Já no hotel, toda a equipe recebeu instruções para o dia seguinte, onde iria ser armado o palco e queriam todos cedinho em frente ao hotel para pegar o ônibus que nos levaria até o local da apresentação.

Nossa primeira parada era o Japão. Todo mundo já parecia familiarizado com o ambiente, e deduzi que os rapazes já tiveram um show aqui.

— Sook, você e Sophie vão ocupar um mesmo quarto. Já cuidei disso. – Ele nos entregou a chave do quarto. Achei estranho.

— Você não vai dormir com sua namorada? – perguntei. Antony ficou envergonhado, assim como Sook, e imaginei que havia dito algo de errado.

— Não é costume que isso aconteça aqui.– Notei que Tony tinha ema expressão de angustia. Sook sorriu, ainda mais vermelha.

Acabei percebendo que os dois ainda não tiveram nada. Absolutamente NADA. Quase desmaiei ali mesmo. Era hilário pensar que meu irmão não podia tocar na própria namorada. E ele deveria MESMO gostar dela para aguentar tanto tempo. Conti a risada. Só que era quase impossível. Tony me repreendeu.

— O que foi? – Me fiz de desentendida.

— Você é uma peste! – Ele disse, em meu ouvido, antes de se afastar. Revirei os olhos, achando tudo isso divertido.

Eu e Sook encontramos o quarto, e descobrimos que algumas pessoas da equipe de produção estariam no quarto ao lado. Tony, provavelmente, ficaria no mesmo quarto que os garotos, já que era o principal responsável pela banda agora.

Durante a viagem, Sook comentou que Bang estava sozinho todo esse tempo dirigindo a gravadora, e que precisava dividir a sobrecarga. Por esse motivo, decidiu contratar um Co-Produtor para ajudá-lo nas atividades que ele não puder se concentrar. Os dois se davam muito bem, mas Bang era exigente e por isso, não iria facilitar as coisas para Antony, porque queria testar seus limites e capacidade. Até então, meu irmão estava indo muito bem. Bang nem mesmo precisou vir a turnê, e estava contando com o sucesso do meu irmão. Era uma avaliação.

— Vai nos acompanhar amanhã? – Perguntei pra Sook, que já começava a abrir a mala.

— Eu não pretendo ficar o dia todo nesse hotel. – Ela riu. – Além do mais, eu preciso fazer ajustes nas roupas dos meninos.

Depois de conversarmos bastante, meu irmão passou avisando que todos devem descer para jantar. Logo eu seria apresentada para a equipe de produção técnica e estava ansiosa com essa interação. Sook percebeu.

— Não se preocupe, todos são ótimas pessoas, e vão te receber muito bem. Estarei lá para qualquer coisa que precisar. – Me tranquilizou. Ela era realmente legal.

Caminhamos até o restaurante do hotel, e encontramos Tony na mesa da equipe analisando um bocado de papeis. Nos sentamos próximo a ele, e Sook o fez largar aquela papelada para comer. Fui apresentada pra equipe.

De fato, Sook estava bastante certa sobre serem legais e até divertidos. Logo eu já estava me enquadrando, mesmo não trocando muitas palavras.

Vai participar da missão?— Um rapaz alto de cabelos pretos e com um rosto simpático, me perguntou. Ele estava ao meu lado.

Missão?— Perguntei, confusa. Ele riu, mas foi Sook que respondeu.

Todo show, os meninos recebem uma missão para se divertirem com a equipe, e cada missão deve ser cumprida até o fim do show. Quem quiser participar, é só colocar o nome em um papelzinho e aguardar se você será ou não alvo da missão deles.— O grupo da equipe técnica concordou, animado.

Todos nós colocamos nossos nomes. — Sook disse. Tony parecia animado com ideia.

Parece realmente divertido.— Declarei, e o rapaz deu um leve empurrãozinho em meu ombro, tirando do bolso um pedaço de papel e uma caneta.

É só escrever seu nome.— Disse, sorridente. Ele era até bonito.

E eu convicta de que eram todos iguais. Mas dava para notar sim, as diferenças.

Tudo bem! — Anotei o nome e entreguei o papel. O mesmo ficou envergonhado. Se levantou e levou o papel para o responsável pela caixinha de missões. Este estava conversava animadamente com a banda, que eu nem havia reparado já ter chegado.

O primeiro que me viu foi o V Oppa, que com um largo sorriso, acenou em minha direção. Os outros fizeram o mesmo, e alguns até me chamaram para ir até eles. Jimin Oppa me encarava com um sorriso no rosto, e parecia envergonhado.

“Minha nossa, será que todo mundo na Coréia era tímido?” – Pensei.

O rapaz de cabelo preto retornou, sentando ao meu lado. Olhei para a banda, e decidi que era melhor não sentar com eles, pois não queria estragar o que acabara de construir com a equipe. Inclinei a cabeça agradecida, mas recusando a oferta. Eu não sabia se seria vista com bons olhos me enturmando com a banda. Geralmente as pessoas não abusavam disso. Eu, com certeza, não queria abusar disso. Além do mais, algumas conversas paralelas no avião não me fazia amiga deles, não é mesmo?

Acho que metade do mundo mataria pra estar no meu lugar agora, e eu não parecia me importar com nada disso. Bom, eu não tinha culpa de não ser uma louca fanática. Certas coisas não me surpreendiam e muito menos me agradavam. Eu não vou fingir ser o que eu não era. Porque não fazia sentindo colocá-los no pedestal quando eram apenas seres humanos como todos nós. Dinheiro e fama não endeusava ninguém.

A proposito, meu nome é Chul.— Chul estendeu a mão, e apertei, surpresa com a repentina apresentação. Conti um suspiro.

