Não vou lutar contra o que eu sinto...

3 Capítulo 3 - Desabafo e ação


A semana seguinte transcorreu normalmente. Quer dizer, na medida do possível. Kitty tentava a todo custo evitar ficar perto de Marley, já que sabia que olhar para ela era inevitável. A morena, por sua vez, ainda continuava muito quieta e isso causava estranhamento em Jake, eles já haviam se desentendido diversas vezes. Frustrada pela distância da loira e pela falta de contato depois daquele beijo ela começava a se perguntar se não tinha sido sua imaginação a inventar tudo aquilo. Ou se ela não tinha se precipitado ao pensar que seu sentimento era correspondido. Ainda não entendia a bipolaridade de Kitty e ainda estava com raiva pelo episódio com as cheerios. Qual era a dela, afinal?

Aquela semana foi especial no clube do coral, eles teriam a presença de Santana Lopez novamente e todos adoravam quando os veteranos apareciam, mesmo que fosse alguém tão inconstante e com a sinceridade tão afiada como a da latina. Mas alguma coisa realmente chamou a atenção de Kitty naquele dia. Santana, ex-cheerio, ex-capitã das líderes de torcida, inclusive, namorava outra ex-cheerio que era do grupo do coral, Brittany. E ninguém parecia se incomodar com isso. A loira estava curiosa, mas se sentia travada para conversar com elas, já que a latina tinha deixado claro que não gostava dela depois das Sectionals. Ela não podia culpá-la, sabia que tinha sido maldosa com Marley. Quando o ensaio acabou, todos saíram, exceto Brittany e Santana e Kitty. Aquela era sua oportunidade.

K: Santana... [chamou]

S: Ora se não é a vadia da mini Quinn! Seu ídolo não veio comigo dessa vez. [deu-lhe um sorriso cínico]

K: Eu quero conversar com você. Com vocês duas na verdade [não se abalou].

Santana estava pronta para fazer mais um comentário desagradável, mas Brittany segurou seu braço, como quem pedia à namorada para ser legal. A latina calou-se.

B: Pode conversar! [disse com um sorriso doce, aproximando-se para sentar-se perto de Kitty].

Santana bufou e de má vontade foi para o lado de Brit.

K: Vocês namoram, certo?

B: Certo.

K: Como... Como isso aconteceu? [perguntou tímida]

A pergunta chamou a atenção da latina, que não esperava esse tipo de pergunta.

S: Para que você quer saber disso? [arqueou a sobrancelha]

Kitty corou.

K: Eu... [não conseguia falar]

B: Você está interessada por uma garota Kitty?

K: Eu não sei... [confessava, sua voz quase um sussurro].

Um sorriso estranho se formava no rosto da latina. Antes que uma piadinha fosse proferida, Brittany se manifestou:

B: O que você sente?

S: Não! Peraí, parou! Antes de tudo, quem é? [segurava o riso]

B: Para San! Deixa ela falar... Fala Kitty... [disse atenciosa]

K: Eu não sei. É tudo muito confuso, eu tenho medo. Medo do que os outros vão achar, mas eu não consigo não sentir. Eu quero ficar perto dela, quero cuidar dela. Eu não sei lidar com isso.

Santana não pode evitar perceber a semelhança de sua história com a de Kitty, o que a fez ficar um pouco mais simpática em relação à loira.

S: Ela sente a mesma coisa?

K: A gente se beijou...

S: Você gostou?

K: Não foi um beijo de verdade, mas, mesmo assim, eu nunca me senti daquele jeito beijando alguém... [corou novamente]

S: Ok, e você quer saber como eu e a Brit começamos a namorar?

K: Sim

S: Não foi fácil. Eu demorei muito pra aceitar [lançou um sorriso para a namorada]. Mas a Brit achou que precisávamos conversar com alguém. E conversamos. Foi muito bom para entendermos o que era aquilo. Como eu não conseguia falar, disse o que sentia através de uma música, e as coisas foram acontecendo... Nos assumirmos também não foi fácil, eu não estava pronta quando descobriram...

