Não há outro amor para mim.

69 Não há outro amor - Primeira parte


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Sejam bem-vindas a primeira parte do penúltimo capítulo dessa fanfic. Sei que vocês esperavam o capítulo completo, mas tive alguns imprevistos durante as últimas duas semanas e não achei justo deixar vocês esperando tanto tempo para uma atualização. Dividi esse penúltimo capítulo em dois. A próxima parte fica pronta na semana que vem e assim partiremos para a conclusão da fanfic. Essa primeira parte está grande, então leiam até o fim, para não perderem nenhum detalhe, especialmente quando Emma e Regina estiverem em Santa Mônica Píer. Vale a dica. ;) Façam uma boa leitura.


Eu sabia que para Henry, uma demonstração de carinho e gratidão por nós era importante, mas jamais pensei que me sentiria tão comovida. Fomos para casa após nosso garoto ser ovacionado pela plateia por ter escrito a melhor redação daquele ano e não havia espaço para tanto orgulho que sentíamos dele. Henry merecia uma vida nova, toda a felicidade que estivesse ao nosso alcance para suprir a falta de seus pais biológicos, nós sempre soubemos disso, mas agora no entanto, tínhamos certeza de que Emma e eu fazíamos o trabalho certo. Eu me sentia grata por ter adotado esse garoto, e muito mais grata por ele ter me aberto o coração para ser mãe e querer dar o melhor de mim nessa condição. Para uma pessoa que sempre viu o casamento ser o bastante com apenas Emma, eu havia mudado radicalmente e agora estava prestes a ter uma família grande.

Naquela noite, comemoramos com ele, levando-o para jantar em sua lanchonete de Fast Food favorita, foi quando ele nos contou que não deu muito trabalho fazer a redação.

— Então eu me lembrei de tudo o que vocês fizeram por mim, só para me adotarem e de como eu me sentia bem por causa disso. — disse ele, após dar uma grande mordida em seu sanduiche e engolir.

— Você está feliz conosco, Henry? — Emma perguntou, pegando na mão dele.

— Só sendo alguém muito chato para não ser feliz quando se tem duas mães como vocês.

Ainda me recuperava da emoção que foi ouvir ele dizendo aquelas coisas para nós na frente de uma plateia, mas algo me deixara curiosa no meio de toda a redação.

— Certo, filhinho, você e nós estamos muito felizes, só pode me explicar uma coisa que não entendi. — eu disse.

— O quê? — ele perguntou.

— Por que escolheu o nome do seu irmão de Mathew?

Henry, terminou seu sanduiche, limpou a boca e falou:

— Um dia na escola, minha professora estava explicando o significado dos nomes. Mathew significa “presente”, ou uma “dádiva”. Eu pensei no que você me disse sobre querer dar um presente para Emma, nada mais justo do que um filho. Você engravidou e finalmente está dando esse presente à ela. O presente serve para mim também, eu adorei saber que vou ter um irmão. — Henry disse isso da forma mais natural possível.

Era verdade que eu tinha escolhido engravidar para presentear Emma por tudo o que vivemos no casamento e suas constantes provas de amor. Henry interpretou da melhor forma possível e tinha escolhido o nome perfeito para o irmão. Não podia não me sentir mais feliz, eu queria encher Henry de abraços, e ele deve ter ido dormir cansado por ser tão paparicado naquela noite.

Ficamos sabendo se a previsão de Henry estava certa duas semanas mais tarde, quando fiz o ultrassom no consultório da dra. Úrsula. Para ser sincera, eu estava ansiosa demais para esse momento, assim como Emma que chegava a suar pelas mãos.

A doutora sugeriu que me acomodasse na maca para iniciarmos o exame na frente de uma telinha de computador onde poderia se ver o bebê dentro da minha barriga de quase quatro meses. Como desde a primeira vez em que estivemos em seu consultório, Úrsula mantinha seu ar gentil e cuidadoso comigo, fez perguntas, anotações e por fim eu estava na maca, vestida com uma roupa de hospital para fazer o exame. Emma me selou um beijo na testa e agarrou-se em minha mão com as suas enquanto a doutora dava início. Por segundos muito rápidos vi uma apreensão nos olhos de minha esposa, uma ansiedade fora do comum como uma esperança que fazia sua pupila dilatar. A doutora dizia algo vagamente sobre o feto no momento em que derramou o gel sobre minha barriga, e após isso não custou muito para ver o que acontecia dentro de mim. Emma e eu atentamos para a tela e vimos a sombra de algo se mexendo, até que Úrsula acertou a posição exata do bebê e lá estava ele, uma de suas mãos, seu pé e perna encolhidos e o corpo, todo miúdo, pequenino. Não sei em qual momento fiquei emocionada, mas haviam lágrimas rolando pelas minhas bochechas. Úrsula mexeu mais um pouco o instrumento sobre meu estômago e encontrou algo maravilhoso.

— Conseguem ouvir? — perguntou a doutora.

— Até agora só ouço um barulho estranho, Úrsula. — comentei, com a cabeça apoiada em um travesseiro.

— Não é um simples barulho, Regina, é o coração do bebê. — ela replicou.

Emma não conseguia esconder sua alegria. Olhava para a tela com enorme felicidade, incapaz de dizer alguma coisa. Fiquei observando minha loira e meu filho, um de cada vez, o jeito dela de se emocionar com aquele bebê que ela sempre quis me fazia bem. Ela escondia a vontade de chorar, segurava, mas eu podia ver o canto de sua boca tremendo.

Apertei sua mão e trocamos uma sorriso.

— E o sexo, já podemos saber também? — ela perguntou e Úrsula assentiu.

— Vocês podem seguir a seta, exatamente aqui, nesse ponto, enxergam? — a doutora nos guiou na tela e havia um pontinho minúsculo onde ela havia parado.

Estreitei meus olhos para ver aquilo, era indecifrável para mim, eu não conseguia perceber se era um menino ou menina.

— Eu não consigo ver o que é.

— Um menino, Regina, é um menino. — A doutora me olhou como se quisesse dizer exatamente aquilo.

— Oh, meu Deus! — As palavras saíram de mim como um foguete.

— Ah, Henry, seu danado. — Emma ria ao se lembrar do que nosso garoto vinha dizendo desde que soube da gravidez.

Deixamos o consultório da doutora Úrsula meia hora depois, e de lá fomos esperar Henry na escola. Quando ele viu Emma acenando do carro correu, entrando como um furacãozinho a abraçando.

— Oi, mãe. — disse primeiro para ela e então pulou para trás para me abraçar. — Oi, mãe. — disse para mim dessa vez.

— Oi, filhinho, como foi na aula hoje? — perguntei, enquanto isso, Emma saía com o carro.

— Tudo bem, na aula de hoje fizemos enfeites para a árvore de natal do pátio. — ele falou, colocando o cinto de segurança.

— Que bom. Isso me lembra que devemos montar a nossa árvore. Vai ser o primeiro natal que o senhor vai passar conosco.

Henry se animou.

— É verdade.

— Henry, temos uma novidade. — Emma falou, me olhando pelo retrovisor, pedindo aprovação para contar, mas fiz um sinal.

— Pois é, querido, uma novidade, quando chegarmos em casa a gente conta.

Ele fez uma cara intrigada, ficou pensando.

— Não me diga que dessa vez você não sabe o que vamos contar? — perguntou Emma.

— Não, eu não faço ideia. — ele fez um bico para baixo e meneou a cabeça.

— Na verdade você faz ideia, só é esquecido de vez em quando, mas sei que vai adorar saber o que temos. — eu disse, afagando seus cabelos e encostando seu rosto em meu ombro.

Em casa, chegamos com Henry ansioso para saber da novidade. Emma correu para a frente da TV e a ligou, ajoelhando perto do móvel e colocando um DVD que nós ganhamos da dra. Úrsula. Não dissemos nada para o garoto até ali, e quando me sentei com ele no sofá para assistir, sua reação foi incrível.

— O meu irmão! É ele, não é? — Henry apontou para a TV.

— Sim, é ele, Henry. — Emma se sentou ao lado dele.

Os dois se olharam e foi nesse instante que nosso filho se deu conta da notícia que queríamos dizer.

— É isso mesmo? Um menino? Um menino como eu? Eu estava certo?

— Sim, garoto, você estava certo, o bebê que a sua mãe está esperando é um menino. — disse Swan.

Henry abriu um sorriso lindo, daqueles que dá vontade de apertar suas bochechas. Ele, assim como Emma, não conseguia esconder a alegria. Gostaria de saber expressar o que eu estava sentindo por dentro tanto quanto eles, mas a única coisa que eu conseguiria mostrar aos dois seriam lágrimas por estar terrivelmente sensível, então era mais fácil chorar de felicidade do que rir. Nos abraçamos como uma verdadeira equipe, ou devo dizer, uma verdadeira família.



Quando menos esperávamos, o final do ano chegou, com um pouco de ar fresco, decoração de natal e nossas famílias passando mais um período conosco. Minha barriga não tinha crescido tanto quanto eu imaginei ao entrar na décima sétima semana e as únicas diferenças que eu notava em mim eram meu humor e algumas roupas que não cabiam mais na minha cintura. Bem, diziam que a partir do quarto mês é que você se dá conta de que está grávida pra valer, eu não estou duvidando disso, até porque qualquer sensação nova para mim é um tanto estranha, acho que me sinto diferente e com coragem para encarar o que está por vir, mas vamos com calma. Voltando a falar do fim do ano, o natal foi inacreditável. Nossa casa foi decorada com meias penduradas cuidadosamente na chaminé, um pinheiro de natal maior que o do ano anterior e luzes, muitas luzes do lado de fora. Meu pai, Zelena e os pais de Emma chegaram na véspera de natal, mas eu havia convidado Killian e Maleficent para cear também, então acabamos formando uma festa bacana. Emma convidou Ruby, mas nossa amiga ficou hesitante de vir quando soube que o ex-marido estaria lá em casa. Bom, a maioria dos presentes eram para Henry e para o bebê. Muitos brinquedos, roupas e outras coisas que uma mãe de primeira viagem como eu iria precisar. Papai trouxe quase uma mala inteira de coisas para seus netos. Henry mal sabia qual dos pacotes abriria primeiro e eu tinha uma pilha de outros embrulhos para guardar no novo quarto que decorávamos para Mathew (sim, nós escolhemos chama-lo assim, como Henry quer, eu gosto do nome). No meio de toda a festa que fizemos, com direito a uma cantoria natalina de It’s the most wonderful time of the year, papai quis agradecer por estar vivendo um dos melhores fins de ano de sua vida após mamãe ter partido. Em seu discurso ele fez todo mundo se emocionar e querer abraça-lo. A forma como ele falava de Cora era simplesmente a maior prova de que ele ainda a amava. Imagine como eu e Zelena ficamos depois, claro que comovidas e especialmente saudosas. Não havia um natal em que não me lembrasse da minha mãe, e se há uma pessoa que eu gostaria que estivesse aqui para me ver me transformando em uma mãe, era ela. De uma forma surpreendente, Maleficent também quis agradecer por ter sido convidada, pois esse era seu primeiro natal longe de sua família na Itália. Ela nos fez um brinde muito bonito em seguida.

Gostaria de ter chamado Killian e Maleficent novamente para o ano novo, mas eles tinham outros planos. Meu amigo estava namorando uma pessoa, acho que você já deve ter ouvido falar dela pelo menos uma vez, ela se chama Belle French e era uma atriz. Killian estava caidinho por ela, os dois tinham coisas em comum, como o fato de estarem passando por um divórcio doloroso. Quando ele me contou que estava com Belle, me recordei de ver reportagens sobre ela no L.A. Diário, o jornal para o qual eu trabalhei antes de ir para a TV e o mesmo jornal onde meu amigo estava trabalhando atualmente. Kill me lembrou que Belle fora casada com nosso chefe o sr. Gold, mas a diferença de idade entre eles foi um grande problema e os dois se separaram no ano passado. Meu amigo parecia um homem mais calmo, não se preocupava mais tanto com dinheiro e sorria com mais frequência desde sua separação de Ruby. Nesse mesmo ritmo, minha outra melhor amiga, Maleficent vivia seu romance com Peter, um produtor e acionista de sua emissora. Andava dividindo seu tempo entre dirigir a MBC e as viagens para o Arizona. Killian e Maleficent passariam o ano novo com seus amores e eu com minha família, enquanto recebia alguns dias de folga no fim do ano.

Nas últimas semanas do ano, eu estava começando a sentir minha barriga pesar e os efeitos da gravidez finalmente me surpreenderam. Enquanto minha família se divertia com Henry e Emma, tudo o que eu queria fazer era me deitar e dormir todas as horas que perdi naquele ano trabalhando. Bem, eu acordava às dez da manhã naqueles dias, tomava um café reforçado feito por Emma ou minha irmã e depois de bater papo com meu pai ou os pais de Emma sobre o bebê, acabava caindo no sono. Num desses dias, acordei no fim da tarde com o barulho de algo sendo mexido. Abri os olhos e vi papai colocando uma enorme embrulho sobre a cadeira que ficava no canto do quarto.

— Pai? — o chamei, pouca coisas rouca, o vendo de forma embaçada, mas era ele.

— Ah, minha pequena, achei que não fosse acordar agora. — ele veio se sentar ao meu lado na cama. Gentilmente, passou sua mão direita em cima da minha barriga levemente crescida como um carinho. — Como vocês estão se sentindo hoje?

— Bem. Estamos bem, pai. — respondi. — O que é aquilo ali que você trouxe? — a curiosidade estava me matando.

— Apenas um presente para o rapazinho aqui. Quer ver?

Assenti e meu pai voltou até a cadeira, abrindo o embrulho gigante. Era um urso de pelúcia enorme vestido com uma gravata xadrez azul. Além de tudo o que meu pai trouxe de Portland, ele tinha se preocupado em comprar outro presente para Mathew e eu percebi o quanto isso o deixava feliz.

— Papai, é lindo, mas pra que foi se preocupar? Você já trouxe tantos presentes.

— Acho que tudo o que eu trouxer para o meu neto será pouco, eu gostaria de ser um avô presente, e no entanto estarei longe dele, tenho que compensar em alguma coisa.

— Nós vamos visitar muito você e Zelena, papai, não se preocupe. — eu disse, me sentando na cama.

— Sabe quem me ajudou a escolher o urso? — papai voltou a se sentar ao meu lado.

— Não... A Emma?

— Henry. Na verdade fomos passear, sua irmã, ele e eu no shopping, vimos esse urso na vitrine de uma loja e ele disse que devíamos levar para o Mathew.

— Ele tem sido tão bom para nós, pai. Era o apoio que faltava para me convencer a engravidar. Eu o amo como um filho de verdade. — eu disse, sorrindo em seguida.

— Se vocês tivessem encomendado Henry a uma cegonha ele não seria tão perfeito, veja, até meu nome ele tem.

Rimos juntos desse fato, então meu pai parou e me admirou por alguns segundos longos, como se refletisse sobre a vida. Estávamos todos nostálgicos com o clima de fim de ano, dessa forma eu andava constantemente me lembrando de Portland, de como foi minha infância e como eu vivia antes de conhecer Emma. Era diferente, eu sentia saudade da minha juventude, de quando eu vivia por lá, mas não me fazia falta. A vida com Emma foi me mostrando que viver ao lado daquela mulher era essencial para me tornar completa e realizada. Se eu tivesse escolhido me casar com Daniel no passado, talvez ainda estivesse trabalhando no Diário de Portland, não teria amigos como os que tenho, não conheceria Henry, meu filho, não teria amadurecido tanto.

Compartilhei com meu pai os pensamentos que correram na minha mente naquele momento e como a excelente pessoa que ele era, ele me compreendeu.

— Se eu não tivesse conhecido Emma, tudo seria diferente. — Eu olhava para o teto, pensando.

— Em suma, minha pequena, você não seria feliz se não tivesse a conhecido. Sou grato à sua mulher por cuidar de você com tanto carinho. Eu jamais deixaria que levassem uma das minhas princesas se não confiasse na pessoa, e eu gosto muito de Emma.

— Eu sei, pai. Obrigada por defende-la quando levei ela lá em casa da primeira vez. Mamãe teve uma péssima impressão dela.

— Ora, Regina querida, natural que sua mãe tivesse uma impressão ruim de alguém que ela nunca tinha ouvido falar. Eu poderia ter pensado coisas erradas sobre Emma da mesma forma, mas eu enxerguei como você se sentia estando com ela, desde o dia em que chegou cedo em casa e nos deu uma desculpa de que tinha ficado no apartamento dela por causa do seu vestido. — ele sorriu, me deixando acanhada com aquelas lembranças. Me recordei que a noite citada por ele foi a noite em que Emma e eu fizemos amor pela primeira vez.

— Sabe, eu não queria admitir que estava me apaixonando por ela, contudo, era tarde demais para tentar escapar. Por isso aconteceu tudo tão rápido, o namoro, o casamento... — fechei os olhos e suspirei. — Eu a amei desde o primeiro momento com ela.

— Eu compreendo você, Regina, amar se torna irresistível com o passar do tempo.

Quando papai disse isso, abri meus olhos e por uma razão qualquer olhei na direção da porta. Emma estava parada ali o tempo inteiro, nos observando de braços cruzados. Meu pai também a viu, deu um tapinha em minhas mãos juntas sobre a barriga e se levantou, dando o mesmo tapinha no ombro de Emma enquanto ela veio se aproximando de mim. Assim que ele saiu, encostou a porta do quarto, nos dando privacidade.

Emma se aproximou, ocupando o lugar onde meu pai estava antes. Ela me olhava com olhos cheios de ternura, prestes a dizer tudo o que estava sentindo.

— Adoro quando você confessa que me ama. Ouvi tudo, fiquei atrás da porta o tempo todo só esperando pelo momento em que você falaria de mim.

— Sua convencida. — falei, olhando dentro de seus olhos. A puxei para um beijo e aquilo acabou demorando. — Então você ouviu tudo, já sabe que te amo mais do que tudo desde sempre.

— Sei — ela sussurrou. — E isso me dá uma certeza.

— Que certeza?

— Que estou casada com a mulher mais maravilhosa do mundo. — Nos beijamos novamente, com mais intensidade e vigor. Emma parou para me olhar, ver minha barriga, sorrir e morder seu lábio inferior. — Amanhã é o réveillon, e eu queria muito ir ao Píer de Santa Mônica assistir a queima de fogos e contar algo pra você. — Ela soava calma, mas de repente vi um lampejo iluminar seus olhos.

— Não pode me contar agora? — fiquei curiosa.

— Não. Na verdade, quero que seja lá, que seja em um momento especial, como quando pedi para morarmos juntas naquela praia no norte do Oregon, lembra?

— Então você não vai me contar algo, você vai me pedir uma coisa?

— Também. Eu ainda estou arranjando um jeito de dizer isso a você, então prefiro que a gente espere até amanhã.

Acho que sabia o que Emma estava querendo me pedir, embora eu não achasse que aquilo fosse bem um pedido, era mais seu jeito de dizer e me perguntar o que eu achava do que ela estava disposta a fazer.

— Então amanhã você me conta. — a peguei pela gola da camisa e nos beijamos novamente.

Como eu previa, a noite de réveillon foi linda. Toda a cidade iluminada, fogos por todas as partes à meia-noite e um agradável clima de alegria. Eu nunca falei como me sentia sobre o ano novo, pois bem, eu o considero tão importante quanto o natal, mas há uma emoção diferente, inexplicável que me faz querer ser alguém melhor no novo ano que começa, aquela coisa que as pessoas dizem de esperanças renovadas e planos de vida novos. Pois era assim que eu estava me sentindo, cheia dessa emoção diferente quando Emma me pegou pela mão e disse aos pais que iria dar uma volta pela praia comigo. Nos afastamos bastante do píer, a comemoração pelos restaurantes e casas de festa daquela região começava, por isso nós tivemos uma bela oportunidade de aproveitar a praia quase deserta onde paramos.