Realmente lindo.

***

— Tomem cuidado com o telão! – Meu irmão gritava com alguns homens que posicionavam um dispositivo que liberava os efeitos de fogos artificiais. Aquele lugar estava uma loucura. – Recomecem, por favor! – Ele pediu, e os rapazes recomeçaram a dança.

Não sei por quanto tempo ficaríamos ali, admirando o BTS ensaiando, mas confesso que era muito divertido quando V Oppa e o Maknae se distraiam a ponto de errarem a coreografia. O professor de dança deles já estava perdendo a cabeça, e eu quase pude enxergar a fumacinha saindo de seus neurônios. Não estava mais conseguindo segurar os risos. Até eu dançava melhor.

— Qual é a graça? – Tony perguntou, ao meu lado.

— Nada. – Crispei os lábios, em uma tentativa horrível de disfarçar.

— Está me desconcentrando. – Tony ralhou.

— V Oppa e Jungkook compartilham disso. – Brinquei. Meu irmão me fuzilou. – Parei!

Porque não vai verificar se os instrumentistas estão precisando de ajuda?— Sugeriu. Percebi que ele me queria longe dele.

Não hesitei em “obedecer”. Pelo menos não iria ficar ouvindo as reclamações do meu irmão. Passei por trás do palco, ainda notando os meninos dançarem. Chul estava testando a bateria.

Precisa de ajuda?— Perguntei, no momento em que me aproximei dele. Chul e Sook eram os únicos que eu realmente tinha alguma afinidade na equipe.

Na verdade, o Shei está com dificuldade em conectar os sons principais das guitarras. – Chul apontou. – Ele não bate muito bem da cabeça, e o Quin o deixou responsável por essa parte.

Posso dar um jeito nisso. – Falei, observando a careta que Chul fazendo ao olhar o colega de trabalho quebrando a cabeça.

Comecei a ajudar Quin a reconectar a fiação no lugar certo, pedindo para ele esticar o cabo da guitarra e desenrolar. Escutei o coreografo ralhar com o grupo, sugerindo 5 minutos de descanso.

Mal tive tempo de impedir, quando notei que Jungkook e V Oppa “brincavam” de soco, causando um susto em Quin pela aproximação, e conseguintemente, puxando o cabo de vez. Um barulho quase ensurdecedor ecoou no campus, e eu estando próxima, acabei levando, literalmente, uma rasteira do cabo. Mas invés de sentir a dor da queda, braços me puxaram para cima, e dei de cara com Jimin Oppa.

— Minha nossa! – Expressei, surpresa e assustada com a quase queda. O ruivo me encarou confuso. Eu havia dito em português, e ele não entendeu, é claro.

Foi por pouco.— Ele disse, ainda próximo, e senti que ainda segurava meu braço.

O clima esquentou ou eu só percebi agora que aquele canto do palco era mais quente. Preferi imaginar que fosse canto abafado e aquecido pelos instrumentos elétricos.

Obrigada.— Agradeci, e dei um pouco de espaço nessa aproximação. Era quase indecente como ele me encarava. Ou era o jeito dele olhar?

Com certeza era bastante sínica sua expressão, e o mais estranho era que ele não fazia esforço pra isso...

Meu Deus! O que eu estou dizendo?

Estão todos bem?— Antony subiu ao pouco, preocupado. Alheio ao clima estranho entre mim e Jimin.

Quando tudo já estava resolvido no incidente, notei que Jin ralhava com os mais novos, pela brincadeira de mal gosto e o quanto aquilo poderia ter causado um verdadeiro acidente. Eram bobos, e eu não os culpava pelo que tinha acontecido.

— Não se machucou, não é? – Tony se aproximou, ignorando Jimin, que ainda estava por perto, e me avaliava, como se estivesse igualmente preocupado.

— Eu estou bem. Jimin Oppa me salvou de uma enorme queda. – Respondi, apontando para o ruivo logo atrás.

Tony agradeceu a ele, e pediu para encerramos os ensaios por hoje. Todos já estavam bastante cansados pelo longo dia de afazeres.

Antes de entrarmos nos ônibus, Chul decidiu me fazer companhia, e fomos o caminho todo conversando. Lá trás, eu podia ouvir o grupo se divertindo, e com o barulho, olhei para trás, bem a tempo de ver Jimin me observando, e disfarçando logo em seguida.

Eu não sabia se era costume dos coreanos se preocuparem tanto assim com uma pessoa, e desconfiava de que havia perdido essa matéria no curso. Era até fofo a forma como ele parecia ansioso em vir falar comigo, e ao mesmo tempo, fingir que não estava nem aí. E aquele clima estranho na aproximação...

Eu não esperava que um momento daquele fosse proporcionar-me certa angustia. O que tinha sido aquilo?

(...) Tenho quase certeza que a missão do Jin é mexer no cabelo toda vez que chamamos seu nome(...)— Chul tagarelava, e eu nem ao menos conseguia prestar atenção. Apenas no fato de que ele lembrou-me da missão do grupo.

Eu não fazia ideia de como funcionava as missões, então Chul me explicou que toda a equipe precisava descobrir qual era a missão de cada integrante, e quem descobrisse, tinha o direito de fazer um pedido a eles.

Isso era interessante. Qual seria a missão do Jimin?

Um pedido, não é?— Perguntei, querendo confirmar. Chul assentiu.

Notas finais
Olá, gente! Estão gostando? Gostaria de uma resposta de vcs. o/ Obs: As frases que estiverem em Italic, é porque são ditadas na linguagem coreana. Mas acho que já deu pra notarem isso. Rsrsrsrs... Bjss