No dia seguinte, fui incumbida de manter o grupo “hidratado”. Levando água para quem precisasse. Não era a melhor tarefa do mundo, mas Tony insistiu para que eu ficasse longe do palco, pelo menos até terminarem de testar os fogos e os efeitos especiais. Era ridícula a preocupação exagerada do meu irmão. Mas não iria reclamar, porque lá fora estava fazendo um calor terrível, e aqui dentro das salas privadas de ensaio, provadores e a sala da maquiagem, estavam bem refrescantes com os ar-condicionados.

Chul organizava os auditivos da banda, enquanto os rapazes ensaiavam a nossa frente. Depois de verificar se a equipe de Sook não precisava mais de mim, sentei em um banco de madeira próximo a porta, observando o ensaio.

De técnica em eletrotécnica pra entregadora de água?— Chul brincou. Revirei os olhos. – Um avanço, hem?

Culpe o super protetor Tony Oppa.— Fiz um gesto exagerado com as mão. Chul riu.

Compreendo.— Chul sorria.

Ficaria surpreso se soubesse que ele pode ser pior que isso. – Comentei. Nisso, observei Jimin seguindo em nossa direção, com um enorme sorriso de quem estava prestes a aprontar alguma.

Você está muito bonita hoje, Sophie.— Ele disse, de repente. Pisquei várias vezes, surpresa.

O que você disse?

Que você está muito bonita hoje. – O ruivo afirmou. Eu não sabia como reagir a isso.

Obrigada. Eu acho...— Respondi, incerta com o elogio repentino.

Você fica muito bem de cabelos soltos.— Ele continuou. Olhei para Chul que estava tão perdido quanto eu naquela onda de elogios. – Seus olhos são azuis... minha cor preferida, sabia?

Não, não sabia.

O que diabos estava acontecendo? Porque ele estava me elogiando tão descaradamente? Eu estava com um leve pressentimento de que aquilo era um jogo...

Um jogo... A missão! Esta era a missão dele? Me elogiar?

Tenho quase certeza que seus olhos brilham quando sorri. Eu poderia tirar a prova?— Ele perguntou. Me levantei, desconfiada.

A sua missão é me fazer sorrir?!— Mais acusei do que perguntei.

Poxa, acertou em cheio.— Disse. Mas não parecia nem um pouco decepcionado por ter perdido. O grupo começou rir ao redor, dizendo coisas aleatórias como: “Jimin perdeu a missão!”,Eu sabia que ele não iria conseguir!”.

Caramba, foi quase de graça essa!— Chul ria, empolgado tanto quanto os outros que estavam próximo.

Você não parece nem um pouco triste por ter falhado.— Falei, olhando para Jimin.

Você tem direito a um desejo.— Desconversou, fazendo o sinal de número 1 com a mão.

Eu não faço a menor ideia do que te pedir.— Fiquei pensativa e dei de ombros. Chul tocou meu ombro.

Pode decidir até o fim do show.— Explicou. Fiquei aliviada. Jimin mantinha o sorriso.

Até lá, vou ficar a disposição.— Fez uma referência e se afastou em direção ao seus amigos de banda.

Nem precisei dizer que estava constrangida com aquilo. Fiquei feliz por, pelo menos, ele não ter feito isso na frente do meu irmão. Seria ainda pior. Ou melhor dizendo, um desastre fatal.

Você é uma sortuda!— Chul sorria, empolgado. Desconfiei que tinha algo de duplo sentido em sua frase. Mas não questionei. Estava mais preocupada em descobrir a mente por trás dessa missão.

Não fazia sentido nenhum uma missão tão específica assim! Só poderia ser uma brincadeira de muito mal gosto.

***

Já no hotel, todos pareciam ansiosos pelo dia seguinte, afinal, era O grande dia. O restaurante do Hotel estava em um turbilhão de emoções. E todo mundo comemorava o fim dos ajustes para o show. Meu irmão parecia confiante, e até chegou a brincar com os integrantes.

Após a refeição, decidi que estava cansada demais para continuar naquela animação, e resolvi voltar para o quarto. No caminho, ouvi um assobio.

Já vai dormir?— Era Jimin, com seu sorriso simpático de sempre.

Essa era a ideia.— Respondi, recomeçando a andar. Por alguma razão, sua aproximação ainda me deixava nervosa, desdo incidente.