Emma me selou os cabelos, eu apertei sua mão e rocei o rosto em seu ombro, quase me esquecendo que ela devia me contar uma coisa. Eu via as luzes do píer iluminando o rosto sereno que ela tinha, parecendo pronta para me falar algo muito importante, porém bom.

— Antes de tudo, não quero que pense que tomei essa decisão só porque você está fazendo por mim. Venho pensando nisso há um mês enquanto vejo sua barriga crescendo. Você sabe que esse sempre foi meu sonho, pelo menos o meu segundo sonho que não pude realizar sozinha. E vem me passando pela mente que eu posso tentar de novo. Você sabe do que estou falando, não sabe?

Eu a olhava, assentia e respirava todo o ar de maresia que nos rondava.

— Engravidar. — disse eu, e Emma pegou meu pulso, olhando o bracelete escrito “There’s no other love for me”.

— Graças a você, me sinto segura para tentar qualquer coisa. O que eu sinto por você me fortalece e só de saber que esse bebê é além da sua vontade, um presente pra mim, eu morro de vontade de tentar. Eu queria te dizer que quando Mathew nascer e ele estiver um pouco crescidinho, eu vou engravidar.

Meus lábios se abriram em um sorriso bobo, eu tremia, mesmo imaginando que ela me diria aquilo. Não sabia ao certo o que dizer para Emma. Cheguei em um ponto que qualquer coisa que ela me propusesse seria ótimo, incrível, maravilhoso, certo. Mais um filho, será que eu aguentaria? Já havia aprendido a ser mãe de Henry, agora experimentava ser mãe de Mathew e minha esposa estava ali na minha frente me falando que queria outro filho. Eu não era mais a mulher que recusou ter filhos antes só para ter o amor dela pra mim, eu ainda teria seu amor, teria seu carinho e fidelidade se tivéssemos um, dois ou até dez filhos. Querendo ou não, ela me mostrava o bracelete para me alertar de algo claro, não havia outro amor, era sempre aquele amor, o nosso amor que só crescia.

— Vai tentar de novo? Vamos ter mais um filho? — a toquei no rosto, ela segurou minhas mãos.

— Sim. Uma ideia louca, eu sei, mas eu quero.

— Tudo bem, meu amor, tudo bem, não vou impedir você de engravidar. Vamos ter três, vamos ter quantos filhos a gente aguentar. — eu disse aquilo de uma forma bem humorada, e Emma me abraçou, me rodou no ar, me encheu de beijos e carinhos.

Fui para casa pensando como seriam os próximos natais, festas de aniversários e a rotina quando nossas três crianças finalmente estivessem juntas. Era animador, divertido e confortante como eu jamais imaginei que fosse. Antes pensar em ter um filho parecia um pesadelo, hoje eu começava a acreditar que ter três era um sonho.



Na décima nona semana, minhas férias de fim de ano acabaram e mesmo com Maleficent me oferecendo uma licença pela gravidez, eu ainda queria continuar trabalhando até quando aguentasse. Minha barriga estava dois centímetros maior, assim como minha fome que crescia com o passar das semanas de gestação. Eu me alimentava a cada duas horas com frutas e algum lanche rápido que mandavam para o meu camarim, de forma que quando chegava em casa ainda sobrava apetite para o delicioso jantar que Emma preparava.

Henry e ela estavam impressionadíssimos com as vezes em que eu decidia repetir a refeição, especialmente quando ela preparava seu delicioso salmão ao molho pardo. Em outros tempos, estaria reclamando por ter engordado quase três quilos em um mês, porém, eu andava faminta conforme Mathew crescia e minha desculpa era mais que justa. Quando subi na balança no final da vigésima primeira semana, não eram mais três quilos ganhos e sim cinco. Me olhei no espelho e pude notar meu rosto mais rechonchudo. Quase nenhuma roupa cabia na minha cintura, tive de providenciar calças mais largas, camisas de números maiores e vestidos que me deixariam confortáveis para andar em casa. Mas esse não era meu maior problema, havia uma coisa me incomodando desde que cheguei no quarto mês de gravidez e se chama sexo.

