coloquei os sapatos e o joguei o manto escuro e marrom sobre os ombros, deixando o capuz pendendo-se acima de minha cabeça. De debaixo da cama retirei a mala de couro e segui para as grandes janelas, abrindo-as e sentindo a rajada de vento frio e revigorante que bateu contra meu rosto, fazendo os cabelos voarem atrás de mim. Tive a cautela em abri-las com o mínimo de barulho possível.

Encarei a altura vertiginosa que fazia a cabeça rodar, porém não arriscaria-me de descer pelas escadas e sair pela porta. Algum criado poderia ver ou pior, poderia ser com Jacob a quem encontrasse.

A mala foi primeiro, fazendo um barulho surdo ao bater contra a terra fofa. À direita possuía uma estrutura que elevava-se junto com as flores a qual poderia usar para descer, quase como uma escada, mas apenas pular a janela economizaria tempo e faria menos barulho então subi no parapeito da janela e lancei-me, aterrizando perfeitamente de pé.

Já na noite escura e fria recolhi a mala e dirigi-me aos estábulos, com o vento forte e sussurrante puxando-me os cabelos para trás. Quando cheguei procurei por um cavalo e escolhi a uma égua pomposa, era o mais plácido entre os cavalos a que tinha mas também um dos mais rápidos, havia observado muitas vezes cavalheiros e criados a montá-la. Eu poderia ser muito mais rápida a pé, correndo pela noite, mas a égua serviria mais. Poderia a vender depois de um tempo, quando o dinheiro que conseguiria com as jóias já ouvessem estinguido-se, conseguiria um bom preço por ela.

Amarrei a mala em seu lombo, conduzindo-a para fora do estábulo, para a noite onde seus pelos brancos brilhando contra a luz prateada da lua. Montei-a sem dificuldades, usava sapatos sem saltos. Agradecida a Edward pelas aulas de equitação puxei as rédeas e logo a égua corria veloz noite a fora, embrenhando-se pela floresta.

Não tinha em meu caminho a casa de meus pais, era aonde Jacob procuraria-me a princípio, mas tão pouco sabia para onde ia, era uma sem rumo.

Se a floresta ao dia, com os raios do sol jubilantes já causava-me calafrios a sensação de estar dentro dela, na madrugada escura era muito pior.

Já vinha cavalgado a algum tempo e agora, cada vez mais dentro da floresta, cada sombra parecia mais escura e cada som, mais agourento. As árvores apertavam-se e afastavam a luz da lua em seu teto verde abobadado. Folhas secas fendiam-se sob os cascos do cavalo com um som que fazia lembrar o quebrar de ossos. Quando o vento raramente aparecia fazia restolhar as folhas e era como se um dedo gelado desenhasse um percurso ao longo da espinha.

Ao fim estava contente por ter trazido a égua comigo, era alguma companhia, algum conforto, alguma vida em meio aquele ar fúnebre apesar de ser silenciosa.

A noite também não ajudava. Estava negra, úmida e encoberta de nuvens cinzentas, nenhum vento agitava os bosques e o ar pairava úmido, pesado e rançoso. O silêncio era agonizante, quase fazendo-me querer alguma companhia, qualquer companhia e uma bruma sinistra impedia-me de ver com clareza qualquer coisa que encontrasse-se adiante.

Uma centelha de terror tomava conta de mim, havia entrado em um labirinto sombrio e não sabia como, ou se, sairia dali. Em todas as direções em que ia erguiam-se árvores e mais árvores, que pareciam espreitar-me cada um dos movimentos. Dei-me por mim olhando para cada sombra com desconforto, sombras negras estas que pareciam criar formas e pareciam seguir-me pela floresta quando coloquei o cavalo a galope. O medo pregamos peças, dizia mentalmente e a floresta por si só já era aterrorizante demais, assim como a imaginação rica e tola.