Kitty escutava tudo atenta. E quando terminou, perguntou:

K: E a popularidade de vocês?

B: É com isso que você se importa?

Não soube responder.

S: Não faz diferença. Eu odiava o resto das cheerios. São todas fúteis e sem nada na cabeça. Eu não me deixei abalar. Você está no gleeclub. Eles são seus amigos de verdade. E não vão se importar com a sua orientação sexual. Agora se me dá licença, você está roubando meus preciosos minutos com a minha Britt. [sorriu e levantou de mãos dadas com ela]

K: Obrigada por terem conversado comigo [conseguiu dizer]

Brittany sorriu para ela e saiu com a namorada da sala do coral. Kitty ainda ficou ali por muito tempo, pensando. Ia conversar com Marley. Não podia adiar aquilo.

Era uma sexta-feira e Marley estava guardando uns livros em seu armário quando Jake apareceu. De novo.

J: Ei...

M: Oi Jake [disse meio fria]

J: Olha, eu não sei o que está acontecendo com você... E eu cansei de tentar entender, estava tudo bem entre a gente até você começar a ficar toda estranha... Se eu fiz alguma coisa, por favor, me perdoe [soltou].

M: Não é você... É que realmente eu estou passando por uns problemas, e eu não queria dividir com ninguém.

J: Uma chance, me dá só uma chance. Eu não vou te pressionar, não quero saber o problema, eu só quero sair de novo com você...

M: Jake... [dizia confusa]

J: Por favor! [insistiu]

Marley não sabia o que dizer. Não se sentia mais atraída por Jake, mas não queria magoá-lo. Bom... Uma saída não podia fazer mal. Ele nunca tinha tentado nada demais com ela, o beijo ainda não havia acontecido. Pensou também em toda sua frustração na última semana e resolveu ceder.

M: Ok.

J: Ok? [olhou-a surpresa] Vai sair comigo?

M: Vou.

J: Me encontra na porta do Breadstix às 19h [e saiu com um sorriso imenso].

Será que tinha sido realmente uma boa ideia? Isso ela teria que ver mais tarde. Chegou em casa e tentou escolher o que vestir para mais tarde, optou por um vestidinho simples. Entrou no banho e depois foi se arrumar. Quando estava descendo as escadas avisou a mãe que ia se encontrar com Jake. Ela imediatamente aprovou a saída. Às 19hr em ponto estava em frente ao Breadstix, esperando. Não demorou nem 2 minutos e Jake apareceu, dando-lhe um beijo na bochecha e entrou com ela no restaurante. Assim que Marley entrou, seu queixo caiu. Sentada na mesa logo na sua frente estava Kitty, jantando com seus pais. A loira estava linda! Sem o cabelo usualmente preso, e usava uma roupa despojada, o que a tornava mais natural. Era uma piada do destino outra vez? Kitty olhou Marley de cima a baixo também, surpresa, mas logo se recompôs. Também achou que a morena estava de dar água na boca, mas não podia deixar transparecer. Todo esse disfarce foi por água a baixo quando viu quem estava do lado dela. Jake? O ciúme foi inevitável e ela não conseguiu disfarçar. Internamente, a morena estava sorrindo com aquela reação. Escolheram uma mesa afastada de Kitty, perto do banheiro.

J: Marley, ei, tem alguém aí?

Era a terceira vez que Jake puxava um assunto e Marley parava de prestar atenção no meio dele. Seu pensamente vagava para a mesa de Kitty, e mais longe ainda, para o beijo delas.

M: An? Desculpa Jake. Eu... Preciso ir ao banheiro [levantou-se]

Chegando lá, apoiou-se na pia, tentando pensar, tentando se focar onde estava: jantando com Jake. O banheiro estava vazio. Não por muito tempo. Marley sentiu a presença de alguém e quando se virou deu de cara com Kitty outra vez. Seu coração disparou!