Emma não me procurava na cama de forma sexual, já fazia um tempo que não tínhamos uma tórrida noite de amor ou uma simples rapidinha pela manhã. Estava ficando difícil falar com ela, apesar de receber toda a atenção e carinho que eu precisava. Emma dormia abraçada ao meu corpo, com a mão pousada em minha barriga, mas sempre que eu puxava sua mão para alguma parte mais íntima do meu corpo, ela sentia medo de avançar com carícias. Comecei a pensar que minha mulher tinha perdido seu apetite por mim, não me achava mais atraente, ou estava com medo de fazer amor comigo.

Comentei com a doutora Úrsula sobre isso, e para minha surpresa esse tipo de comportamento de Emma é mais comum do que parecia.

— Alguns casais passam por situações como a sua. Emma pode estar com receio de tocar em seu corpo de forma mais enérgica por pensar que isso vai prejudicar o bebê.

— Mas há tantas formas de fazer amor, por que ela teria medo de prejudicar o bebê? Ela não está sentindo mais atração por mim.

— Emma e você estão passando por isso pela primeira vez, ela não deve saber que quando há uma relação sexual prazerosa para a gestante, a sensação que a mulher sente faz bem para o bebê. Tudo o que a mãe sente, o bebê sente. Se você estiver feliz, o seu bebê vai receber essa energia como uma ligação que há entre vocês. — A doutora deu ênfase no fim. — Conversem vocês duas. Fazer amor não está proibido, e Emma não precisa ter medo, ela não irá fazer mal ao bebê, muito pelo contrário.

O conselho de Úrsula me deu coragem para sentar com Emma e conversar sobre o assunto, antes de deitar para dormir naquela noite. Cara a cara com minha loira, não pude esconder o incomodo que sentia com sua ausência sexual, muito levada pela vontade que eu sentia naquela fase da gravidez de fazer amor com Emma. Isso foi algo que a dra. Úrsula me alertou, no sexto mês, as mulheres grávidas costumam ficar pré-dispostas a ter relações, um sintoma muito natural dessa fase. Emma não escondeu a vergonha quando toquei no assunto.

— Eu perdoo se você não quer fazer amor comigo, eu entendo se você não quiser, eu apenas estou explicando que isso é importante pra mim. — disse, fitando ela na minha frente.

— Mas e se eu tocar você e mexer em uma área dolorida? Vai fazer mal pro bebê.

— Não tem nada de mal com isso, meu amor, a doutora me explicou que não faz mal, pelo contrário, faz bem tanto para mim quanto para ele. São energias, uma ligação que tenho com Mathew, em que tudo o que sinto passo pra ele, compreende? Seja sincera, Emma, você ainda sente atração por mim? — Devia ter perguntado isso desde o início, mesmo assim, ela ainda ficou acanhada com a questão.

— Claro que sinto. — Swan baixou os olhos, em seguida voltou a me olhar. — Você está linda, mais a cada dia que passa. Eu tive medo de machucar você e ele. — ela passou a mão sobre minha roupa por cima da barriga.

— Eu suspeitava disso, meu amor.

Minha mulher me observou com grande seriedade.

— Você quer? — sussurrou para mim, eu assenti.

Emma se levantou da cama, andou até a porta do quarto e deu duas voltas na chave. Ela voltou apagou as luzes, menos a do abajur perto de nós na cama, quando se sentou, alisou meus ombros e braços vagarosamente, molhando seus lábios com a própria língua. Ela se sentia ansiosa para fazer isso de novo depois de algum tempo, estava envergonhada por parecer tão boba ao pensar que iria machucar o bebê, contudo, eu entendia sua preocupação. Não era só com ele, era comigo, o medo de não conseguir me dar prazer como antes. Haviam muitas dúvidas na cabeça de Emma que também seriam as minhas se ela estivesse grávida.