Quando o crepitar das folhas e galhos pareceu provir de mais perto o animal enlouqueceu, berrando e empinando-se, escoiceando o vento e quase derrubando-me consigo. Desmontei, segurando sua rédea e tentando acalmá-lo quando um clarão rompeu-se pelo céu, clareando o lugar por um instante para revelar uma silhueta que observava-me de entre as árvores.

O coração paralisou-se um segundo e um grito permaneceu estagnado em minha garganta quando meus dedos apertaram as rédeas nervosamente, deixando as dobras brancas. Ele aproximou-se, com um meio sorriso sádico nos lábios.

— Doce Renesmee, nos encontramos outra vez — Sua voz soou quando o medo paralisava-me cada célula do corpo. — Oh, mas não parece-me mais tão doce assim, não é fugitiva?

Seu rosto em um pálido enfermiço, os cabelos castanhos caídos na altura dos ombros trouxeram-me reminescências, lembranças pungentes de que jamais poderia esquecer. Ele olhava-me, analisando-me cada expressão com um sorriso maníaco nos lábios.

Aproximou-se mais alguns passos, o cavalo içava-se, berrando desatinado. Fez-me recuar em resposta, seu sorriso apenas aumentou.

— Deixe-me em paz, deixe-me ir — Disse aflita.

Fez uma careta lastimosa e continuou aproximando-se a passos despreocupados.

— Receio que não deva.

O terror tomou conta de mim, o coração foi quase a boca quando senti contra minhas costas uma árvore. Estava em um beco sem saída e aquele sádico continuava aproximando-se.

— Dei-lhe apenas uma tarefa e não a cumpriu, como pôde? — Perguntou consternado.

Estava a apenas alguns passos de mim, a essa altura o coração já era como um tambor, debatendo-se feroz contra o peito.

— Estas louco — Proferi. — Nem ao menos o conheço, por favor saia de meu caminho.

Não sabia de onde tinha crescido tamanha audácia, mas a voz lastimosa e quebradiça em conjunto com as pernas e mãos trêmulas que tinha apenas serviam para comprovar o temor que sentia, ainda assim tentei achar passagem, um brecha que fosse. Seus olhos letais observavam-me com suas íris verdes febris e não moveu o corpo por nem mesmo um centímetro.

— Era tudo tão simples, havia sido para isto que criei você — Lamentou-se. — Você viveria na casa dele, dividiria a cama com ele e tudo o que tinha de fazer era seguir os seus instintos, saciar as suas vontades, bebê-lo, mas agora é completamente inútil para mim mocinha furtiva.

Seu rosto transformou-se e era como encarar a um espelho. Suas presas branças saíram e elas brilhavam perigosas e afiadas contra a luz da lua, as veias arroxeadas saltaram ao redor de seus olhos completamente negros. Em nada lembravam o homem formoso a que parecia ser.

Suas mãos agarraram-me o pescoço em um aberto de aço, bloqueando qualquer respiração imediatamente. Minhas mãos fracas soltaram as rédeas do cavalo, ouvi o som de seus cascos fugindo contra a relva úmida. Içou-me o corpo como se não pesasse mais do que um saco de penas e manteve-me no ar, com os pés flutuando e as costas contra a árvore áspera enquanto eu tentava inutilmente lutar para me libertar, mas ele era muito mais forte, parecia não sentir os arranhões ou os chutes que tentava acertá-lo.

— Mas antes de matá-la tenho de saber, como conseguiu controlar-se?

— Afaste-se dela! — O som procedeu-se como uma trovoada, vindo de algum lugar à minha direita e fez com que o homem virasse a cabeça para acompanhá-lo. Eu não precisei, reconheceria à aquela voz onde quer que fosse.

No momento quis gritar, espernear e a luta prescindível contra o vampiro tornou-se mais árdua, apesar da tontura que sentia pela falta de ar. Não tratava-se apenas de minha vida agora.

O homem a minha frente limitou-se a sorrir mais abertamente.

— Jacob, não! — Consegui dizer em um fio de voz, quando o corpo quase entregava-se ao torpor.

— Agora sim isso ficará mais interessante — O homem disse.