Quer ver uma coisa muito legal?— Ele perguntou, e mal me de tempo para responder, porque já me arrastava escadaria de emergência acima. Não tive escolha se não acompanhá-lo. Parecia bastante apressado.

Depois que passamos por uma parta larga de ferro, uma ventania nos acolheu de imediato. Estava fazendo muito frio, e agradeci mentalmente por esta de jaqueta, mesmo que tenha errado em colocar um vestido. As botas mantinham meus pés aquecidos, mas não era o suficiente. Contudo, era suportável.

A vista de Tóquio, daqui, é maravilhosa.— Jimin apontou para o muro parcialmente alto. Estávamos no terraço no alto do prédio.

De fato, ele tinha razão. Era completamente brilhante e animada a noite. Era quase como estar em Nova York. Com a única diferença de que, no lugar de cabelos loiros de olhos claros, tínhamos olhos puxadinhos e cabeleiras invejavelmente lisas.

— Nossa... – Expressei, sem folego com a paisagem colorida.

Espero que isso seja uma expressão boa.— Jimin disse, chamando minha atenção.

Sim! É uma surpresa, na verdade.— Olhei da paisagem para ele. – Maravilhoso, como você bem disse.

Era incrível como nosso silêncio preenchia todas as poucas vezes que trocamos palavras nessa viagem e durante a produção do Show. Eu não sabia se ele percebia isso. Mas eu me senta frustrada com alguma coisa... Era quase como se estivesse faltando algo.

Ele estava sorrindo, e era gritante a maneira como aquele sorriso me atraia como um ímã. Era irônico se fosse avaliar, porque, apesar de rir frequentemente com deboche, eu não lembrava da última vez que havia sorrido por motivo algum. Simplesmente sorrir por se sentir feliz, ou bem. Na maior parte do tempo, eu apenas fingia que o mundo não existia, e que era ignorada por todos. Daí a ausência de motivação para sorrir. Eu nunca precisei.

Ainda não fez o seu pedido. – Eu podia ouvi-lo sussurrar. Mas eu ainda estava alheia a qualquer barulho ao redor. Eu estava em transe, pensativa.

“Como seria beijá-lo?” – Era o que eu pensava enquanto, involuntariamente, analisava seus lábios que se mexiam e não se ouvia som algum. Não sei bem quando meus pensamentos criaram vida e quebraram o filtro da minha boca.

Eu só consegui perceber que a ventania fria não me incomodava mais quando lábios quentes e macios pressionaram meus próprios lábios. Sensação de prazer era imensa, e eu já não me sustentava no chão, recebendo apoio do muro e de um forte abraço em minha cintura.

O que eu estava fazendo?

No momento em que me dei conta da situação nada decente. Dei um leve empurrão no ombro de Jimin, que parecia tão confuso quanto eu. Eu não acreditava em amor a primeira vista. Isso tudo estava errado. Esse momento não era real.

Não podemos.— Falei, em uma tentativa débil de convencer a mim mesma de que de fato não podia continuar.

Algo errado?— Jimin perguntou.

Por alguma razão, aquela pergunta me deixou irritada. Ele não poderia ter se interessado de uma hora pra outra assim por mim. Chances como essas eram mínimas e eu nunca me dei ao luxo de acreditar nessas coisas. Momentos assim, pra mim, eram questão de oportunidade lançada...

Rapidamente me dei conta de que ele me conseguiu fácil demais. Hoje mais cedo, na descoberta da missão, as palavras de Chul ecoaram em minha mente: “Caramba, foi quase de graça, essa”.

Tola! Aquela missão não deveria ser específica. Jimin inventou aquilo!

Você me enganou!— Acusei, o afastando ainda mais de mim. Ele parecia confuso. – É um ótimo ator, sabia?— Fiz menção de me afastar. Mas ele me impediu.

Do que está falando?— Perguntou, agitado.

Missão, desejo... BALELA!— Gritei a última palavras e ele finalmente se deu conta. Não esperei pela sua reação. Bufei e saí a passos pesados daquele terraço.

Notas finais
Oi gente! Então? Estão gostando? Estarei postando capítulo enquanto estiver com alguns reservas. Depois disso, apenas um ou dois por semana. Bjsss Preciso da resposta de vocês!!!! Acham que eu deveria mudar algo? O que eu poderia trazer de útil pra nosso Sophie? Alguma habilidade, atribuição mais em destaque? Me digam nos comentários.