M: O que você está fazendo aqui?

K: Está saindo com ele agora?

M: E se estiver? [provocou]

K: Ele não gosta de você.

M: Como você pode saber disso?

Na verdade o que Kitty queria dizer era: ele não gosta de você como eu gosto. Mas não teve coragem.

K: Eu...

M: Você é louca? Você aparece, uma semana depois, após comportamentos completamente contraditórios, me cobrando se estou saindo com ele? Dizendo que ele não gosta de mim? Garota, qual o seu problema?

K: Eu não sei. Sinceramente... Eu não consigo...

M: Não consegue o que?

K: Evitar isso, eu não sei! Eu beijei você e não consigo lidar com isso! [confessou]

Enfim, a loira estava falando. Depois de uma semana começava a dar sentido naquilo tudo. Já que ela tinha começado a falar Marley não ia permitir que ela parasse.

M: Ok. E qual o insulto dessa vez? [não se segurou]

K: O que?

M: Sempre que você diz alguma coisa, sempre que fala direito comigo, vem sempre um comportamento oposto depois.

K: Eu não sei por que ajo assim, tá legal! É difícil... Eu nunca imaginei uma coisa dessas [seus olhos encheram-se de lágrimas]

A guarda da morena baixou.

M: Kitty... A gente precisa conversar... Direito. Nenhuma sabe o que se passa pela cabeça da outra! É confuso demais!

A loira começou a chorar, botando as mãos nos olhos, incapaz de se conter.

M: Ei... [segurou as mãos de Kitty para olhá-la nos olhos, o toque dessa vez foi reconfortante, para as duas] Calma... [encarou-a].

A vontade de se beijarem era gritante. A morena queria protegê-la, queria dizer que ia ficar tudo bem, apesar de também não entender tudo aquilo. Colocou as duas mãos no rosto de Kitty, e a loira permitiu. Mas então a porta do banheiro abriu e as duas se separaram na mesma hora. Uma mulher desconhecida entrou, trancando-se no box. As duas se encararam. Kitty movimentou-se para ir embora novamente, mas Marley segurou sua mão.

M: Não foge.

K: Eu tenho que ir... Meus pais vão estranhar... [enxugou as lágrimas] Eu não gosto de ver você com ele.

M: Vamos conversar. Por favor, não me evite! Isso me faz mal... Não se feche de novo! [pediu]

A loira assentiu e saiu do banheiro. Marley voltou desconcertada para a mesa e pediu a Jake para ir embora. Na saída trocou um olhar significativo com Kitty, que parecia abatida. O rapaz estranhou, mas acompanhou a morena até em casa. Ele não tentou beijá-la, deu um simples beijo no rosto dela e foi para casa, chateado que ela não demonstrasse mais interesse nele. Sua mãe já estava dormindo. Ela subiu as escadas e se trocou para dormir. Tinha acabado de deitar e seu celular vibrou. Era uma mensagem, de Kitty! Novamente seu coração perdeu o ritmo, ela abriu a mensagem ansiosa:

K: Preciso ver você.

Imediatamente respondeu:

M: Agora? Como?

K: Onde você mora? Eu vou até aí.

Ok. Agora o coração da morena parecia que ia sair pela boca. Ela não sabia o que fazer. Respirou fundo, um monte de vezes. O que sentia falou mais alto e ela mandou outra mensagem, informando o endereço.

K: Chego em 10 minutos.

Marley tentou se controlar como pôde. Aquilo era tão surreal! O que estava acontecendo? Foi para a cozinha tomar um copo d’água e sentou-se no sofá da sala, os olhos fechados, esperando. Seu celular vibrou novamente e, na pressa de pegá-lo, quase o deixou cair no chão.

K: Estou aqui...

Notas finais
(: