Não há outro amor para mim.
28 Minhas surpresas de aniversário e uma dança quase erótica.
Notas iniciais
Com meu ato romântico de me declarar ao vivo na TV, a segunda-feira foi o dia mais atípico que tive nessa semana. Meu telefone tocou por vinte e quatro horas seguidas. Me pergunte se eu atendi alguma ligação? Não, eu o desliguei porque preferia ficar em paz com Emma e ganhar muitos beijos dela que, a propósito, até quis me levar para jantar de tão emocionada que ficou. Tive muita vontade de usar aquela lingerie que havia encontrado no armário para minha mulher nessa noite, mas eu havia prometido a mim mesma que seria uma das surpresas de aniversário que eu faria à Emma. Eu teria de esperar mais alguns dias pois faltava apenas uma semana para isso acontecer. E só de ver como ela ficara com minhas palavras no U.S.A News, eu não duvidei que valeria a pena esperar para fazer mais esse agrado a ela.
Assim que chegamos em casa, mandei que Emma me esperasse no banho e liguei para Killian rapidamente só para saber como tinha sido a reação dos meus colegas jornalistas com minha atitude.
— Você precisava ver a cara que o pessoal aqui da redação fez quando você falou aquelas coisas, Regina. — falou ele.
— Ora, mas nem foram palavras tão impactantes assim. Eu só falei o que todos deviam saber para pararem de me encher a paciência.
Killian deu uma risada do outro lado da linha.
— Você acha pouco, mas o pessoal achou incrível. Você tem noção de quantas vezes o vídeo com os segundos finais do jornal foi compartilhado agora a tarde?
— Não. Alguém compartilhou isso?
— Muitas pessoas. Duzentas mil pelo menos já assistiram e continuam compartilhando. Você mandou muito bem, foi uma resposta digna ao pessoal das revistas. E já que você está se resolvendo com Emma, o que acha de depois conceder uma entrevista a uma dessas revistas, só para acabar com qualquer dúvida que ainda tenham?
Deixei escapar um gemido de reflexão. Kill estava certo, eu podia confirmar mais ainda que meu casamento estava seguro se falasse com alguma revista. Prometi pensar no assunto e conversaria com Emma sobre isso também.
Antes de ir me deitar, recebi uma ligação de Zelena em Portland. Ela me contou que papai tinha passado mal quando ouviu os boatos sobre meu casamento com Emma estar em crise. Ele realmente gostava muito dela e era o maior fã de nós duas como casal. Papai e Zelena me assistiam diariamente agora que eu apresentava o jornal para todo o país, e ela me disse ainda que foi um alívio tremendo eu ter esclarecido as coisas, pois Henry Mills já estava cogitando vir a Los Angeles para me dar alguns conselhos. Eu sinto muito a falta de Zelena e meu pai, preciso ir visita-los quando tirar férias.
No meio dessa confusão toda, recebi outra boa notícia. A moto de Emma tinha ficado pronta e o restaurador a traria de volta. Pedi para que ele viesse entregar no sábado pela manhã, quando Emma precisou sair para ir ao estúdio de gravações tirar as fotos promocionais do seriado.
A moto ficou lindíssima, nem parecia-se mais com aquela que Emma pilotou comigo na garupa várias vezes em Portland. Foi repintada de verde-musgo, cromada, encerada e as partes que estavam quebradas foram substituídas por novas. Por um momento senti vontade de saber pilotar para testá-la. O restaurador me cobrou um preço muito justo pelo serviço todo, mas eu pagaria até a mais só para ver o sorriso de Emma no rosto quando a visse novinha em folha de novo.
Guardei a moto no lugar onde ela costumava ficar, no fundo da garagem, embaixo de um pano. Estaria segura ali até o dia do aniversário dela.
Bem, aquela era só uma das surpresas que eu daria a Emma. Eu tive a brilhante ideia de chamar alguns amigos nossos e fazer uma festa surpresa aqui em casa. Faltava pouco para o dia chegar e eu tinha de arrumar pelo menos alguma decoração e comidas para servir. Na verdade, eu sou uma mulher pratica, então não tive dificuldade em encomendar um bolo e sanduiches gelados para o dia da festa. Avisei todos, chamei umas vinte pessoas que podiam trazer quem quisessem. Com isso resolvido eu não devia me preocupar com nada mais além da última coisa que eu faria no dia de Emma. A Lingerie. Pois é, eu estava quase me esquecendo desse detalhe.
Você deve estar pensando que farei com Emma o que fiz na nossa noite de núpcias. Para falar a verdade eu quero fazer algo parecido, porém melhor do que daquela vez, consegue imaginar? Eu acho que tenho uma noção, o problema será apenas minha vergonha que adquiri nesses últimos três anos sei lá como. Os maus costumes que a má fase do nosso casamento ganhou ainda estavam presentes. Isso anda me preocupando. Acho que pelo jeito vou precisar de algumas doses de Johnny Walker para não falhar na hora de seduzir Emma e recuperar minha confiança.
Com Emma totalmente alheia ao que eu estava preparando, parei uma noite para planejar como eu iria seduzi-la. Experimentei a lingerie escondida no armário e me fitei no espelho com aquilo, imaginando como eu devia me portar. Não era possível que eu havia me esquecido como ser sexy. Era bem verdade que meu corpo não havia mudado de seis anos para cá, eu devo ter engordado no máximo três quilos e isso não fez diferença no meu número de manequim. O que acontecia era algo diferente, como se eu não tivesse mais aquele brilho que fazia Emma estremecer por mim toda vez que me via. Eu até me pergunto o que Emma enxergou na minha pessoa para ter se apaixonado. Ademais, na época em que nos casamos fazer agrados para minha mulher parecia muito mais fácil. Não foi apenas na noite de núpcias que dancei para ela, também houve mais na lua de mel e depois quando nos mudamos, às vezes saíamos para tomar alguma coisa em alguns clubes aqui de L.A. e era muito divertido dançar qualquer música do momento. Nós tínhamos uma vida ativa nesse sentido, mesmo eu tendo limitações, Emma sempre me deixou confortável. Agora eu não sabia por que sentia a situação mudando.
Junto da turbulência que nossa vida amorosa e até sexual teve, perdemos a confiança e eu juro que fiquei com medo de minha intenção para a noite do aniversário dela sair um fiasco. Mas bem, eu precisava tentar, eu havia prometido a ela que eu faria de tudo para melhorar, para voltarmos a viver aqueles dias que nostalgicamente lembrei. Eu podia fazer isso, eu podia voltar a ser aquela Regina, com certeza. Com a vontade que há dentro de mim eu tenho que tentar.
. . .
Hoje levantei uma hora mais cedo, justamente por ser aniversário de Emma. Não comentei nada com ela sobre a data para ela pensar que eu havia esquecido, o que me fez lembrar dos outros anos em que eu tinha realmente esquecido da data displicentemente porque estava aborrecida demais ou muito ocupada com o noticiário, e sei que isso a deixou magoada por algum tempo. Mas, voltando ao dia de hoje, eu não podia falhar.
Tomei o máximo de cuidado ao levantar da cama para não acordá-la e a cobri até os ombros novamente antes de sair do quarto e descer. Dei comida ao nosso cachorro, tirei a moto de Emma da garagem colocando-a estacionada no caminho da porta da frente da casa e fui terminar o café de Swan. Subi com uma bandeja nas mãos em que coloquei uma maçã cortada em pedaços, waffles com mel, suco de uva e torradas com margarina, além do detalhe, um vasinho com uma rosa vermelha de enfeite e um cartão de feliz aniversário escrito pousado ao lado. Eu sabia que Emma sempre gostou de gestos simples como aquele, já estava eufórica de imaginá-la ao ver a moto reformada, mas aquele cartãozinho talvez rendesse uma reação ainda melhor dela.
Quando entrei no quarto, Swan se remexia na cama, despertando devagar, já ocupando o lado onde eu dormia também. A porta rangeu quando a empurrei com o pé e ela abriu os olhos depois disso.
— Regina? — chamou ela com voz rouca de sono.
— Bom dia, minha vida. — disse eu me aproximando.
Ela bocejou, coçou os olhos e se sentou, finalmente me vendo. Abriu um sorriso enorme ao se deparar com a bandeja de café da manhã.
— Você se lembrou!
— Claro que me lembrei. — sorri me sentando na frente dela, colocando a bandeja sobre seu colo e me esticando para beijá-la na boca de leve.
— Feliz aniversário, meu amor.
— Você fez tudo o que eu gosto. Não que não tenha feito todos os dias, mas não esperava receber café na cama. Pensei que tivesse se esquecido que dia é hoje. — ela falou me tocando no rosto.
— Eu não me esqueci, não dessa vez. — disse transmitindo confiança a ela e pude ver como ela se sentiu feliz por isso. Peguei uma torrada e levei até a boca dela. Ela mordeu, fazendo barulho e ao mastigar chegou a revirar os olhos. — Humm... Que delícia. — Por pouco Emma não notou o vaso com a rosa e o cartão.
— Hey, o que é isso? — perguntou depois de dar outra mordida na torrada e quase arrancar meu dedo.
— É um cartão com algo bonitinho que escrevi pra você. — comentei, baixando a cabeça e esperando que ela conferisse o que estava escrito.
Ela limpou a boca no guardanapo que eu havia trazido junto da bandeja e pegou o cartão, antes olhando a rosa. Vi um sorriso delicado brotar dos lábios dela, aquele brilho nos olhos que eu amava e então ela abriu o cartão:
Hoje é um dia especial,
porque é o dia em que a pessoa mais importante da minha vida nasceu.
Feliz aniversário, meu amor.
Ela sorriu novamente, corando, toda inocente, boba e eu me derreti inteira. Quis beijá-la mas não podia demorar muito, tanto eu quanto ela devíamos sair para trabalhar dentro de poucas horas, e nem a moto havia mostrado a Emma ainda.
Peguei em sua mão e falei:
— O Pongo está lá em baixo no jardim da frente esperando para te dar feliz aniversário também.
— Ah, é?
Assenti rápido e Emma terminou seu café da manhã logo depois, descendo de mãos dadas comigo. Não sei o que ela pensou, se algo disse a ela que devia descer porque algo a esperava no jardim, mas ela veio comigo animada e curiosa.
Chegamos no andar de baixo e a deixei ir sozinha para a porta da frente. Antes de abrir a porta ela me olhou como se me perguntasse onde estava Pongo, mas o melhor foi quando ela finalmente abriu a porta de se deparou com a moto.
— Ah, meu Deus!!
Emma parecia uma criança ao ver a moto. Correu até ela e a tocou como se tivesse encontrado um baú de tesouro. Ela não conseguia acreditar que aquela era a moto que ficava encostada no fundo da nossa garagem.
Claro que para mim foi lindo ver a alegria toda dela. Emma queria pilotar a moto naquele mesmo momento, mas eu a lembrei que ela ainda estava de pijama.
— Meu amor, você não pode sair por aí só de pijama. — disse eu entre risos, descendo as escadas da entrada da casa, vendo Emma subir na motocicleta, ligando-a. Estava bastante engraçada a cena.
— Mas eu preciso testá-la. Olha que incrível esse detalhe cromado aqui do lado... e o motor... — Emma roncou o motor e fez barulho. — É incrível! Eu não acredito, Regina, minha moto está de volta! — ela se esticou e me puxou para perto, mostrando seu colo para que eu sentasse ali em cima. — Vamos dar uma volta, eu e você, vem...
— Não, minha vida, eu tenho que me arrumar, daqui a pouco preciso estar no estúdio, e a senhora também tem que ir para a sua gravação. — lembrei. Falei alto por conta do som da moto. Emma virou a chave, desligando-a desapontada.
Ela saiu de cima do objeto e o admirou mais uma vez encantada com ele.
— Impressionante!
— Você gostou? — perguntei ao lado dela. Claro que ela havia gostado, mas eu queria saber olhando em seus olhos.
— Eu amei. Eu juro que não esperava por isso, Regina. — ela se virou para mim e me selou um beijo. — Foi o melhor presente de aniversário que eu ganhei. Reganhei, se é que existe essa palavra.
Sorri e segurei seu rosto com meus dedos, sentindo uma vontade gigante de leva-la para dentro de casa e namorá-la o resto da manhã toda. Como eu não podia fazer isso e ainda tinha a terceira e quarta surpresa para Emma, a levei para dentro e pelo menos tomamos um banho juntas. Dá para perceber que estamos adorando ir para a ducha juntas nos últimos dias.
Antes de Emma ficar pronta para sair, Mary Margaret e David a ligaram de Nova York para desejar feliz aniversário. Minha intenção era trazê-los para passarem o dia conosco, seria outra surpresa para Emma, mas Mary estava enrolada com alguns trabalhos que a galeria de artes da Big Apple havia encomendado a ela, e prometeu vir o mais breve que pudesse para conhecer Los Angeles e matar as saudades da filha. Depois minha irmã e meu pai ligaram também. Eles sempre se lembravam dela, e como eu disse, sei que eles adoravam a gente como casal, eram os que mais torciam, sem dúvidas. Contudo, Emma achou estranho Ruby ou Killian não serem os primeiros a falarem com ela no dia do seu aniversário, pois todo o ano quem ligava logo cedo eram eles dois. Eu fiquei quieta, afinal, eles estariam mais tarde aqui em casa para a festa surpresa que eu estava armando.
Nos despedimos e fomos para o trabalho. Eu em minha Mercedes e Emma estreando sua nova/velha moto Indian. Creio eu que fiz um favor imenso a ela. Emma sempre gostou de pilotar e não era chegada a carros. Comprou o Audi só para não dividirmos um carro só e mesmo assim o comprou reclamando que preferia uma moto, mas que tinha de ser a sua velha moto Indian edição 1985. Não entendo Emma de vez em quando, ela tem muito dinheiro e pode comprar o carro, a moto que quiser e no entanto cisma com suas velharias. Até eu já quis dar a ela modelos mais novos e ela bateu o pé dizendo que não, mas também nunca pensou na hipótese de consertar a moto que era do pai. Enfim, talvez ela seja apenas nostálgica demais, assim como eu também sou em outros pontos, por exemplo, minha vida com ela em Portland. Temos particularidades e semelhanças que eu só estou me dando conta agora. Isso é bastante curioso e me pergunto por que não me questionei tanta coisa antes.
Por fim, apresentei o jornal como normalmente fazia, sem declarações de amor no fim ou qualquer mensagem subliminar para minha esposa. Sei que o público esperava que eu falasse mais alguma coisa e andava assistindo ao U.S.A News torcendo para que eu falasse algo a mais, porém eu não estava tão segura para me declarar de novo ou mandar um feliz aniversário da TV para Swan, até porque soube que a dona da emissora não havia gostado muito de eu ter usado o espaço naquele dia para falar da minha vida particular. Eu não a conhecia, nem sei como era sua cara. Eu conhecia seu marido, mas ela nunca deu as caras no estúdio para ser exata. Acho que seu sobrenome era Maleficent, algo do tipo, até estranho um sobrenome desses para uma dona de emissora. E nós do noticiário só recebíamos os recados do diretor, embora ele fosse a favor de eu continuar dando aquela audiência para o canal.
Depois que editei mais duas matérias para o jornal do dia seguinte, liguei para Killian confirmando o horário em que eles deviam chegar lá em casa e então fui buscar as comidas que havia encomendado.
Cheguei em casa dez para as cinco da tarde. Tive tempo de empurrar os sofás e abrir espaço mudando a mesa de centro de lugar. Coloquei balões de ar que trouxe da rua para enfeitar o restante da sala. Killian, Ruby e o restante do pessoal chegou às sete depois de eu ter me arrumado com uma roupa mais casual, além de ter arrumado a mesa com os sanduiches e as bebidas. Distribuí chapeuzinhos e apitos para todos, até Pongo ganhou um enfeite na cabeça. Ele ficou tão bonitinho.
Já que tudo estava arrumado e todos haviam chegado, todos mesmo, porque ninguém dos que eu chamei faltou, olhei em meu relógio de pulso e avisei o pessoal que Emma chegaria naquele horário. Ela prometera a mim vir para casa às oito e quinze, fiz o pessoal se esconder atrás dos móveis e nos outros cômodos, Pongo também entrou na brincadeira se escondendo em baixo da mesa, ele é um cachorro sensacional. E ouvimos o barulho da moto chegando, era ela.
Fui para a porta me certificando que todos estavam em silêncio, abri para Emma entrar e assim que ela me viu me deu um beijo.
— Tem tantos carros na rua que eu acho que alguém além de mim está fazendo aniversário hoje aqui no bairro. — ela comentou, entrando e fechando a porta.
Ao ouvir aquilo, olhei para ela de forma maliciosa e disse:
— Na verdade só você está fazendo aniversário hoje. — liguei as luzes e de repente todos apareceram gritando “Surpresa!”
Emma levou um susto tão grande que jurei que ela cairia para trás quando viu todo mundo sair de trás dos móveis. Foi muito divertida a cara que ela fez nesse momento. Logo todo mundo estava em volta dela, a abraçando, cumprimentando pelos trinta anos que ela estava fazendo e entregando os presentes que trouxeram. Minha esposa não sabia como retribuir tanta atenção, porém estava muito feliz e sorridente como eu não havia visto nos seus últimos quatro aniversários. Ela ganhou muita coisa: livros, perfume, bijuteria, camisa, jogo de vídeo game(sim, ela ainda adorava passar algumas horas jogando vídeo game), chocolate, até um CD da Tina Turner ela ganhou de Killian, mas o presente mais inusitado quem deu foi Ruby. Ela entregou a Emma secretamente uma caixa com algo que só poderia abrir quando todos fossem embora porque era um daqueles brinquedinhos de sexy shop. Nossa amiga era um barato e pelo jeito queria nos ajudar a apimentar as coisas. Perguntei a ela depois o que era dentro da caixa e Ruby me disse que eu não devia me preocupar pois não era nada do tipo Cinquenta Tons de Cinza. Nós rimos muito disso.
Coloquei no som um pen drive que um dos atores amigo de Emma tinha, com músicas do momento e começamos a devorar os sanduiches gelados. Houve um momento enquanto eu ia buscar mais refrigerante para o pessoal em que minha mulher me puxou para um canto e me prendeu contra a parede.
— Você tirou o dia para me fazer surpresas, hum? — ela disse, me olhando bem perto do rosto.
— Não pense que acabou, meu amor. — falei mordendo o lábio inferior.
Quando eu disse isso, Emma segurou minhas mãos e começava a roçar sua boca na minha. Íamos nos beijar intensamente, mas uma das nossas amigas interrompeu.
— Regina, onde fica o banheiro? — perguntou ela, aparecendo de súbito , o que fez eu e Emma rirmos completamente sem graça.
— Por ali. É por ali à direita. — apontei na direção do banheiro que tinha no andar de baixo da casa e ela agradeceu saindo. Eu fitei Emma como se pudesse dizer a ela que devíamos subir para a quarta e última surpresa.
Felizmente não demorou muito para a festa acabar. Trouxe o bolo que encomendei na melhor confeitaria da cidade, escrito “Feliz aniversário, Emma” e foi um sucesso. Era de chocolate e nozes, o que minha esposa mais gostava. E adivinhe, ganhei o primeiro pedaço.
Já estava ficando tarde nessa hora e as pessoas começaram a ir embora.
Antes de ir, Ruby me desejou boa sorte no momento lingerie que eu planejava e contei a ela. Talvez eu devesse usar o brinquedinho que ela deu de presente para Emma, mas acho que agora não era o momento certo de usá-lo.
Então, eu disse a Emma que terminaria de arrumar toda a bagunça que o pessoal fez na sala e logo subiria para me deitar com ela. Pedi que me esperasse acordada porque precisávamos resolver um assunto pendente, ela ficou assustada, mas acho que a dobrei direitinho.
Limpei rapidamente a bagunça e subi, demorando mais para me arrumar no banheiro do segundo andar do que necessariamente jogando as sobras da festa fora.
Eu tinha preparado tudo ali. Aquele banheiro não era muito usado por nós, então foi fácil esconder a caixa da lingerie e o kit de maquiagem que eu usaria. Me vesti, passei rímel, lápis, sombra, blush, batom e perfume. Ah, não podia me esquecer dos saltos altos escuros que combinavam com o traje de sensualidade. Em outras palavras, eu era quase outra pessoa. Me olhava no espelho grande que havia ao lado da banheira, gostando do resultado. Meu coração disparava sendo meu maior inimigo naquele instante pois ao mesmo tempo que eu estava confiante eu estava envergonhada, mas eu não devia desistir, eu devia ir ao quarto e arrasar. Qual era o meu problema?!
Saí de fininho pelo corredor vendo a porta do nosso quarto entreaberta. Onde estava minha coragem de seguir? Precisei arranjá-la, porque eu juro que estava tremendo dos pés à cabeça. De repente as coisas ficaram em câmera lenta, fui andando devagar até o final do corredor que nem era tão grande assim e vi Emma se ajeitando na cama, embaixo do lençol, talvez roendo unha de nervosismo pelo o que eu “conversaria com ela”, mas por sorte ela estava virada, então entrei sem fazer barulho. Desliguei depressa a luz do único abajur que havia sobrado, percebi que ela se assustou.
— Regina? — perguntou ela.
Ótimo! Ela não conseguia me ver por inteira, apenas minha sombra. Fiz meu celular tocar uma versão gótica de Sweet Dreams e fui na direção da janela, de onde a claridade da lua criava o mínimo de luz dentro do quarto.
— Regina? O que você está fazendo? — Emma tentava me achar no breu, mas eu tinha me escondido atrás das cortinas.
— Venha me achar, eu estou bem aqui. — disse, sentindo o coração vir a boca.
Emma estava invocada e fez exatamente o que eu queria que fizesse, se levantou da cama e começou a me caçar pelo quarto.
— Onde você está? O que é isso? — ela começou a rir, acho que estava entendendo o que eu queria. Quase ligou o abajur ao lado da cama.
— Não ligue. Você precisa me achar no escuro...
Àquela altura eu já havia saído das cortinas. Quando ela se aproximou da poltrona que tínhamos no canto inferior a cama, a empurrei, fazendo-a cair sentada. Agora eu estava na frente da luz que vinha da janela, Emma podia ver toda minha silhueta.
Esperei ela erguer o rosto e me ver. Ela se ajeitou na poltrona. Não disse absolutamente nada como se estivesse esperando que algo acontecesse.
Fechei os olhos e comecei devagar. A música foi entrando na minha cabeça quando comecei a mexer os quadris de um lado para o outro. A batida começou a ficar mais forte, senti meus dedos tremendo, eu precisava fazer alguma coisa com as mãos. As subi de um jeito duro ainda, pelos quadris, cintura e seios, aos poucos fui me soltando.
Afastei as pernas um pouco mais, meu saltos estavam seguros no tapete. Devagar eu desci num rebolado, usando minhas mãos para me alisar a pele outra vez, parando-as nos meus seios sobre a renda. Eu pude ouvir Emma perder o fôlego, e isso me deu combustível para subir e descer de novo, sem deixar de mexer os quadris no ritmo da música. Começou a ficar bom.
Minhas palmas roçavam sobre a minha pele, de baixo para cima; Minha barriga, meus seios, ombros e nuca, como se fosse minha mulher me tocando. Passei elas pelos meus cabelos, deslizando-as de novo para baixo. Subitamente as coloquei para trás da minha cabeça, abrindo os olhos, vendo os de Emma diretamente em mim. Eu a encarei ferozmente.
Havia um cabideiro do meu lado e o agarrei com uma mão firme, conseguindo subir e descer apoiada nele. Girei uma vez, ficando de costas para Emma, e na empolgação da dança joguei meu corpo para o lado me esquecendo do detalhe que o cabideiro não estava preso ao chão.
Bam! Caí de lado com cabideiro e tudo. Emma se levantou no mesmo instante, mas eu me coloquei de pé rápido, tentando disfarçar, voltando a dançar para ela. Faltava pouco para a música parar, então aproveitei que ela ficara de pé na minha frente e me aproximei feito um gato. Arfei perto de sua boca, provocando.
Eu não podia mais esperar, a puxei pela nuca e arranquei um beijo libidinoso de seus lábios. Peguei as mãos dela e as subi pelo meu corpo, tal como eu fazia no momento da dança. Ela podia sentir a textura da lingerie e meu calor, meu arrepio e desejo.
Se Emma ainda sentia algum desejo por mim, eu teria certeza agora.
Swan me pegou pelas nádegas, me colocando no colo para me levar até a cama. Mas eu não esperava que ela fosse ser tão carinhosa.
Primeiro me contemplou deitada e só após minha respiração acalmar ela subiu por cima de mim, se ajeitando para me virar e começar a desabotoar a peça íntima. Fiquei de bruços a maior parte do tempo, esperando ela abrir botão por botão, e a cada fecho aberto eu ganhava um beijo na pele das costas, um roçar do rosto dela e mais carinho. Quando Emma terminou, desceu a roupa por meu corpo, tirou meus sapatos, me deixando completamente nua. Permaneci de bruços, deitada com o queixo no travesseiro quando a senti erguer minha cintura e enfurnar a língua entre minhas coxas por baixo.
Contive um gemido deixando ela tomar conta de mim. Não sei exatamente o que Emma estava fazendo, se me devorando de cabeça para baixo, ou me devorando de bruços. Só sei que eu voltei a sentir o que há muito não estava conseguindo quando ela comandava o sexo. Prazer de verdade.
Finquei as unhas no travesseiro, já que eu não podia segurar os cabelos de Emma naquela posição. A língua dela brincava em mim bem no meio e eu não podia segurar a vontade de gritar. Mordi a almofada e gemi alto, dando satisfação a minha esposa. Pude sentir a ardência que suas mãos causaram sobre minhas nádegas enquanto eu urrava.
Emma subiu até mim, me virando, levando sua língua a minha boca. Eu experimentei novamente meu gosto dos lábios dela e a sensação era ótima.
— De todas as surpresas que você me fez hoje, eu tenho certeza que essa foi a melhor. — ela falou baixinho para mim.
— Eu sabia que seria, por isso deixei por último. — respondi, ofegante.
— Há tanto tempo que esperei te ver nessa lingerie. Achei que não tivesse gostado.
— Eu gostava dela, mas tinha vergonha de usá-la.
— Dei para que você usasse pra mim.
— Eu sei, mas só tive coragem de vesti-la agora. — ainda estava ofegante e até mesmo um pouco cansada, mas se Emma quisesse eu poderia dançar mais um pouco para ela. — Você não imagina o medo que tive de dançar para você.
— Medo de quê? Eu te dei algum medo?
— Medo de fazer errado. — ri.
— Você foi ótima, só precisa aprender a não usar mais cabideiros de suporte na próxima vez. — brincou ela. — Você me surpreendeu hoje. Você tem me surpreendido nos últimos dias. Como vou retribuir tudo isso? Todos esses presentes que tem me dado?
— Você só precisa fazer uma coisa, meu amor. Me amar, me amar como quando tudo começou.
Falei isso de um jeito melancólico, porém, apaixonado. Eu tenho um bom pressentimento de que vou conseguir fazer meu casamento voltar ao que era. Eu só preciso que Emma também deseje isso. Acho que ela também quer isso como me disse há cinco semanas atrás. Pela primeira vez em quatro anos, sinto que minha mulher voltou a ser feliz comigo.
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