Apertou-me ainda mais pescoço e no segundo seguinte só pude sentir o ar frio que envolveu-me o rosto, junto com as gotículas de água providas da garôa que começava a cair. O impacto de minhas costas contra uma árvore a metros de distância veio logo depois. Seu tronco quebrou-se em partículas ecoando um estrondo alto em toda a floresta. Quando finalmente senti o chão abaixo de meu corpo senti também as pontadas de dor lancinante que provinha de minhas costelas e da cabeça que latejava, seguiu-se do cheiro forte de sangue, do meu sangue.

Os olhos turvos não conseguiam ver nada a frente além da dor, cegava-me apesar de procurarem ansiosos e cegos pelos de Jacob.

— Nessie! — Sua voz ecoou parecendo cada vez mais distante.

No instante seguinte sua silhueta erguia-se diante de mim. Agachou-se e retirou uma mecha de cabelo de meu rosto. Parecia que ainda estava envolvida pela bruma, seu rosto angustiado desfocado pelo torpor, mas ainda dentre as nuvens da tontura seus olhos negros brilhavam, ofuscando a enorme fadiga. Permiti olha-los, mergulhar-lo mais uma vez, mas transmitiam um temor tão real e tão palpável que a dor excruciante da cabeça teve atenção novamente.

— Nessie? — Murmurou com um semblante coberto de dor, a voz embargada.

Queria ter forças para poder protestar, mandá-lo voltar para o castelo, correr dali o mais rápido que conseguisse mas não encontrava-a por mais que esforçasse-me.

Jacob ergueu-se novamente, tomado pela fúria. As costas largas oscilavam com sua respiração pesada.

— Senhor Black, sinto informá-lo mas acho que veio um pouco adiantado. — Disse o vampiro com um meio sorriso irônico nos lábios, apontava com o indicador para o céu encoberto acima de nossas cabeças, para a meia lua que brilhava de maneira morbífica.

— Não preciso de lua alguma para acabar com você Cameron — Respondeu-o de modo altivo, — sabes que não podes comigo, vai arrepender-se disto.

Apertou as mãos em punho de maneira tão forte que as dobras ficaram brancas.

— Eu tenho minhas dúvidas — Respondeu-o ainda com o sorriso arrogante de que fazia questão em não tirar do rosto.

— Pois não as tenha. Não precisei da lua quando acabei com aquela sanguessuga que estava com você.

A expressão do vampiro mudou, os músculos e as feições ficaram rígidas quando mostrou as presas brancas e afiadas.

— Como chamava-se mesmo? — Jacob continuou, marchando em passos controlados o caminho a minha frente. — Elizabeth, não?

O vampiro rugiu, produziu um som que provinha do fundo de sua garganta e que mais assemelhava-se ao de um animal.

Nessa hora minha cabeça já dava voltas, tonta e completamente banhada pelo sangue quente que escorria-me. Só conseguia pensar em Jacob e em seu orgulho insano de enfrentar ao vampiro. O que ele esperava? Não seria possível que nós dois morrêssemos naquela floresta, naquele chão úmido.

Talvez o medo que sentia, o medo que sentia por ele principalmente fora o que deixara-me acordada até agora, apenas escutando a conversa desconexa que não parecia ter muito sentido entre eles, mas a essa a altura a cabeça já latejava tanto e o cheiro de sangue era tão forte, estava tudo tão turvo, tão nublado que via-me cada vez mais sem saída.

— Deverias ter ficado até o final, para ouvir como seus ossos tiniam com o fogo — Jacob disse.

Aquele pareceu ser o estopim. O vampiro de olhos completamente negros jogou-se na direção de Jacob e o som produzido fora tão alto, que minha cabeça latejou ainda mais.

A escuridão finalmente começava a vencer agora, agarrava-me com seus braços negros puxando-me em sua direção, apesar de ainda conseguir ouvir os grunhidos e estrondos da briga e quando a inconsciência profunda chegou só conseguia pensar nele, apenas nele.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Leitoras fantasminhas manifestem-se, a mão de vocês não vai cair, garanto.
Bjks.