Minha esposa afastou as alças da camisola que eu vestia, sempre trocando olhares comigo, como se pedisse permissão para continuar. No que elas caíram dos meus braços, Emma pôde ver meus seios, ainda mais fartos do que normalmente eram. Peguei uma de suas mãos e a fiz tocar num deles para sentir como se enrijecia e se arrepiava ao toque dela. Emma se excitou e me deitou devagar, depois de puxar minha camisola para cima e me ver nua. Suas mãos desceram por entre meus seios, fez um carinho atencioso em meu ventre e deixou um beijo calmo no mesmo lugar. Ela me pediu para fechar os olhos, e obedeci. Ela demorou um pouco, tirando suas roupas, então se deitou ao meu lado, voltando a me tocar, foi quando a vi e trocamos um beijo. Sua mão direita desceu através do meu ventre, chegando entre minhas coxas, isso sem deixar de beijá-la. Segundos após um silêncio proposital, Emma entrou em mim com seus dedos, me fazendo arfar e dar meu pescoço para ela continuar beijando.

Depois de quatro meses, finalmente havia acontecido. Muito parecido com um sonho, eu via o vento entrar por uma fresta da sacada do quarto e bater nas cortinas, tão suave quanto o corpo de Emma em minhas costas. Falamos, nos beijamos e cochichamos sobre o que havíamos acabado de fazer. Era duas da manhã quando senti fome e ela me trouxe um verdadeiro café da manhã adiantado.

— Será que é piegas dizer que fazer amor com você foi muito bom? — perguntou ela, me oferecendo um pedaço de maçã na boca.

— Você já é naturalmente piegas, Emma, mas sabe que eu amo isso, não é? — eu disse e mastiguei.

— Ainda não sei como não enjoou.

— Ah, meu amor, eu tive um pouco de mal estar, mas nada de enjoo forte por enquanto.

— Não falo do Mathew, falo de mim. — ela sorriu, pegando um cookie. — Passei nosso casamento inteiro achando que uma hora você ia enjoar das minhas manifestações e confissões de amor.

— E você acha que eu não gosto de saber que você é apaixonada por mim? Se esqueceu de quando meu pai estava aqui e você me escutou falando sobre como me sentia, atrás da porta?

— Lembro sim.

— Então, bobinha. O que temos não muda, só aumenta. — me estiquei e beijei sua boca.

— Igual esse bebezinho aqui que só quer crescer. — Emma disse, se deitando perto do meu ventre e foi nesse momento que algo totalmente novo e lindo aconteceu.

Mathew se mexeu dentro de mim. Foi a primeira vez que me dei conta disso. Igual uma cosquinha, alguém me cutucando por dentro, era ele. Me assustei, colocando a mão por cima e olhei para Swan com medo.

— Que foi? — perguntou ela, e, nisso, Mathew fez outra cócega em mim.

— Eu acho que... Acho que ele se mexeu. — falei suspirante.

Emma colocou o ouvido rente ao pé da minha barriga e conseguiu escutá-lo. Ela mordeu o lábio inferior e sorriu ao mesmo tempo, assentindo várias vezes pra mim, confirmando minha suspeita.

— É ele... Ele sabe que a gente está aqui. — ela me abraçou por ali e ficou.

Após isso, demorou até Mathew se mexer novamente, mas eu andava ansiosa para senti-lo cada vez mais próximo de nascer.

Notas finais
Oh, mas me parece que depois que Regina decidiu ser mãe a família resolveu crescer mesmo. Bem, pessoal, esses foram os primeiros meses de Regina e seu barrigão. Na segunda parte Mathew nasce, mas a fanfic não acaba aí, ou vocês pensam que Regina narrou sua história com Emma até aqui apenas por recordar? Um beijo a todos que vem comentado e acompanhando. Obrigada pela atenção e apoio. Aguardo vocês. Fiquem bem, até a próxima semana.